<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041</id><updated>2011-11-16T10:43:27.698Z</updated><title type='text'>Da escrita</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>142</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-9133467826636334957</id><published>2011-11-16T10:43:00.001Z</published><updated>2011-11-16T10:43:27.751Z</updated><title type='text'>Os funcionários públicos e os funcionários privados</title><content type='html'>1 de Novembro – Como responderia o leitor à questão: ‘Dava 24% do seu salário em troca da segurança de emprego vitalício?’&lt;br /&gt;Muitos funcionários públicos deram, mesmo que ninguém lhes tenha perguntado nada. A decisão poupa milhões mas, em minha opinião, não tem pés nem cabeça. Há uma colectividade numerosa que defende estes cortes com base em dois argumentos: o de que os funcionários públicos têm segurança no trabalho; e que ganham mais do que o sector privado. Esta raiva contra a Função Pública é já um sintoma de cisão social. Mas está assente em várias falácias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trabalhadores com contrato de função pública têm segurança do trabalho (apetece dizer: por enquanto). Mas estes cortes afectam muitos outros que a não têm: os funcionários das empresas públicas, de empresas municipais e de institutos que venham a ser extintos, se tiverem contrato individual de trabalho. Mas a principal falácia é outra: a de que os funcionários públicos ganham mais. Isso é verdade... em média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo estudos do Banco de Portugal, os funcionários públicos auferem entre 10% e 20% de remuneração superior à iniciativa privada. No entanto, são os que estão nas funções de baixas qualificações que ganham mais, o que se inverte ao longo da hierarquia. Ou seja, quanto "pior" se é, mais se ganha face às empresas; quanto "melhor" se é, pior se ganha comparando com a iniciativa privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta disfunção salarial é conhecida e não é resolvida, antes agravada, por este corte de salários cego. Quem mais ganha terá um corte superior a quem menos ganha, o que sendo socialmente justo, alarga o fosso face à iniciativa privada. O incentivo para sair da Função Pública (ou para baixar os braços) é agora grande e aqueles que o poderão fazer são os melhores. Há quem ache que são todos malandros e portanto é correr com eles. Essa sanha é míope: a desvalorização da Função Pública tem sido um pecado contra o Estado quase tão grande quanto foi a engorda do número dos seus quadros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema da Função Pública é ser grande demais para o que faz (ou produzir de menos para a dimensão que tem), estar muitíssimo mal chefiada, mal distribuída e enfeudada. Seria estrategicamente melhor para o Estado ter feito um despedimento do que este corte cego. Os custos sociais, no entanto, seriam impraticáveis, tendo em conta o desemprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver tanta gente a exultar com esta navalhada é inquietante. Como o é ver que ninguém parece querer falar dos pensionistas, a quem também se retiram 14% das pensões dos próximos dois anos. Talvez seja porque os pensionistas não tenham sindicato... Mas não duvide: o Estado está a falhar num contrato que assinou. E se o Governo diz que 80% dos pensionistas não serão afectados, isso só significa que 80% das pensões são baixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Governo ainda não explicou as contas para um corte tão profundo. O desvio do défice do primeiro semestre explica muito mas não tudo. Parece claro que o corte prometido da despesa intermédia está a falhar, e que a reforma do Estado avança como um caracol. Vítor Gaspar faz bem em assegurar o cumprimento das metas mas isso não pode significar a desistência do que Pedro Passos Coelho prometeu e ainda não fez. E, já agora, se o primeiro-ministro está tão cismado em encontrar os responsáveis políticos do desmando actual, devia actuar junto do mesmo sistema que o fez e fará medrar: o político. O financiamento partidário. O número de deputados. A reforma administrativa, que tem de ir mais longe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia alternativa a medidas com este alcance. Mas havia outras medidas possíveis. Teria sido melhor um imposto extraordinário sobre todos os rendimentos e sobre todo o património. É polémico, claro, mas não menos do que cortar salários à Função Pública. O Governo, que está refém da sua própria pressão de cortar despesa, optou por um caminho que corre o risco da demagogia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado não está a reestruturar a Função Pública, está a aniquilá-la. O país, no estado que está, precisa da "boa" administração do Estado e é esta que está a enxotar. Arrisca-se a ficar apenas com a "má", que é a comparativamente cara e improdutiva. A todos pede agora compaixão: que apesar de tirar quatro salários dos próximos 48, seja missionário. A salvação do Estado deixou, pois, de ser uma questão de governação. Passou a ser uma questão de fé. Que ela nos proteja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 10 / Novembro / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-9133467826636334957?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/9133467826636334957/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=9133467826636334957&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/9133467826636334957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/9133467826636334957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/11/os-funcionarios-publicos-e-os.html' title='Os funcionários públicos e os funcionários privados'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-1640982100066102982</id><published>2011-11-16T10:42:00.000Z</published><updated>2011-11-16T10:42:03.949Z</updated><title type='text'>O aeroportdo de Frankfurt em Beja e Edite Estrela</title><content type='html'>15 de outubro – Querem perceber como chegámos aqui? Com exemplos destes: no primeiro semestre de 2011, o aeroporto de Frankfurt cresceu 8,3% em número de passageiros, para um total de 26,5 milhões. Numa escala diferente, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro cresceu 17% em 2010, para um total de cinco milhões de passageiros. Numa terceira escala, o Aeroporto de Beja cresceu de forma incomensurável, e não precisou de dois semestres. Nem sequer de um. Para dizer a verdade também não precisou de muitos passageiros: em escassos quatro meses, subiu dos zero aos 798 felizes viajantes, os quais se distribuíram por 44 voos a uma média de 18,1 ocupantes por voo. A continuar assim, Beja terminará o primeiro ano de actividade com uns fulgurantes 2394 passageiros, só um nadinha aquém do milhão previsto para 2015 pelo saudoso Governo de Sócrates.”&lt;br /&gt;Rui Oliveira, relações públicas da ANA, explica o sucesso: o Alentejo "é um destino de baixa notoriedade turística internacional"; a região "tem uma oferta hoteleira de reduzida dimensão e diversidade"; não há praias e é grande a distância até à Costa Vicentina, o que significa que "os transferes são onerosos"; "não existe uma cidade costeira alentejana onde o programa turístico se possa concentrar"; a região do Alentejo é "bastante quente" no Verão; os operadores turísticos e as companhias aéreas "evidenciam uma reconhecida aversão ao risco"; "não foi tarefa fácil" convencer o único operador turístico (inglês) a funcionar em Beja; foi "bastante complicado" convencer outros a comprar lugares nos charters em questão.&lt;br /&gt;Critérios semelhantes ou aparentados justificariam a criação de aeroportos internacionais em Almeida, Nisa e Torre de Moncorvo. O que igualmente se justifica é uma pergunta: se, segundo a própria ANA, tudo conspira para tornar o Aeroporto de Beja um hilariante fiasco, que desmioladas, corruptas ou perversas cabeças se lembraram de o construir? Outra pergunta: porque é que as cabeças em causa não estão em tribunal, a responder pelos 33 milhões de euros gastos naquela simpática fraude? Os leitores conhecem as respostas e a sua justificação: isto não é um país a sério, é só um local mal frequentado. &lt;br /&gt;Claro que ambas, respostas e justificação, esclarecem a presente situação de um país acabado, um país cujos descontentes protestam no centro de Lisboa em vez de se manifestarem por exemplo na pista de Beja (o volume de tráfego não ofereceria perigo), um país que parcialmente reclama a perpetuação dos exactos delírios que estrafegaram as suas contas. Por falar em contas, um cínico apuraria que o "investimento" no referido aeroporto chegava para financiar os táxis a partir da Portela aos dois mil e tal turistas anuais durante quatro ou cinco décadas - ou durante século e meio, se os turistas preferissem o rent-a-car. Já um optimista ouviria apenas o senhor da ANA garantir que, de acordo com um inquérito realizado às dúzias de pioneiros britânicos que aterraram no terminal do Baixo Alentejo, a "qualidade percepcionada foi alta". Valha-nos isso, estamos muito mais descansados agora.&lt;br /&gt;17 de outubro – Confesso que gosto da senhora. Diz umas graças e alegra-nos nestes dias mórbidos. Além disso, acho profunadamente injusto admirar as proezas dos escassos compatriotas célebres no estrangeiro e ignorar Edite Estrela. O que fez ela desta vez? Apresentou no Parlamento Europeu uma declaração a exigir junto da ONU que o dia 22 de Setembro seja consagrado como o Dia Internacional da Rapariga. O objectivo, cito, é "assegurar que as raparigas usufruam do investimento e reconhecimento que merecem como cidadãs e importantes agentes da mudança". A proposta não surge agora por acidente: surge em plena Semana Europeia da Acção pelas Raparigas, invenção que coube, é escusado acrescentar, igualmente à dra. Edite.&lt;br /&gt;Claro que, dado o significado da palavra no Brasil, é duvidoso que a dra. Edite conte com o entusiasmo da "presidenta" Dilma. Mas nada de dramas: não faltarão apoios às pobres raparigas que, volto a citar, "têm maior probabilidade de sofrer de má nutrição, estão mais expostas à violência ou intimidação, bem como a serem traficadas, vendidas ou exploradas sexualmente". Uma investigação recente sugere também que as raparigas são mais sujeitas a preencher o expediente laboral com disparates. Mas esta conclusão é resultado de uma amostra restrita que apenas incluía a dra. Edite. E a quem, por cortesia, os investigadores não perguntaram a idade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 27 / Outubro / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-1640982100066102982?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/1640982100066102982/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=1640982100066102982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1640982100066102982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1640982100066102982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/11/o-aeroportdo-de-frankfurt-em-beja-e.html' title='O aeroportdo de Frankfurt em Beja e Edite Estrela'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-36130243746855011</id><published>2011-11-16T10:40:00.000Z</published><updated>2011-11-16T10:40:36.040Z</updated><title type='text'>O cidadão anónimo do Cacém, o prémio escolar e os médicos mortos que passam receitas</title><content type='html'>3 de Outubro – Tão iguais e tão diferentes. Conhecem Isaltino Morais? Claro que sim. Ele esteve um dia preso por erro de uma juíza. É, ainda assim, um homem com sorte. Mário Brites, conhecem? Não acredito. Ele é um anónimo cidadão do Cacém que passou injustamente cinco longos meses atrás das grades. A história mete dois polícias que não merecem a farda, uma procuradora do Ministério Público que vai em conversas e, por fim, um juiz de instrução com escassa argúcia. Um agente da PSP vive em guerra com um vizinho. Uma vulgar questão de condomínio. Arranja maneira de tramar o outro. Apresenta queixa por tentativa de homicídio: jura que o vizinho tentou dar-lhe dois tiros e apresenta um colega como testemunha do crime. A procuradora percebeu, na sua fina inteligência, que Mário Brites, o inocente, mentia e que os dois polícias, mentirosos, falavam verdade - e promoveu a prisão preventiva do denunciado, prontamente aceite por um zeloso juiz. Resultado: Mário Brites passou cinco meses preso - até que a Polícia Judiciária, tarde e a más horas chamada ao caso, deu pela mentira. Parece que vai acabar tudo em bem: os polícias continuam polícias, a procuradora não deixa de ser procuradora e o juiz fica juiz. Ttudo normal…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 de Outubro – De vez em quando, querem atirar-nos poeira para os olhos quando falam de "responsabilidade social" nas grandes empresas. Os relatórios que dão conta do contributo dos grupos económicos em prol da sociedade nunca deixaram de me parecer uma forma tosca de esconder a má consciência de administradores e directores. Com a decisão do Governo de anular os prémios de 500 € aos melhores alunos do secundário, fiquei convencido de que tinha chegado a oportunidade para os grandes empresários se juntarem aos que dizem que o mérito não pode passar sem reconhecimento. Esperei que uma EDP se adiantasse e chamasse a si a atribuição do prémio… uma Portugal Telecom que viesse dizer não, os melhores alunos têm direito a prémio e sou eu quem o vai pagar; uma Galp que se insurgisse contra a decisão de não premiar o mérito e tomasse como sua essa responsabilidade… mas nada. Foi por isso com enorme alegria que dei conta de que uma pequena empresa de Viana do Castelo, que felizmente desconhece a importância dos relatórios de "responsabilidade social", não quis defraudar as expectativas do melhor aluno da cidade (média de 19,4 valores e entrou em Medicina no Porto) e fez questão de pagar o prémio imediatamente. Senhores António Mexia, Zeinal Bava e Ferreira de Oliveira… que desilusão!... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 de Outubro - Abençoada troika: desde que chegou, os esqueletos começaram a sair dos armários. Esqueletos metafóricos, como nas contas da Madeira; ou literais, como nos 500 médicos mortos que continuam nas bases de dados do sistema. Mortos ou, pelo menos, com grandes probabilidades de já não estarem vivos, disse o vice--presidente da Administração Central do Sistema de Saúde., não sei se por piada. A verdade é que não sei se deverei ficar descansado com a imprecisão da frase: se o nosso sistema de saúde já não sabe distinguir os vivos dos mortos, que Deus nos ajude a todos. Mas talvez a dúvida do vice-presidente se prenda com a quantidade de receitas que os médicos mortos continuam a passar aos vivos, tal como denunciado pela inspecção-geral. Meros casos de fraude? Admito que sim. Mas também admito que Portugal seja o único país do mundo onde os mortos, por motivos de solidariedade nacional, continuam a dar o seu contributo para sairmos da crise. Alguém devia dizer à sra. Merkel que a nossa falta de produtividade não é coisa do outro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 13 / Outubro / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-36130243746855011?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/36130243746855011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=36130243746855011&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/36130243746855011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/36130243746855011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/11/o-cidadao-anonimo-do-cacem-o-premio.html' title='O cidadão anónimo do Cacém, o prémio escolar e os médicos mortos que passam receitas'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-4836911895478910112</id><published>2011-11-16T10:37:00.001Z</published><updated>2011-11-16T10:37:54.104Z</updated><title type='text'>O último filme de Woody Allen</title><content type='html'>19 de Setembro -  Woody Allen tem filmado na Europa. Mas a Europa parece ignorá-lo. Eu esperei que "Meia Noite em Paris" chegasse a Portugal.&lt;br /&gt;Veio agora e fui vê-lo. Chegou num Renault dos anos 20 e levou-me para o melhor filme de Woody Allen desde "Crimes e Pecados" (1989). Surpreendidos? Curiosamente, é sempre a mesma coisa: não há filme de Woody Allen que não transporte o mesmo descontentamento. O descontentamento do presente. &lt;br /&gt;Esse descontentamento tem vários nomes, em vários filmes. Em "Stardust Memories - Memórias" (1980), filme pouco citado e pouco amado, chama-lhe Woody "a melancolia de Ozymandias", uma referência ao poema de Shelley no qual um antigo viajante encontra uma estátua de Ozymandias, "rei dos reis", perdida nas areias do deserto. &lt;br /&gt;A melancolia de Woody expressa a perplexidade de Shelley: como é possível alimentar qualquer vaidade sobre a existência terrena quando a morte e o esquecimento são certos? Trata-se de uma questão gélida porque Woody Allen exclui a hipótese literalmente sagrada: a hipótese de um Deus onipresente e onipotente, que confere à passagem terrena um propósito e um sentido. &lt;br /&gt;Mas a questão que devemos colocar é: haverá propósito? Ou então: haverá sentido? Parafraseando as palavras do Prof. Levy em "Crimes e Pecados" (que, sintomaticamente, se suicida no final), são os seres humanos que conferem propósito e sentido às suas vidas; e fazem-no através de coisas tão mundanas como o amor, a amizade, a arte, o trabalho --e a esperança de que talvez as gerações futuras possam saber mais. &lt;br /&gt;Repito: propósito e sentido. É exatamente o que falta a Gil em "Meia Noite em Paris" (soberbo Owen Wilson). Ele, roteirista em Hollywood com assinalável desprezo por Hollywood, visita Paris com a noiva e os futuros sogros. Para ele, Paris é uma festa. Melhor: Paris era uma festa, uma "festa móvel", tal como Hemingway a descreveu no famoso relato dos anos 20. O presente é apenas uma pálida imagem desse tempo ‘jurássico’. &lt;br /&gt;Difícil discordar. Sobretudo para quem leu "Paris é uma Festa" com grata voracidade. E se o fizemos na adolescência, a coisa piora: será possível ser tão pobre e tão feliz, perguntava eu nessa idade, abismado pela vitalidade da prosa límpida de Hemingway? &lt;br /&gt;É possível, dizia-me ele, quando amamos o que fazemos: existe no trabalho bem feito uma gratificação existencial que suplanta qualquer luxo. Era --e é-- uma grande verdade, que só o tempo acabaria por confirmar. &lt;br /&gt;Hemingway foi o meu Virgílio. Imaginava-o a almoçar no Deux Magots e na Brasserie Lipp. (O Michaud era mais caro --mas, espreitando pela vitrine, era possível ver James Joyce a almoçar com a família). &lt;br /&gt;Bebia muito: xerez seco e, nos dias especiais, uma garrafa de Pouilly-Fuissé. Comia ainda melhor e com pouco dinheiro: "pommes à l'huile", ostras "marennes" (melhores que as "portugaises", dizia Hemingway, para me provocar), trutas "au bleu". &lt;br /&gt;Quando o bolso apertava, ficava em casa, a trabalhar, onde havia tangerinas e castanhas assadas. Ou, nas visitas ao salão de Gertrude Stein, ameixas escuras e amoras silvestres. &lt;br /&gt;Foi Miss Stein, aliás, quem me deu o mais importante conselho literário: só ler livros verdadeiramente bons ou verdadeiramente maus. São os únicos que ensinam alguma coisa. &lt;br /&gt;Woody Allen também leu "Paris é uma Festa". E também o viveu. E o que impressiona em "Meia Noite em Paris" é a apropriação criativa da idealização de Hemingway --essa "idade de ouro" que ressuscita com as doze badaladas para resgatar Gil do descontentamento do seu presente, transportando-o para o passado. &lt;br /&gt;Gil vai. Vai e conhece Zelda,  Scott Fitzgerald, Cole Porter e Hemingway "himself", que fala como o verdadeiro escrevia: em golfadas de romantismo e fanfarronice. Mas também conhece Adriana (Marion Cottillard, "ma chérie"), que partilha com Gil a mesma nostalgia pelo passado. Só que, para ele, o passado é Paris nos anos 20. Para ela, que vive nos anos 20, a verdadeira nostalgia é Paris na Belle Époque. &lt;br /&gt;E quando ambos recuam ainda mais e vão visitar a Belle Époque ao Moulin Rouge de Toulouse-Lautrec, encontram Gauguin e Degas, descontentes com a Belle Époque --e suspirando pelo Renascimento de Ticiano e Michelangelo. &lt;br /&gt;Vamos recuando, sempre e sempre, para evitar o descontentamento do presente. Mas essa forma de escape não é apenas ilusória porque todas as "idades de ouro" são sempre um tempo presente e, por isso, descontente para quem as habitou. Esse escape permanente impede Gil de viver no seu presente. E de fazer as escolhas que dão sentido e propósito à sua vida. &lt;br /&gt;Não que essas escolhas sejam garantia de nada. Afinal, o descontentamento da nossa condição é erradicável --e constitui o cimento filosófico do cinema de Woody Allen. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 30 / Setembro / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-4836911895478910112?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/4836911895478910112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=4836911895478910112&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4836911895478910112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4836911895478910112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/11/o-ultimo-filme-de-woody-allen.html' title='O último filme de Woody Allen'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-562723552696947207</id><published>2011-11-16T10:36:00.001Z</published><updated>2011-11-16T10:36:42.074Z</updated><title type='text'>O massacre de Oslo</title><content type='html'>4 de Setembro – Quando as imagens do massacre de Oslo nos entraram em casa, julgámos estar na presença de um louco. Uma leitura na diagonal das 1500 páginas que Anders Breivik publicou antes de sair da sua quinta norueguesa para provocar explosões no centro de Oslo, dirigir-se ao acampamento de Utøya e matar a sangue-frio dezenas de jovens, reforçou a minha ideia de que estamos mais perante um fanático. O que ele escreve é arrepiante, muitas vezes mentiroso, mas ele sabe o que escreve e por que escreve, quando lhe é útil mentir ou não mentir.&lt;br /&gt;Sabe também que vocabulário usar. Nunca diz que o seu opus é um “manifesto” (palavra que erradamente tem sido usada) mas um “compêndio”, ou seja, um conjunto de textos que pretendem abranger um tema. O compêndio dele tem pelo menos uma meia-dúzia de partes. Numa das primeiras, tenta explicar como o “marxismo cultural” tomou conta do Ocidente a partir dos anos 60. Noutra, tenta provar que demograficamente os muçulmanos dominarão a Europa. Até aqui, nada que não tenhamos lido no conservadorismo mais rebarbativo, com o mesmo manipular de dados e excitar de fobias. Noutra parte ainda, analisa em detalhe a lei canónica para demonstrar que é lícito aos cristãos usar da violência, matarem infiéis e martirizarem-se. Depois passa à explicação de como fabricar bombas ou que alvos atingir (universidades ou eventos literários onde se encontrem muitos “multiculturalistas”, por exemplo). Descansem, caros leitores, não entrarei em pormenores…&lt;br /&gt;Aquilo não é uma coisa incongruente, tendo em conta as intenções do autor. Aquilo é um vírus. Depois de preso ou morto, Breivik desejava contaminar o cérebro de outros como ele. Seria uma excelente surpresa que não o conseguisse…&lt;br /&gt;Como devemos responder? Escrevo aqui enquanto “traidor de categoria B” (na qual Breivik inclui “políticos multiculturalistas, parlamentares europeus, escritores, conferencistas” e outros a punir com execução e expropriação) e posso apenas dizer: não com prisões secretas, não com tortura, não com “rendições extraordinárias”, não com mais paranóia, não com discurso securitário, não com violação de privacidade a cidadãos não-suspeitos, não com interferências à liberdade de expressão, não com leis feitas à medida, não com estados de exceção, não com invasões de países, não com mentiras para as justificar, não com guerras de civilizações ou do que quer que seja. Não queremos nada disso, e não precisamos de nada disso.&lt;br /&gt;A nossa sociedade necessita de um mandamento para o século: não odeies. Pensem nele. É simples. É para todos. É difícil. Não odeies.&lt;br /&gt;Não me atreveria a propor amar o próximo, amar o teu irmão de outra religião — seria provavelmente considerado multicultural demais, relativista demais, efeminado demais, politicamente correcto demais — e essas são,ao que parece, as grandes vergonhas da nossa época.&lt;br /&gt;Então fica assim — como mínimo denominador comum, ao menos, poderemos acertar nisso? — não odeies. Não odeies o outro. Não odeies o seu erro se queres amar a tua verdade. Não odeies a sua verdade se queres amar o teu erro. Não odeies sequer o ódio. O ódio quer ser odiado. O ódio deseja fervorosamente mais ódio. Se dissermos aos outros para não odiarem, pode ser que este século corra bem. É simples. Não odeies nada. Eu disse que era difícil…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 9 / Setembro / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-562723552696947207?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/562723552696947207/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=562723552696947207&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/562723552696947207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/562723552696947207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/11/o-massacre-de-oslo.html' title='O massacre de Oslo'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-9141874336732545056</id><published>2011-11-16T10:35:00.001Z</published><updated>2011-11-16T10:35:35.142Z</updated><title type='text'>A Felicidade</title><content type='html'>19 de Agosto - Quando, certa vez, perguntaram ao escritor Gonzalo Torrente Ballester o que pensava de determinado assunto, ele encarou o seu entrevistador e atirou: “E o que tem o senhor a ver com isso?”  &lt;br /&gt;Podemos falar sobre a Felicidade? Uns dirão: Felicidade, haverá tema mais infeliz? Dou-vos um único conselho: não vale a pena seguir conselhos. Os livros de auto-ajuda que estão por aí na moda são livros de anti-ajuda. O que eles fazem é transformar a felicidade em direito e, coisa pior, em dever. Conheço casos: gente que começou infeliz lendo um desses manuais e, no final da maratona, estava mais infeliz ainda. &lt;br /&gt;Se isso acontece para os indivíduos, o cenário muda de figura para as nações. Infelizmente, para pior… Falar de um "país feliz" é tão absurdo como falar de um "gambozino". Os países não são pessoas. Mas os políticos tentam. &lt;br /&gt;Leio regularmente que, por esse mundo fora, filósofos, psicólogos e economistas estudam  medidas públicas destinadas a elevar a felicidade da população. Alguns especialistas, para medir a riqueza de um país,  falam mesmo em "Felicidade Interna Bruta" como mais importante que "Produto Interno Bruto".&lt;br /&gt;O "The New York Times" conta até que, nos Estados Unidos, o Censo de Boston começou a perguntar aos habitantes quão felizes eles se sentiam. Estão a ver: a ideia do poder político é reunir respostas, fazer gráficos rigorosos sobre os humores da população - e depois aplicar medidas para tornar o pessoal mais alegre. Sem ser através de químicos no ar ou na água. &lt;br /&gt;É bom deixar já o aviso: nada disso funciona. E não funciona porque a felicidade não existe - no coletivo. Existem felicidades particulares, individuais, muitas vezes intransmissíveis, que não podem ser reduzidas a um denominador comum. Eu sou feliz quando toco harmónica. O meu vizinho é infeliz quando me ouve a tocar harmónica. Definitivamente,  caso encerrado. &lt;br /&gt;Afinal de contas, as pessoas não são números. São pessoas: distintas, irrepetíveis. Muitas vezes insondáveis e insolúveis. E aquilo que as torna felizes, ou infelizes, varia de caso para caso e, mais ainda, de momento para momento. De nada vale eu responder ao Censo que me sinto feliz hoje quando, ainda ontem, eu estava infeliz da vida. &lt;br /&gt;Mas a felicidade não é apenas um conceito deslocado para pensarmos politicamente; ele pode ser  sobretudo perigoso. A ideia 'utilitarista' de que o governo deve perseguir sempre 'a maior felicidade para o maior número', apesar do seu agradável apelo democrático, pode legitimar situações intrinsecamente desumanas ou imorais. &lt;br /&gt;Se, por hipótese remota, uma comunidade se sente feliz perseguindo judeus, ou negros, ou mulheres, ou homossexuais, ou anões, que podem os "utilitaristas" responder a esse conjunto de preferências coletivas? Acreditar que a vida moral é uma mera questão quantitativa abrirá sempre portas para horrores mil. &lt;br /&gt;O Estado quer "promover" a felicidade? Muito simples: basta que se retire das vidas individuais sem exercer sobre elas qualquer poder paternal, autoritário, totalitário. &lt;br /&gt;Quando um Estado pergunta "quão feliz você se sente?", só é possível responder a isso com uma nova pergunta: "E o que você tem a ver com o assunto?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 3 / Setembro / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-9141874336732545056?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/9141874336732545056/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=9141874336732545056&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/9141874336732545056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/9141874336732545056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/11/felicidade.html' title='A Felicidade'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5587726057979108987</id><published>2011-11-16T10:34:00.000Z</published><updated>2011-11-16T10:34:14.644Z</updated><title type='text'>A 'morte' no serviço público de televisão e o 'eterno' detetive Columbo</title><content type='html'>1 de Julho – Num dia em que a situação grega está na ordem do dia e o programa do governo é apresentado na Assembleia da República, um dos telejornais abre com imagens do local onde os admiradores de Angélico Vieira estão concentrados.&lt;br /&gt;Tal facto diz muito da ideia que alguns têm da famosa expressão ‘serviço público’. Para o endeusamento que se faz da personagem, não interessa nada que o carro circulasse na via pública sem seguro, ou que a maioria dos ocupantes não tivesse colocado o cinto de segurança.&lt;br /&gt;Também parece não interessar a ninguém saber a que velocidade ia a viatura ou se o condutor apresentava excesso de álcool ou drogas no sangue. &lt;br /&gt;Ninguém falou disso. A comunicação social em peso preferiu a exploração do efeito emocional e ficou por aí.&lt;br /&gt;Sensivelmente na mesma altura morreu o empresário Salvador Caetano. É verdade que o senhor tinha 85 anos ( uma eternidade ) e estava doente ( uma normalidade ), mas a histeria mediática à volta do desaparecimento do jovem artista Angélico Vieira, por contraste com a discrição da notícia da morte do empresário nos órgãos de informação dá-nos um excelente retrato da ordem de valores da sociedade actual.&lt;br /&gt;Por aqui se vê que um jovem cantor e actor - que há meia dúzia de anos era um total desconhecido - é muito mais importante do que um homem que subiu na vida a pulso, construiu um império industrial com a importação de automóveis do Japão, contribuiu para a produção da riqueza nacional e deu emprego a milhares de pessoas. Numa altura, sublinhe-se, em que não havia Internet, fax, telemóveis e em que as chamadas internacionais era principescamente paga. &lt;br /&gt;Por aqui se vê que, para muita gente, é mais importante uma novela de duvidosa qualidade, com adolescentes, do que construir fábricas, criar empregos no país e dar comida a inúmeras famílias.&lt;br /&gt;Apesar de tudo entendo muito bem a reacção dos adolescentes neste caso. A culpa desta inversão de valores nem sequer é deles. É da geração anterior, dos pais, que os educaram assim. Para a diversão e não para o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 de Julho - Há mais de trinta anos, quando a televisão e a leitura preenchiam grande parte dos tempos livres, muitas personagens entravam dentro de casa e ‘exigiam’ um espaço. Peter Falk   ( 1927-2011 ) foi um deles. O ‘eterno’ detective Columbo fazia parte da minha adolescência televisiva e ajudou a passar muitos serões na época ( foram 70 episódios ).&lt;br /&gt;O seu modelo de investigação era desarmante, a voz nasalada era um convite ao riso, os modos eram os de um desastrado e desmazelado – havia quem usasse gabardines ‘à Columbo’. &lt;br /&gt;Também era verdade que, enquanto assistíamos aos episódios, na TV, desconhecíamos a ‘teoria da ciência’ do seu método de investigação, e que o aproximaria de um Sherlock Holmes californiano. Peter Falk nunca conseguiu deixar de ser Peter Falk e de se confundir com o talento triste e solitário de Columbo. ‘Só mais uma coisa’, costumava ele dizer no fim para finalmente enredar o culpado. E fazia-o. Columbo ou Peter Falk? Morreram os dois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 7 / Julho / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5587726057979108987?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5587726057979108987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5587726057979108987&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5587726057979108987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5587726057979108987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/11/morte-no-servico-publico-de-televisao-e.html' title='A &apos;morte&apos; no serviço público de televisão e o &apos;eterno&apos; detetive Columbo'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-136635213910846786</id><published>2011-07-05T10:33:00.002+01:00</published><updated>2011-07-05T10:33:49.457+01:00</updated><title type='text'>O copianço dos futuros juízes e os 'erros' das sondagens</title><content type='html'>17 de Junho – Se dúvidas houvesse sobre o modo como se faz justiça em Portugal, o recente caso do copianço generalizado num teste de uma cadeira do Centro de Estudos Judiciários.retiraria qualquer dúvida.&lt;br /&gt;Acrescente-se que, perante o facto, o CEJ, por decisão administrativa, atribuiu um 10 a todos os alunos. E o próprio director adjunto do CEJ justificou a decisão afirmando que entre os 140 auditores de Justiça houve quem não tivesse copiado, pelo que uma sanção mais pesada seria injusta para estes últimos, que também ficaram com nota 10. &lt;br /&gt;Quer isto dizer que é legítimo punir os inocentes, desde que a pena não seja muito pesada. No caso concreto, a instituição optou por nivelar por baixo, punindo cegamente e sem fundamento todos por igual. Por não ter criado em devido tempo mecanismo que impedem o copianço e mecanismos que detectem sem margens para dúvida quem copia, o CEJ  vê-se obrigado a punir levemente todos, incluindo os que não copiam. &lt;br /&gt;Mas como vão ser juízes, é melhor ficarmos caladinhos perante uma rasteirice que não se aceita nem nos momentos mais tristes da vida de uma escola pública comum.Para que serve eu tentar incutir brio nos meus alunos, se é com isto que eles se deparam em candidatos a exercer um dos poderes basilares da República. Copiar num exame é infantil e desonesto; e para todos os efeitos é um crime – que, em princípio, a lei não pune. Que seja cometido por futuros juízes e magistrados é ainda mais grave. &lt;br /&gt;Protejam-se, cidadãos, eles estão a chegar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 de Junho – Como muitos outros, fiquei surpreendido com a diferença entre os resultados finais das últimas eleições e as sondagens divulgadas até à véspera das mesmas. Tenho para mim que as razões desta discrepância são diversas, mas a confusão lançada na opinião pública poderia ter sido evitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo, em primeiro lugar, que as sondagens constituem uma estimativa da intenção de voto num dado momento, embora sejam interpretadas pelo público, e até pelos media, como uma previsão. De forma a dissipar esta confusão, impõe-se que os institutos passem a apresentar não só o resultado das sondagens, mas que expliquem também de que forma estes podem antecipar (ou não, pelos vistos) os resultados eleitorais.&lt;br /&gt;Para além disso, o nível de indecisos e não respondentes incluídos nos estudos foi enorme ao longo da última campanha eleitoral, atingindo valores da ordem dos trinta e muitos por cento, o que inviabiliza a priori qualquer previsão. Compreende-se agora, a afirmação veiculada pelos que anunciavam que os indecisos da área socialista ficaram em casa para penalizar Sócrates, enquanto os da área social-democrata foram votar, num último impulso que os impelia à mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, as sondagens dos diversos institutos não consideraram a distribuição de mandatos pelos diversos círculos. Desde logo, ignoravam que, em cerca de quinze dos vinte círculos, a distribuição de mandatos é quase inamovível. De facto, a adopção do método de Hondt, nos círculos com quatro ou seis deputados, exclui os pequenos partidos e privilegia os dois maiores. Aliás, o sistema apenas se revela verdadeiramente proporcional nos maiores círculos, como Porto e Lisboa. Acresce ainda que nos cálculos apresentados não foram considerados os votantes das ilhas e dos círculos da emigração, onde o PSD é claramente dominante face ao Partido Socialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todos estes efeitos somados, não é pois de admirar que as intenções de voto no PSD tenham sido subavaliadas ( com que interesse escondido? ), enquanto relativamente ao Partido Socialista e ao CDS eram sucessivamente inflacionadas.&lt;br /&gt;Mas a verdade está reposta com o acto eleitoral, que constituiu o dia do juízo final, não só para Sócrates, mas também para as sondagens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 22 / Junho / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-136635213910846786?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/136635213910846786/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=136635213910846786&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/136635213910846786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/136635213910846786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/07/o-copianco-dos-futuros-juizes-e-os.html' title='O copianço dos futuros juízes e os &apos;erros&apos; das sondagens'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-8560373297841902026</id><published>2011-07-05T10:31:00.002+01:00</published><updated>2011-07-05T10:31:55.971+01:00</updated><title type='text'>A agressão das duas adolescentes e Martin Amis</title><content type='html'>31 de Maio – Não acredito que o leitor não tenha visto o filmezinho em que duas adolescentes espancam uma terceira junto a um centro comercial de Benfica. E quem mais se esforçou para que toda a gente o visse foram os outros adolescentes que testemunharam a cena, registaram-na no vídeo do telemóvel e publicaram-na imediatamente no Facebook. E os jornais televisivos que a transmitiu não sei quantas vezes no noticiário enquanto uma jornalista (em off) descrevia o horror que aquelas imagens devem suscitar. &lt;br /&gt;Sobre o episódio, julgo não hver muito a acrescentar. As imagens falam por si.  Histórias de proezas idênticas surgem com crescente frequência mas apetece-me comentar o comentário da jornalista em questão, que encerrou a "peça" confessando a estranheza que lhe suscita a selvajaria de uma geração que, cito de memória, tem tudo para não ser selvagem.&lt;br /&gt;Eu até compreendo, em Portugal todos somos especialistas em Educação. Mas a senhora estava à espera de quê? Uma escola "inclusiva" e reduzida a depósito da criançada? Professores sem autoridade e vontade? Pais que não educam por incapacidade ou demissão? Consolas de jogos? Telemóveis? O Magalhães? &lt;br /&gt;Até parece que o universo em peso parece conspirar de modo a facilitar, ou a incentivar, a fúria animal das meninas de Benfica. Ao contrário da senhora jornalista, o que me espanta é o facto de ainda haver adolescentes que não passam os seus dias a pontapear o semelhante. Ou talvez passem e não chegam ao Facebook. Ou chegam ao Facebook e os telejornais não notaram. Ou notaram e eu não reparei nos telejornais, que têm tudo para ser úteis e afinal… são isto. &lt;br /&gt;3 de Junho - Gosto de Martin Amis. Dos ensaios e dos romances. Penso que, depois de Gore Vidal, não existe pena mais inteligente sobre livros e literatos. &lt;br /&gt;Ora, é pena que, ao natural, Amis não tenha a mesma elegância. Agora, conta o "The Sunday Telegraph", o escritor inglês desceu o chicote sobre a Família Real em declarações à imprensa francesa. "Filistinos", diz Amis. E porquê? &lt;br /&gt;Logicamente, porque ignoram a importância de Martin Amis no esquema geral do mundo. Pior: nem sequer conhecem a sua obra literária. "A rainha não escuta ninguém", diz Amis, que teve encontros formais com a rainha e percebeu, pelo olhar enfadado da senhora, quão insignificante ele era. &lt;br /&gt;O mesmo com o marido, o duque de Edimburgo. "Sou escritor", disse-lhe Amis. O duque, espantado, replicou: "A sério?" &lt;br /&gt;As palavras de Martin Amis têm interesse porque não é todos os dias que vemos um "snob" lambendo as feridas em público. E uso o termo "snob" no sentido em que ele era usado para hierarquizar os alunos na universidade de Cambridge no momento da matrícula: depois do nome, aparecia a condição social. Para quem não nascera em berço aristocrático, um "sine nobilitas" ("sem nobreza", i.e., "s.nob") arrumava com o sujeito. &lt;br /&gt;Exatamente como Amis se sente arrumado, prova acabada de que o "filistino", na verdade, é ele. Se Amis não concedesse à Família Real importância alguma, jamais haveria semelhante exibição de vaidade e ressentimento. Para os neutros em matéria monárquica, a existência dos Windsor é, quando muito, um anacronismo pitoresco do qual não exigimos reconhecimento ou aplauso. &lt;br /&gt;Mas Martin Amis quer reconhecimento e aplauso. E apesar de deplorar a histeria mundial com o casamento real do passado dia 29 de abril, ele não se distingue das multidões sentimentais que encheram Londres para saudar William e Kate. &lt;br /&gt;A única diferença é que as multidões aplaudiram os noivos. Amis, se pudesse, atirar-lhes-ia tomates ou ovos podres. Duas formas de paixão são duas formas de paixão.O leitor, que intimamente também alimenta iguais sentimentos de amor e ódio pela instituição monárquica, sabe do que falo. &lt;br /&gt;Para concluir, Amis confessa ainda, em tom dramático, que gostaria de não ser inglês. Pobre Martin. Só um perfeito inglês teria uma relação tão intensa e patológica com a primeira das famílias nativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 9 / Junho / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-8560373297841902026?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/8560373297841902026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=8560373297841902026&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8560373297841902026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8560373297841902026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/07/agressao-das-duas-adolescentes-e-martin.html' title='A agressão das duas adolescentes e Martin Amis'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6061591186568963779</id><published>2011-07-05T10:29:00.000+01:00</published><updated>2011-07-05T10:29:54.117+01:00</updated><title type='text'>Strauss-Kahn, a violação absolvida e Luís Fernando Veríssimo</title><content type='html'>Imaginemos que o caso Dominique Strauss-Kahn tinha acontecido ontem, em Portugal, no hotel Ritz. O indivíduo, sozinho numa suite, tentar abusar sexualmente de uma empregada o hotel. E fugir do local, à pressa, deixando para trás telemóvel e outras coisas pessoais.&lt;br /&gt;Imaginemos que a empregada fazia queixa na esquadra de polícia mais próxima, indicando os factos, a nacionalidade do suspeito e o evidente perigo de fuga do indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fazia a PSP, neste caso? Tomava "conta da ocorrência". Escrevia no computador o relato da vítima, pedia-lhe provas a apresentar e...ficava por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A PSP nunca iria ao aeroporto, à noite, tentar interceptar o suspeito em fuga. Nunca teria o bestunto e a racionalidade em abordar com rapidez exigível o responsável do aeroporto e diligenciar legalmente pela detenção do suspeito para averiguação necessariamente sumária e antes de apresentação a um juiz.&lt;br /&gt;Mas consideremos que havia no posto da PSP um agente que tivesse esse dom raro da capacidade investigatória adequada às circunstâncias. Imaginemos que iria em patrulha ao aeroporto, entraria no avião e deteria o suspeito. E imediatamente comunicava o facto ao MºPº como manda a lei processual penal.&lt;br /&gt;O que aconteceria? Não é difícil de imaginar, tendo em conta o que sucedeu no processo Casa Pia, até porque os intervenientes são quase os mesmos.&lt;br /&gt;O inefável Rui Pereira seria acordado às duas da manhã. O que faria? Será difícil de imaginar? Faria como Souto Moura fez nessa altura em que António Costa, um ex-ministro da Justiça do PS fez, pressionando-o para resolver o assunto a contento dos socialistas em perigo? Diria que nada poderia fazer porque o assunto estava já nas mãos de um juiz de instrução ou, no caso, do MºPº?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma vez poderíamos supor que o suspeito ficaria detido para apresentação a um juiz, não hoje, mas amanhã, segunda-feira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta a estas perguntas deve ser colocada ao responsável pelo FMI que por cá esteve a dar palpites sobre o nosso sistema jurídico-penal...&lt;br /&gt;Uma mulher grávida de 34 semanas foi violada no consultório do psiquiatra que consultou para a ajudar a ultrapassar a depressão de que sofria. O médico que a violou, com sexo oral e cópula, foi absolvido pelo Tribunal da Relação do Porto porque os actos praticados, considerados provados, não foram praticados com a violência a que a lei obriga, deliberaram dois dos três magistrados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acórdão foi revelado esta quinta-feira pelo Diário de Notícias. A relatora do acórdão, a juíza Eduarda Pinto e Lobo, considerou que não ficou provado se o médico, ao obrigar a paciente a realizar sexo oral, o fez a agarrar a vítima pela cabeça ou pelos cabelos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Não se vislumbra como é possível considerar o acto de agarrar a cabeça como traduzindo o uso de violência de modo a constranger alguém à prática de um acto contra a sua vontade. A não ser que se admitisse que o mero acto de agarrar a cabeça provoca inevitável e automaticamente a abertura da boca», lê-se no documento, citado pelo DN. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os juízes que assinaram a absolvição do médico, que tinha sido condenado em primeira instância a cinco anos de pena suspensa e a pagar 30 mil euros à vítima, consideraram ainda que a grávida de sete meses não ofereceu resistência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Se a força física utilizada tem de ser, como atrás se disse, a destinada a vencer uma resistência oferecida ou esperada, o que pode afirmar-se é que no que respeita ao coito oral não se provou qualquer tipo de resistência por parte da vítima. Ou, pelo menos, uma resistência que o arguido tivesse tido necessidade de vencer através do uso da violência», escreveram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violação da paciente não foi apenas no sexo oral. O médico obrigou a vítima à cópula empurrando-a contra o sofá do consultório. Facto que também não convenceu os meritíssimos juízes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Os factos provados não permitem concluir que, ao empurrar a ofendida contra o sofá, o arguido visou coarctar-lhe a possibilidade de resistência aos seus intentos ou se, com esse acto, pretendeu apenas o arguido concretizar a cópula que, de outra forma, não conseguiria, dado o avançado estado de gravidez da vítima: 34 semanas. Para que o empurrão na ofendida integrasse o conceito de violência, visado como elemento objectivo do crime de violação, teria de traduzir um «plus» relativamente à força física normalmente utilizada na prática de um acto sexual», determinaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos juízes do colectivo, José Baião Papão, votou contra esta decisão e na declaração de voto escreveu que a «aparente fruste resistência da assistente é inteiramente compatível com o estado de fragilização em que então se encontrava: depressão e gravidez».&lt;br /&gt;30 de Abril – Durante vários dias não se falou de outra coisa. Muitos ansiaram pelo dia de hoje apenas para o ver. À frente dos televisores, verdadeiras multidões aguardaram religiosamente para o poder avistar. &lt;br /&gt;Claro que não falo do acordo com o FMI. Isso não é verdadeiramente importante ao lado do que realmente interessa: o vestido de noiva de Kate Midleton&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em jornais e televisões, não havia especialista doméstico que não oferecesse palpites sobre o modelo escolhido. O caso pode despertar um riso malicioso. Não contem comigo. Eu também o vi. &lt;br /&gt;Segundo os especialistas, o casamento terá custado entre 20 a 30 milhões de euros, em grande parte suportados pelos contribuintes, para garantir a segurança do evento e a limpeza das ruas. Mas é possível que o retorno do ‘turismo real’ (hotéis, restaurantes, televisões, etc.) ascenda aos 6 mil milhões.&lt;br /&gt;Curioso: nós, latinos e vulgares, desprezamos estas coisas de reis e princesas e, em vez disso, construímos estádios de futebol que continuam por aí a apodrecer e a arruinar o bolso público. Os ingleses, monárquicos e elitistas, montam e desmontam uma festa global em poucos dias – e multiplicam o investimento rumo à estratosfera. Se fosse necessário um argumento de peso a favor da restauração monárquica, bastaria este: um vestido de noiva não precisa de grande manutenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 de Maio – Deixem-me apresentar-vos um dos melhores cronistas da língua portuguesa: Luís Fernando Veríssimo. Um dos mais populares escritores brasileiros, mais conhecido pelas suas crónicas e textos de humor publicados diariamente em vários jornais brasileiros, Verissimo é também cartoonista e tradutor, além de guionista de televisão, autor de teatro e romancista. Já foi publicitário e é ainda músico, tendo tocado saxofone em alguns grupos. Com mais de 60 títulos publicados, é filho do também escritor Erico Verissimo. Eis um dos seus textos, transcrito do original com a devida vénia:&lt;br /&gt;“Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar:&lt;br /&gt;Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas. &lt;br /&gt;Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em São Paulo. &lt;br /&gt;Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta. &lt;br /&gt;Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha. &lt;br /&gt;Nós sempre andamos de mãos dadas... &lt;br /&gt;Se eu soltar, ela vai às compras! &lt;br /&gt;Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico. &lt;br /&gt;Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar".&lt;br /&gt;Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica. &lt;br /&gt;Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a "senhora certa".&lt;br /&gt;Só não sabia que o primeiro nome dela era "sempre".&lt;br /&gt;Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la. &lt;br /&gt;Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha. &lt;br /&gt;Ela perguntou: "O que tem na TV?" &lt;br /&gt;E eu disse: "Poeira".”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 12 / Maio / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6061591186568963779?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6061591186568963779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6061591186568963779&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6061591186568963779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6061591186568963779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/07/strauss-kahn-violacao-absolvida-e-luis.html' title='Strauss-Kahn, a violação absolvida e Luís Fernando Veríssimo'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-2132137555391653975</id><published>2011-07-05T10:27:00.002+01:00</published><updated>2011-07-05T10:27:37.405+01:00</updated><title type='text'>A aterragem de emergência e Terry Jones</title><content type='html'>16 de Abril – Podem não acreditar mas juro que é verdade. E juroporque li. Ontem,  um jornalista foi esperar os passageiros do voo Rio-Lisboa que teve de fazer uma aterragem de emergência em Salvador. Lembram-se do caso? Houve uma explosão, sentiu-se cheiro a queimado, viu-se fumo na cabina, até que o avião aterrou na pista cercada por ambulâncias e carros de bombeiros. Que susto, não é? Podem crer mas a história não acaba aqui. No texto da agência publicado pelos jornais, cito o parágrafo a seguir ao susto: "O pior mesmo, segundo o testemunho [de uma] passageira, passou-se já em pleno aeroporto de Salvador..." E a testemunha, confirmada por outros passageiros, insistiu (e os jornais publicaram e eu li ): "Aí é que foi pior..." Ali, no aeroporto de Salvador. Ali, pois, aconteceu o indizível mesmo para as pessoas curtidas por uma quase desgraça recentíssima. Mas aconteceu, o quê? Uma bomba, como a da ETA em Barajas? Um homem-bomba, como recentemente no moscovita aeroporto de Domodedovo? Racketing da polícia como no aeroporto de Kinshasa?... Vou directo ao horror sofrido pelos passageiros: "Estiveram até depois das 06.00 até que foram transferidos para um hotel." Vocês dão-se conta da ironia da história? Horas até ser transferido para um hotel! Outro qualquer tinha ido para o bar comemorar não ter ido para o galheiro e escapava-me a oportunidade de pôr nos meus cartões de visita: "Fulano de Tal - Ex-sobrevivente de uma transferência demorada para um hotel em Salvador." Claro que nunca me faltaria conversa nos jantares sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 de Abril – O nome de Terry Jones diz-vos alguma coisa? Eu relembro: Jones, pastor na Flórida, ameaçou em tempos que queimaria o Corão por considerar o livro nefasto e diabólico. Felizmente, acabou por desistir da ideia e, dessa maneira, regressou ao justo esquecimento de onde nunca deveria ter saído. &lt;br /&gt;Por pouco tempo, vê-se agora. Recentemente, Jones voltou ao local do crime e queimou mesmo o Corão. Os meios de comunicação norte-americanos, dessa vez, ofereceram reduzido palco ao pastor. Mas um discurso do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, condenou o ato e voltou a trazer Terry Jones para o mundo dos vivos. Ou, melhor dizendo, dos mortos: na cidade afegã de Mazar-i-Sharif, um ataque a funcionários da ONU provocou 7 vítimas. Em Kandahar, mais 9, sem falar de incontáveis feridos, destruição de lojas, escolas e carros. E no Ocidente? &lt;br /&gt;No Ocidente, é provável que o digníssimo leitor se sinta indignado pela atitude de Jones, questionando seriamente: por que motivo o pastor ofendeu a religião dos outros? &lt;br /&gt;Não tenciono desculpar Terry Jones, que merece tratamento psiquiátrico e não defesa pública. Mas, em vez dessa, talvez devessemos fazer a perguntaa pergunta: será razoável matar e destruir porque alguém queimou o Corão do outro lado do mundo? &lt;br /&gt;Responder a essa questão não é difícil. Basta que o leitor faça uma inversão de papéis e, mesmo sendo profundamente cristão, imaginar por momentos o que faria se um tresloucado afegão queimasse a Bíblia por considerar o texto herético. &lt;br /&gt;Aposto que não sairia por aí decidido a matar e a destruir ( afinal de contas, tenho em grande conta o meu leitor… ). Existe uma diferença fundamental entre queimar livros e queimar gente. Ou não existe? &lt;br /&gt;Terry Jones, no seu fundamentalismo bacoco e fanfarrão, é com certeza um personagem doente. Mas nessa história do Corão queimado é preciso não esquecer onde está a verdadeira doença.O leitor sabe do que eu estou a falar… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 28 / Abril / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-2132137555391653975?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/2132137555391653975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=2132137555391653975&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2132137555391653975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2132137555391653975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/07/aterragem-de-emergencia-e-terry-jones.html' title='A aterragem de emergência e Terry Jones'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6347640728799487063</id><published>2011-07-05T10:25:00.000+01:00</published><updated>2011-07-05T10:25:36.142+01:00</updated><title type='text'>As viagens em 'económica', as viaturas dos gestores e o aquecimento global</title><content type='html'>4 de Abril – Há coisas engraçadas. Quando as viagens de avião dos eurodeputados eram pagas ao quilómetro, eles escolhiam ir em turística. Pudera, convinha nessa altura. Depois, passaram a ser reembolsados só mediante a entrega do bilhete e começaram a viajar em executiva. Obviamente interessava a mudança. Esta semana, o eurodeputado português Miguel Portas (do BE) fez uma proposta para que as viagens de avião com menos de quatro horas fossem só em turística. Em tempo de crise, a proposta fazia poupanças públicas (por exemplo, um Lisboa--Bruxelas ficava três vezes mais barato). E, além do mais, tinha sentido nos tempos que correm:... Ora, o Parlamento de Estrasburgo votou contra (402-216), confirmando o egoísmo dos que ‘podem’ explorar o próximo ("temos de apertar o cinto: apertem!"). Havia, porém, uns eurodeputados em condição especial, os portugueses, que votavam na mesma semana em que o seu país foi oficialmente para todos os efeitos dado por falido. Desses, esperava-se, pelo menos, oportunismo ou fingimento. Exigia-se deles um faz-de-conta sem mácula. Mas votaram assim: 9 a favor e 9 contra. Quem quiser vá às notícias ver a que correspondem em grupos políticos. O importante, mesmo, foi 9 agarrarem-se ao seu privilégio do aperitivo antes do descolar. No fundo, foram ‘coerentes’.Terem-se agarrado a isso em troca de se exporem demasiado releva uma sinceridade preocupante: mostraram desprezo pelos seus eleitores e não se importam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 de Abril - A notícia veio no Correio da Manhã do dia 1 de Abril e eu, que sou um ingénuo, julguei que se tratava de uma mentira própria do dia: a administração da Carris ter-se-ia autocontemplado, em 2010, com quatro viaturas topo de gama em ALD, apesar de a empresa apresentar um "buraco" financeiro de 776,6 milhões de euros. &lt;br /&gt;Todos sabemos que a generalidade das empresas públicas cumpre a patriótica tarefa de dar emprego a "boys" e "girls" do PS e do PSD. Por isso mesmo, a última aliança parlamentar dos dois partidos-comadres antes da zanga foi para chumbarem na AR uma proposta no sentido de, em tempos de crise, haver também limites para os salários, prémios e mordomias várias dos chamados gestores públicos.&lt;br /&gt;Sendo a paciência dos contribuintes e eleitores ilimitada, os salários e prémios dos "boys" continuam a não ter, na prática, outros limites senão os da decência dos próprios. Daí que, além dos novos Mercedes, Audi e BMW, os administradores da Carris também se tenham aumentado em 2010, premiando-se por terem conseguido o milagre económico de afundar nesse ano a empresa com mais 42,3 milhões em resultados negativos.&lt;br /&gt;Compreendem agora a minha ingenuidade. É ou não esta uma boa peta do 1 de Abril? Só que hoje, em Portugal, 1 de Abril é sempre que um homem quiser. E, nos últimos anos, tem sido todos os dias.&lt;br /&gt;12 de Abril – Não desesperem, ainda há boas notícias. Parece que um "número recorde" de 134 países aderiu à edição deste ano da Hora do Planeta e desligou as luzes entre as 20.30 e as 21.30 de sábado a fim de sensibilizar o mundo para, cito, "os perigos do aquecimento global".&lt;br /&gt;Compreendo o problema. Também acho necessário sensibilizar o mundo, que é casmurro, para os perigos do aquecimento global, da gripe A, dos papões do FMI e de outras coisas imaginárias e assustadoras. Mas não, não apaguei a luz, não senhor. &lt;br /&gt;Todavia, contribuí à minha maneira: dado que evitei perder dezenas de horas a publicar convocatórias alusivas ao "apagão" no Facebook, no Twitter, nos blogs, e acabei por poupar muito mais electricidade do que os militantes que participaram activamente na causa. &lt;br /&gt;Dessa forma,  participei passivamente no combate a outra calamidade, menos fictícia e popular:  a crendice colectiva que, ao contrário do aquecimento global ou dos fantasmas, provoca-me um medo desgraçado. Uff!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 14 / Abril / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6347640728799487063?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6347640728799487063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6347640728799487063&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6347640728799487063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6347640728799487063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/07/as-viagens-em-economica-as-viaturas-dos.html' title='As viagens em &apos;económica&apos;, as viaturas dos gestores e o aquecimento global'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-4838665760348163990</id><published>2011-04-08T14:23:00.001+01:00</published><updated>2011-04-08T14:23:56.182+01:00</updated><title type='text'>Como chegámos a isto?</title><content type='html'>16 de Março: Em tempo de crise ouvimos perguntar: Como chegámos a ‘isto’? A resposta não é nada complicada. Basta olhar à volta, pegar no papel e apontar exemplos. Aí vão dois.&lt;br /&gt;Lembram-se do que aconteceu no dia 17 de Abril de 1969? Durante uma cerimónia na Universidade de Coimbra, o líder da associação de estudantes violou o protocolo e pediu a palavra ao presidente Américo Tomás. Ao contrário dos outros, não foi convidado para jantar. A cerimónia terminou ali, o dirigente associativo, que se chamava Alberto Martins, acabou detido, e o resto é história.&lt;br /&gt;Os anos passaram e a história que continua nos nossos dias, agora com Alberto Martins licenciado e no cargo de ministro da Justiça. É uma história feia, muito feia. Segundo o DN, é a seguinte: Maria da Conceição Correia Fernandes, cônjuge de Martins e procuradora adjunta, recebeu 72 mil euros do ministério que o marido curiosamente tutela. A verba, que respeita a uma situação de funções acumuladas, teve o aval de um ex-secretário de Estado de Martins e o parecer negativo da Procuradoria-Geral. E a senhora teve sorte, visto que um seu colega, em condições laborais iguaizinhas, também curiosamente, não viu um único cêntimo. &lt;br /&gt;Perante isto, qual foi a reacção do ‘valente’ dr. Martins? A julgar pela ousadia revelada na juventude e pelos hábitos dos políticos em democracias normais, seria de esperar que o homem devolvesse o dinheiro e apresentasse imediatamente a demissão. Convém verificar à nossa volta se temos bancos e esperarmos sentados: Alberto Martins limitou-se a pedir uma investigação ao episódio, que não lhe pareceu digno de investigações quando os 72 mil euros entraram na conta da família e só se lembrou da ética no momento da divulgação pública.&lt;br /&gt;Conhecem a história da mulher de César? Este caso já desceu à cave onde os pequeninos Césares perderam toda a vergonha. &lt;br /&gt;Mais um salto no tempo, desta vez para 16 de Março de 2011. Durante a inauguração do ano judicial, Martins afirmou que o sector "enfrenta duras dificuldades". Disse ainda querer "restabelecer" a "confiança" dos cidadãos na Justiça. Ninguém o interrompeu, ninguém lhe pediu a palavra. &lt;br /&gt;O segundo caso conta-se também rapidamente. A notícia de que Armando Vara passou à frente dos pacientes de um centro de saúde de modo a obter um atestado suscitou o inevitável, e repugnante, populismo das massas. Ora, na opinião de Vara, as ‘massas’ deviam até ter ficado satisfeitas. Ver uma pessoa tão importante e que tanto deu ao país recorrer aos mesmos clínicos do contingente geral, sabe Deus com que riscos para a saúde, deveria ser um motivo de orgulho.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, os privilegiados a sério não fazem recados, contam com empregados para lhos fazerem. Vara faz os recados pessoalmente, comprometendo a sua atarefada agenda nestas coisas pequenas.&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, quando não arranjam alternativa, os privilegiados a sério visitam hospitais particulares. O coitado do Vara resigna-se aos serviços públicos, expondo-se inclementemente aos vírus, bactérias e populares que os frequentam. &lt;br /&gt;Em quarto lugar, os privilegiados a sério possuem jactos privados. Vara explicou a urgência no atendimento com a pressa de apanhar um mero avião comercial, o transporte dos simples.&lt;br /&gt;Em quinto lugar, os privilegiados a sério não dão satisfações a ninguém. A ética de Vara obriga-o a justificar as ausências, do emprego ou das sessões do "Face Oculta", mediante documento adequado.&lt;br /&gt;Em sexto lugar, os privilegiados a sério não expõem as maleitas ao comum dos mortais. A rapidez com que a médica do centro de saúde assinou o atestado prova que Vara não teme exibir a sua debilidade e, além disso, prova que o homem está realmente doente. &lt;br /&gt;Tenhamos respeito por quem sofre e por quem anda atarefado. Se cada um de nós imitasse Vara e, em lugar de ocupar a preguiça nos centros de saúde a aguardar a sua vez, passasse à frente na fila dos centros de saúde, a produtividade nacional seria outra. &lt;br /&gt;Aí têm como chegámos a ‘isto’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 31 / Março / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-4838665760348163990?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/4838665760348163990/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=4838665760348163990&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4838665760348163990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4838665760348163990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/04/como-chegamos-isto.html' title='Como chegámos a isto?'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-209596518103287177</id><published>2011-04-08T14:22:00.000+01:00</published><updated>2011-04-08T14:22:18.791+01:00</updated><title type='text'>Isabel Alçada, o BPN e a ASAE</title><content type='html'>10 de Março – Há uns tempos, Isabel Alçada condenou que se manipulassem meninos e meninas para fins de propaganda e difusão de falsidades. Julguei que a senhora decidira trocar o cargo pela frontalidade e denunciar um estilo que, não sendo inédito, marcou os últimos tempos da Educação em Portugal. Durante uns instantes, dei por mim a admirar intensamente a coragem da senhora e cheguei mesmo a esboçar um poema em seu louvor. Depois li o resto da notícia e os versos foram para o lixo.&lt;br /&gt;Afinal, a senhora apenas discorda do uso de alunos num protesto contra a redução das subvenções às escolas privadas ditas com contrato de associação. Não se opõe a que os mesmos alunos sejam, por exemplo, aparafusados diante do Magalhães e ensinados a jurar os méritos da geringonça na presença do primeiro-ministro e das câmaras televisivas. Quando o Governo se serve dos fedelhos, trata-se de divulgação de "boas práticas" ( reparem na expressão distinta ). Quando são os pais a ‘servirem-se’, trata-se de vil propaganda.&lt;br /&gt;Sempre empenhado em crescer, porque as clientelas o exigem e porque é esse o seu desígnio, o Estado decide as escolas em que as criancinhas devem "estudar", as manifestações em que as criancinhas devem participar, os alimentos que as criancinhas devem comer, as horas a que as criancinhas devem dormir e os modelos gerais de comportamento de acordo com os quais as criancinhas devem ser criadas. As criancinhas, em suma, pertencem ao Estado e não às famílias que, admita-se, ao longo de décadas assistiram indiferentes ou entusiasmadas ao sequestro e, em qualquer dos casos, pagaram-no. Aí está a factura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 de Março – É bom reflectir para não esquecer. A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal. O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza.&lt;br /&gt;Com 9.710.539.940,09 € (NOVE MIL SETECENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS…..) poderíamos:&lt;br /&gt;Comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).&lt;br /&gt;Comprar 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid.&lt;br /&gt;Construir 7 TGV de Lisboa a Gaia.&lt;br /&gt;Construir 5 pontes para travessia do Tejo.&lt;br /&gt;Construir 3 aeroportos como o de Alcochete.&lt;br /&gt;Para transportar os 9,7 MIL MILHÕES DE EUROS seriam necessárias 4.850 carrinhas de transporte de valores. Assim, talvez já se perceba melhor o que está em causa.&lt;br /&gt;Distribuído pelos 10 milhões de portugueses, caberia a cada um cerca de 971 € …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 de Março – Em Nisa, uma visita da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) à empresa Louro e Louro – a última queijaria a funcionar em Nisa – deixou o proprietário às portas de um enfarte. "Somos um casal de 72 e 73 anos, que trabalha desde os dez anos, sete dias por semana. Garantimos trabalho nesta região, para além de garantirmos o escoamento do leite de pequenos produtores. Mas há algum tempo que nos sentimos perseguidos", lamenta Joaquim Louro. De acordo com o produtor, a ASAE "implicou" há três meses com as ervas que existem nas imediações da empresa. "Sou contra os químicos, sempre fui, se for preciso agarro nas ervas e como-as para provar que não fazem qualquer mal. Mas a ASAE quer que ponha herbicida, o que realmente faz mal", contesta o homem. No início do mês, os inspectores voltaram à fabrica para verificar se a ordem já tinha sido cumprida. "É a falta de senso que manda neste País, onde fazem leis sem perceber do que estão a tratar, e depois outros aplicam-nas sem perceber nada do andam a fazer", diz. E tem toda a razão, acrescento eu. Querem saber porquê? Aí vão dois exemplos: há três anos, a ASAE enverrou uma câmara da fábrica por haver queijos com bolor. Lamentavelmente, os ‘inspectores’ desconheciam que era uma fase normal da produção. Mais recentemente, há três meses, a empresa recebeu duas coimas. Uma delas era motivada pela “existência de cadáveres na fábrica”. Tratava-se de uma mosca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 19 / Março / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-209596518103287177?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/209596518103287177/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=209596518103287177&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/209596518103287177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/209596518103287177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/04/isabel-alcada-o-bpn-e-asae.html' title='Isabel Alçada, o BPN e a ASAE'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-1745267041072727105</id><published>2011-04-08T14:20:00.002+01:00</published><updated>2011-04-08T14:20:27.763+01:00</updated><title type='text'>Os idosos de novo e a lusofonia</title><content type='html'>22 de Fevereiro – Depois da notícia da senhora da Rinchoa que jazia há mais de oito anos e meio morta em casa e que só foi encontrada porque o Fisco executou a penhora da habitação, os casos de mortes solitárias de idosos ganharam visibilidade nas notícias. &lt;br /&gt;Torna-se forçoso reconhecer que tais casos são apenas a ponta do icebergue do desespero em que muitos idosos vivem. Obviamente que todos somos responsáveis, por muito que não o queiramos admitir.&lt;br /&gt;A situação mais exemplar de abandono dos mais velhos aconteceu ontem em Caselas, um bairro de Lisboa. Luís Carlos, de 83 anos, já não conseguia cuidar da mulher, Isabel, de 89 anos, que sofria de Alzheimer. Desesperado, matou-a e suicidou-se. &lt;br /&gt;Ora, um Estado que deixa uma pessoa com essa doença ao cuidado de um idoso falha estrondosamente no cuidado aos mais desfavorecidos. São cada vez mais as situações de idosos incapacitados, muitos com demências, deixados ao deus--dará. E nem adianta culpar o abandono da família, porque frequentemente já nem existe rede familiar. O empobrecimento do País conjugado com o acentuado envelhecimento da população, o esforço financeiro sobre a Segurança Social e a pressão nas reformas vão provocar o aumento de situações semelhantes. Num Estado com recursos cada vez mais escassos, tem de haver prioridades – e os idosos não podem ser esquecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 de Fevereiro – Ao longo dos anos, os nossos responsáveis políticos tentam descobrir o melhor modo de promover a lusofonia. Sem grande sucesso até ao momento. Soubemos agora que a organização desvirtua aquele desejo. A solução, estranha à partida, é precisamente a desorganização. Se preferirem, a desarrumação.&lt;br /&gt;É verdade: basta ser desarrumado. Isso e espalhar uns discursos numa sala cheia de altos dignitários estrangeiros. Uns minutos depois e certamente que um deles vai comecar a lê-los por engano&lt;br /&gt;Os leitores que acompanham as reuniões do Conselho de Segurança da ONU assistiram, esta semana, a um momento de grande prestígio para o nosso país. É certo que só durou três minutos ( e desde quando é que o tempo de duração se relaciona com o prestígio, qualquer que ele seja? ) e deveu-se a um engano bastante caricato, mas prestígio é prestígio, ora essa.&lt;br /&gt; O ministro dos Negócios Estrangeiros indiano dirigiu-se à câmara, exprimindo o seu mais profundo regozijo por haver atualmente dois membros da comunidade lusófona naquele órgão. A lusofonia foi celebrada por um dirigente indiano com um entusiasmo que os dirigentes lusófonos não costumam exibir. Para lá das ligações históricas com esse país, não esquecemos os lugares cimeiros da Índia nos rankings escolares. Por isso, a sala comoveu-se. Bom, talvez a parte da sala que fala português. Quero dizer, a parte da sala que não estava a dormir. &lt;br /&gt;Tal apreço pelo português indicava três coisas: que ainda estamos vivos, a importância do nosso idioma e, não menos importante, que o ministro dos Negócios Estrangeiros português tinha deixado o seu discurso em cima da mesa e o ministro indiano - que, como é evidente, não tinha ouvido o discurso do ministro português nem tinha escrito o seu - começou a lê-lo. Infelizmente para todos um dos seus assessores, três minutos depois, deu pelo erro e fez com que ele passasse a ler o discurso certo. Que, surpreendentemente, não fazia qualquer referência à comunidade lusófona, antes começando com uma citação de Gandhi. E foi assim que, pela primeira vez na História, alguém, numa intervenção pública, citou primeiro Luís Amado e depois o Mahatma. E reparem que não existirão muitas pessoas no mundo que se poderão orgulhar do mesmo…&lt;br /&gt;E eis como, com este episódio, podemos aprender e até explicar alguns aspectos da nossa crise. Se um dirigente indiano pode ler discursos portugueses por engano, é possível que um dirigente português ande a ler discursos indianos sem se aperceber. &lt;br /&gt;Por exemplo, ainda na semana passada se soube que, em 2010, os bancos tinham pago menos 55% de impostos do que em 2009, ano em que, no primeiro semestre, já tinham pago menos 30% de impostos do que no mesmo período de 2008. Tais notícias sugerem que Sócrates pode ter implementado, inadvertidamente, medidas indianas no nosso país.&lt;br /&gt;Parece-me que esta situação de privilégio demonstra claramente que alguém introduziu por engano o sistema de castas na política portuguesa. Por isso, creio que é urgente acabar com este intercâmbio de discursos entre Portugal e a Índia. &lt;br /&gt;Que se ‘dane’ a lusofonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 5 / Março / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-1745267041072727105?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/1745267041072727105/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=1745267041072727105&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1745267041072727105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1745267041072727105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/04/os-idosos-de-novo-e-lusofonia.html' title='Os idosos de novo e a lusofonia'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-4082574354420231647</id><published>2011-04-08T14:18:00.002+01:00</published><updated>2011-04-08T14:18:09.630+01:00</updated><title type='text'>Idosos esquecidos e a geração rasca</title><content type='html'>7 de Fevereiro - Morta em casa há nove anos &lt;br /&gt;O corpo de Augusta Duarte Martinho, que completava 96 anos no passado dia 12, esteve nove anos no chão da cozinha do apartamento onde residia sozinha, na Rinchoa, Rio de Mouro, em Sintra. &lt;br /&gt;Foi encontrado pela PSP depois de o andar ter sido vendido em leilão pelas Finanças. A nova proprietária, 58 anos, que comprou o apartamento por 30 mil euros há três meses, e entrava pela primeira vez na casa, ficou em estado de choque. &lt;br /&gt;"Ainda estou horrorizada", disse. O desaparecimento já tinha sido participado à GNR, em Novembro de 2002, por uma vizinha. Aida Martins explica que deixou de ver Augusta Martinho em Agosto desse ano. Três meses depois avisou a GNR. "Eles vieram cá mas disseram que não podiam arrombar a porta", refere, assegurando "que nunca houve mau cheiro". A única companhia da idosa era um cão pequeno que foi encontrado morto na varanda da habitação. &lt;br /&gt;Nos nossos tempos, esta história está longe de nos espantar. Na nossa sociedade, procuramos atirar as nossas responsabilidades para cima de outros. Os tribunais não fazem o que têm de fazer e s polícias também não. Ninguém quer chatices. A senhora desapareceu? Tem a certeza? Coisa de velhos, terão pensado. Nem a segurança social, nem os serviços de saúde fizeram alguma coisa.. Ninguém. Afinal de contas, era ‘apenas’ uma velha num prédio de uns subúrbios. Passou oito anos a bater a portas. A burocracia impediu que alguém fizesse alguma coisa. A porta não podia ser arrombada. &lt;br /&gt;Curiosamente, a inviolabilidade do domicílio é sagrada. Mas, claro, se o domicílio for vendido em hasta pública, sem conhecimento do dono, o novo dono já pode entrar. Mas Augusta, cidadã portuguesa, era também contribuinte. E aí deram por falta dela. Tinha uma dívida. Sem um único contato, a frieza da máquina leiloou o seu apartamento. Quando os novos donos chegaram, a porta foi finalmente arrombada. E lá estava Augusta, morta no chão da cozinha. &lt;br /&gt;O que impressiona, para além da solidão que permite que alguém morra sem que ninguém dê por nada, é que o mesmo Estado que dá pelo não pagamento de uma dívida ao fisco não dê, não queira dar, pelo desaparecimento de um ser humano. Que o contribuinte exista, mas o cidadão não.  &lt;br /&gt;Diz-se que só há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos. Sabemos agora que para o Estado português só a segunda parte é verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 de Fevereiro – A canção dos Deolinda&lt;br /&gt;Há por aí um ‘debate’ sobre uma canção dos Deolinda. A letra é repetida atá à exaustão. Mas afinal, o que cantará Ana Bacalhau?  Coisas simples, mesmo muito simples: que a vida não está fácil e que ter um cursinho universitário (ainda por cima destes) não é um seguro para os anos que se aproximam. &lt;br /&gt;O problema é que os portugueses se deixam enfeitiçar por refrões sobre como a vida é injusta. A canção ‘pede’ também que a geração mais velha se preocupe com as novas gerações, que não têm emprego garantido. Não têm? Lutem por ele. Estão desanimados? Festivais de rock esgotam sempre no Verão e ‘gadgets’ andam de mão em mão. A vida está difícil? Ninguém prometeu um mar de rosas, a não ser nas canções. &lt;br /&gt;Perguntem aos avós e aos pais quantos iam buscar os netos e os filhos às escolas há vinte ou trinta anos atrás. Conversem um bocadinho sobre como a vida era ‘mesmo’ difícil há vinte, trinta anos. E se recuarem mais no tempo, então era mesmo muito ‘difícil’. &lt;br /&gt;Vá lá, cresçam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 17 / Fevereiro / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-4082574354420231647?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/4082574354420231647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=4082574354420231647&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4082574354420231647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4082574354420231647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/04/idosos-esquecidos-e-geracao-rasca.html' title='Idosos esquecidos e a geração rasca'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5651287072057381017</id><published>2011-04-08T14:16:00.002+01:00</published><updated>2011-04-08T14:16:53.543+01:00</updated><title type='text'>A memória futura e o simplex</title><content type='html'>18 de Janeiro – Elementos para memória futura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 de Janeiro de 2010: Valter Lemos destaca elevado desemprego em toda a Europa&lt;br /&gt;«Em Outubro éramos o sexto país com o desemprego mais elevado, passámos para oitavo [...]»&lt;br /&gt;30 de Abril de 2010: Valter Lemos espera abrandamento do desemprego para o Verão&lt;br /&gt;18 de Maio de 2010: Valter Lemos satisfeito com descida dos números de inscritos nos centros de emprego&lt;br /&gt;26 de Maio de 2010: Governo garante que o desemprego vai cair ainda este ano&lt;br /&gt;30 de Julho de 2010: O secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, considerou hoje, em declarações à agência Lusa, que a inversão da tendência da taxa de desemprego, estimada pelo Eurostat para junho, é uma “boa notícia” para Portugal.&lt;br /&gt;17 de Setembro de 2010:Desemprego: «Números mostram tendência de estabilização»&lt;br /&gt;1 de Outubro de 2010: O secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, Valter Lemos, disse hoje que os dados do Eurostat são previsões e afirmou estar a aguardar pela confirmação, ou não, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).&lt;br /&gt;29 de Outubro de 2010: Valter Lemos: taxa do Eurostat mostra que o desemprego se manteve estável&lt;br /&gt;17 de Janeiro de 2011: «O pior do desemprego já passou» – Valter Lemos&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Nota: A taxa de desemprego foi de 10,6% no primeiro trimestre, 10,6% no segundo trimestre e 10,9% no terceiro trimestre.&lt;br /&gt;28 de Janeiro - Tenho mais medo de entrar numa repartição de Finanças ou da Segurança Social do que no consultório do dentista. Por isso, quando entrei na Segurança Social para pedir um documento até tremi.. Tirei a senha e, oh alegria!, era a senha 35 e já iam na 14, não devia demorar muito. &lt;br /&gt;Nem valia a pena sentar-me, fiquei encostado à parede a olhar para os que iam chegando, e tirando senhas, e suspirando.&lt;br /&gt;Quando, hora e meia depois, ainda se continuava na senha 14, comecei a não achar graça.&lt;br /&gt;Reparo então - tenho pouca prática destas coisas - numas senhas com a designação de "prioritárias". Pergunto quais as prioridades que abrangem - mas ninguém me sabe responder. &lt;br /&gt;De repente, num ecrã em que passa muita informação a correr, com toda a gente a sorrir muito, a dizerem-nos - a nós, que já ali estamos há horas - como tudo agora é fácil e rápido, descubro que basta uma pessoa ter mais de 65 anos para usufruir dessa benesse. &lt;br /&gt;Tiro outra senha, desta vez a 20, quando já estavam a chamar a 10. Óptimo, agora é que era.&lt;br /&gt;O pior é que se estava na hora do almoço - e ,durante mais de uma hora, nenhuma senha mexeu.&lt;br /&gt;Palavra que temi um levantamento popular. Uma senhora começou a fazer um comício às massas, "devíamos era ir com panelas a São Bento!", mas como a maior parte não estava a perceber o que faziam ali as panelas, ela lá explicou que era uma coisa que tinha acontecido no Chile, mas na sua cabeça as coisas deviam andar um pouco baralhadas porque, dali a momentos, já era a Argentina e as mães da Praça de Maio, e nós que éramos todos uns bananas, que amochávamos tudo. Desiste de esperar e vai embora, ela e mais alguns, e por isso, ao fim de seis horas de ali estar, chamam-me para me informarem que o que eu quero não é com eles.&lt;br /&gt;Deve ser a isto que o nosso primeiro chama o "simplex".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 3 / Fevereiro / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5651287072057381017?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5651287072057381017/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5651287072057381017&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5651287072057381017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5651287072057381017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/04/memoria-futura-e-o-simplex.html' title='A memória futura e o simplex'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3692837214026791936</id><published>2011-01-26T16:19:00.000Z</published><updated>2011-01-26T16:19:26.070Z</updated><title type='text'>A memória e a fama em Portugal</title><content type='html'>8 de Janeiro – Viagem no tempo ou o que começava por não custar um euro ao contribuinte &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 de Novembro de 2008: O ministro Teixeira dos Santos explicou aos deputados que o BPN comprometeu a sua situação financeira porque estava em iminência de rotura de pagamentos, o que colocaria em risco os depósitos de milhares de depositantes.&lt;br /&gt;7 de Novembro de 2008: Teixeira dos Santos, depois de muito pressionado, acabou por dizer que os prejuízos acumulados no banco BPN atingem 700 milhões de euros.&lt;br /&gt;5 de Fevereiro de 2009: Teixeira dos Santos defende que Estado “não gastou dinheiro dos contribuintes” no BPN e no BPP&lt;br /&gt;5 de Fevereiro de 2009: Teixeira dos Santos adiantou que o Governo decidiu nacionalizar o BPN não pelo prejuízo apurado de 700 milhões de euros, mas sim para proteger os depositantes.&lt;br /&gt;18 de Junho de 2009:O ministro das Finanças afirmou hoje que “até agora o Estado não suportou um euro sequer” relativamente ao BPN, explicando que a Caixa Geral de Depósitos realizou operações de liquidez no banco avaliadas em 2,5 mil milhões de euros.&lt;br /&gt;27 de Novembro de 2009 : [Teixeira dos Santos] diz que a insolvência do BPN poderia ter um efeito sistémico sobre a banca nacional. Se atingisse 10% das contas dos depositantes portugueses, a factura poderia chegar aos 15 mil milhões de euros.&lt;br /&gt;27 de Outubro de 2010:BPN: Nacionalização evitou “catástrofe” do sistema financeiro — Teixeira dos Santos&lt;br /&gt;11 de Janeiro de 2011: Teixeira dos Santos diz que perdas detectadas já depois da nacionalização mostram que a decisão foi acertada&lt;br /&gt;11 de Janeiro de 2011: Teixeira dos Santos: “Valor de referência para custo da nacionalização do BPN são dois mil milhões”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 de Janeiro – A Fama em Portugal &lt;br /&gt;Quem estiver minimamente atento verificará que, em Portugal, a culpa, se calhar, é dos dicionários: "fama" e "sucesso" vêm antes de "trabalho". E é essa a ordem de factores que é apregoada pelas televisões. "Em directo da casa mais famosa do país...", e mostra-se gente que não aprendeu nada, que não sabe nada, que não viveu nada e que de sentimentos só conhece a versão lambisgóia. "És o ídolo de Portugal!", grita um imberbe para outro imberbe, num desses concursos de caça-talentos em que o protagonista nem entende, apesar de anunciado, o papel que lhe destinam: ser caçado. Na noite da apoteose, Portugal chama com valor acrescentado e faz do miúdo um famoso. Assim, num repente. Com a plateia de pé, os colegas fracassados aos abraços apertados (alguém tem de fracassar para servir de pedestal), os pais a chorar de orgulho. Famoso. No dia seguinte, já há clube de fãs. O Facebook explode de amigos. Millôr Fernandes poetou sobre isso: "Na tela/ Em cada programa/ Notoriedades da hora/ Desconhecidos de ontem/ Famosíssimos de agora." Famoso. Ainda sem saber de quê, nem se interessando porquê, mas já conhecendo as regras: agarrar-se aos holofotes e, sobretudo, a quem detém as luzes dos holofotes. Famoso. Os mais sortudos saberão em breve como a condição é efémera. Os mais infelizes descobrem-se, um dia, mesmo famosos: aparecem nas primeiras páginas dos jornais, até de Nova Iorque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 20 / Janeiro / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3692837214026791936?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3692837214026791936/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3692837214026791936&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3692837214026791936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3692837214026791936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/01/memoria-e-fama-em-portugal.html' title='A memória e a fama em Portugal'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7505841283345824818</id><published>2011-01-07T11:13:00.001Z</published><updated>2011-01-07T11:13:44.056Z</updated><title type='text'>Monteiro Lobato e os relatórios escolares</title><content type='html'>27 de Dezembro - A minha infância foi televisivamente pobre. E nem poderia ser de outra forma. Os dois únicos canais “obrigavam” a uma programação, no mínimo, incipiente. &lt;br /&gt;Mas havia excepções. Uma delas era "O Sítio do Picapau Amarelo", uma produção da TV Globo baseada na obra de Monteiro Lobato (1882 - 1948). Lembro-me das aventuras de Pedrinho e Narizinho com a mesma gratidão com que me lembro das aventuras de Lucy ou Edward nas crónicas de Nárnia de C.S. Lewis, que li na mesma idade. Sem falar da boneca Emília, de Dona Benta e da Tia Nastácia. Puro encantamento. &lt;br /&gt;Por causa de Monteiro Lobato, conheci melhor o folclore brasileiro; e, claro, a própria literatura brasileira. Depois da série, li Monteiro Lobato "lui même". E, por causa do autor, fui entrando no cânone. &lt;br /&gt;Primeiro, "O Meu Pé de Laranja Lima", de José Mauro de Vasconcelos, desde logo porque havia um "portuga" na trama. O livro fez um sucesso em Portugal, digno de J.K. Rowling. E depois passei a “dietas” mais pesadas, com Lima Barreto, Nelson Rodrigues. E o notabilíssimo Rubem Fonseca. &lt;br /&gt;O racismo de Monteiro Lobato incomodou-me? Nem pensei nisso. Não penso nisso agora. O que não significa que Monteiro Lobato não o fosse: as suas referências a "pretos" podem ser desconfortáveis para uma audiência moderna. Mas se as audiências modernas apenas lessem o que se ajusta ao cânone politicamente correcto do momento, que obras ficariam nas nossas bibliotecas? Precisamente. Poucas. Quase nenhumas. Todas as épocas têm as suas fogueiras. &lt;br /&gt;Por isso pasmo com a decisão, vinda do Brasil, do Conselho Nacional de Educação de sinalizar com pânico radioactivo e instintos censórios a obra "Caçadas de Pedrinho", publicada por Monteiro Lobato em 1933. O caso já chegou à imprensa portuguesa, que tem dedicado alguma atenção ao assunto. Deveria dedicar mais porque estamos na presença de um exemplo clássico de ignorância cultural. E, ironicamente, de preconceito ideológico. &lt;br /&gt;Segundo leio, o livro "Caçadas de Pedrinho" tem referências que não são agradáveis à população negra. Uma princesa, por exemplo, aconselha Emília a não beber café. Para não ficar "morena". E a Tia Nastácia, que cozinhava os melhores petiscos da minha infância, é referida como "pobre preta". &lt;br /&gt;Isso, para o Conselho de Educação, é intolerável. A função do ensino, para o nobre órgão, é inculcar os valores certos na cabeça das crianças, afastando qualquer ofensa às minorias. &lt;br /&gt;Sou capaz de entender a generosidade do Conselho de Educação. Mas se a função do ensino é afastar do currículo tudo aquilo que ofende a sensibilidade moderna, repito, não fica nada para mostrar. &lt;br /&gt;Apagar o passado que nos interpela com seu rol de ofensas e preconceitos é apagar Platão ou Aristóteles, dois conhecidos esclavagistas com intoleráveis tendências misóginas. É apagar os versos de Dante na sua "Comédia" com passagens islamofóbicas. É apagar Voltaire pelas mesmas razões, a começar pela sua peça "Maomé". É apagar Mark Twain pelos mesmos motivos que nos levam a censurar Monteiro Lobato. É não permitir que Shakespeare nos contamine com seu esporádico anti-semitismo. E, por falar em anti-semitismo, é jogar no lixo a poesia de T.S. Eliot, o maior de todos os modernistas. E etc. etc. etc. A lista não tem fim. &lt;br /&gt;Avaliar a cultura passada com as lentes ideológicas do nosso tempo não é apenas um grosseiro erro de anacronismo. É vandalizar esse passado pela destruição do mundo que ele expressa; é, no limite, uma privação cultural. &lt;br /&gt;E esse crime não é apenas um crime que cometemos sobre o passado. É também uma porta que abrimos para crimes futuros: para que as gerações vindouras, dominadas por seus próprios valores ou preconceitos, possam usar a guilhotina sobre os nossos valores ou preconceitos; sobre a nossa voz singular e presente; sobre nossos vícios e virtudes; sobre nós. Uma inquisição permanente que não tem descanso. &lt;br /&gt;O caso Monteiro Lobato é mais um exemplo de como o objectivo do pensamento politicamente correcto não é "corrigir" o pensamento politicamente incorrecto. É criar um mundo de silêncio, transformando o passado num imenso cemitério. &lt;br /&gt;31 de Dezembro – Depois de uma euforia balofa e totalmente desonesta com os mais recentes resultados do PISA, o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação veio agora confirmar que os nossos alunos estão menos burros mas continuam burros. Depois de uma análise exaustiva a 1700 escolas, parece que os alunos do 8º ao 12º ano não sabem raciocinar nem escrever. Segundo o GAVE, as nossas ‘crianças’ são incapazes de estruturar um texto; explicar um raciocínio com lógica; utilizar linguagem rigorosa; e, Deus meu, utilizar diferentes conceitos da mesma disciplina. Por outras palavras: as nossas ‘crianças’ são capazes de exercícios elementares, como acontece com alguns símios de laboratório; mas o passo final para o conhecimento humano está-lhes interdito. &lt;br /&gt;Obviamente que isto, ao contrário do que sucedeu com o PISA, não mereceu do governo um comentário. O que se compreende: os nossos governantes, a começar pelo líder da banda, são também um produto do analfabetismo e da lassidão que reinam no sistema de ensino. Confrontados com o relatório do GAVE, o mais certo é não saberem lê-lo ou interpretá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 6 / 1 / 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7505841283345824818?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7505841283345824818/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7505841283345824818&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7505841283345824818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7505841283345824818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/01/monteiro-lobato-e-os-relatorios.html' title='Monteiro Lobato e os relatórios escolares'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3122811864100559965</id><published>2011-01-07T11:12:00.001Z</published><updated>2011-01-07T11:12:12.024Z</updated><title type='text'>O Nobel da Pz e o país de totós</title><content type='html'>10 de Dezembro - "Sabemos quem foi Confúcio, mas não sabemos nada do prémio", disse à BBC o porta-voz de Lien Chan, antigo vice-presidente de Taiwan, a quem a China atribuiu o Prémio Confúcio da Paz, um Nobel da Paz "made in China" já que, segundo o governo chinês, o original se desprestigiou junto da "esmagadora maioria das pessoas do mundo" ao ser atribuído a Liu Xiaobo, que o regime de Pequim meteu 11 anos na cadeia por defender a democracia e os direitos humanos (em tradução directa do mandarim, por "subversão"). &lt;br /&gt;"Não sabendo nada", o premiado não apareceu na cerimónia, tendo sido substituído por uma menina de 6 anos. (Uma criança fica sempre bem em acontecimentos do género, mas é recomendável que, no futuro, o prémio seja atribuído a pessoas mais bem informadas; talvez, quem sabe? Ahmadinejad ou Chavez).&lt;br /&gt;Liu Xiaobo também não comparecerá hoje em Oslo para receber o original. Não porque não saiba "nada sobre o prémio", mas pela comezinha razão de que os seus carcereiros não o deixam ir (nem a ele, nem à mulher, nem a nenhum amigo).&lt;br /&gt;Não comparecerão igualmente, além da China, mais 18 países: Afeganistão, Arábia Saudita, Cazaquistão, Colômbia, Cuba, Egipto, Filipinas, Irão, Iraque, Marrocos, Paquistão, Rússia, Sérvia, Sudão, Tunísia, Ucrânia, Vietname e Venezuela. Tudo boa gente, justamente reputada por ser grande consumidora de direitos humanos (de direitos humanos "made in China", naturalmente).&lt;br /&gt;13 de Dezembro - No outro dia, um amigo estrangeiro de um amigo meu sugeriu um livro que falta no panorama editorial: "Portugal for dummies". Traduzo: "Portugal para totós". Um título mais naquela colecção de livros técnicos de capa amarela que explicam coisas complexas. Na verdade, o título é enganador. Portugal tem tantas idiossincrasias que nem mesmo os mais inteligentes e cultos politólogos o entendem. Experimentem explicar, por exemplo, a um americano, o sistema semipresidencial português. Quais as funções do presidente da República? Árbitro? Moderador? E que poder tem, de facto? Difícil, não? Daí, a ideia do livro, que faria jeito, aposto, mesmo a quem nos conhece bem. Por exemplo, nós próprios. &lt;br /&gt;O momento presente seria ideal para a publicação de um livro destes. Ideal para exemplos vividos e recentes. Toda a gente de bom senso já percebeu que o actual momento político-económico é tão difícil que precisa de uma maioria governativa, e, no actual cenário, de uma coligação onde os interesses do país estejam à frente de todos os outros. Apesar dessa clarividência - expressa desta vez por Luís Amado, este fim-de-semana, em entrevista ao "Expresso" - nenhum dos partidos do arco governamental aceita dar esse passo. Ah, e tal, o PSD está à espera de ganhar as próximas eleições, e o PS não pode dar parte de fraco... e vai atirando as responsabilidades para o lado... Pois, tudo isso é muito bonito como joguinho político, se não estivesse a empenhar o nosso futuro como país. &lt;br /&gt;Um livro como o "Portugal for Dummies" podia explicar, precisamente, por que é que as coligações são corriqueiras, por exemplo, na Alemanha e na Inglaterra, e em Portugal parecem impossíveis. A explicação passaria certamente por algo bem pouco nobre: os partidos têm como fundo de comércio os lugares, funções e dependências do Estado que obtêm quando chegam ao poder, para distribuir pelas suas bases. Sendo assim, o único objectivo de um partido português é... ganhar eleições. De preferência, sozinho. &lt;br /&gt;Tudo isto funciona bem em duas circunstâncias: quando os tempos são de vacas gordas ou quando há maiorias. O pior problema é quando há minorias em tempos de vacas magras. Aí, os governos ficam maus. Ou de mãos atadas porque não conseguem fazer passar medidas, ou eleitoralistas - se bem que esta é uma tendência de todos os governos, mesmo os de maioria, porque quando as têm já sabem que as perdem com medidas difíceis, daí estarem sempre a pensar nas próximas eleições. &lt;br /&gt;E, como o sistema português não obriga a maiorias, nem as forma automaticamente, o que acontece é que ... andamos sempre nisto. Com um olho no burro e outro no cigano, para explicar bem a situação a verdadeiros totós. Totós que somos nós todos: temos um sistema político que nos prejudica, a nós, que o inventámos e que através dele nos regulamos. E nada fazemos para o mudar. &lt;br /&gt;Portugal precisa, portanto, de um "Portugal para totós". A falta desse livro deve explicar, em parte, o facto de as agências internacionais de rating continuarem a dar-nos na cabeça, mesmo depois de haver um acordo orçamental entre os dois maiores partidos portugueses, e de o Orçamento propor cortes e mais cortes e nenhum deles convencer quem nos avalia os nossos empréstimos. Outra hipótese é terem-no percebido bem de mais: que os dois partidos, PS e PSD, são, afinal, duas faces da mesma moeda. E que muito pouco vai mudar enquanto continuarmos neste jogo de roda bota fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 23 / 12 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3122811864100559965?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3122811864100559965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3122811864100559965&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3122811864100559965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3122811864100559965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/01/o-nobel-da-pz-e-o-pais-de-totos.html' title='O Nobel da Pz e o país de totós'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3734232465737550820</id><published>2011-01-07T11:10:00.000Z</published><updated>2011-01-07T11:10:52.173Z</updated><title type='text'>A crise, as praxes e uma lição de vida</title><content type='html'>22 de Novembro – As notícias são hoje, infelizmente, quase diárias ("Cinco mil famílias em lista de espera para receber apoio alimentar de instituições"; "Classe média está a chegar à sopa dos pobres"...) e, nelas, alguns poucos parágrafos davam conta ontem do apelo do arcebispo de Braga aos párocos para que dêem um "sinal sacerdotal" e prescindam do salário de um mês para acudir "àqueles que, cada vez mais, não têm o mínimo para sobreviver". "Trata-se - diz o arcebispo - de colocar em questão este modelo económico e acreditar que a solidariedade tem capacidade para dar dignidade a todos".&lt;br /&gt;A obra assistencial da Igreja, juntamente com a de instituições como o Banco Alimentar ou as Misericórdias, é hoje a última fronteira da esperança de muitas dezenas de milhares de famílias que a "crise" (é difícil escrever a palavra sem aspas quando a Banca, poupada aos "sacrifícios para todos", continua a lucrar milhões por dia) atirou para a fome e a miséria. E todos os dias se ouvem apelos da parte do clero à solidariedade. Mas é a primeira vez que um bispo vem louvavelmente lembrar que, "na partilha, os sacerdotes não podem pôr-se de lado".&lt;br /&gt;Neste contexto, seria bom a própria Igreja não se pôr de lado e decidir-se a prescindir de uma pequeníssima parte dos rendimentos do Santuário de Fátima a favor "daqueles que, cada vez mais, não têm o mínimo para sobreviver".&lt;br /&gt;26 de Novembro – No Outono, com o cair da folha e o início do ano lectivo, começam a ver-se por aí, onde existam universidades e aparentados, os habituais espectáculos de bandos de imberbes caloiros apascentados por não menos imberbes "doutores" ministrando-lhes todo o tipo de boçalidades e indignidades que a rasca imaginação lhes permite, com o devido enquadramento de bebedeiras, comas alcoólicos e música pimba que ilustram o nível moral e intelectual não só dos futuros caixas de supermercado da Nação mas igualmente das escolas que os formam.&lt;br /&gt;Todos os anos a história se repete mas pelos vistos ninguém aprende. Pôr jovens estudantes de joelhos e obrigá-los a suportar com um sorriso nos lábios as prepotências dos mais velhos é, alega-se, uma forma de "integrar" os alunos recém-chegados na vida e no espírito universitários. E, Deus nos valha, se calhar é. Não restem dúvidas de que, de tal ponto de vista, as universidades cumprem até à excelência a missão que, de há uns tempos para cá, alegremente pretendem assumir, não de lugares de estudo e investigação, mas de fornecedores de mão-de-obra qualificada (na circunstância em despotismo e docilidade acrítica) ao mundo empresarial e do trabalho.&lt;br /&gt;2 de Dezembro – Por falar na universidade, no ensino e no mercado de trabalho, esta é uma história que todos os pais deveriam ler à noite aos filhos para que eles possam aprender que, ao contrário do que professores antiquados ainda ensinam na escola, não é com estudo e trabalho, ou com mérito, que se vai longe na vida.&lt;br /&gt;Pedro era um petiz de palmo e meio e frequentava o ensino secundário. Vivia com o pai, funcionário do PS, numa casa da Câmara de Lisboa pagando 48 euros de renda. Cedo percebeu que, se tirasse um curso superior, decerto acabaria como caixa de supermercado e, miúdo esperto, rapidamente deixou as aulas e se tornou, como o pai, funcionário partidário. Obviamente estava lançado na vida. Algum tempo depois, rescindiu o contrato e, assim desempregado "por motivo de reestruturação, viabilização ou recuperação da empresa [o PS], quer por a empresa se encontrar em situação económica difícil", obteve do IEFP 40 mil euros de subsídios para a criação da sua própria empresa - que nem precisou de ter actividade - e do seu próprio posto de trabalho. Meteu os subsídios ao bolso e arranjou "o seu próprio posto de trabalho" na Câmara de Lisboa a ganhar 3950 euros por mês como assessor político (o que quer que isso seja) de uma vereadora do PS.&lt;br /&gt;O "Público", que traz a história do jovem Pedro, hoje com 26 anos e um grande futuro político pela frente, sugere que ela é ilegal e imoral. Deixará de ser quando quem faz as leis fizer também a moral. Não tardará muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 9 / 12 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3734232465737550820?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3734232465737550820/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3734232465737550820&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3734232465737550820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3734232465737550820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/01/crise-as-praxes-e-uma-licao-de-vida.html' title='A crise, as praxes e uma lição de vida'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-9096210190438829389</id><published>2011-01-07T11:08:00.001Z</published><updated>2011-01-07T11:08:33.331Z</updated><title type='text'>O senhor do adeus, as tatuagens e Pilar</title><content type='html'>9 de Novembro - Chamava-se João Serra e tinha por hábito acenar aos carros e os carros que, divertidos e agradecidos, lhe acenavam de volta. Uma forma de amaciar a solidão, dizia ele, que assim amaciava a nossa: encontrá-lo era uma secreta alegria; uma suspensão da realidade; um toque de irrisão na rotina das rotinas. É por isso que, hoje, qualquer assunto dominante sobre as misérias da política perde todo o sentido. Pausa. O momento pede um último adeus ao fantasma do Saldanha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 de Novembro – A tatuagem está na moda. Cantores, novos e velhos, projectos de actor, novos e velhos, entram-nos diariamente em casa com uns riscos no corpo. Como explicar essa epidemia de tatuagens que transforma o nosso mundo num retorno à pré-história, com muitos ‘modelos’ feitos pinturas rupestres?&lt;br /&gt;Um nome possível é Norbert Elias (1897 - 1990), o grande historiador da França pré-revolucionária, que nas obras sobre a "sociedade da corte" disserta com talento inultrapassável sobre a forma como a nobreza sempre se procurou distinguir da populaça circundante. &lt;br /&gt;Conta Elias, sobretudo em "O Processo Civilizacional", que as elites procuravam essa distinção pela busca de novos e refinados símbolos (nos adereços, no vestuário, nos comportamentos). Só depois a plebe corria atrás, procurando imitar e, pela imitação, "nobilitando-se". A ascensão social fazia-se por imitação social, ou seja, por imitação "superior". &lt;br /&gt;As tatuagens representam uma pequena revolução civilizacional. Pela primeira vez em toda a história social do Ocidente, a classe média procura distinguir-se por imitação "inferior": se os nossos antepassados olhavam para cima, os nossos contemporâneos olham para baixo. Para as marcas tangíveis, carnais, inapagáveis de roqueiros ou marginais, como se essa descida fosse uma forma paradoxal de ascensão. &lt;br /&gt;O problema desses movimentos miméticos é que eles acabam sempre por atingir estágios de estagnação, onde é necessário encontrar novas marcas distintivas - não é por acaso, escreve Elias, que Paris se foi refinando continuamente: uma vez imitada pela plebe, a nobreza partia em busca de novos códigos exclusivos que por sua vez acabariam por ser imitados, e abandonados, e trocados por outros. "Ad infinitum". &lt;br /&gt;Hoje, a imitação "inferior" bateu contra o mesmo tipo de parede - e a tatuagem, que era a exceção na paisagem, passou a ser regra. Difícil não é ter ou ver uma tatuagem. Difícil é não ter ou não ver. &lt;br /&gt;O que significa que, mais cedo ou mais tarde, não será de excluir que, à nossa volta, comecem a aparecer indivíduos com ossos no nariz, em imitação de uma qualquer tribo primitiva e, de preferência, assaz remota e assaz exclusiva. &lt;br /&gt;Uma civilização que já olhou para cima e para baixo para se "nobilitar" socialmente, talvez encontre novos caminhos de distinção olhando para longe. &lt;br /&gt;16 de Novembro – Com a morte de Saramago, Pilar, a viúva, ganha uma visibilidade diferente. Ela sempre lá esteve mas agora ‘vê-se’ mais. E continua-o. A sua voz espanhola lendo um livro de Saramago, sobreposta na voz portuguesa de José - é um artifício da montagem do filme "José e Pilar", mas é também a vida real, duas vozes coladas uma na outra, duas línguas entrelaçadas como as mãos que se agarram várias vezes durante a vida e durante um documentário que merece todos os elogios. O tempo urge e a doença reduz a voz do escritor, ameaçando-o com a morte, com a impossibilidade de escrever mais, de amar ainda mais. Saramago tem muita graça, mesmo muita, como quando, cansado da correria mediática, propõe a história do escritor que mata jornalistas em série. Como um casal, Pilar e José discordam um do outro no banco traseiro do carro ou discutem por causa de Hillary e Obama. Como um par de namorados, ela apoia-se na porta do quarto de hospital de José, triste e irritada com os jornais que querem escrever um obituário precoce. Quando ele diz: "Se eu tivesse morrido antes de conhecer Pilar teria morrido muito mais velho." Pensamos que talvez só o amor impeça a morte. Talvez por isso José diga que quer que Pilar o continue. O escritor que vivia desassossegado e escrevia para desassossegar também diz, sozinho e apaixonado, para a câmara: "Pilar, encontramo-nos noutro sítio." E nós acreditamos, nós só podemos acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 25 / 11 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-9096210190438829389?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/9096210190438829389/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=9096210190438829389&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/9096210190438829389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/9096210190438829389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2011/01/o-senhor-do-adeus-as-tatuagens-e-pilar.html' title='O senhor do adeus, as tatuagens e Pilar'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-4573031189735740747</id><published>2010-11-17T15:45:00.000Z</published><updated>2010-11-17T15:45:08.041Z</updated><title type='text'>Carta a um Professor e o desportivismo nos anos 50</title><content type='html'>3 de Novembro - "Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o, também, perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.&lt;br /&gt;Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.&lt;br /&gt;Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando está triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.&lt;br /&gt;Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.&lt;br /&gt;Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.&lt;br /&gt;Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor".&lt;br /&gt;É uma carta de 1830, de Abraham Lincon ao professor do filho que começava a aprendizagem. Um texto certo, lindíssimo, um exemplo de vida. De muitas vidas, sem data e com destinatário: nós, todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 de Novembro – Procurar nos arquivos traz muitas curiosidades. Na véspera de um Porto-Benfica, em Dezembro de 1953, O Porto, jornal do F.C.Porto, escrevia o seguinte“Portistas, vem aí o Benfica. É claro que os vamos receber como ele merece: à moda do Porto. Os encarnados do sul vêm de longada até à Cidade Invicta encher de alegria os olhos dos desportistas tripeiros. Que vença, Deus o permita, o nosso glorioso clube. É legítimo. Que os bravos benfiquistas nos perdoem a tripeira fraqueza. ..Nada de hipocrisias, porque os dois baluartes do futebol nacional já habituaram de tal maneira os seus adeptos à exibição plena das mais nobres virtudes da ética desportiva…”&lt;br /&gt;O Porto ganhou e o jornal O Benfica de 14 de Janeiro de 1954 escrevia:“Ganhou o Porto. Foi naquela tarde o melhor. Mas também soube pôr na vitória o timbre da firmeza e educação que só os atletas de elite possuem. Perdeu o Benfica. Mas nem por isso saiu diminuído da contenda. Deixou no belo estádio o perfume da sua categoria de grande equipa, grande na maneira de jogar, enorme na forma como soube aceitar a derrota”.&lt;br /&gt;Reconhecem este desportivismo nos tempos presentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 11 de Novembro de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-4573031189735740747?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/4573031189735740747/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=4573031189735740747&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4573031189735740747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4573031189735740747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/11/carta-um-professor-e-o-desportivismo.html' title='Carta a um Professor e o desportivismo nos anos 50'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5685722321882479326</id><published>2010-11-17T15:42:00.002Z</published><updated>2010-11-17T15:42:55.018Z</updated><title type='text'>A lição do Chile</title><content type='html'>14 de Outubro – A lição que recebemos&lt;br /&gt;Podemos dizer que se trata de uma frase feita. Podemos dizer que nem sempre se verifica mas a ‘tal’ frase impossível - o Natal é quando o homem quiser - calhou ontem, 13 de Outubro. O cântico foi da velha chilena Violeta Parra: ‘Gracias a la vida’. Os presentes vinham num embrulho em forma de cápsula que ia e vinha e trazia sempre as mesmas  letras e sempre certas: Fénix. &lt;br /&gt;Quem tira os minerais do fundo da terra? Quem passa lá uma vida inteira? Quem destrói o corpo em busca do salário mensal? E esses presentes eram tão raros que muitos os deu como desaparecidos. Quem levantou os grandes monumentos? Para onde foram os pedreiros na noite em que ficou pronta a Muralha da China? A grande Roma está cheia de arcos de triunfo - quem os levantou? &lt;br /&gt;Perguntas antigas, que ontem tiveram resposta, tiveram nomes. Florencio Ávalos, Carlos Mamani, Jimmy Sánchez, Victor Zamora, Esteban Rojas e mais vinte e oito iguais. Ontem, chorávamos todos, o filho do Florencio, a loira da Sky News, o solitário no café da aldeia.&lt;br /&gt; Ontem, um dos danados da terra e desapossados de nome, mal ganhou nome, Mário Sepúlveda, o segundo da dinastia dos 33, falou por ele e por todos - cumprindo as palavras de Violeta Parra: ‘El canto de todos que es mi proprio canto’. Pousou o bornal e tirou dele pedaços de rocha que arrancou à mina, que distribuiu. E depois disse isso em palavras: "Não me tratem como artista, sou Mário, o trabalhador mineiro." Só…&lt;br /&gt;15 de Outubro – Ainda o Chile&lt;br /&gt;Todos seguimos a transmissão televisiva com maior audiência da história: 33 mineiros soterrados a 700 metros de profundidade regressaram, 69 dias depois, à luz e à vida. Como escreve Hernán Letelier, a história do deserto de Atacama está coroada de tragédias como um largo muro coroado de vidros quebrados: greves, marchas da fome, acidentes fatais, mineiros mortos em inconcebíveis massacres. Mas no passado dia 13 o que se viu foi o triunfo da vida, da resistência humana, a recusa da rendição a um desfecho que parecia inevitável, o engenho científico e tecnológico ao serviço de 33 mineiros pobres e desconhecidos e o mundo inteiro suspenso por esse arrojo em que se lançaram o presidente chileno, os poderosos detentores da tecnologia de ponta e os 33 homens soterrados vivos e que, rapidamente, contagiou o mundo inteiro. &lt;br /&gt;Esta operação, sumamente complexa e teoricamente nunca pensada, foi posta em prática com a precisão de um cronómetro, sem precipitações, sem erros, sem falhas. Tornou-se um ponto de honra comum à humanidade, sobrepondo-se à secura dos corações, ao conformismo e à indiferença fruto dos atributos da cultura utilitarista dos nossos dias, assente no individualismo, na ganância, no desprezo pelos mais pobres e mais fracos e no desvalor da vida humana. A história da mina de San José é, também por isso, uma revolução cultural.&lt;br /&gt;Não foi apenas um resgate - o que por si já seria muito - mas um cuidar activo e eficaz conseguido com muita tecnologia, engenho e arte, criando em escassos 800 metros simulações da luz do dia para controlar os biorritmos, a temperatura e o grau de humidade, introduzindo sondas para enviar provisões, rádios e material de primeiros socorros e até pastilhas elástica com nicotina para aliviar os fumadores, para além de livros e um projector para verem filmes e futebol. O resto, um enorme resto, chama--se resistência humana, liderança activa e disciplina espiritual. Mario Sepúlveda, o mineiro que fez a vezes de jornalista nas gravações de vídeo filmadas a 700 metros de profundidade, disse quando chegou ao mundo dos vivos "Estive com Deus e estive com o Diabo, e ganhou Deus. Agarrei-me à melhor mão." Os 33 homens apareceram com uma T-shirt onde se lia "gracias, Señor".&lt;br /&gt;Este final feliz, arrancado à sua própria improbabilidade, culmina um tempo sobre o qual os mineiros estabeleceram um pacto de silêncio entre si: nenhum falará sobre os outros. Ainda que seja provável que um dia se escreva um best-seller ou se realize um filme sobre esta história, boa de mais para ser verdadeira, eles não querem ser os protagonistas. Tudo ficou 700 metros abaixo do solo, e percebemos porquê. Nenhuma história pode ser tão íntima na trama com que foi tecida como a de esta extraordinária convivência. Nada pode operar transformações tão profundas no interior de cada homem como o fio do tempo - 69 dias - no qual se penduraram as fraquezas e as forças, a fé e o desespero, o medo e a coragem, o pior e o melhor de cada um daqueles seres humanas que a tragédia desnudou até ao tutano da alma. &lt;br /&gt;Alberto Urzúa Iribarren, "Don Lucho" como lhe chamaram dentro e fora da mina, foi o último a sair como compete a quem assumiu ser o chefe natural daquele grupo logo após a primeira avalanche. Organizou grupos e rações: "Duas colherinhas de atum por dia, para cada um", disse. Enquanto, cá fora, Piñera fazia esta afirmação lapidar: "Procurámo-los como filhos. Encontrámo-los com a ajuda de Deus. Resgatámo-los como chilenos." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 28 de Outubro de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5685722321882479326?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5685722321882479326/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5685722321882479326&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5685722321882479326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5685722321882479326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/11/licao-do-chile.html' title='A lição do Chile'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7237048474912462932</id><published>2010-11-17T15:41:00.000Z</published><updated>2010-11-17T15:41:17.704Z</updated><title type='text'>Acreditar na Constituição, o Caso Casa Pia e a leitura dos indicadores económicos</title><content type='html'>14 de Setembro – Devemos acreditar na Constituição?&lt;br /&gt;O Público dá hoje destaque na 1ª Página a uma reportagem cujo tema é “Quanto custa educar um filho?”. Não se percebe de que estão a falar. A Constituição diz que cabe ao Estado estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino e a criação de uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população. Educar um filho é, 35 anos após a gloriosa revolução de Abril, totalmente gratuito.&lt;br /&gt;Andam a propagar a mentira de que o futebolista José Torres terá tido dificuldades financeiras no fim da vida, agravados pelo facto de sofrer de Alzheimer. Não pode ser verdade porque a Constituição portuguesa garante que o direito à protecção da saúde é realizado através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito.&lt;br /&gt;Será impressão minha ou a Constituição anda-nos a enganar?&lt;br /&gt;16 de Setembro – O que sabemos do processo Casa Pia.&lt;br /&gt;Terá terminado o processo Casa Pia? Se descontarmos os recursos que aí vêm, parece que sim. Será que se fez justiça? Tirando melhor opinião, parece que sim, e exactamente do modo que a opinião pública desejava. Não é verdade que, antes da leitura da sentença, todos os inquiridos, anónimos ou não, afirmavam querer que a dita justiça se fizesse? E acrescentavam, por palavras meias ou inteiras, esperar que os arguidos fossem condenados, o que sugere que a justiça não tinha muita escolha e não se teria feito em caso de absolvição.&lt;br /&gt;Não sei, não posso realmente saber, o que sucedeu nas referidas casas de Elvas e de Lisboa, e não sei se o sucedido envolveu os sujeitos apontados pelas testemunhas e agora confirmados pelo tribunal. Mas sei algumas coisas: sei que se mandou em paz a senhora que, na opinião dos juízes, era a anfitriã dos presumidos regabofes e logo conheceria cada um dos respectivos participantes; sei que o julgamento foi adiado para o dia seguinte a duas sucessivas, e relevantes, alterações ao Código Penal; sei que os condenados não ficaram detidos e que um deles andou, com ou sem advogado furioso a tiracolo, a insultar o tribunal que assim decidira frente às câmaras de tudo quanto é estação; sei que o julgamento demorou seis inacreditáveis anos; sei que a confiança que os poderes judiciais inspiram no momento em que o processo Casa Pia termina não é idêntica à que inspiravam no momento em que começou; sei que o processo Casa Pia é menos causa do que consequência deste desgraçado, e talvez irremediável, estado das coisas; sei que, por isto e por aquilo, já não se consegue fazer justiça em Portugal sem espalhar a proverbial sombra de uma dúvida. E sei que a alegria de muitos face à condenação de meia dúzia de suspeitos contrasta com a indignação de uns tantos enquanto, até certa altura, houve um sétimo e peculiar suspeito no rol. Quem? Vocês sabem de quem eu estou a falar…&lt;br /&gt;29 de Setembro – Ainda teremos memória?&lt;br /&gt;É bom não esquecer que:  25 de Novembro de 2009 Sócrates garantiu que não aumentaria impostos; a 8 de Março de 2010 Sócrates vangloriou-se: “O mais fácil seria aumentar impostos”; a 12 de Maio de 2010 Sócrates estava satisfeito com o crescimento no primeiro trimestre; a 6 de Junho de 2010 Sócrates garantiu que o mais recente aumento de impostos era suficiente; a 2 de Julho de 2010 Sócrates dizia que o crescimento do desemprego vai continuar a abrandar ; a 13 de Agosto de 2010 Sócrates garantia que o crescimento do PIB no segundo trimestre consiste num “sinal de grande encorajamento e confiança para a recuperação da economia portuguesa”; a 24 de Agosto de 2010 Sócrates afirmava que o crescimento da economia portuguesa, entre Janeiro e Junho, foi o dobro do previsto pelo Governo; a 29 de Setembro de 2010 Sócrates anuncia o segundo aumento de impostos do ano e decreta mais um roubo na função pública. Perante tal “responsabilidade”, “coerência” e “competência”, é fácil seguir o seu raciocínio:&lt;br /&gt;1. De entre os indicadores disponíveis, escolher os mais favoráveis.&lt;br /&gt;2. Entre a variação homóloga e a trimestral escolher a mais favorável.&lt;br /&gt;3. Se todos os indicadores pioram, escolher os que pioram menos que os dos restantes países europeus.&lt;br /&gt;4. Se um dado indicador é pior que os dos restantes países europeus, comparar com as previsões do governo/FMI/Bando de Portugal.&lt;br /&gt;5. De entre várias previsões (União europeia/FMI/Bando de Portugal), escolher a mais favorável ao governo.&lt;br /&gt;6. Se o desemprego aumenta, atribuir o aumento à sazonalidade.&lt;br /&gt;7. Se o desemprego diminui, destacar as políticas do governo.&lt;br /&gt;8. Se os dados estatísticos são desfavoráveis, alegar que estão desactualizados e que os dados mais recentes vão provar que o governo está no bom caminho.&lt;br /&gt;9. Se um indicador for desfavorável atacar a credibilidade da fonte.&lt;br /&gt;10. Justificar os maus indicadores com factores que não dependem do governo (crise internacional, preço do petróleo, desvalorização do euro, valorização do euro). &lt;br /&gt;11. Se um indicador piora ligeiramente, alegar que estabilizou. Se melhora ligeiramente falar em retoma sustentada.&lt;br /&gt;12. Evitar gráficos que dêem uma visão global dos indicadores, excepto quando os gráficos são favoráveis.&lt;br /&gt;13. Se os resultados de curto e médio prazo são desfavoráveis, citar a tendência de longo prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 14 de Outubro de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7237048474912462932?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7237048474912462932/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7237048474912462932&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7237048474912462932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7237048474912462932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/11/acreditar-na-constituicao-o-caso-casa.html' title='Acreditar na Constituição, o Caso Casa Pia e a leitura dos indicadores económicos'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5984506790587957513</id><published>2010-10-06T11:33:00.002+01:00</published><updated>2010-10-06T11:33:27.055+01:00</updated><title type='text'>A Gripe A e a estação tonta</title><content type='html'>3 de Setembro – Lembram-se da gripe A? Fizeram-se avisos, assustaram-nos de morte, obrigaram-nos a lavar as mãos em todos os compartimentos onde entrássemos. Ora, há poucas semanas e ainda não totalmente satisfeita, a Organização Mundial de Saúde avisava oficialmente, pela enésima vez, que a gripe A não terminara. E fundamentava o parecer. Para o especialista britânico John Oxford, por exemplo, a "segunda vaga" da gripe vinha a caminho e com redobrado vigor. A vacinação, referiu o dr. Oxford, é essencial. Para o português Francisco George, o H1N1 iria "com certeza" regressar e "ser responsável por nova actividade epidémica". As pessoas, referiu o dr. George, devem continuar a vacinar-se. A despropósito, note-se que o dr. Oxford é o responsável científico de um importante laboratório de investigação de vacinas e que o dr. George é um dos rostos do sistema de saúde que gastou, perdão, investiu dezenas de milhões nas ditas, ainda assim uma pequenina parcela dos 5 mil milhões gastos, perdão, investidos globalmente.&lt;br /&gt;Agora, pela voz da sua directora, a OMS admite que a gripe, afinal, acabou, com um saldo de vítimas algumas vezes inferior ao da gripe comum e muitas vezes inferior ao previsto. Ao decreto do fim, a dra. Margaret Chan acrescentou uma curiosa constatação: "O mundo teve sorte." &lt;br /&gt;Não digo que não seja verdade, mas sorte de facto teve a OMS, que andou um ano e tal a incitar ao pânico e, após se provar o absurdo do incitamento, mantém inexplicáveis pretensões à credibilidade. E quem diz a OMS diz a imprensa, os investigadores com e sem aspas, os governantes e restantes elementos da brigada do medo, que no mínimo há um par de décadas assustam a humanidade com epidemias e cataclismos que, contas feitas, dão em nada ou em quase nada. Das vacas malucas às aves engripadas, passando, fora do zoológico, pelo "bug" do milénio ou pelo aquecimento global, os tempos recentes têm sido uma sucessão de desgraças anunciadas e nunca verificadas.&lt;br /&gt;Felizmente. Excepto pelo receio de que as massas, as exactas massas que têm entrado em histeria a cada alarme falso, um dia ignorem um alarme verdadeiro. A julgar pelas evidências, Pedro pode gritar "Lobo!" tanto quanto quiser que surgiremos sempre a acudir ao rebanho. Isto na presunção de que o rebanho são os outros.&lt;br /&gt;8 de Setembro – Sabemos todos que o Verão é, por designação, a estação tonta. E existem vários exemplos que o comprovam. O ministro da Defesa, Santos Silva, anunciou que Portugal vai ter espiões no Afeganistão e no Líbano. Se fosse dia 1 de Abril o ministro teria um bom pretexto para sair de uma história bizarra, barricando-se na mentirinha de 1 de Abril. &lt;br /&gt;Ninguém lhe levaria a mal uma brincadeira, ainda que tola. Afinal de contas ninguém deve ter o monopólio da tolice.  Um ministro, mesmo da Defesa, que tem obrigação de transportar a pose de Estado em cada gesto, em cada passo, tem direito a dizer umas coisas fora do baralho. Desde que, claro, o que disser não prejudique outras pessoas. Ora, no caso vertente, o ministro deverá ser o primeiro a saber que esse tipo de coisas – anunciar a criação de ‘estações’ de espiões em cenários de guerra – dificilmente se enquadra em matéria anunciável. &lt;br /&gt;É certo que o Governo não resiste a uma ‘novidadezita’, mas dizer à malta da al-Qaeda que vamos mandar uns espiões para as miras de tiro ou para o raio de expansão das bombas deles é obra. A CIA já pagou, amargamente, a factura da mera presença no teatro de guerra. Mas a CIA, poder--se-á sempre argumentar, é um alvo global com mais de 50 anos. Pois, mas, mais à nossa escala, também os espanhóis, italianos e polacos pagaram a factura de lá estarem. E esses nem anunciaram...&lt;br /&gt;P.S. Não me esqueci da sentença da Casa Pia. A seu tempo lá irei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 16 / 9 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5984506790587957513?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5984506790587957513/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5984506790587957513&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5984506790587957513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5984506790587957513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/10/gripe-e-estacao-tonta.html' title='A Gripe A e a estação tonta'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6567381899349917762</id><published>2010-10-06T11:31:00.002+01:00</published><updated>2010-10-06T11:31:50.885+01:00</updated><title type='text'>Os incêndios e os casamentos gay</title><content type='html'>15 de Agosto – Os tempos vão estranhos. No ano passado, o mérito pela escassez de incêndios cabia ao Governo e não a um Verão particularmente fresco e húmido. Este ano, a culpa pela devastação em curso é do calor tórrido, dos criminosos, dos negligentes e do "aquecimento global": não é do Governo. Aparentemente, como em tantos outros aspectos, a acção preventiva do poder reflecte-se nos sucessos, não nos fracassos. &lt;br /&gt;Mistérios à parte, a verdade é que o País voltou a arder e as cabeças encarregadas de o pensar também. Em países normais, impedir a calamidade discute-se antes da calamidade acontecer. Aqui discute-se durante a dita, embora não se trate do típico "casa roubada, trancas na porta", não senhor: em Portugal, debate-se o tipo de tranca enquanto a casa está a ser roubada. Depois de consumado o roubo, a porta continua aberta.&lt;br /&gt;As trancas, corrijo, as medidas de prevenção sugeridas são inúmeras. A minha preferida é a do ministro da Agricultura, que deseja nacionalizar os terrenos abandonados. No universo peculiar do senhor António Serrano, obviamente habilitadíssimo para a pasta que carrega, as matas e florestas do Estado encontram-se limpas, vigiadas e pura e simplesmente não ardem. Eis o contributo mais original desde que um ministro do PSD – recordam-se? - atribuiu a origem dos fogos às granadas que os ex-combatentes trouxeram do Ultramar. &lt;br /&gt;Ainda que sem o talento natural do dr. António Serrano, que ponderadamente pediu a 6 deste mês uma avaliação do Plano Nacional de Defesa da Floresta aprovado em 2006, as luminárias restantes fazem o que podem em matéria de desnorte. O ministro da Administração Interna compara, todo contente, a quantidade de área queimada com a equivalente de 2003 e declara-se preocupado com "a segurança das pessoas", uma evidência se por "pessoas" entendermos ele próprio, e por "segurança" a sua manutenção no cargo. Um secretário de Estado do Ambiente ciranda a anunciar "meios aéreos". O Presidente da República e o primeiro-ministro interrompem com pompa as respectivas férias mas, desrespeitosamente, as labaredas não interrompem o respectivo trabalho. E a ministra da Educação prossegue o encerramento em massa das escolas rurais e deixa cada aldeia entregue a três (ou quatro) velhinhas, assunto que nada tem a ver com os incêndios e por cuja invocação peço desculpa.&lt;br /&gt;22 de Agosto – Sinal dos tempos, o casamento recente de um escritor português com o companheiro motivou uma ou outra notícia de jornal, uma ou outra coluna de opinião e uma razoável quantidade de sentimentalismo na Internet. Ora, como não se tratou do primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo, que sempre tinha o efeito da novidade, estranhei que tantos órgãos de comunicação e tantos comunicadores individuais imitassem a imprensa dos mexericos. E estranhei sobretudo que a comoção orientasse quase todos os desabafos.&lt;br /&gt;A questão reside no facto de, ao contrário do que sucede no jornalismo dito "social", os autores dos desabafos em questão serem, ou parecem ser, esquerdistas convictos, daquela esquerda que gastou décadas a ridicularizar o matrimónio "burguês". Verifico divertido que, pelos vistos, bastou alterar a orientação sexual para que o que antes era ridículo se transformasse numa celebração do amor puro e irredutível. Num ápice, o formalismo opressor do "papel" passou a atestado indispensável de maioridade cívica e a motivo para lágrimas de alegria.&lt;br /&gt;Será agora isto a igualdade? A igualdade que esteve no centro das reivindicações do casamento gay implicaria, agora que este se consumou em sentido lato, que se alargasse o enxovalho aos gays que cederam às "convenções" e à moralidade "tradicional".&lt;br /&gt;Nova Aliança, 2 / 9 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6567381899349917762?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6567381899349917762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6567381899349917762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6567381899349917762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6567381899349917762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/10/os-incendios-e-os-casamentos-gay.html' title='Os incêndios e os casamentos gay'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-972662208975588029</id><published>2010-10-06T11:30:00.002+01:00</published><updated>2010-10-06T11:30:40.497+01:00</updated><title type='text'>As 'intervenções' da cultura e a 'golden share'</title><content type='html'>23 de Julho - É sempre reconfortante verificar o modo como o dinheiro dos nossos impostos continua a ser gerido. A Cultura é um bom exemplo. José Pacheco Pereira apresenta-nos, na sua coluna da Sábado de hoje, um exemplo notável: a “3ª edição do projecto de intervenção e colaboração do Teatro do Vestido, Esta é a minha Cidade e Eu Quero Viver Nela, em que Joana Craveiro (...) convidou o criador e performer Miguel Bonneville”. O espectáculo tinha entrada livre com a seguinte nota: “Cada intervenção tem a duração aproximada de 15 minutos e uma entrada limitada a 5 pessoas. Recomendamos marcação prévia”. 5 pessoas, não parece haver gralha. E o que se passa nessa “intervenção”:&lt;br /&gt;“Este espectáculo acontece em dois quartos de hotel com comunicação entre si.(...) . Este espectáculo é sobre estranhos, camas, lençóis sujos, telefones e telefonemas, comunicação, divisão, desencontrarmo-nos uma vez, o Navio Night, estar perdida de noite sem saber o caminho de regresso a casa, ser salvo por alguém, não haver salvação possível, arranjar uma alternativa, portas entreabertas, levantar o chão, cofres atrás de quadros, segredos, a solidão, não é sobre cartas, é sobre o depois das cartas, é uma carta-postal mais do que um telegrama, é sobre ter um lugar num daqueles restaurantes que está aberto a noite inteira e que tem a um canto um casal improvável e nós sozinhos noutro canto, é sobre uma música em específico, a solidão da Gena Rowlands no Opening Night, enganares-te num número, quase conseguir alguma coisa, uma declaração que é feita e para a qual não tens resposta, teres uma sensação de não caberes em lado nenhum, é sobre ele me ter deixado, é sobre acordar várias vezes durante a noite. Este espectáculo é sobre ser português. “&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esta “intervenção” foi apoiada pela Fnac, Internacional Design Hotel, Teatro Nacional D. Maria II e financiado pelo Ministério da Cultura. Eu gosto mesmo é de que “este espectáculo é sobre ser português.&lt;br /&gt;28 de Julho – O acordo entre a PT e a Telefónica obriga a algumas reflexões:&lt;br /&gt;1. A Oi é um activo estratégico de grande importância, um pouco como a insubstituível Vivo o era ainda há 15 dias.&lt;br /&gt;2. Vender a Vivo por 7,5 mil milhões é um grande negócio. Há quinze dias atrás a venda por 7,15 mil milhões era uma asneira tendo em conta o grande potencial da empresa.&lt;br /&gt;3. A Oi é uma empresa de grande potencial. Há 15 dias atrás era uma empresa cheia de problemas cujo potencial não tinha qualquer comparação com o da Vivo.&lt;br /&gt;4. A PT está a vender a Vivo na altura certa. O potencial de crescimento está esgotado. Esgotou-se nos últimos 15 dias.&lt;br /&gt;5. Ser minoritário na Oi não é um problema. Há 15 dias uma posição de controlo da Vivo era essencial.&lt;br /&gt;6. O governo fez muito bem em usar a Golden Share. Conseguiu-se subir o preço e os accionistas privados ganharam. Há 15 dias intervenção estatal era justificada pelo interesse nacional, hoje intervenção estatal é justificada como forma de reforçar o poder de barganha de privados.&lt;br /&gt;7. Se não fosse o uso da Golden Share a PT não tinha entrado na Oi. Há quem acredite nisso.&lt;br /&gt;8. Conseguiu-se vender a Vivo por bom preço e ficar no Brasil. (Falta dizer que a Oi foi cara, o que em parte anula o bom negócio que se fez com a Vivo).&lt;br /&gt;9. Há 15 dias era inaceitável vender a Vivo porque se teria que sair do mercado brasileiro. Entrar noutra empresa seria muito difícil. Ou a Vivo ou o caos. Ao fim de 15 dias trocou-se uma posição de controlo na Vivo por uma minoritária na Oi.&lt;br /&gt;10. E já nem falo nos grandes nacionalistas portugueses, que se contentam com muito pouco. Basta a ilusão de que ser minoritário na Oi é tão bom como controlar a Vivo para os manter felizes. Ficam contentes por mandar menos em menos. &lt;br /&gt;29 de Julho - Os Procuradores do Ministério Público tinham 27 perguntas para fazer ao primeiro-ministro, José Sócrates, no âmbito do processo Freeport mas os prazos impostos pela Procuradoria-Geral da República para o fim do processo inviabilizaram que Sócrates fosse interrogado, avança a edição desta quinta-feira do jornal 'Público'. Isto da falta de tempo também se aplica às restantes alminhas com quem os procuradores queiram falar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 20 / 8 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-972662208975588029?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/972662208975588029/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=972662208975588029&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/972662208975588029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/972662208975588029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/10/as-intervencoes-da-cultura-e-golden.html' title='As &apos;intervenções&apos; da cultura e a &apos;golden share&apos;'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5489312695403167592</id><published>2010-10-06T11:29:00.000+01:00</published><updated>2010-10-06T11:29:07.215+01:00</updated><title type='text'>As lições do futebol</title><content type='html'>11 de Julho – Ainda o desporto-rei. O homem que mudou para sempre o destino do futebol espanhol é um tipo meio estranho, daqueles para quem se olha e dificilmente se acredita que está ali um astro dos relvados. Na edição de ontem da “Marca”, Roberto Palomar assinava uma coluna de opinião que retratava o herói do momento: “Visto de perto, Iniesta poderia ser um profissional de qualquer coisa menos de futebol. Podia ser um repositor de fruta ou um funcionário do Ministério da Agricultura. Qualquer coisa, mas nunca futebolista. Limpo de tatuagens, brincos ou pulseiras, pálido como leite, calvo, só se lhe conhecem duas excentricidades: um dia mandou calar Cristiano Ronaldo e agora atreveu-se a mostrar uma camisola com uma mensagem para Dani Jarque.”&lt;br /&gt;De facto, está ali tudo menos o símbolo da estrela dos novos tempos. A subida aos céus de um jogador assim, tão discreto, deve ser uma dor de cabeça para os tubarões do marketing, que devem andar em palpos de aranha para perceber como vão conseguir pôr Iniesta a vender qualquer coisa.&lt;br /&gt;Quando Sara Carbonero o entrevistava, no final do Espanha-Holanda, o jogador do Barcelona ouvia-se a custo e não era por causa das vuvuzelas. O tom de voz de sempre, acabrunhado, quase a pedir desculpa por ali estar. Ontem chegava a ser difícil encontrá-lo nas fotografias de celebração que foram publicadas nos vários jornais espanhóis. Provavelmente, não aprecia grandes festas nem confusões e, por isso, prefere ficar no seu cantinho.&lt;br /&gt;Há pessoas assim: que nasceram para jogar e nada mais. Há cada vez menos, é verdade, mas ainda há. E, para além de jogar, este ainda ganha. Mundial’2010, Euro’2008, duas Ligas dos Campeões (2006 e 2009), quatro campeonatos de Espanha (2004/05; 2005/06; 2008/09; 2009/10), uma Supertaça Europeia (2009), três Supertaças de Espanha (2005, 2006 e 2009), uma Taça do Rei (2008/09) e um Campeonato Mundial de Clubes (2009). Se gostasse de falar, veja-se bem o que Andrés já não teria para contar. &lt;br /&gt;12 de Julho – Os portugueses são assim: optimistas, sonhadores e arrogantes. Mas, por enquanto, uma das máximas do futebol diz que o campeão é sempre justo e esta Espanha merece mais do que todos os outros porque é, indiscutivelmente e sem margem para qualquer discussão, melhor do que todos os outros. Um percalço no primeiro jogo do Mundial não impediu que La Roja fizesse uma campanha fabulosa com constantes demonstrações de força, classe e um futebol capaz de maravilhar e criar unanimidade, porventura a coisa mais difícil de colher no universo futebolístico.&lt;br /&gt;As razões para este fenómeno espanhol não se resumem aos fantásticos jogadores de que dispõe. É muito mais que isso e deveria ser uma lição para Portugal. Depois de terem conseguido acabar com a malapata do “quase” no Euro’2008, os espanhóis mudaram de selecionador mas não mudaram de filosofia. Ao contrário do que sucedeu por cá, Del Bosque foi inteligente e humilde ao ponto de perceber que aquilo que está bem não se muda. Os profissionais competentes e seguros de si não necessitam de suscitar revoluções para darem o cunho pessoal. O técnico espanhol manteve a estrutura, a filosofia e tentou (e conseguiu) aumentar a qualidade, resistindo à pressão e até aos ataques ferozes do bem-sucedido antecessor. Até ao fim foi um gentleman e um profissional de extrema competência e por alguma razão são estes que têm sucesso e não outros.&lt;br /&gt;Uma frase de Del Bosque, ontem depois da vitória na final sobre a Holanda, deve igualmente servir de exemplo para os portugueses. “Os jogadores merecem tudo. Estivemos juntos 50 dias e não houve qualquer problema ou incidente”, afirmou o novo campeão do Mundo. A seleção espanhola está recheada de estrelas mas nenhuma delas se julga acima de todas as outras, puxando unicamente para si os louros na hora das vitórias e a azia nas derrotas. Por isso Iniesta, Xavi e Casillas vão acabar as carreiras como campeões e senhores do futebol.&lt;br /&gt;Com tudo isto, justificar, daqui em diante, o insucesso português com o facto de termos sido eliminados pelos campeões do Mundo é uma patetice e uma aberração. Gracias Espanha, pelo exemplo e pela ajuda para o Mundial’2018.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 6 / Agosto / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5489312695403167592?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5489312695403167592/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5489312695403167592&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5489312695403167592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5489312695403167592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/10/as-licoes-do-futebol.html' title='As lições do futebol'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6596034197072155484</id><published>2010-07-29T14:09:00.000+01:00</published><updated>2010-07-29T14:09:30.484+01:00</updated><title type='text'>O abandono do interior, a confusão da Cultura e as diferenças das "estrelas"</title><content type='html'>10 de Julho - Um secretário de Estado com um ar muito indignado gritou esta semana no Parlamento: "O Governo não está a abandonar o interior, as pessoas é que estão a abandonar o interior!" &lt;br /&gt;Discutia-se a linha do Tua, e o governante perdeu a cabeça face às críticas da Oposição. Para lá da forma descabelada como reagiu, o secretário de Estado dos Transportes remeteu o ónus da desertificação do interior para as próprias populações. Para este senhor, são as pessoas que têm uma saúde miserável, que têm menos emprego e de menor qualidade, que têm as escolas cada vez mais longe de casa os culpados da desertificação do interior. &lt;br /&gt;As populações do interior têm hoje melhores condições de vida do que há 30 anos, é certo. Mas a falta de emprego empurra-as não apenas para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto mas também para o estrangeiro. Basta ver o que foi o fenómeno de emigração para Espanha nos anos de ouro da economia espanhola. &lt;br /&gt;Para lá do emprego, há a questão da saúde, que é um verdadeiro escândalo. Num país em que reina o desperdício de milhões em obras públicas, nos gabinetes ministeriais, nas campanhas eleitorais, há populações que não têm os mínimos na assistência hospitalar. Culpa dos governos, claro, incluindo o do referido senhor secretário de Estado, e não das malvadas populações do interior...&lt;br /&gt;11 de Julho - Este comunicado do Ministério da Cultura, para além de ser reles e mostrar baixeza, é simultaneamente uma carta de demissão da ministra, pela sua confissão de absoluta incompetência:&lt;br /&gt;Confessa estar agora «livre de constrangimentos». Porque não se tinha livrado deles mais cedo?&lt;br /&gt;«Os sucessivos atrasos nos concursos, a barreira construída entre o Gabinete da Ministra e os agentes culturais, a ineficácia dos procedimentos, são factores que se devem às dificuldades demonstradas pelo Director-Geral para o exercício do cargo.»&lt;br /&gt;Gabriela Canavilhas confessa não apenas ter-se conformado com essa situação, como ter sido incapaz de tomar uma decisão. Se não existisse a renuncia ao cargo, quanto tempo a situação por ela descrita acima se manteria? Que outros entraves e incapacidades existirão no seu ministério a aguardar a voluntária «remoção» dos responsáveis?&lt;br /&gt;Pela sua inacção, foi a ministra responsável pelos atrasos, pela ineficácia e dificuldades que diz terem existido. Preferiu a «estabilidade» daquilo que descreve e que só pode ser entendido como incompetência. Mas que estabilidade poderia haver se afinal nada era feito?&lt;br /&gt;Ela mesmo o diz: «A sua intervenção tem sido meramente de aplicação de medidas do Governo», o que se diga, é o que se espera de qualquer director-geral, logo…..&lt;br /&gt;Portanto, já se demitiu senhora ministra? Ou o primeiro-ministro não o fará por si em nome da estabilidade e enquanto a senhora não arranja «nova colocação»?&lt;br /&gt;13 de Julho – Ainda há ‘estrelas’ assim. Um jornal apanhou Messi a gozar um dia de praia no Rio de Janeiro. O craque estava acompanhado da namorada, numa imagem perfeita de um casal vulgar, ele com bronze de camionista, ela a ler um jornal, num quadro domingueiro de praia urbana. Havia paparazzi por perto, mas nenhum frenesim de seguranças. &lt;br /&gt;Messi fora dos campos é um rapaz prosaico, de poucas campanhas de publicidade, de nenhuma vida mundana, sem amores furtivos em iates ou com socialites espampanantes. Ronaldo é o contrário de tudo isso. É jovem e rico como Messi mas um homem do mundo. Do mundo fashion, que na força da sua juventude sempre procurou, com todo o direito, em cada minuto de liberdade. Por isso, trocou a cinzenta Manchester pela luminosa Madrid. Juventude, elegância, dinheiro, extravagância, talento, tudo em doses generosas, fizeram de Ronaldo um fenómeno público e global, uma marca que há muito ultrapassa o menino que ainda há em si. Por isso, não pode cuspir para as câmaras nem achar que anuncia ao mundo ter sido pai e que este se fecha em copas no respeito pela sua intimidade. Ronaldo pode sentir-se irritado, mas há muito que a personagem pública que criou manda na pessoa que ele é. E a intimidade dessa personagem é hoje uma coisa cada vez menos protegida pela lei. Alguém deveria explicar-lhe isso para evitar figuras que a todos entristecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 22 / 7 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6596034197072155484?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6596034197072155484/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6596034197072155484&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6596034197072155484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6596034197072155484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/07/o-abandono-do-interior-confusao-da.html' title='O abandono do interior, a confusão da Cultura e as diferenças das &quot;estrelas&quot;'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-2389788877745268404</id><published>2010-07-29T14:07:00.000+01:00</published><updated>2010-07-29T14:07:06.193+01:00</updated><title type='text'>Quem governa Portugal e o regresso da 'sinistra'</title><content type='html'>25 de Junho - Henrique Granadeiro, essa quase certeza do panorama empresarial português,  não tem dúvidas e proclamou do alto do seu imenso poder / saber: "O País é governado por uma coligação de procuradores e jornalistas." Os anões do costume logo ergueram coro a pedir, na gíria bélica a que este PS se habituou, que alguém venha "quebrar a espinha" a uns e outros em defesa da Pátria. Percebe-se o golpe de inteligência fulgurante de uns e outros: o País está perto da falência mas a culpa é dos malditos procuradores e jornalistas. Portugal não tem exportações competitivas nos mercados internacionais e a culpa é daquela dupla perversa. Portugal tem uma fractura social cada vez maior, feita de pensões miseráveis, de gente que é mandada morrer em casa sem assistência dos hospitais ou esquecida pelos burocratas (a maior parte malta do partido), e a culpa é dos procuradores e dos jornais. Portugal tem um desemprego galopante e de longa duração mas, lá está, o rigor lógico-dedutivo da rapaziada vai dar aos culpados óbvios: jornalistas e procuradores. Portugal especializou-se em obras públicas faraónicas e inúteis (estádios do Euro’2004, por exemplo) e quem decidiu e executou as obras foram... jornalistas e procuradores. O BPN e o BPP, óbvio ululante, foram casos criados também por jornalistas e procuradores. O destino da Selecção está traçado e a culpa será dos jornalistas e procuradores. Já sabem… &lt;br /&gt;28 de Junho - Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação, concedeu uma entrevista ao ‘Expresso’ onde destila um desprezo pelos professores que seria impensável em qualquer outra pasta. Alguém imagina um qualquer ministro com particular asco pelo seu ‘povo’? E, no entanto, a senhora Rodrigues não tem travão: os professores, para ela, recusam a avaliação porque preferem ser todos iguais. &lt;br /&gt;Que existam milhares de docentes que sejam o contrário desta caricatura e que tenha sido a mediocridade do seu modelo a despertar a ira da classe, eis duas evidências que não perturbam a senhora. Por isso, espanta que Sócrates, no lançamento de um livro da ex-ministra, tenha apresentado a senhora Rodrigues como uma mulher ‘sem ressentimentos’ e, mais, um exemplo de ‘coragem, grandeza e superioridade’. Sobre os ‘ressentimentos’, aplaude-se o momento de humor. É sempre agradável ouvir piadas neste momento de depressão colectiva. Mas não se aplaude a indelicadeza para com a actual ministra, que passou os primeiros tempos a rasgar as medidas da sua antecessora. Será a dra. Isabel Alçada um exemplo de cobardia, pequenez e inferioridade? E o que dirá Sócrates da nova ministra?&lt;br /&gt;1 de Julho – Lê-se nos jornais: ‘Segurança nos comboios da Linha de Cascais vai ser reforçada’. Mas reforçada porquê, pergunto eu? Como é doutrina que não existem problemas de insegurança, que falar de assaltos é populismo, que jamais existiram arrastões em Portugal não se percebe a que ocorrências e tipo de situações se referem estas pessoas. Falam de quê quando dizem que a segurança vai ser reforçada?&lt;br /&gt;3 de Julho – Preparem-se: as autoridades espanholas anunciaram recentemente que a vida da central nuclear de Almaraz II vai ser prolongada por mais dez anos. A central de Almaraz II está localizada em Cáceres e no seu processo de refrigeração é usada água de um afluente do Tejo. Outra central espanhola com impacto no Tejo é Guadalajara-Trillo, cuja vida útil foi definida em 40 anos aquando da sua inauguração, em 1988, e que neste momento se dá como adquirido que se manterá no activo pelo menos durante 55 anos. Quanto às centrais de Vandellòs II e Garoña, que deviam encerrar em 2010 e 2011, também viram o seu tempo de actividade prolongado.&lt;br /&gt;Até aqui nada de novo: a Espanha acompanha uma tendência generalizada para prolongar a vida das centrais nucleares. A crise e as dificuldades políticas em fazer aprovar novas centrais levaram a que seja muito mais fácil hoje decidir o prolongamento da vida das centrais nucleares do que optar pela construção de novas unidades. Os eternos problemas com os países produtores de petróleo, o pânico criado em torno do aquecimento global e o desempenho relativamente seguro das centrais em funcionamento fizeram o resto: o nuclear passou de sinónimo de apocalipse a energia limpa e segura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 8 / 7 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-2389788877745268404?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/2389788877745268404/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=2389788877745268404&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2389788877745268404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2389788877745268404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/07/quem-governa-portugal-e-o-regresso-da.html' title='Quem governa Portugal e o regresso da &apos;sinistra&apos;'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7094747935783584961</id><published>2010-07-29T14:04:00.002+01:00</published><updated>2010-07-29T14:04:28.652+01:00</updated><title type='text'>José Saramago, o encerramento de escolas e o ministro que tudo falhou</title><content type='html'>19 de Junho - José Saramago nunca foi homem de consensos e desde muito cedo escolheu um caminho de combate. Combateu por um tipo de sociedade em que acreditava e combateu contra a sua própria circunstância, de uma pobreza que à partida o destinaria a uma existência nos antípodas daquela que teve. &lt;br /&gt;Nesse sentido, aliás, toda a sua vida tal qual a conhecemos foi a de um homem literalmente levantado do chão. Combateu a fome e lutou pelo conhecimento do mesmo modo que se barricou contra o fascismo e a censura. Combateu a mesquinhez de um certo tipo de exercício do poder como aquele que atacou o seu ‘Evangelho’. Nunca se calou, nem mesmo perante o PCP, com quem foi gerindo uma relação emocional mas cada vez mais discreta e distanciada. &lt;br /&gt;Nesta hora, há quem prefira destacar a obra para não ter de falar de alguns aspectos da biografia. Outros, puxarão pela biografia para subalternizar a obra. Há mesmo quem não destaque nem uma coisa nem outra porque não gostava de Saramago ou lhe era indiferente. Não se discute nenhuma das opções, todas terão as suas razões. Para Portugal, porém, quer se queira quer não, Saramago foi um grande escritor que engrandeceu o País e um homem que nunca abdicou da coragem e da frontalidade. E como ele já não ficam muitos!&lt;br /&gt;Saramago sempre exigiu (e quase sempre conseguiu)  que o  poder político o tratasse com  veneração. A meu ver, ele não foi vítima de censura nem de qualquer perseguição. Ou então também falaríamos de censura quando o escritor eliminou as dedicatórias que fizera a Isabel Nóbrega . &lt;br /&gt;Ao saber da morte de Saramago, o Presidente da República emitiu uma nota a lamentar o sucedido, e enviou as condolências à família. Cumpriu o que se exigia mas podia e devia ter feito mais, pois Saramago era uma personalidade relevante do país.  &lt;br /&gt;Morreu um português com um reconhecimento importante e como tal a Presidência da República devia marcar uma presença que não se limitasse ao Chefe da Casa Civil.   &lt;br /&gt;23 de Junho - Até se pode compreender o encerramento de escolas com menos de meia dúzia de estudantes, mas esta medida é um atestado de óbito a aldeias e pequenas vilas, a comunidades com história. Professores e funcionários arriscam-se a ficar com horários zero e no quadro de mobilidade, vindo a perder uma parcela do rendimento. Os docentes serão obrigados a sair destas aldeias e desde a Primeira República que eles se encontravam entre as principais referências cívicas das localidades. O critério nem é económico, porque deslocar alunos e professores é mais caro. Parece que há mesmo a intenção do Estado de acabar com o mundo rural. Aliás, no que diz respeito a estas pequenas comunidades, as únicas coisas construtivas a que este primeiro-ministro está ligado são os mamarrachos que assinou e que estão espalhados pelo concelho da Guarda. Neste 10 de Junho que agora passou convém lembrar que as aldeias de todo o País também são Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 de Junho - O Ministro das Finanças garantiu que Portugal engrenou numa "trajetória de forte confiança" que levará o país a ser bem sucedido na "obtenção de um défice não superior a 7,3% do PIB no final de 2010".&lt;br /&gt;Trata-se do mesmo Ministro que, para 2009:&lt;br /&gt;a)previu um défice de de 2,2% e o défice foi de 9,3%&lt;br /&gt;b) previu um aumento do consumo público de 0,2% e o consumo público aumentou 2,6%.&lt;br /&gt;c) previu um acréscimo de investimento de 1,5% e o investimento decresceu -11,8%.&lt;br /&gt;d) previu um acréscimo da procura interna dos 0,9% e e a procura interna diminuiu -2,9%&lt;br /&gt;e) previu um acréscimo das exportações de 1,2% e elas decresceram -12%&lt;br /&gt;f) previu um aumento de emprego de 0,4% e o emprego diminuiu -2,9%&lt;br /&gt;g) previu uma taxa de desemprego de 7,6% e ela foi de 9,5%. &lt;br /&gt;Nestas circunstâncias, é mesmo preciso grande lata para garantir o que quer que seja. Não garantiu ele também já este ano que não havia aumento de impostos? E que haveria cortes drásticos nos grandes investimentos? Que credibilidade, pois, que confiança, tais garantias podem merecer?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 24 / 6 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7094747935783584961?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7094747935783584961/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7094747935783584961&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7094747935783584961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7094747935783584961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/07/jose-saramago-o-encerramento-de-escolas.html' title='José Saramago, o encerramento de escolas e o ministro que tudo falhou'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3682762118554574773</id><published>2010-07-29T14:01:00.002+01:00</published><updated>2010-07-29T14:01:51.709+01:00</updated><title type='text'>O Mundial e os gravadores do deputado socialista</title><content type='html'>19 de Maio – Os portugueses não descansam. Com o Mundial à porta e a crise praticamente ultrapassada, segundo o primeiro-ministro, o futuro pertence-nos. Carlos Queiroz sugeriu há dias que a selecção nacional "pode funcionar como um estímulo e um capital importante de auto-estima para os portugueses". Se ele não o dissesse, nunca teríamos notado. Prova-se que o desempenho desportivo de uma nação reflecte-se no comportamento dos respectivos cidadãos e, consequentemente, nos indicadores colectivos de progresso. Mesmo que os estudos o não afirmassem, bastaria estarmos atentos à realidade. &lt;br /&gt;O Luxemburgo, por exemplo, é um território deprimido e indigente porque nunca se habituou a celebrar vitórias em competições internacionais. Já os habitantes do Quénia e da Jamaica, estimulados pelos campeões do atletismo, acumularam o capital de auto-estima necessário para transformar esses países nas potências prósperas em que se tornaram.&lt;br /&gt;Portugal é um caso intermédio. De vez em quando, há uma competição internacional, por regra de futebol, que corre razoavelmente. É nesses momentos que o optimismo do povo se alarga e rapidamente julgamos ser os melhores do mundo e, por processos que apenas alguns conhecem, até na economia. Infelizmente, tais momentos não abundam.  &lt;br /&gt;É verdade que o recente campeonato do Benfica empolgou sete milhões de portugueses, entretanto estimuladíssimos em benefício da pátria. Mas é preciso ter em conta os três milhões que o mesmo campeonato deprimiu e que, pelo menos durante umas semanas, querem que a pátria se lixe. É por causa disso que as competições internas não ajudam à confiança de que todos os portugueses carecem. &lt;br /&gt;O Mundial da África do Sul, porém, constitui uma extraordinária oportunidade para inverter o desesperado estado das coisas. Cada golo marcado e cada drible de Cristiano Ronaldo terão efeitos imediatos nos números do desemprego. Cada vitória empurrará multidões para as ruas, a transbordar de auto-estima e de cerveja. E a crise ficará mais uma vez esquecida.&lt;br /&gt;20 de Maio - O deputado Ricardo Rodrigues é uma pessoa muito popular. O seu tom de voz também ajuda a percebê-lo. Ora, estava o senhor a ser entrevistado e, alegadamente, não gostou de algumas questões colocadas. Eu entendo, preferia uma daquelas entrevistas à José Alberto Carvalho e Judite de Sousa com perguntas certinhas e respostas preparadas. Vai daí, não quis responder às perguntas dos jornalistas da Sábado e, à socapa, surripiou (nas suas palavras, "tomou posse") ou locupletou-se com os gravadores dos jornalistas, que apresentaram queixa por roubo. O deputado justifica-se com a "violência psicológica insuportável" que teria sido exercida sobre ele. Neste ponto, lembro que foram apenas umas perguntas. Argumento sério. Certamente foi por isso que apareceu a invocá-lo numa conferência, acompanhado de dois dirigentes do partido. Pelo sim, pelo não, desta vez os jornalistas agarraram bem nos gravadores. Pudera. &lt;br /&gt;Há contudo uma certeza: alguém terá uma predilecção por um deputado como este. Também é determinado (veja-se a determinação com que enfia os gravadores no bolso e se pira todo lampeiro). Também procura defender o seu bom-nome (veja-se o pundonor com que enfia os gravadores no bolso e se pisga todo lampeiro). Também enfrenta os jornalistas e tal (veja-se a resolução com que enfia os gravadores no bolso e se pisga todo lampeiro). Também não tem medo, não hesita e não recua (veja-se a coragem com que enfia os gravadores no bolso e se pisga todo lampeiro). Agora não é tempo para mostrar fraqueza e tal (veja-se a valentia com que enfia os gravadores no bolso e se pisga todo lampeiro). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 27 / 5 / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3682762118554574773?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3682762118554574773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3682762118554574773&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3682762118554574773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3682762118554574773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/07/o-mundial-e-os-gravadores-do-deputado.html' title='O Mundial e os gravadores do deputado socialista'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-4613482178020118063</id><published>2010-05-26T13:19:00.000+01:00</published><updated>2010-05-26T13:19:05.923+01:00</updated><title type='text'>O 'Alzheimer' português e as faltas dos alunos</title><content type='html'>3 de Maio – Um conjunto de situações fez-me acompanhei em directo a audição de Armando Vara na Comissão de Inquérito da Assembleia da República. Na sua qualidade de administrador de um dos maiores bancos comerciais portugueses, ele tem conversas sem conteúdo, só sabe das coisas pelo que lê nos jornais e, mesmo quando o informam de qualquer coisinha, é "umas horas antes" dessas tais coisinhas serem públicas. Em suma: uma nulidade. Não sabe, não tem presente, não recorda, terá sido mais ou menos, mas não pode garantir...., tudo acompanhado de uma cara de anjo, de um encolher de ombros. Para responsável pelo meu património não o queria, ele só ganha o ordenado que lhe pagam, e ainda por cima para falar com pessoas que andam perdidas em Lisboa, sem saberem onde é a EDP, ou a REN ( recebendo umas caixas de robalos de vez em quando ). Mas acha tudo isso muito normal.  Normalíssimo. Ora, isso deixa-me cada vez mais preocupado. Já conheci pessoas com Alzheimer (alguns sintomas: pequenos esquecimentos, perdas de memória), e acreditem que é frustrante e terrível chegar àquela condição.&lt;br /&gt;Na sociedade portuguesa são muitos os novos casos de cidadãos com esta doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 de Maio - Em Março do ano passado, o Ministério da Educação anunciou que, no primeiro período, o número de faltas caíra 22,5 por cento. Um feito que a então ministra Maria de Lurdes Rodrigues atribuiu ao facto de os alunos faltosos terem passado a ser obrigados a realizar provas de recuperação. "Um progresso absolutamente extraordinário", comentou na altura o primeiro-ministro, José Sócrates.&lt;br /&gt;Na altura, quando os professores contrariavam os dados do ministério e afirmavam que as provas de recuperação tinham provocado o aumento de faltas, algumas escolas eram alvo da inspecção.&lt;br /&gt;Agora ‘tudo’ mudou. O Governo do mesmo partido e com o mesmo primeiro-ministro chegou à conclusão, contida na proposta de alteração ao Estatuto do Aluno aprovada, de que as provas de recuperação terão incentivado os alunos a faltar mais e contribuído para maior abandono escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as provas acabou o chumbo automático por faltas, mas os alunos que não obtêm aproveitamento nestas podem ficar retidos por decisão do conselho de turma. Esta premissa não consta da proposta aprovada agora pelo Governo, que opta antes pela obrigatoriedade de aplicação de "medidas cautelares", como a realização de trabalhos na escola. No final de Março, a ministra da Educação já tinha anunciado que os alunos só chumbarão se revelarem insuficiências de aprendizagem, uma situação, aliás, recorrente entre os estudantes faltosos. "Sentimos que não devemos associar a ausência da escola à repetência", acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de lhe dar razão quanto aos efeitos das provas de recuperação, a nova proposta do Governo volta a ser criticada. Afinal de contas, continua-se a promover uma cultura de facilitismo com o objectivo de promover o "sucesso" nas estatísticas a qualquer preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faz sentido substituir as provas de recuperação por medidas de apoio pedagógico diferenciadas que já são aplicadas, nem continuar a proteger os alunos que faltam sistematicamente e de forma injustificada. De que serve suspendê-los se as faltas não contam para nada? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estes meninos, agora com doze anos, que daqui a dez vão querer entrar no mercado de trabalho. Um mercado onde não haverá PTs, nem RENs, nem GALPs, nem institutos públicos, nem administração pública, nem subsídios de emprego, nem rendimentos mínimos, nem empréstimos ao consumo, que os valha. Um mercado a sério: difícil, competitivo e selectivo. Onde quem está bem preparado  talvez consiga arranjar emprego, casa, carro, ir de férias e fazer compras no Pingo Doce, e onde quem não está preparado, está tramado.&lt;br /&gt;Esses meninos estão agora, hoje, numa escola onde não se chumba, não se exige, não premeia e não ensina. As gerações futuras, além de terem de carregar com a dívida nacional dos paizinhos e pagá-la, vão herdar uma educação miserável que os está a preparar para concorrer ao rendimento mínimo e não ao mercado de trabalho.&lt;br /&gt;P.S. 1 Durante o consulado de Milú Rodrigues à frente do Ministério da Educação, a Dra. Isilda Jana foi, em Abrantes, uma das suas defensoras incondicionais: elogiava-se a ‘mudança’, anunciavam-se ‘novos rumos’, exaltava-se a ‘convicção’ da ministra. Quando saiu da Câmara Municipal, os professores abrantinos esperaram da Dra. Isilda Jana uma atitude coerente: voltar à escola, à ‘sua’ escola como ela diz, experimentar a ‘mudança’, tomar contacto com os ‘novos rumos’, tentar encontrar a ‘convicção’. Ora, em vez disso, a Dra. Isilda Jana preferiu continuar na Câmara, desta vez num local cirúrgico. Ficámos por isso esclarecidos. Todos.&lt;br /&gt;P.S. 2 Se a Presidente da Câmara de Abrantes julga que a ligação ao PS é o único factor de nomeação para cargos institucionais, então começa o seu mandato da pior maneira e há um sem-número de actividades que irão deixar de ocorrer na cidade.&lt;br /&gt;P.S. 3 Agradeço  à minha leitora Maria Adelina Lizardo a informação rápida que me transmitiu à questão aqui deixada no último número.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 13 / Maio / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-4613482178020118063?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/4613482178020118063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=4613482178020118063&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4613482178020118063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4613482178020118063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/05/o-alzheimer-portugues-e-as-faltas-dos.html' title='O &apos;Alzheimer&apos; português e as faltas dos alunos'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6690029036972686468</id><published>2010-04-30T16:28:00.001+01:00</published><updated>2010-04-30T16:28:01.459+01:00</updated><title type='text'>A tolerância de ponto e a bravura</title><content type='html'>15 de Abril - Não podíamos passar ao lado disto, a visita do Papa a Portugal deu origem a uma pequena e comovente polémica sobre a tolerância de ponto decretada pelo Governo. Os fanáticos do costume decretaram que pretendiam trabalhar nesses três dias a bem da separação do Estado e da Igreja e – pasme-se – em prol da produtividade nacional que, na sua douta opinião, não pode ser abalada pela visita de um "líder religioso qualquer" que decida deslocar-se ao nosso país. Até a CIP e as centrais sindicais, esses pilares sólidos da nossa economia, se pronunciaram patrioticamente contra a decisão tomada pelo Governo, alertando para a crise em que vivemos e para a necessidade dos funcionários públicos contribuírem, com o seu trabalho, para o aumento da produtividade e para o desenvolvimento da pátria.&lt;br /&gt;É evidente que este reconhecimento súbito do estado em que nos encontramos não deixa de ser salutar, sendo de esperar, nomeadamente por parte de todos os envolvidos, exemplos futuros de responsabilidade e compreensão pela situação em que se encontram as finanças públicas e a economia portuguesa. Ao contrário do que tem sido dito, o que está em causa não é a neutralidade do Estado em relação às diversas religiões, mas a incapacidade de perceber que, num país de tradição católica, o Papa não é um "líder religioso qualquer", como tem sido amplamente referido.&lt;br /&gt;Pretender comparar a visita de Bento XVI à visita de qualquer outro líder religioso (hindu ou muçulmano, como já vi defender) é não compreender a realidade portuguesa e desconhecer totalmente a sua história. Há uma ligação entre o País (e o ocidente, em geral) e a Igreja que um Estado laico deve saber reconhecer. Um Estado laico não é sinónimo de um Estado anti-religioso, incapaz de compreender a dimensão pública da fé. E a crer nalgumas coisas que por aí têm sido escritas, dá ideia de que o Papa, não lhe sendo retirado o direito de viajar pelo mundo, devia ter, pelo menos, a decência de o fazer clandestinamente. De forma a não importunar ninguém. Porque o problema é que este Papa, em particular, importuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 de Abril - Os jornais noticiaram o afogamento de dois rapazinhos numa lagoa artificial nas imediações do Cacém. A informação, focada no apuramento de responsabilidades, dava brevíssima nota do sucedido: de que o primeiro dos rapazinhos caíra à água e de que o segundo, porque o primeiro não sabia nadar, se lançara imediatamente à lagoa, em seu auxílio, enquanto a restante miudagem procurava socorro na vizinhança. Um ‘pequeno’ pormenor. Ele próprio também não sabia nadar. Para além do horror e da tristeza do acontecimento, impressionou-me profundamente a heróica abnegação, ou a extraordinária bondade, ou a coragem desmedida, ou a lição de vida do segundo rapazinho, cujo gesto honra, como poucos, a nossa condição humana. Gostaria de saber o seu nome, para poder escrevê-lo aqui, muitas vezes, todo em maiúsculas, e nunca mais o esquecer. Porque, esse sim, é um nome que merece ser lembrado… Alguém sabe o nome do Rapazinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 29 de Abril de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6690029036972686468?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6690029036972686468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6690029036972686468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6690029036972686468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6690029036972686468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/04/tolerancia-de-ponto-e-bravura.html' title='A tolerância de ponto e a bravura'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3147146624422638723</id><published>2010-04-30T16:26:00.000+01:00</published><updated>2010-04-30T16:26:17.030+01:00</updated><title type='text'>Texto de Eduardo Cintra Torres</title><content type='html'>Com a devida vénia reproduzo um texto de Eduardo Cintra Torres publicado hoje no Público. &lt;br /&gt;«Valença, praça-forte contra o invasor do costume, encheu-se de bandeiras espanholas por causa de atendimentos médicos. Só as consultas da caixa mobilizam a população a ponto de as Urgências serem mais importantes do que a pátria. Como as manifestações e outras acções do repertório dos movimentos sociais não chegaram, foi preciso esta semana recorrer à provocação final, a das bandeiras estrangeiras. A sociedade civil mobiliza-se mais e com mais eficácia contra medidas governamentais quando atraída por formas de acção inovadoras, mediáticas e aparentemente desligadas dos partidos e de como muitos vêem a própria política. E, de facto, vários políticos profissionais ofenderam-se com as bandeiras espanholas agitadas no húmus sagrado da pátria. A provocação simbólica ignorou o cardápio do politicamente correcto. O mesmo maravilhoso povo que há seis anos, a pretexto do futebol, encheu todas as janelas disponíveis com bandeiras verde-rubras, para alegria própria e do poder, fez agora a desfeita ao mesmo poder de desfraldar as amarelo-rubras. Pelas imagens e declarações, percebeu-se que a cena das bandeiras espanholas foi apenas uma provocação, mais para levar os media a explorar o inédito do que por sentimentos antipatrióticos. Os valencianos estão contra o Governo, não contra o seu país. As bandeiras espanholas não escandalizaram porque na fase actual nada escandaliza. Se o primeiro-ministro aparece envolvido em casos atrás de casos, se o Governo faz exactamente o contrário do que prometeu, se a crise se agrava enquanto Sócrates propagandeia diariamente moinhos de vento renovável, porquê escandalizarmo-nos com bandeiras espanholas como repertório de acção de agit-prop popular? O clima político tem-se degradado gradualmente, semana a semana, desde Setembro. Isso nota-se também nos media. Enquanto os noticiários da RTP continuam a missão oficial de gerir os danos que a política governamental causa ao próprio Governo, os noticiários da SIC e da TVI não seguem a mesma reverência perante o querido líder. Nos últimos meses, nas aparições públicas que ainda mantém em agenda, Sócrates aparece como um político acossado. A central de propaganda tentou que as televisões não fizessem perguntas "fora da agenda" ao chefe do Governo. Na altura, a RTP e a SIC aceitaram, mas a TVI noticiou o próprio caso. Agora, que há perguntas inconvenientes, Sócrates não responde. Foge dos jornalistas, foge das perguntas à vista das câmaras e dos espectadores. E, como se viu na TVI, às 13h10 de terça-feira, está rodeado de seguranças que empurram à bruta os repórteres quando estes fazem perguntas que lhe desagradam, incluindo sobre as bandeiras. É a lei do mais forte, comentou o repórter Amílcar Matos em directo. A prazo, veremos se a lei do mais forte é a dos "gorilas" de Sócrates ou a da liberdade de o mostrar em fuga. Protegido pelos empurrões dos guarda-costas, Sócrates em fuga realça o carácter de propaganda das mesmas "TV opportunities" de sempre a que ele ainda vai: fala do palanque, com cenário e discurso preparados, repete no final aos jornalistas o auto-elogio que fizera no palanque (que ou é sobre as energias renováveis ou é sobre as energias renováveis) e foge depois a perguntas sobre a crise, o desemprego, as falências, a dívida externa, a possível recessão, as bandeiras em Valença, os prémios do seu Mexia, os casos incríveis em que esteve ou está pessoalmente metido. Estas marcantes imagens televisivas de uma acção contra o Governo por cidadãos agitando bandeiras estrangeiras e de um primeiro-ministro fugindo da realidade por via de empurrões de guarda-costas retratam a situação do país: um barril de pólvora em cima de um pântano sistémico.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 15 de Abril de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3147146624422638723?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3147146624422638723/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3147146624422638723&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3147146624422638723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3147146624422638723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/04/texto-de-eduardo-cintra-torres.html' title='Texto de Eduardo Cintra Torres'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7711001433205636703</id><published>2010-04-12T21:48:00.000+01:00</published><updated>2010-04-12T21:48:10.750+01:00</updated><title type='text'>O exemplo que chega da Irlanda e as empresas de avaliação de risco de crédito</title><content type='html'>A consciência moral de meio mundo despertou para a história de Iris Robinson, a deputada e mulher do primeiro-ministro da Irlanda do Norte que, aos 59 anos, deu umas cambalhotas extraconjugais com um rapaz de 19 e, ao que consta, se serviu da posição (política, nada de segundas intenções) para financiar o bar do amante. A justiça local pegou no lado corrupto da questão. A justiça popular de toda a parte preferiu naturalmente o lado pícaro e, além de elaborar vistosos trocadilhos com a adúltera homónima do filme A Primeira Noite (e a canção de Paul Simon feita para o filme), desatou a condenar a sra. Robinson pela aventura sexual.&lt;br /&gt;A condenação merece um ou dois comentários. Há uma quantidade notável de políticos infiéis que se safaram sem mácula, ainda que as consequências da infidelidade fossem ligeiramente mais graves que a abertura de um bar. Um exemplo moderado é o de Bill Clinton. Um exemplo extremo é o de Edward Kennedy, que, em Julho de 1969, conduziu não demasiado sóbrio o seu carro para o fundo de um lago. No carro seguia, e lá ficou até morrer, uma "amiga" do senador. O senador fugiu. O escândalo não impediu que Kennedy sobrevivesse biológica e politicamente ao acidente e que, 40 anos decorridos, as elegias fúnebres de Agosto passado o pintassem como um santo. Já a carreira da sra. Robinson (e, talvez, a do marido) terminou dias após a divulgação do seu pecado. O que explica a diferença de tratamento?&lt;br /&gt;O problema, se bem percebo, passa pelas convicções, sinceras ou simuladas, da sra. Robinson. Antes do deslize amoroso, ela cometeu o deslize de confessar fé cristã e simpatia pelos "valores familiares". Pior ainda, em 2008 produzira umas afirmações desagradáveis acerca da homossexualidade. Isto, somado ao affaire, chega e sobra para transformar a senhora numa "hipócrita". Na América, embora obviamente não só na América, a detecção da "hipocrisia" em políticos conservadores é um dos desportos preferidos da esquerda, sob o argumento de que a vida privada deve corresponder escrupulosamente aos ideais professados na vida pública. Podia-se inferir daqui que, em nome da coerência, os ideais públicos de Clinton incluíam o abuso de funcionárias e os de "Ted" Kennedy a embriaguez, o homicídio e a fuga. Mas é melhor dar um desconto, e apenas notar que atrás de imensos progressistas se esconde um inquisidor e uma fogueira acesa.&lt;br /&gt;Quarta-feira, 13 de Janeiro&lt;br /&gt;Sem dinheiro não há palhaços?&lt;br /&gt;A Moody's, que é uma das maiores empresas mundiais de avaliação de risco de crédito, é outra entidade a prever a "morte lenta" (sic) da economia portuguesa, caso o défice continue descontrolado. Por sorte, o ministro das Finanças não liga a profetas da desgraça e prefere os números do sempre credível, amigo e optimista Banco de Portugal. Fundamentado em tais números, Teixeira dos Santos chamou os jornalistas e, pela 629.ª vez, anunciou o fim da recessão. É verdade que o dr. Teixeira dos Santos também admite a existência do défice e promete combatê-lo. Como? Através de "estímulos à actividade económica", leia-se investimento público, o que é o mesmo que curar um traumatismo craniano com marteladas na cabeça.&lt;br /&gt;Reduzir a dívida mediante o aumento da dívida é um método peculiar, cujos resultados, de resto, são evidentes na actual situação do País. Em larga medida, o País atingiu os fundilhos actuais porque o Estado gasta acima, muito acima, do que tem e pode. O dr. Teixeira dos Santos quer que o Estado gaste ainda mais, coisa que suscita menos dúvidas sobre o nosso futuro do que sobre o presente do dr. Teixeira dos Santos e do Governo a que pertence. &lt;br /&gt;Pelo renovado ânimo com que reage a cada confirmação do seu fracasso, já se percebeu que o Governo frequenta uma realidade própria e não partilhável. Falta perceber se o alheamento é deliberado ou natural. Dito de maneira diferente, convinha apurar se o Governo deseja conscientemente espatifar o que resta disto ou está de facto convencido da bondade das medidas que regularmente toma. A primeira hipótese revela uma crueldade peculiar; a segunda, uma inépcia sem grandes precedentes. Claro que as consequências de ambas são idênticas, mas seria útil entender se estamos nas mãos de sádicos ou de incompetentes, nem que fosse para escolhermos entre o papel de masoquistas e o de palhaços - pobres, escusado dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 1 de Abril de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7711001433205636703?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7711001433205636703/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7711001433205636703&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7711001433205636703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7711001433205636703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/04/o-exemplo-que-chega-da-irlanda-e-as.html' title='O exemplo que chega da Irlanda e as empresas de avaliação de risco de crédito'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-8672865424152623264</id><published>2010-04-12T21:46:00.000+01:00</published><updated>2010-04-12T21:46:09.515+01:00</updated><title type='text'>A culpa dos feriados, a bandeira de Paredes e a força do 'povo'</title><content type='html'>18 de Fevereiro – A Associação Empresarial de Portugal (AEP) descobriu a causa do subdesenvolvimento português: os feriados. A melhor forma de reagir ao “período excepcionalmente difícil” que o país atravessa, segundo o vice-presidente da AEP, é cortando nos maléficos feriados. Nem é preciso grande esforço, de resto. Os empresários já fizeram as contas: depois do recurso à máquina de calcular, concluiram que Portugal tem mais dois feriados do que a média da União Europeia. Dois! Dois dias inteirinhos de trabalho que são desperdiçados com cnsequências catastróficas para o país – é essa a singela diferença que nos separa da riqueza da Alemanha. Com mais de 16 horas de trabalho por ano, acabaria o défice, o desemprego e o sobreendividamento. Só há um pequeno detalhe que estraga este raciocínio. É que a experiência das paragens para um cafezinho e das mensagens no Facebook indicam que o problema não é que os portugueses fazem quando não estão a trabalhar – é o que eles não fazem quando estão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 de Fevereiro - Está a causar certa polémica a decisão da Câmara de Paredes em erguer um mastro com cem metros de altura e uma bandeira nacional na ponta. Não percebo a razão. O edil lá do sítio, eleito nas listas do PSD, explica, e muito bem, que a bandeira visa comemorar o centenário da república e que o mastro visa "georreferenciar" (sic) o concelho. Ao contrário dos adversários do projecto, defendo que a república deve ser comemorada e sobretudo que Paredes deve ser "georreferenciada", até porque, a olho nu, não conseguiria encontrar semelhante lugar mesmo que quisesse. &lt;br /&gt;Sem surpresa, o problema das más-línguas prende-se com o custo da obra: um milhão de euros. Com surpresa, as maiores más-línguas pertencem à oposição autárquica e invocam a ofensa aos contribuintes, de cujo bolso o mastro fatalmente sairá. Se não me engano, é a primeira vez que vejo socialistas preocupados com o destino do dinheiro alheio. O espanto aumenta quando um dos socialistas em questão se chama Artur Penedos (um nome familiar, nos dois sentidos) e é, além de vereador em Paredes, assessor do primeiro-ministro. &lt;br /&gt;Aparentemente, o convívio com o eng. Sócrates não atirou o sr. Penedos para as leituras de Keynes e não lhe ensinou uma verdade irrefutável: o investimento público é essencial ao desenvolvimento do país, logo, por maioria de razão, ao desenvolvimento de Paredes. Como inúmeras das maravilhas que o eng. Sócrates diariamente publicita, o mastro com bandeira colocará Portugal na vanguarda da Europa em matéria de mastros e bandeiras, dinamizará a economia local através do turismo, estimulará a auto-estima dos autóctones mediante a elevação quase celestial da esfera armilar e, não satisfeito, criará empregos, no mínimo dois: um para subir e descer o pavilhão, outro para afugentar os cães que pretendam urinar na base da estrutura. Se o mastro é menos veloz que o comboio de alta velocidade, será inequivocamente mais alto, e 15 mil vezes mais barato.&lt;br /&gt;19 de Março - Pouco depois da agressão a Berlusconi, um blogue português explicava o sucedido: "O que a democracia não resolve, resolve o povo!" A distinção é velha, e sempre engraçada. Uma coisa é o processo democrático, legitimado por massas alienadas que tendem a resignar-se à "normalidade" liberal. Outra coisa, muito mais bonita, é o "povo" enquanto entidade mítica. Não importa se o "povo" é formado por milhões, milhares ou centenas de pessoas. Aliás, não importa se o "povo" consiste apenas numa única criatura. Importa é que realize os nossos sonhos, incluindo o de espatifar o rosto de um velho ou, de modo genérico, o de arrasar os símbolos da "opressão" que estiverem a jeito.&lt;br /&gt;É evidente que o "povo" com dinheiro e tempo disponíveis esteve em acção nas ruas de Copenhaga, vagamente a pretexto da recente Cimeira do clima. Aí, na falta de um estadista desprotegido, a fúria libertadora aliviou-se, sob a forma de pedregulhos, na polícia e em edifícios públicos. Parece que a palavra de ordem era "Queremos justiça climática!", embora o conceito, de tão absurdo, pudesse ter sido substituído sem prejuízo por qualquer frase, incluindo "Não gostamos de goiabada!" ou "Viva o chapéu de aba larga!". Durante a destruição, uma "activista" feliz berrava com maior precisão: "Isto é o que uma democracia deve ser!", por oposição, deduz-se, ao aborrecimento de colocar o voto na urna e acatar a vontade da maioria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 18 de Março de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-8672865424152623264?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/8672865424152623264/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=8672865424152623264&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8672865424152623264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8672865424152623264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/04/culpa-dos-feriados-bandeira-de-paredes.html' title='A culpa dos feriados, a bandeira de Paredes e a força do &apos;povo&apos;'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3041766215311940748</id><published>2010-04-12T21:43:00.002+01:00</published><updated>2010-04-12T21:43:38.021+01:00</updated><title type='text'>O novo Sherlock Holmes e a conta do recém-nascido</title><content type='html'>16 de janeiro - Assisto a "Sherlock Holmes", o último filme de Guy Ritchie. Gostyo pouco de caricaturas e prefiro sempre os originais. Falo de Tarantino e, já agora, falo do Sherlock Holmes lendário, criado por Arthur Conan Doyle há mais de cem anos. Li as histórias na idade certa; e, depois, com uma gratidão infinita, vi a materialização do herói na composição magistral de Jeremy Brett, que legou o Sherlock Holmes definitivo (e inultrapassável!!) em dezenas de episódios filmados pela televisão britânica nas décadas de 80 e 90. Quem viu, não esquece: Brett não representa Sherlock Holmes; Brett é Sherlock Holmes. De tal forma que, dizem as más línguas, enlouqueceu com o papel. Acontece aos melhores. &lt;br /&gt;O "Sherlock Holmes" de Ritchie diverte e Robert Downey Jr. é estimável como ator. Mas o seu Sherlock, de autêntico, só conserva o nome, embora fosse mais apropriado chamar-lhe "Indiana Holmes": ele corre, ele salta, ele luta. Não tem chicote, mas quase. No meio do frenesim, perdeu-se o essencial: um detective que era puro intelecto, um mestre da dedução lógica que desvendava crimes com a mesma elegância imóvel com que fumava o seu cachimbo. &lt;br /&gt;Sem falar de um pormenor que escapa a Ritchie: o Sherlock de Conan Doyle é, no sentido preciso do termo, o primeiro existencialista moderno, consumido pela angústia do "spleen" urbano: uma angústia que ele tenta aliviar com as substâncias possíveis e a resolução de casos impossíveis. No fundo, duas formas de vício que cumprem o mesmo propósito: impedir que uma mente monstruosamente brilhante se devore a si própria. Conheço casos. &lt;br /&gt;18 de janeiro – Raciocinemos um pouco: o que falta para inverter a baixíssima taxa de natalidade em Portugal? Vontade? Fertilidade? Emprego? Nada disso: faltam exactamente 200 euros, o montante que o Governo vai depositar na conta de cada recém-nascido e que este poderá levantar aos 18 anos - se, ao que percebi, entretanto completar a escolaridade obrigatória.&lt;br /&gt;Bastaria isto para sairmos à rua numa manifestação de apoio. Quantas crianças trocaram precocemente a escola por uma vida de errância graças à inexistência de estímulo material? Ao contrário do que habitual e apressadamente se afirma, os trágicos resultados nacionais a Matemática, Português e etc. não se devem ao facto de os meninos e as meninas não saberem nada de coisa nenhuma, mas ao desânimo de quem sabe não ter 40 contos dos antigos à espera no fim do liceu. &lt;br /&gt;Daqui em diante, o abandono escolar será uma memória difusa. Valerá a pena aguardar 18 anos para ver milhares de jovens iniciarem carreiras repletas de "empreendedorismo" e risco, munidos com o portentoso trunfo profissional que é o diploma do 12.º e os 200 euros (fora juros) que o Estado lhes deu. O que aconteceria se o Governo ousasse estipular donativos graduais para as crianças que adquirissem uma licenciatura (230 euros, por exemplo), um mestrado (245) ou um doutoramento (252)?&lt;br /&gt;Contudo, tal como está, a medida ‘já’ é excelente. E possui a vantagem adicional de servir, nas palavras oficiais, de "incentivo à poupança". Pelos vistos, o Governo dispõe de indícios de que os progenitores nacionais médios são demasiado apalermados para se lembrarem sozinhos de abrir uma conta em prol da descendência. Ou seja, as famílias não poupavam porque não lhes ocorria. &lt;br /&gt;Agora, por obra da generosidade governamental, não há esquecimento possível: os pais poderão poupar, poupar imenso, poupar tanto que os 200 euros virtuais que a criança recebe à nascença talvez alcancem os reais milhares que a criança nasce já a dever, por conta de um défice que medidas assim maravilhosas multiplicam e justificam em pleno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 4 de Março&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3041766215311940748?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3041766215311940748/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3041766215311940748&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3041766215311940748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3041766215311940748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/04/o-novo-sherlock-holmes-e-conta-do-recem.html' title='O novo Sherlock Holmes e a conta do recém-nascido'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3186395917153715277</id><published>2010-02-24T15:27:00.000Z</published><updated>2010-02-24T15:28:28.234Z</updated><title type='text'>Outras gentes, outros hábitos...</title><content type='html'>7 de Fevereiro – ( Adaptado do Público de hoje ) Nove meses depois de o escândalo rebentar e a pouco mais de três meses da data prevista para as legislativas, a reputação do Parlamento a) sofreu ontem novo revés. O relatório às despesas dos deputados concluiu que o sistema de reembolsos é "profundamente defeituoso" e que a "cultura de deferência" que subsiste em b) favorece os abusos. Concluídas as investigações, mais de 300 actuais e antigos deputados terão de devolver ( sensivelmente ) 1,12 milhões de euros recebidos indevidamente desde 2004 - um pouco menos do que o custo final do inquérito. &lt;br /&gt;"Documento da vergonha." Foi assim que o jornal c) chamou ao relatório de 241 páginas preparado por d), o antigo dirigente da administração pública que e) chamou para aplacar a polémica criada em Maio, quando o jornal f)  publicou detalhes dos gastos (em alguns casos apenas excêntricos noutros totalmente irregulares) dos deputados com a segunda residência, aquela a que têm direito os eleitos por círculos fora de g). &lt;br /&gt;E o veredicto ontem tornado público não podia ser mais devastador: o sistema é "profundamente defeituoso", as regras são "vagas" e em muito casos não existem documentos que justifiquem as despesas. "Tendo em conta a falta de transparência e a cultura de deferência, isto significa que falta legitimidade às decisões tomadas [pelos funcionários] do gabinete de despesas e muitas delas estavam de facto erradas", conclui d).&lt;br /&gt;Ao todo, 364 deputados - mais de metade dos investigados - terão de devolver dinheiro recebido entre 2004 e 2009, em valores que variam entre os ( sensivelmente ) 42 mil libras exigidas à secretária de Estado da Administração local, h), e os ( sensivelmente ) 40 cêntimos pedidos ao deputado trabalhista i). &lt;br /&gt;A maioria terá de devolver entre mil a cinco mil libras, uma conta muito inferior à apresentada ao casal j) . Durante anos, um deles recebeu ajuda do Parlamento para pagar um apartamento em k), enquanto ao outro eram pagas as prestações da residência familiar. &lt;br /&gt;Seguindo as instruções dos líderes, a maioria dos visados devolveu o dinheiro antes de concluídas as investigações e, em vários casos, até pagaram somas superiores às que agora lhes são exigidas. Ao todo, regressaram ao Parlamento ( sensivelmente ) 800 mil libras. &lt;br /&gt;Mas 75 deles optaram por recorrer, acusando d) de aplicar regras que então não existiam. E o juiz l), nomeado para decidir os recursos, concluiu que algumas das decisões foram "lesivas e injustas". Lembrou, por exemplo, que nada impedia um deputado de celebrar um contrato de arrendamento com um familiar. Por causa disso, 44 recursos foram aceites e 26 deputados viram mesmo as suas dívidas anuladas. &lt;br /&gt;Na esperança de encerrar este episódio antes das legislativas, os líderes partidários apoiaram as conclusões. "Esta é uma etapa essencial para restaurar a confiança nas nossas instituições", disse um porta-voz do primeiro-ministro, enquanto m), líder dos conservadores, acredita que a reparação dos erros "permitirá criar um Parlamento em que o povo confie". "Espero que seja o episódio final deste Parlamento apodrecido", acrescentou o liberal-democrata n).&lt;br /&gt;Expectativas que parecem irrealistas face à sugestão de que alguns deputados se preparam para recorrer aos tribunais, ainda que o Parlamento prometa cortar os salários dos que não tenham reparado a dívida até ao dia 22. E hoje o Ministério Público decide se acusa seis deputados suspeitos de ilícitos criminais e que não foram abrangidos pelo inquérito. &lt;br /&gt;Parece, por isso, previsível que só as eleições permitam enterrar o caso: os deputados com a reputação abalada dificilmente serão reeleitos (muitos decidiram já não se recandidatar) e as novas regras para os gastos entrarão em vigor na próxima legislatura.&lt;br /&gt;Nota: Como certamente o leitor reparou, este texto não se refere ao parlamento português, mas sim ao parlamento de um país onde ninguém está acima da lei e onde as investigações vão atá ao fim, aconteça o que acontecer. Um país onde as “calhandrices” do senhor Lacão não teriam lugar. Eis as legendas em falta: a)Britânico; b) Westminster; c) Times; d) Thomas Legg; e) Gordon Brown; f) Daily Telegraph; g) Londres; h) Barbara Follet;  i)Mike Gapes;  j) Andrew Mackay e Julie Kirkbride; k) Londres;  l) Paul Kennedy;  m) David Cameron; n) Nick Clegg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 17 de Fevereiro de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3186395917153715277?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3186395917153715277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3186395917153715277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3186395917153715277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3186395917153715277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/02/outras-gentes-outros-habitos.html' title='Outras gentes, outros hábitos...'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7319830426428246512</id><published>2010-02-10T22:06:00.001Z</published><updated>2010-02-10T22:09:11.809Z</updated><title type='text'>A lei da violência conjugal e ainda os exames a estrangeiros</title><content type='html'>6 de Janeiro - Em Espanha, um juiz denunciou o sentido único da Lei da Violência de Género, aprovada em 2004 e dedicada a punir em exclusivo os maus tratos dos homens sobre as mulheres. Em Portugal, há uns tempos atrás, o provedor dos leitores do Público lamentou a diferença na cobertura do diário a um homicídio da esposa pelo marido (chamada de primeira página) e a um homicídio do marido pela esposa (quatro linhas interiores).&lt;br /&gt;É notável que, no Ocidente do século XXI, a emancipação feminina tenha de voltar a ser defendida e, ainda por cima, o seja por uns poucos excêntricos, sozinhos contra a nova misoginia emergente. Os exemplos citados mostram o modo como, décadas após a igualdade que tanto lhe custou alcançar, a fêmea da espécie se vê devolvida ao estatuto de penduricalho decorativo. Na justiça e na imprensa, a corrente histeria em volta da violência doméstica toma por adquirida a culpa do homem, sem dúvida na presunção de que o "sexo frágil" nunca reage a um conflito conjugal mediante tiros de caçadeira ou qualquer outro método desagradável. Provavelmente, acha-se que uma senhora é demasiado tontinha para carregar uma arma e demasiado inofensiva para premir o gatilho. Mesmo nos casos em que o marido é encontrado na cama com seis balas nas costas, a moralidade dominante inclina-se para o suicídio ou morte "natural" ("Ele devia estar a pedi-las"): o único papel disponível à mulher é o de vítima, estatuto que confere vantagens em divórcios litigiosos e não confere mais nada, incluindo humanidade. &lt;br /&gt;A velha escola da discriminação desumanizava as "minorias" para as oprimir às claras. Nos subtis dias que correm, face às mulheres e ao resto, a desumanização das "minorias" é uma tendência comum aos que berram em seu alegado favor. Entre o berreiro, só os "inimigos", leia-se os indivíduos do sexo masculino, heterossexuais, caucasianos, etc., emergem como pessoas inteiras, capazes dos actos medonhos que também definem a espécie. Pela minha parte, obrigadinho, mas não alinho na sugestão de que o exercício de atrocidades está vedado a mulheres, homossexuais, pretos e similares grupos do catálogo em que o politicamente correcto armazena pessoas maiores e talvez vacinadas.&lt;br /&gt;Além de mentiroso, o pressuposto é vexatório, na medida em que reduz as "minorias" ao tipo de clichés que afirma combater. As mulheres são passivos sacos de pancada. Os gays são criaturinhas festivas e frágeis, carentes de um aval do Estado para consumar uma atracção. E os pretos são condenados ao gueto da pequena delinquência "romântica" e a expressões de subjugação social, género capoeira ou hip-hop, para consumo, e consolo, do senhor branco.&lt;br /&gt;Tudo isto, afinal, se inscreve na Síndroma Lorosae. Quando a independência de Timor era por cá "causa" obrigatória, era igualmente obrigatório tratar os timorenses de "dóceis" e "meigos" para baixo, adjectivos normalmente reservados a cachorrinhos e destinados a suscitar pena universal. Mal se percebeu que os timorenses eram gente e que a sua "docilidade" não os impedia de se chacinarem mutuamente, a "terra do Sol Nascente" saiu das notícias, nas quais, para evitar choques de realidade, as mulheres homicidas e o bom senso nem chegam a entrar. &lt;br /&gt;13 de Janeiro – Regra geral, a cantiga de que os portugueses não valorizam o que têm de bom é uma desculpa para não se criticar o que temos de péssimo. Às vezes, curiosamente, a cantiga é verdadeira. &lt;br /&gt;Veja-se o sucedido com os exames de português para imigrantes, de que, afinal, uma considerável parte não era realizada pelos candidatos à aquisição de nacionalidade, mas por familiares, amigos ou prestadores de serviços contratados. O SEF reparou na fraude e deteve noventa e tal sujeitos. Incompreensivelmente, não houve autoridade que reparasse no que de facto interessa: o pormenor de que existe por aí gente com um domínio mínimo da nossa língua, raridade que, ao invés de cadeia, devia dar direito a cargos de responsabilidade nos sectores privado e público, incluindo, a julgar pelas limitações verbais de um antigo secretário de Estado da Educação, no próprio Governo. Prender esses indivíduos é desperdiçar recursos de que o País carece e que, dada a exigência nula dos respectivos testes, os meninos e meninas do ensino secundário não prometem preencher.&lt;br /&gt;É possível, admito, que a aparente taxa de sucesso nos exames para estrangeiros se justifique pela sua facilidade. Ainda assim, não podem ser tão fáceis quanto os do "secundário", ou então qualquer cidadão do Burkina Faso chegado anteontem à Portela os teria feito. E, como a bem intencionada porém cega acção do SEF revelou, não os fez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 4 / Fevereiro / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7319830426428246512?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7319830426428246512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7319830426428246512&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7319830426428246512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7319830426428246512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/02/lei-da-violencia-conjugal-e-ainda-os.html' title='A lei da violência conjugal e ainda os exames a estrangeiros'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3342571760407579794</id><published>2010-02-10T22:04:00.001Z</published><updated>2010-02-10T22:06:52.440Z</updated><title type='text'>O exame para estrangeiros, o mastro de Paredes e a praia de Madrid</title><content type='html'>3 de Janeiro – De um modo geral, a cantiga de que os portugueses não valorizam o que têm de bom é uma desculpa para não se criticar o que temos de péssimo. Veja-se o sucedido com os exames de português para imigrantes em que, afinal, uma considerável parte não era realizada pelos candidatos à aquisição de nacionalidade, mas por familiares, amigos ou prestadores de serviços contratados. O SEF reparou na fraude e deteve noventa e tal sujeitos. Incompreensivelmente, não houve autoridade que reparasse no que de facto interessa: o pormenor de que existe por aí gente com um domínio mínimo da nossa língua. Prender esses indivíduos é desperdiçar recursos de que o País carece e que, dada a exigência nula dos respectivos testes, os meninos e meninas do ensino secundário não prometem preencher.&lt;br /&gt;É possível, admito, que a aparente taxa de sucesso nos exames para estrangeiros se justifique pela sua facilidade. Ainda assim, não podem ser tão fáceis quanto os do "secundário", ou então qualquer cidadão do Burkina Faso chegado anteontem à Portela os teria feito. E, como a bem intencionada porém cega acção do SEF revelou, não os fez. &lt;br /&gt;7 de Janeiro - Está a causar certa polémica a decisão da Câmara de Paredes em erguer um mastro com cem metros de altura e uma bandeira nacional na ponta. Não percebo a razão. O autarca em causa explica, e muito bem, que a bandeira visa comemorar o centenário da república e que o mastro visa "georreferenciar" (sic) o concelho. Ao contrário dos adversários do projecto, defendo que a república deve ser comemorada e sobretudo que Paredes deve ser "georreferenciada", até porque, a olho nu, não conseguiria encontrar semelhante lugar mesmo que quisesse (não quero). &lt;br /&gt;Sem surpresa, o problema das más-línguas prende-se com o custo da obra: um milhão de euros. Com surpresa, as maiores más-línguas pertencem à oposição autárquica e invocam a ofensa aos contribuintes, de cujo bolso o mastro fatalmente sairá. O espanto aumenta quando uma das vozes em questão se chama Artur Penedos e é, além de vereador em Paredes, assessor do primeiro-ministro. &lt;br /&gt;Aparentemente, o convívio com o eng. Sócrates não atirou o sr. Penedos para as leituras de Keynes e não lhe ensinou uma verdade irrefutável: o investimento público é essencial ao desenvolvimento do país, logo, por maioria de razão, ao desenvolvimento de Paredes. Como inúmeras das maravilhas que o eng. Sócrates diariamente publicita, o mastro com bandeira colocará Portugal na vanguarda da Europa em matéria de mastros e bandeiras, dinamizará a economia local através do turismo, estimulará a auto-estima dos autóctones mediante a elevação quase celestial da esfera armilar e, não satisfeito, criará empregos, no mínimo dois: um para subir e descer o pavilhão, outro para afugentar os cães que pretendam urinar na base da estrutura. Se o mastro é menos veloz que o comboio de alta velocidade, será inequivocamente mais alto, e 15 mil vezes mais barato.&lt;br /&gt;9 de Janeiro – Via TSF - Na apresentação de mais um estudo sobre o impacto do projecto de alta velocidade no sector do turismo, o ministro das Obras Públicas reiterou que Portugal pode vir a beneficiar «bastante» com o TGV, sublinhando que Lisboa pode mesmo «transformar-se na praia de Madrid».&lt;br /&gt;Foi apresentado, esta quinta-feira, mais um estudo sobre o impacto do projecto de alta velocidade no sector do turismo que aponta para uma subida do número de turistas espanhóis.&lt;br /&gt;O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, aproveitou esta oportunidade para reiterar que Portugal pode vir a beneficiar bastante com o TGV.&lt;br /&gt;«Lisboa pode-se transformar por exemplo na praia de Madrid, em termos de condições turísticas, as condições que nós [Portugal] temos para desportos novos como o surf. Há um conjunto de ideias e de oportunidades que importa explorar para aproveitarmos o que esta ligação pode trazer», afirmou António Mendonça.&lt;br /&gt;Este estudo indica que se apenas dois por cento do actuais turistas espanhóis visitarem Portugal em 2015, dois anos depois do TGV, serão 12 milhões e meio, e em 2030, devem ultrapassar largamente os 13 milhões.&lt;br /&gt;É por causa destes estudos que o ministro António Mendonça desafiou os empresários a agarrar a oportunidade do TGV, recusando ter uma visão conservadora.&lt;br /&gt;«Quando o comboio foi introduzido no século XIX, as carroças a cavalos caíram e se calhar na altura os agentes económicos que estavam ligados à exploração de carroças ficaram extremamente tristes, bem como todas as indústrias associadas a esta actividade», exemplificou o ministro.&lt;br /&gt;Os autores deste estudo, a Deloite e a Confederação do Turismo, prevêem ainda que o número de empregos, ligados ao turismo, também dispare. Em 15 anos, serão mais de 35 mil os novos empregados no sector.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 21 / Janeiro / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3342571760407579794?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3342571760407579794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3342571760407579794&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3342571760407579794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3342571760407579794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/02/o-exame-para-estrangeiros-o-mastro-de.html' title='O exame para estrangeiros, o mastro de Paredes e a praia de Madrid'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-266378370132280288</id><published>2010-02-10T22:02:00.000Z</published><updated>2010-02-10T22:04:31.571Z</updated><title type='text'>A escolha para a Cinemateca e a propaganda</title><content type='html'>27 de Dezembro - Sobretudo na respeitável área da "cultura", qualquer recém-nomeado para um cargo público lança os jornalistas na busca de opiniões de "personalidades" acerca do feliz contemplado. Por regra, não há surpresas: as opiniões são na maioria positivas, embora irrompam ocasionais manifestações de antipatia. Independentemente da sua orientação, porém, o teor "intimista" dos testemunhos revela o tamanho do meio, tão pequeno que não se encontra quem não tenha já roçado, metafórica ou literalmente, a criatura em questão.&lt;br /&gt;Se a constatação da nossa dimensão paroquial deprime, pelo menos os argumentos das "personalidades" divertem. Recentemente, as reacções à designação de Maria João Seixas para directora da Cinemateca Nacional divertiram-me. Noto que, excepto por umas variedades televisivas, não conheço a senhora de lado nenhum, logo naturalmente não compreendo as razões da nomeação. O engraçado é que os que a conhecem também não parecem compreender, mas em nome da amizade elaboram imaginativas explicações.&lt;br /&gt;O realizador João Botelho acha a dra. Maria João "culta, simpática e fora dos lóbis", duas razões etéreas e uma discutível. A realizadora Margarida Gil vê nela "uma pessoa do cinema", presumivelmente por ter sido casada com Fernando Lopes e recebido subsídios para publicitar fitas nacionais no estrangeiro. O produtor Paulo Branco elogia- -lhe, sem especificar, o "trabalho" e o "trajecto". E Medeiros Ferreira ganha de longe o prémio da justificação mais original: o antigo ministro e deputado louva a escolha porque num seu aniversário a dra. Maria João, cito, "convidou o plenário dos seus amigos para uma celebração natalícia na Cinemateca". Volto a citar o dr. Medeiros Ferreira: "Está tudo dito sobre o seu amor ao cinema."&lt;br /&gt;Estará? Eu julgo que ainda falta aplaudir a devoção às aves de todos quantos festejam os anos em churrasqueiras. Falta esclarecer em que circunstâncias uma instituição pública se reserva para pândegas particulares. E falta certamente destacar a opinião de Nuno Artur Silva, dono das Produções Fictícias e o único a apresentar uma razão credível para a nomeação da dra. Maria João: o "traquejo político". Traduzido, isso significa que a novel directora foi assessora de António Guterres e mandatária em candidaturas de Jorge Sampaio, Mário Soares e Manuel Maria Carrilho. Agora sim, está tudo dito sobre o seu amor ao cinema. &lt;br /&gt;2 de Janeiro - Aconteceu em Cacia. Durante o anúncio da construção de uma fábrica de baterias, o senhor José Sócrates Pinto de Sousa ergueu a mãozinha e juntou o polegar ao indicador para decretar: "Eu sou dos que acham que quando as cidades tiverem uma percentagem suficiente de carros eléctricos, sem emissões e sem barulho, já não vão querer andar para trás." Em seguida, explicou que Portugal será o primeiro país do mundo com uma rede nacional de abastecimento dos carros em questão. Por fim, conduziu, risonho, um exemplar dos ditos, com tamanho comparável a uma lata de atum e desempenho idem. Terminada a sessão, ficaram no ar clichés dispersos: "aposta", "investimento", "inovação", "ambição", "linha da frente", etc. Contas feitas, tratou-se de um espectáculo notável, mas quem não viu sabe exactamente o que perdeu.&lt;br /&gt;Em quase cinco anos no poder, é impossível registar o número de ocasiões aproveitadas por Sócrates para nos informar de que o Governo, o dele, colocou Portugal na vanguarda internacional de uma maravilha qualquer. Agora é o carro eléctrico. Das outras vezes foram chips de computadores, caixas de computadores, "aerogeradores", placas solares e por aí fora. Invariavelmente, cada maravilha suscita três ou quatro cerimónias de propaganda até se dissolver em falências, fracassos, trapalhadas judiciais ou nas meras intenções. E até perder a atenção de Sócrates, capaz de abraçar a próxima maravilha com a candura de quem nunca se comprometeu com as anteriores.&lt;br /&gt;Havia a anedota do sujeito que vendia bóias na praia enquanto o tsunami se aproximava: Sócrates continua a vendê-las após a devastação e, sobretudo, como se a devastação não tivesse ocorrido. Juro: não quero saber quanto do meu dinheiro reverte para essas duvidosas causas. Nem perguntar se não haverá um bom motivo para que nações de facto prósperas permitam a Portugal ser pioneiro no que quer que seja. Nem mesmo verificar a marca do computador que o primeiro-ministro usa, a origem da energia que consome ou o veículo em que, desde Cacia, se desloca.&lt;br /&gt;O único ponto de interesse consiste em apurar se, depois de habituados às emissões e ao barulho que o PS produz, os portugueses algum dia vão querer seguir em frente. E, já agora, também conviria saber se em frente ainda haverá alguma coisa além do abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 7 / Janeiro / 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-266378370132280288?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/266378370132280288/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=266378370132280288&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/266378370132280288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/266378370132280288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/02/escolha-para-cinemateca-e-propaganda.html' title='A escolha para a Cinemateca e a propaganda'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7492282630951501346</id><published>2010-02-10T22:00:00.001Z</published><updated>2010-02-10T22:02:21.735Z</updated><title type='text'>O poder muda e o casamento entre católicos e não católicos</title><content type='html'>13 de Dezembro – O poder muda realmente as pessoas! É impressionante ver a transformação de algumas de condição modesta quando atingem posições importantes em termos de fama, de riqueza e de poder. Ainda hoje recordo um funcionário que todos os dias vinha ter comigo a lamentar-se da pouca saúde, dos problemas da mulher e dos filhos. Quando passou a chefe de outros funcionários, deixou de vir ter comigo e começou logo a atormentar os que dependiam dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho visto muitos casos semelhantes entre operários e empregados. Já para não falar do que se passa na política. Antes das eleições, alguns políticos cumprimentam-nos calorosamente e pouco falta para nos abraçarem. Depois, assim que conseguem um cargo, tornam-se inacessíveis. Em alguns casos, é impossível contactá-los por telefone e não respondem a cartas. Com o tempo, acabei por perceber que agem assim por estarem convencidos de que o poder tem por base o medo. No início da carreira, invejam os superiores. Como os temem, para lhes caírem nas boas graças, comportam-se de forma reverencial, servil e até, como acontecia com o meu queixoso funcionário, tentam obter a piedade deles. Contudo, se os observarmos bem, percebemos que, no fundo, são pretensiosos e ávidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não confiam nos colegas, não os respeitam, vêem-nos como adversários. Para alguns, os subordinados não passam de indivíduos invejosos e hostis que se comportam com deferência apenas por medo. É por isso que, após uma promoção, se tornam autoritários e déspotas: apenas se sentem seguros quando os subalternos obedecem a tremer. Quando conquistam cargos ainda mais importantes, todos os outros se tornam rivais. É por essa razão que apenas escolhem colaboradores medíocres que concordam com tudo. Felizmente, também há indivíduos que se comportam de forma oposta e que vêem o poder como uma liderança assente na criatividade, no mérito e na capacidade de obter resultados. E alguns, ao contrário dos primeiros, não sentem receio no início da carreira, porque confiam em si próprios e nas suas capacidades e apenas desejam poder exprimir--se e mostrar aquilo de que são capazes. Quando chegam ao poder, não vêem os seres talentosos como potenciais adversários; pelo contrário, procuram colaboradores com valor e rodeiam-se de especialistas, de homens de cultura e de artistas, a quem pedem opiniões e conselhos. No caso dos primeiros, o principal objectivo é aumentar o poder; os verdadeiros líderes têm ideais, sonhos e rodeiam-se de todos aqueles que desejam partilhá-los, para uma realização conjunta.&lt;br /&gt;15 de Dezembro - O i-online dá notícia da proibição, pelo Papa Bento XVI, do casamento entre católicos e não católicos. O pretexto da notícia é uma tradução, parcial e não oficial, em espanhol de uma tradução em italiano do texto original em Latim.&lt;br /&gt;Na parte respeitante ao casamento, a notícia é falsa. O Papa não proibiu coisa nenhuma (nem proibiu nada que não fosse já proibido). O Código de Direito Canónico (CIC) previa o casamento entre católicos e o casamento entre um católico e um não católico (casamento misto), sujeitando-os, porém, a ritos e requisitos algo diversos. E continua a prever depois da decisão papal que fundamenta a notícia. A alteração do texto de várias normas, como se explica no texto papal (que, nesta parte, não aparece na tradução espanhola usada pelo i), visou apenas clarificar o regime aplicável aos casamentos em que intervenha alguém baptizado, mas que se tenha afastado da Igreja (relativamente aos quais havia dúvidas sobre se deveria, ser tratados como católicos ou como não católicos, para efeitos da determinação do rito e requisitos aplicáveis).&lt;br /&gt;Os jornalistas não têm de saber latim, mas não custava muito, por exemplo, consultar o texto anterior das normas do CIC, para perceber o disparate do título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança,24 / Dezembro / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7492282630951501346?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7492282630951501346/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7492282630951501346&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7492282630951501346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7492282630951501346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2010/02/o-poder-muda-e-o-casamento-entre.html' title='O poder muda e o casamento entre católicos e não católicos'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3634309228367029277</id><published>2009-12-12T21:31:00.000Z</published><updated>2009-12-12T21:33:38.485Z</updated><title type='text'>As redes sociais e os minaretes suiços</title><content type='html'>1 de Dezembro - O mundo pula e avança. Eu fico. Há alguns anos, estavam os blogs na moda, resolvi fundar um. Eu não sabia exatamente o que era um blog. Quero dizer, conhecia-os mal mas apreciava a capacidade do ‘bicho’ para publicar em cima do acontecimento. &lt;br /&gt;Em Portugal, os blogs eram poucos mas iniciava-se já a ‘febre’. O tempo livre era passado com actualizações dos ‘templates’. A ‘coisa’ queria-se de referência.&lt;br /&gt;A certa altura o entusiasmo passou. É verdade que nunca vivi intensamente o fenômeno. Uma brincadeira é uma brincadeira e precisava do tempo aí dispendido para ler. Regressei aos livros e, claro, à imprensa. A internet é, de certa forma, um parque infantil. Quem deseja viver eternamente num parque infantil? &lt;br /&gt;A resposta correta é: toda a gente. Dez anos depois, olho em volta e estou mais só do que nunca. Percebi isso numa reunião onde todos falavam de mundos que eu ainda não visitei. Facebook. Twitter. Esses são apenas os tradicionais. Depois existem os outros, com nomes impronunciáveis e virtualidades idem. &lt;br /&gt;Parece que toda a gente ‘está’ no Facebook e ‘está’ no Twitter. Atenção ao verbo ‘estar’: fisicamente, os novos internautas podem estar sentados a uma mesa de jantar. E sorriem. E conversam. E parecem gente. Mas, na verdade, eles não ‘estão’ onde nós estamos. Onde eu estou. Eles habitam o espaço virtual, onde desenvolvem amizades virtuais, inimizades virtuais. Sem falar de amores ou traições rigorosamente virtuais. Não sei se existem casamentos, divórcios ou funerais virtuais. É provável. &lt;br /&gt;Mas o pior de tudo é ser questionado. E eu? ‘Estou’ no Facebook? ‘Estou’ no Twitter? Respondo que não ‘estou’em nenhum. Alarme. Alguém comunica aos restantes que está um ser humano sentado à mesa. Olhares de estupefação e náusea. A minha vontade era responder: mas ‘estou’ aqui, em carne e osso. Podem tocar. &lt;br /&gt;Erro meu. Se não ‘estou’ na internet, eu não ‘estou’ em lado algum. Eu simplesmente não existo. Ou existo, sim - mas numa cidade deserta, como o último sobrevivente de uma catástrofe nuclear. &lt;br /&gt;Regresso a casa. Derrotado. Ao computador chegam periodicamente convites de ‘amizade’. Resisto. Não quero ‘amigar’ para depois ‘desamigar’.&lt;br /&gt;Saio para a rua. O bulício das compras de Natal aí está. Sigo os meus autores. Talvez alguém me siga a mim. Nos sonhos, nunca devemos olhar para trás. Eu olho. E vejo. ‘Estou’ ?&lt;br /&gt;4 de Dezembro – De forma irónica diz-se que a Suíça deu duas coisas ao mundo: relógios e Rousseau. Agora deve acrescentar-se à lista a grande surpresa da semana: contra todas as previsões, os suíços resolveram proibir a construção de minaretes islâmicos no seu espaço nacional. Convém lembrar que os minaretes são estruturas arquitectónicas, em forma de torre, que permitem chamar os fiéis para a oração. &lt;br /&gt;Nada mais do que isso. O Partido do Povo da Suíça, a maior organização partidária do país, resolveu convocar um referendo. E o povo rejeitou a "islamização" do seu espaço público. Em certos cantões, e sobretudo com o apoio feminino, a rejeição foi esmagadora. &lt;br /&gt;A atitude dos suíços horrorizou a Europa e alguns acusam-nos os de intolerância extrema. Os suíços têm ódio e medo perante o estrangeiro, dizem, e assim se explica o repúdio da religião islâmica e da sua expressão arquitectónica, uma atitude incompreensível e até irracional quando sabemos que os muçulmanos representam 5% da população suíça e são, na sua maioria, procedentes dos balcãs e da Turquia, e não necessariamente de países árabes extremistas. &lt;br /&gt;Curiosamente, os suíços organizaram-se para impedir a construção de minaretes mas não, por exemplo, a construção de mais igrejas ou sinagogas. Mas existe um segundo pormenor que importa relembrar. Disse no início que a Suíça legou ao mundo relógios e Rousseau. Deixando de parte os relógios, fiquemos com Rousseau. Sobretudo com a sua particular concepção de "democracia direta", tão do agrado da chamada esquerda clássica. Se os estados justos são aqueles onde prevalece a "vontade geral", não se percebe por que motivo a "vontade geral" dos suíços horroriza assim tanto os seus herdeiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 10 / Dezembro / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3634309228367029277?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3634309228367029277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3634309228367029277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3634309228367029277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3634309228367029277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/12/as-redes-sociais-e-os-minaretes-suicos.html' title='As redes sociais e os minaretes suiços'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-1937203395570621645</id><published>2009-12-12T21:30:00.001Z</published><updated>2009-12-12T21:31:42.538Z</updated><title type='text'>Maité Proença, ainda os animais e a actualidade de Eça</title><content type='html'>Quarta-feira, 4 de Novembro - Há dois anos, Maitê Proença, actriz de telenovelas, gravou um pequeno vídeo sobre Portugal, à época transmitido num programa da TV Globo. No vídeo, que se pretendia jocoso, a senhora imita o sotaque daqui, mostra uma casa em Sintra com o número da porta invertido e fala de um hotel de cinco estrelas sem técnico de informática. Aparentemente, isto bastou para que um nosso compatriota ressuscitasse agora tamanha irrelevância, promovesse um abaixo-assinado a exigir desculpas e incendiasse a Internet com fúria nacionalista. &lt;br /&gt;O único problema da tentativa cómica da dita Proença é a falta de graça. Seria potencialmente hilariante se tratasse de características reais e realmente ridículas dos portugueses, como o fascínio pela "cultura" de países do Terceiro Mundo, Brasil incluído, que "compensa" o desconhecimento da cultura do Primeiro. Ou a capacidade de dar importância ao que não possui nenhuma.&lt;br /&gt;Se, por exemplo, os franceses respondessem assim às paródias americanas, a Embaixada dos EUA em Paris seria obrigada a criar um departamento exclusivamente dedicado aos protestos. Nunca ouvi falar de protesto nenhum. Nações a sério concedem a brincadeiras o destaque que as brincadeiras merecem. A ofensa fácil e colectiva exige um caldo notável de presunção, insegurança, boçalidade e atraso de vida. O caso flagrante é o dos povos muçulmanos, que saem à rua em roupa interior sempre que alguém refere Maomé sem a devida vénia. Outro caso, menos flagrante, é curiosamente o brasileiro. Não há muito tempo, um episódio dos Simpsons que retratava o país enquanto um lugar de miséria e insegurança (imagine-se) motivou vasta indignação local, a ponto de altíssimas autoridades ameaçarem processar a produtora Fox.&lt;br /&gt;Em abono do Brasil, lembro que os Simpsons são talvez a série mais influente da história da televisão. A absurda polémica em curso tornou Maitê célebre numa terra que reage a galhofas falhadas mediante pretextos para galhofas garantidas. Entretanto, a actriz de telenovelas gravou novo vídeo, este com o reclamado pedido de desculpas e a jura, a título justificativo, de que a senhora até goza o presidente (dela). Ou seja, na escala de respeito da Proença os portugueses situam-se abaixo de Lula. E isso já ofende o meu brio lusitano: não haverá um abaixo-assinado contra o segundo vídeo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira, 13 de Novembro - Infelizmente, a lei que a prazo acabará com os animais selvagens nos circos não promete acabar com os animais teoricamente racionais que a inventaram. O presidente do Instituto da Conservação da Natureza, entidade irónica num país em que a natureza é periodicamente arrasada por construtores e incendiários, justifica a medida com a saúde pública e a segurança. Ignoro quantos milhares de pessoas os macacos do Chen e os tigres do Cardinali mataram até hoje. Porém, estimo em milhões as vítimas desta senha reguladora que aos poucos procura, e aos poucos vai conseguindo, censurar-nos a comida, o tabaco, o álcool, o sedentarismo, o automóvel, o jogos, os noticiários críticos do Governo e, em suma, tudo o que ainda distingue o homem civilizado da bicharada, selvagem ou outra.&lt;br /&gt;Às vezes penso se os pequenos zelotas da padronização foram escolhidos para cargos públicos por serem assim ou ficaram assim depois de alcançar os cargos. A psiquiatria explicará. Para já, suspeito da primeira hipótese: além do Estado, não faltam na "sociedade civil" sujeitinhos sempre dispostos a apoiar ou instigar medidas repressivas. Veja-se, no caso dos animais, as associações do ramo. Conheço algumas e, salvo excepções dignas, nunca lhes notei a menor preocupação com o bem-estar dos bichos. Em compensação, aflige-os imenso que alguém os possa ter, gostar deles e ser retribuído. Os macacos e os tigres circenses são evidentemente um pretexto. Ou um início. A insignificância que dirige uma Associação Animal apareceu a avisar que a nova lei não basta: é urgente abolir todas as criaturas não humanas do circo. Entre parêntesis, diga--se que seria preferível abolir o dito: notoriamente, para ver palhaços não é necessário comprar bilhete e entrar numa tenda. &lt;br /&gt;Fora de parêntesis, sabe-se como estas coisas começam e tenho um palpite sobre como podem acabar. Nem aprecio circos, mas é possível que tarde ou cedo o Estado e os parasitas que lhe habitam as franjas estendam o instinto totalitário à privacidade dos lares. &lt;br /&gt;Sábado, 14 de Novembro - “A politica converteu-se em uma vasta associação de intriga, em que os sócios combinam dividir-se em diversos grupos, cuja missão é impelirem-se e repelirem-se sucessivamente uns aos outros, até que a cada um deles chegue o mais frequentemente que for possível a vez de entrar e sair do governo. Nos pequenos períodos que decorrem entre a chegada e a partida de cada ministério o grupo respectivo renova-se, depondo alguns dos seus membros nos cargos públicos que vagaram e recrutando novos adeptos candidatos aos lugares que vierem a vagar. É este trabalho de assimilação e desassimilação dos partidos, que constitui a vida orgânica do que se chama a política portuguesa”. &lt;br /&gt;Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, As Farpas, Agosto-Setembro de 1877&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 26/ Novembro / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-1937203395570621645?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/1937203395570621645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=1937203395570621645&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1937203395570621645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1937203395570621645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/12/maite-proenca-ainda-os-animais-e.html' title='Maité Proença, ainda os animais e a actualidade de Eça'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-2416387334531077740</id><published>2009-12-12T21:28:00.001Z</published><updated>2009-12-12T21:30:09.174Z</updated><title type='text'>Os animais e a escola na Finlândia</title><content type='html'>14 de Outubro - A partir de agora, os animais dos circos estão proibidos de se reproduzir. Ainda agora no rádio do carro escutei atentamente um acérrimo defensor desta medida explicar que há muitas soluções simples para garantir a extinção das espécies circenses. Sugeriu duas: 1. separar machos das fêmeas ou, 2. castrar os machos. Que crueldade. Nunca pensei ouvir tal sugestão da boca de um pretenso defensor dos animais. É preciso que a Sociedade Protectora dos Animais proteja os animais destes protectores de animais.&lt;br /&gt;No primeiro caso, a separação por género, parece-me que há uma claríssima e inaceitável descriminação dos animais heterossexuais. Por favor, defensores da igualdade do género, mostrem a vossa indignação por esta solução que apenas permite uma prática sexual sã aos animais LGT e parcialmente aos B, ainda que reduzindo-lhes drasticamente a possibilidade de escolha. Espero da vossa parte uma posição clara de protesto contra estas medidas que condenam todo um grupo maioritário ao cinzentismo do auto-divertimento.&lt;br /&gt;A segunda solução, para lá de arrepiante – brrrrr – é intolerável. Castrar os bichinhos? Que horror. Não só a medida é de enorme crueldade física como, mais uma vez, há uma óbvia descriminação de género, agravada pelos terríveis efeitos vexatórios sobre o bem-estar psíquico dos bichinhos a quem amputaram a sua virilidade.&lt;br /&gt;A única medida que pode ser aceitável para estes casos é a pílula do dia seguinte – que deverá ser fornecida gratuitamente a todos os animais que o solicitarem nos centros de saúde da zona. (um comprimido para a macaca, 3 caixas para a elefanta).&lt;br /&gt;Vamos lá, jugulares, defensores de causas profissionais e outros bloquistas, temos aqui temos uma nova causa fracturante, mexam-se. Lutemos juntos pela defesa do direito dos animais circenses a terminarem os seus mandatos com dignidade.&lt;br /&gt;Os tigres dos circos não se podem reproduzir. Os macacos idem. Enfim nada disto tem importância por nada disto é para cumprir. É para ir cumprindo. Se a malta chateia lembram-lhe a legislação. Primeiro foi com a comida. A ASAE parecia omnipresente e omnipotente. Depois tivemos a fase da ginástica, dos ginásios e dos pescadores que tinham de andar de fita métrica para verificar a quantos metros estavam uns dos outros. Agora chegou a vez dos circos. Sugiro que a seguir se legisle sobre os palhaços. Não é aceitável que um ser humano seja achincalhado como acontece no número do palhaço rico e do palhaço pobre. Após os palhaços deve o legislador ou o grupo de peritos como soe dizer-se recomendar que se legisle sobre a ausência de prática desportiva entre as crianças ao fim-de-semana e o número de pactotes de batas fritas que ingerem enquanto vêem séries de televisão esticadinhas no sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não é a primeira vez que se faz aqui a comparação com o país que foi considerado referência de topo pelo PM e pela ministra quando quiseram considerar os professores uns "malandros" . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 de Outubro - Para os cidadãos, pais, professores, alunos, ministra que foi, ministra que chega, primeiro-ministro e deputados, aqui ficam as nove grandes diferenças entre portugal e a Finlândia: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Na Finlândia, as turmas têm 12 alunos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Na Finlândia, há auxiliares de accção educativa acompanhando constantemente os professores e educandos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Na Finlândia, os pais são estimulados a educar as crianças no intuito de respeitarem a Escola e os Professores;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Na Finlândia os professores têm tempo para preparar aulas e são profissionais altamente respeitados;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Na Finlândia, as aulas terminam às 3 da tarde e os alunos vão para&lt;br /&gt;casa brincar, estudar e usufruir do seu tempo livre;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Na Finlândia, o ensino é totalmente gratuito inclusivamente os LIVROS, CADERNOS E OUTRO MATERIAL ESCOLAR;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Na Finlândia, todas as turmas que têm alunos com necessidades educativas especiais, têm na sala de aula um professor especializado a acompanhar o aluno que necessita de apoio;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 . Na Finlândia, não há professores avaliadores, professores avaliados nem inspectores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Na Finlândia, não há professores de primeira e de segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguiram perceber as diferenças?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 12 / Novembro / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-2416387334531077740?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/2416387334531077740/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=2416387334531077740&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2416387334531077740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2416387334531077740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/12/os-animais-e-escola-na-finlandia.html' title='Os animais e a escola na Finlândia'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-2456953414779243136</id><published>2009-10-25T15:35:00.000Z</published><updated>2009-10-25T15:37:25.016Z</updated><title type='text'>O 'professor' em Espanha e o Nobel de Obama</title><content type='html'>16 de Setembro - No jornal espanhol El Pais de ontem pode ler-se: “Los docentes serán autoridad pública en la Comunidad de Madrid. Es una de las medidas que introducirá la futura Ley de Autoridad del Profesor que la presidenta madrileña, Esperanza Aguirre, va a anunciar mañana en la cámara regional, según fuentes de su Ejecutivo, y cuyo texto llevará al hemiciclo en las próximas semanas. &lt;br /&gt;La iniciativa de elevar el rango de los maestros ya la asumió el año pasado la Comunidad Valenciana y existe también, aunque sólo para los directores de los centros escolares, en Cataluña, desde hace unos meses. En el caso de Madrid persigue el objetivo de reforzar la figura del maestro.&lt;br /&gt;Al ser reconocidos como autoridad pública, los profesores -al igual que jueces, policías, médicos o los pilotos y marinos al mando de una nave- cuentan con una protección especial. La agresión a uno de ellos está tipificada por el Código Penal como atentado contra la autoridad en los artículos 550 a 553, que recogen penas de prisión de dos a cuatro años.&lt;br /&gt;Además, la autoridad pública tiene presunción de veracidad, lo que significa que su palabra tiene más valor que la de un ciudadano de a pie. Y permite a la fiscalía perseguir de oficio los delitos contra estos funcionarios públicos.&lt;br /&gt;La futura ley de Aguirre también recogerá una mejora de la retribución para los niveles intermedios de mando de los centros escolares: secretarios y jefes de estudios. Esta subida se aplica ya desde el 1 de enero para los directores de los colegios madrileños, que perciben una media de 320 euros más que hace un año.&lt;br /&gt;Para quem tem alguma rejeição à língua de Cervantes, eis a tradução dos 3º e 4º parágrafos:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Ao serem reconhecidos como autoridade pública, os professores - tal como os juízes, polícias, médicos ou os pilotos e comandantes de navios - contam com uma protecção especial. A agressão a um professor está tipificada pelo Código Penal como atentado contra a autoridade (…) e pode valer pena de prisão de dois a quatro anos."&lt;br /&gt;"Além de serem autoridade pública, têm presunção da verdade, o que significa que a sua palavra tem mais valor do que a de outro cidadão. E permite às autoridades fiscalizar os delitos contra estes funcionários públicos."&lt;br /&gt;Em Portugal nestes quatro anos foi o que sabemos. Quão diferente é o "socialista" Sócrates do seu homólogo Zapatero..." &lt;br /&gt;10 de Outubro - Há quem diga que este Nobel da Paz é pura fé e intenções. Obama ainda agora começou! Alguns até o comparam a galardoar um potencial génio que não concluiu a primária. Outros alongam-se naquela estafa sobre a politização da Academia.&lt;br /&gt;Mas parte desta glória só pode dever-se ao nome Nobel, apelido do químico sueco que criou o prémio e que, em muitas línguas europeias, ressoa a nobre. Ou seja, digno ou honrado. Se o senhor se chamasse Svitjod a coisa não teria igual sucesso. Brincadeiras à parte, estes Nobel costumam ser mais polémicos. A paz é uma esperança. Raramente é um resultado final. Aliás, também outros são mera expectativa. Por exemplo, “descoberta que traz esperança ao tratamento do cancro” foi, neste ano, o Nobel da Medicina.&lt;br /&gt;A guerra do Afeganistão continua e Obama não recebeu o Dalai Lama. Alterou a política americana no Leste, Irão, Israel, Guantánamo. E, assim, mantém o ‘Yes, we can’, nove meses de esperanças depois. Mas que não será eterno, como revelam as críticas nos próprios EUA. E, antes que acabe, celebre-se. Pessoa, crendo no papel do sonho na política, entendia que Portugal só sairia do marasmo “ressuscitando” D. Sebastião. Disparate? Talvez. Mas o poeta sabia bem que “O mito é o nada que é tudo”. Embora não tivesse ganho um Nobel...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 de Outubro – Quem quiser explicar a um estrangeiro as idiosincrasias portuguesas, tem uma tarefa complicada. Temos de explicar-lhes que Portugal é um país brando e solarengo, mas cujos humores oscilam bastante. Temos uma tradição de homicídios políticos pela província. &lt;br /&gt;Tudo se mistura: caçadeiras a monte, ódio político, disparate latente e questões sentimentais. O caso de Ermelo, Vila Real (900 eleitores), vem daí. Falta-nos humor para o essencial e coragem para olhar as coisas de longe. A miséria da política é como em Ermelo: pede a exclusão. Daí ao tiroteio é um passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 16 / Outubro / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-2456953414779243136?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/2456953414779243136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=2456953414779243136&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2456953414779243136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2456953414779243136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/10/o-professor-em-espanha-e-o-nobel-de.html' title='O &apos;professor&apos; em Espanha e o Nobel de Obama'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7317571467269453838</id><published>2009-10-25T15:28:00.000Z</published><updated>2009-10-25T15:35:32.324Z</updated><title type='text'>Os políticos eo 'interesse geral'</title><content type='html'>Com o devido respeito, eis um texto do professor Paulo Guinote, publicado no blog ‘A Educação do meu Umbigo’ ( http://educar.wordpress.com ):&lt;br /&gt;“Há em alguns políticos e comentadores a tentação para se erigirem como detentores da capacidade de enxergarem e defenderem o Interesse Geral contra os mesquinhos interesses corporativos.&lt;br /&gt;Criticam quem defenda a verdade, o rigor com os factos e as promessas, mas depois são eles que têm uma verdade maior, a verdade do Interesse Geral. Os outros são defensores de interesses particulares, menores, egoístas.&lt;br /&gt;Esta é uma atitude profundamente arrogante porque Interesse Geral eu não conheço, nem nunca conheci como se determina ou se coloca em prática, ou defende, porque não passa de uma abstracção retórica. Ou então o Interesse Geral mais não passa do que o agregado dos diversos interesses particulares dos cidadãos de uma dada sociedade.&lt;br /&gt;Aliás, o Interesse Geral, colocado assim, acima dos interesses dos indivíduos, remete-nos para um caldinho cultural vizinho dos regimes autoritários e totalitários que erigiram a Raça, a Nação, a Religião ou a Classe como Interesses Gerais do seu projecto político, espezinhando pelo caminho os interesses particulares e os indivíduos que se opuseram a esse projecto Colectivo de Unidade.&lt;br /&gt;E acho estranho que quem se assuma defensor da liberdade, ou liberal no sentido político ou económico, embarque nestas aventuras estranhas do Interesse Geral, indemonstrável e volúvel conforme os contextos.&lt;br /&gt;Só para contextualizar, relembremos o caso do défice, que em 2003 qualificaram como obsessão, em 2005 já era de Interesse Geral e agora em 2009 tem dias: se é para uns efeitos pode agravar-se, se é para outros deve conter-se.&lt;br /&gt;O Interesse Geral mais não passa do que de um manto usado para cobrir interesses de facção, elevando-os a um patamar superior.&lt;br /&gt;Eu prefiro ser realista e explicar o meu interesse particular. E acho que é da soma dos interesses particulares, conjugando-os, mas sem sacrificar brutalmente nenhuns, que se atinge um projecto de sociedade verdadeiramente liberal no sentido mais radical do termo.&lt;br /&gt;Quem está sempre a acusar os interesses corporativos, sabe bem que uma sociedade não se constrói sobre uma amálgama indiferenciada de indivíduos, sem identidades socioprofissionais, por exemplo. A menos que seja esse o projecto do Interesse Geral: tornar a sociedade uma mera amálgama de indivíduos indiferenciados.&lt;br /&gt;Há que fazer opções, é certo. A manta não dá para cobrir todos, aceito. Mas preciso que me expliquem e fundamentem as opções tomadas, não apenas que as enunciem como inadiáveis e há muito necessárias. É preciso mais do que isto.&lt;br /&gt;O Interesse Geral não pode ser um vazio usado para ocultar vazios de ideias e projectos ou para legitimar opções políticas e económicas resultantes de interesses particulares, esses sim, transitoriamente com as rédeas do poder político para os impor ao resto da sociedade.&lt;br /&gt;Por isso, sempre tive dificuldade em rever-me em projectos políticos com soluções mágicas para tudo, evocando um qualquer tipo de Interesse Geral para colocar o Colectivo acima do Indivíduo. Sejam de esquerda, de direita ou do centro.&lt;br /&gt;Sejam baseados em Magalhães, em Livros Verdes, Vermelhos ou Laranjas. Na Bíblia ou em bíblias.&lt;br /&gt;A deriva totalitária, mesmo que em democracia formal, é uma tentação de todos os homens que se acham providenciais.&lt;br /&gt;O Interesse Geral, nova formulação aparentemente mais vazia dos velhos projectos de subordinação das massas aos projectos políticos de facção, não me serve como argumento para nada.&lt;br /&gt;Em especial quando surge enroupado em coisa nenhuma, tirando fatiotas elegantes e meneios estudados.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 1 / Outubro / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7317571467269453838?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7317571467269453838/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7317571467269453838&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7317571467269453838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7317571467269453838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/10/os-politicos-eo-interesse-geral.html' title='Os políticos eo &apos;interesse geral&apos;'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7124823334935533642</id><published>2009-10-25T15:26:00.000Z</published><updated>2009-10-25T15:28:34.038Z</updated><title type='text'>A modorra dos dias de verão...</title><content type='html'>4 de Setembro – Ao contrário do que o leitor poderá pensar, em Julho e Agosto o mundo não pára e sucedem-se  coisas tão interessantes como: em Lisboa, o ‘Zé’ lembrou-se de plantar girassóis – é, sem dúvida, a intervenção que a cidade mais precisa -; quatro lisboetas hastearam a bandeira monárquica na Câmara Municipal; é candidato a deputado um sujeito que engessou fraudulentamente um braço para evitar um reconhecimento de assinatura; surgiram dois novos partidos: o Partido Nulo – só desistem se ganharem as eleições – e o Partido Pirata – conteúdos grátis na Internet -; a senhora Clinton ficou furiosa por lhe terem perguntado pelas opiniões do senhor Clinton; o Presidente da Costa Rica despacha na cama, visto que tem gripe A, a mesma que levou os actores das novelas mexicana a eliminarem os beijos – estamos em plena histeria como se estivesse aí a peste negra quando os sintomas são a cefaleia e a expectoração; o czar Putin caça, pesca, mergulha, monta a cavalo e mostra o seu tronco ginasticado aos fotógrafos; o presidente francês contratou uma treinadora pessoal para o exercitar nos deveres conjugais; uma editora que planeava lançar um livro sobre Arafat recuou, e não foi com medo das recensões; o Hamas anunciou a criação de uma’Hamaswood’, uma espécie de Hollyood palestiniana onde podemos contar com explosões, incluindo as dos protagonistas; uma visitante do Louvre atirou chá quente à Mona Lisa; uma rapariga de ‘burquini’- uma burqa para a natação – foi impedida de frequentar uma piscina laica e republicana; o príncipe do Mónaco foi visto a dançar com uma namorada oficial enquanto trazia no ouvido um auricular; a namorada do príncipe William confessou que não gosta de cavalos, pecado grave na monarquia inglesa; falando em cavalos – mal comparado – um empresário abrantino tentou introduzir um burro no edifício camarário; um repórter fotográfico foi atropelado pelo carro que conduzia Pinto da Costa à saída do tribunal e apesar de um agente da PSP ter dado ordem de paragem – que não foi cumprido -, o Comando do Porto teve necessidade de lançar um comunicado desculpando o facto do condutor não ter acatado a ordem por se ter tratado de um acto ‘explícito’; um apresentador de televisão brasileiro encomendava crimes para aumentar a audiência do seu programa sobre crimes; o assaltante do Banco Espírito Santo confessou na cadeia que “o BES ainda é o meu banco”; o actor Carlos Areia, de 63 anos, tem uma namorada de 17 anos; a Câmara de Paços de Ferreira atribuiu o nome de Manuel Pinho a uma rua da cidade apenas porque no local não existe praça de touros; a televisiva Carolina Patrocínio – mandatária do PS para a juventude – confessou que só come cerejas se a empregada lhe tirar os caroços e uvas se a dita senhora lhe retirar previamente as grainhas; o mesmo rosto afirmou que prefere fazer batota a perder; o proprietário de uma charca apedrejou um helicóptero – dois vidros partidos e várias amolgadelas - que tentava abastecer no seu terreno durante o combate a um incêndio; um jornal televisivo – o de 6ª feira na TVI – foi suspenso porque o ‘estilo’ era considerado demasiado ‘agressivo’ para com o primeiro-ministro. Uff, as férias terminaram… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 4 / Setembro / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7124823334935533642?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7124823334935533642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7124823334935533642&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7124823334935533642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7124823334935533642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/10/modorra-dos-dias-de-verao.html' title='A modorra dos dias de verão...'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-81937756834746828</id><published>2009-09-14T11:12:00.000+01:00</published><updated>2009-09-14T11:14:50.648+01:00</updated><title type='text'>Os exames de Português e Matemática do 9º Ano</title><content type='html'>14 de Agosto – Já ninguém fica espantado se um professor universitário contar que parte significativa dos seus alunos não sabe as regras básicas da gramática e coloca, por exemplo, uma virgula entre o nome e o verbo. Diga-se que o desconhecimento da Língua já chega aos próprios professores universitários. Uma professora de uma prestigiada instituição de ensino superior de Lisboa deu nota ‘çuficiente’ a trabalhos apresentados por alunos. &lt;br /&gt;Foram conhecidos os resultados dos exames nacionais do Ensino Básico (Português e Matemática). Comparando com o ano lectivo anterior, houve uma diminuição considerável na percentagem de classificações negativas em Matemática (de 44,9% para 36,2%) e um aumento (praticamente uma duplicação!) na de Português (de 16,7% para 30,1%).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente de se tratar de subidas ou descidas, o que nos deve preocupar talvez acima de tudo é darem-se estas variações: nem se trata de pequenas oscilações, mas sim de autênticos e enormes solavancos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um problema de fiabilidade nestes levantamentos. E, pior ainda, surgem dúvidas sobre a seriedade e a competência das orientações e critérios com que se elaboram os exames. Como se pode avaliar um processo que apresenta toda esta inconstância? É claro que este ministério da Educação não parece preocupado com isso: preocupa-se somente em produzir propaganda disparatada (como a acusação à Sociedade Portuguesa de Matemática [!] pelos maus resultados dos últimos exames, etc.). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, nos resultados tornados públicos hoje, um "pormenor" que não deve ser desprezado: veja-se que, tanto em Português que "piorou" muito, como também em Matemática que "melhorou", deu-se um aumento do número de alunos classificados com a nota mais baixa ( nota de 'um' ): de 310 para 700, em Português e, o que é mais espantoso, de 3107 para 3623, em Matemática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isto é ainda mais sério, se nos lembrarmos que o aumento é acompanhado por uma diminuição do universo dos alunos examinados: de 94832 em 2007 / 08 para 90184 este ano! Quer dizer, aumentou consideravelmente o número de alunos que praticamente não conseguiram responder a nada ou quase nada dos exames...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficar contente com estes resultados é um mau princípio. A escola tem de ser mais exigente, porque o futuro destes jovens vai ser muito competitivo e na vida real se não estiverem preparados terão os empregos menos qualificados e mais mal remunerados. O capital humano é a maior riqueza do País. Se o desbaratamos com uma má educação estamos a ser cúmplices de um terrível erro que prejudicará milhares de jovens e nos empobrecerá a todos no futuro.&lt;br /&gt;A ministra disse que os resultados dos exames devem encher o País de orgulho. É difícil encontrar motivo de júbilo quando praticamente um em cada três alunos do nono ano chumba num exame relativamente fácil. Nenhuma pessoa no seu perfeito juízo se deve alegrar com estes resultados: continuamos com mais de um terço de classificações negativas em Matemática e com uma duplicação vergonhosa das negativas em Português. Ora, o que diz a isto a senhora ministra da Educação? Isto (leiam sentados, por favor): &lt;br /&gt;“Gostava de sublinhar que a larga maioria dos alunos teve nota positiva tanto a Português como a Matemática. Isso deve-nos encher de orgulho. É muito positivo e muito bom para o país.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 4 / Setembro / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-81937756834746828?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/81937756834746828/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=81937756834746828&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/81937756834746828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/81937756834746828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/09/os-exames-de-portugues-e-matematica-do.html' title='Os exames de Português e Matemática do 9º Ano'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5551696527451306920</id><published>2009-09-14T11:11:00.000+01:00</published><updated>2009-09-14T11:12:26.762+01:00</updated><title type='text'>Os gestores, o governador e a gargalhada</title><content type='html'>13 de Julho – Segundo um estudo de Manuel António Pina, publicado no Jornal de Notícias de 24/10/08, "... se os portugueses comuns (os que têm trabalho) ganham pouco mais de metade (55%) do que se ganha na zona euro, os nossos gestores recebem, em média:&lt;br /&gt;- mais 32% do que os americanos;&lt;br /&gt;- mais 22,5% do que os franceses;&lt;br /&gt;- mais 55 % do que os finlandeses;&lt;br /&gt;- mais 56,5% do que os suecos"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E são estes mesmos gestores que chamam a nossa atenção porque "os portugueses gastam acima das suas possibilidades".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 de Julho – Desculpem mas não posso deixar de voltar ao assunto. O senhor Vítor Constâncio ainda não percebeu que é um triste símbolo de um ciclo que terminou. &lt;br /&gt;Fiado na sua imensa autoridade e contente na sua soberba, Constâncio decidiu pregar um raspanete à Assembleia da República por esta se ter imiscuído nos meandros da supervisão. Nem o relatório final da comissão de inquérito ao BPN, feito à sua medida, conseguiu acalmar os ânimos do governador do Banco de Portugal. &lt;br /&gt;O PS, através da deputada Sanfona, apresentou um texto inócuo e inconclusivo, recheado de citações oficiais e de desculpas de mau pagador. Imune a este tipo de simpatias, Constâncio não perdeu tempo e apresentou-se imediatamente ao país, disposto a desfazer qualquer dúvida sobre a sua iluminada pessoa. E lá explicou, pela enésima vez, que a sua extraordinária actuação estava muito acima das capacidades de qualquer deputado.&lt;br /&gt;Como se viu, só ele, na sua infinita sabedoria, se considera em condições de se avaliar a si próprio, longe da chicana parlamentar e dos golpes sujos da oposição. E ele, como se viu também, tem-se em alta conta: não há falha que o atinja, nem offshore que o diminua. Em guerra aberta com a realidade, consegue ser tudo menos aquilo que, na realidade, deveria ser: um governador do Banco de Portugal. &lt;br /&gt;Durante anos, com suave persistência, Constâncio transformou o Banco de Portugal numa espécie de porta-voz oficial do ministério das Finanças, com défices ao sabor do cliente e previsões à altura das suas necessidades. Lembram-se como a descrição dos números mudavam quando a oposição era governo? &lt;br /&gt;A conferência de imprensa que deu, na semana passada, foi a prova de que já ninguém precisava. Abrigado na sua imensa arrogância, Constâncio pretendeu apresentar-se como um mártir iluminado, sem compreender o espectáculo mais ou menos patético que confirmou apenas a solidão de um homem com o cargo errado no lugar errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 de Julho – Está em marcha mais um atentado urbanístico em Abrantes. A  criação pomposa de um Museu Ibérico ( os espanhóis saberão? ) de Arqueologia e Arte de Abrantes arrastará consigo um cubo de dimensões obscenas e que poluirá de forma desmedida um dos pontos mais elevados da cidade de Abrantes. Como, mais uma vez, os cidadãos não foram tidos nem achados, há que procurar outros meios. Está a circular uma petição no endereço  electrónico&lt;br /&gt;http://www.gopetition.com/online/28923.html e é essa petição que eu o convido a assinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 de Julho – Antes de férias, eis um texto “actual” de Eça de Queirós. "A gargalhada nem é um raciocínio, nem uma ideia, nem um sentimento, nem uma crítica: nem é o desdém, nem é a indignação; nem julga, nem repele, nem pensa; não cria nada, destrói tudo, não responde por coisa alguma! E no entanto é o único inventário do mundo político em Portugal. Um governo decreta? Gargalhada. Fala? Gargalhada. Reprime? Gargalhada. Cai? Gargalhada. E sempre a política, aqui, ou pensando, ou criando, ou liberal ou opressiva, terá em redor dela, diante dela, sobre ela, envolvendo-a, como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, cruel, implacável – a gargalhada!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 23 / Julho / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5551696527451306920?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5551696527451306920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5551696527451306920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5551696527451306920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5551696527451306920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/09/os-gestores-o-governador-e-gargalhada.html' title='Os gestores, o governador e a gargalhada'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-2924973497494577738</id><published>2009-07-15T08:43:00.000+01:00</published><updated>2009-07-15T08:45:36.714+01:00</updated><title type='text'>A TVI, o governador ingénuo e os "corninhos" de Pinho</title><content type='html'>20 de Junho - Quando Sócrates identificou a TVI como sua inimiga, surgiram notícias de incitamentos ao mais alto nível para que esta fosse comprada. O intuito visível desse eventual negócio era obviamente político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A TVI causa a Sócrates o mesmo incómodo que o ‘Independente’ provocava aos governos de Cavaco Silva – mas com a amplificação popular que a televisão permite. É na TVI que se discute o confuso currículo do primeiro-ministro. É aí que as ‘reformas’ são desmontadas e que muitos ministros vêem expostas as suas estreitezas. Claro que o estranho é o silêncio da restante imprensa. Fosse Sócrates de outro partido e outro galo cantaria. É a diferença entre a “boa” e a “má” imprensa.&lt;br /&gt;Sócrates convive mal com quem não o aprecia. Por isso, é natural que tente imitar o seu amigo venezuelano que encerrou uma televisão que o criticava. Felizmente estamos na Europa – aqui não se fecha: manda-se comprar.&lt;br /&gt;26 de Junho - Parece que o Ministério Público mandou arquivar a queixa do primeiro-ministro contra João Miguel Tavares, autor de uma crónica (no ‘DN’) que José Sócrates considerou ofensiva – mas que este despacho considera inserir-se "no direito à crítica". &lt;br /&gt;O primeiro-ministro tinha todo o direito de queixar-se aos tribunais mas é bom que a justiça reconheça que não basta "não gostar dos termos" em que um texto é escrito para avançar com uma queixa. &lt;br /&gt;Grande parte da crónica política e jornalística do século XIX faria os tribunais de hoje entrar em colapso; Fialho, Eça, Camilo bastariam para escandalizar a respeitabilidade frágil dos políticos e acabariam presos. Mas também o bom-senso explica que a política não apenas é um bom alvo como merece ser alvejada. Quem vai à guerra dá e leva.&lt;br /&gt;21 de Junho – Quando os meus alunos, candidatos a um curso de Economia, me perguntam que emprego seguir, respondo-lhes logo: Governador do Banco de Portugal. Ganha-se bem demais ( ao nível dos países mais ricos da Europa ), há poucas responsabilidades ( ao nível das sociedades mais primitivas ) e, se acontecer algo, sempre se pode dizer que talvez se tenha sido ingénuo e que nunca se pensava que os suspeitos fossem capazes de cometer os crimes de que são acusados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 de Julho -  Lembram-se daquela anedota que Raúl Solnado imortalizou sobre touros e campinos? Eu relembro-a: um fulano questiona outro sobre a sua proveniência geogáfica, esse responde-lhe ser ribatejano. –Ah, do Ribatejo, terra de touros e campinos. O senhor é campino? - questionou. Como a resposta foi negativa, logo concluiu: Então  é touro!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem isto a propósito do episódio de Manuel Pinho na Assembleia da República. Julgo que o ministro estava a contar esta anedota a Bernardino Soares, pelo que considero uma verdadeira injustiça a sua demissão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrar que Pinho foi quem afirmou ter a crise acabado em Outubro de 2006, aquele que tentou atrair investidores na China invocando que os “custos salariais em Portugal são mais baixos que a média da EU”, aquele que, em Maio de 2007, anunciou em Bruxelas a criação de 250 empregos em Castelo Branco pela Delphi; esqueceu-se que esses empregos já estavam ocupados desde Janeiro, aquele que afirmou numa feira de calçado em Milão: “Eu vinha cá comprar sapatos italianos, mas fiquei tão impressionado com a qualidade do sapato português que vou levá-los. Vinha comprar italianos porque têm um óptimo nome em termos de design.”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, depois de tudo isto ser demitido pelos corninhos é realmente injusto. O gesto e a consequente demissão, alvos de atenções na imprensa mundial, suscitaram de um leitor da versão online do jornal brasileiro O Globo o seguinte comentário: “Em países sérios é assim, quem faz palhaçada dança!!”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam lá ao que nos sujeitamos, sermos chamados de país sério…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 9 / Julho / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-2924973497494577738?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/2924973497494577738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=2924973497494577738&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2924973497494577738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2924973497494577738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/07/tvi-o-governador-ingenuo-e-os-corninhos.html' title='A TVI, o governador ingénuo e os &quot;corninhos&quot; de Pinho'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-2287615271589131882</id><published>2009-07-15T08:40:00.001+01:00</published><updated>2009-07-15T08:43:30.232+01:00</updated><title type='text'>As ofertas do Estado português, a administração do Garcia de Orta e as "semelhanças" Sócrates / Loureiro</title><content type='html'>1 de Junho - O novo estádio da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na Cisjordânia, cuja construção foi financiada por Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento, foi inaugurado na passada  segunda-feira. O recinto custou dois milhões de dólares, tem capacidade para seis mil espectadores, é certificado pela FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação. A cerimónia de inauguração abrirá com uma marcha de escuteiros locais, conduzindo as bandeiras de Portugal e da Palestina, e a execução dos respectivos hinos nacionais.&lt;br /&gt; Já fechámos urgências, maternidades, centros de saúde e escolas primárias. Disseram-nos que havia que reduzir custos. Todavia, oferecemos agora um estádio à Palestina.&lt;br /&gt; Devíamos fechar o Hospital de Santa Maria e oferecer um pavilhão multiusos ao Afeganistão. A seguir fechávamos a cidade universitária e oferecíamos um complexo olímpico (também com estádio) à Somália e por último fechávamos a Assembleia da República e oferecíamos os nossos políticos aos crocodilos do Nilo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3 de Junho  - Ministros ‘incomodados’ já são uns quantos. Juízes ‘chocados’ são vários. O próprio relator do acórdão que entregou Alexandra à mãe biológica ficou “perplexo” quando viu as imagens desta a dar umas palmadas na filha. &lt;br /&gt;Estas palmadas russas na criança são, metaforicamente, também para a Justiça e Estado português. O juiz decidiu, como disse, perante “os factos que estavam no processo”. Não falou com ninguém, analisou o que tinha sido julgado na primeira instância mas fez uma valoração diferente dos factos. &lt;br /&gt;A sua livre apreciação da causa foi tão radicalmente diferente do tribunal inferior que o levou a apontar uma “maternidade serôdia” à mãe de acolhimento. Não quis julgar a mãe biológica pelo quadro que era estabelecido pelos técnicos da Segurança Social, mas não se coibiu de arrasar a outra parte. Já agora, baseado em quê? Em que factos? A liberdade de decisão do juiz não se discute, mas a verdade é que esta não está a resistir a umas simples imagens das palmadas e a um lamentável quadro de exposição da criança a circunstâncias que cheiram a negócio. &lt;br /&gt;Uma coisa este caso demonstra: os processos de menores não podem ser decididos em circunstâncias destas. Um monte de papel, factos avaliados à distância das pessoas, pura consideração de um determinismo biológico como critério dominante. É tal a ‘defesa da família’ que, tantas vezes, a pura realidade é atirada para o caixote do lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 de Junho  –De acordo com o Correio da Manhã, os responsáveis dos serviços do Hospital Garcia de Orta, Almada, estão descontentes com a nova administração. Um desagrado que se reflecte nos utentes, com as reclamações a dispararem até às mil nos últimos cinco meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação mais complicada é apontada ao Serviço de Urgência, com o atendimento a demorar horas. Os bombeiros acabam por deixar as macas de um dia para o outro.&lt;br /&gt;O descontentamento é grande entre os médicos e os directores de serviço, que acusam a direcção, nomeada pela ministra Ana Jorge, há cinco meses, de não promover reuniões com as comissões médicas e de enfermagem. Dois directores de serviço saíram e outros dez tencionam abandonar a unidade hospitalar até ao final do ano: aceleraram o pedido de reforma ou vão para o privado. &lt;br /&gt;O presidente do conselho de administração do Garcia de Orta é Nélson Baltazar. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;12 de Junho – Dias Loureiro e José Sócrates têm em comum:&lt;br /&gt;1. São titulares de cargos públicos relevantes;&lt;br /&gt;2. São acusados por terceiros da prática de factos ilícitos;&lt;br /&gt;3. Ambos negam a autoria de tais factos;&lt;br /&gt;4. Os terceiros que os acusam são eles próprios suspeitos da prática de diversos factos ilícitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os distingue:&lt;br /&gt;Dias Loureiro demitiu-se e José Sócrates permanece no lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 de Junho – Abrantes prepara-se para aquelas corridas de aviões junto ao Tejo, como acontece anualmente no Porto. A “meta” já lá está pintada de vermelho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 25 / Junho / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-2287615271589131882?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/2287615271589131882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=2287615271589131882&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2287615271589131882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2287615271589131882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/07/as-ofertas-do-estado-portugues.html' title='As ofertas do Estado português, a administração do Garcia de Orta e as &quot;semelhanças&quot; Sócrates / Loureiro'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6637948416590426210</id><published>2009-07-15T08:38:00.001+01:00</published><updated>2009-07-15T08:40:25.128+01:00</updated><title type='text'>As proibições dos alimentos, o caso Alexandra e o retrato da justiça</title><content type='html'>25 de Maio - Enquanto a Direcção Geral de Saúde cria uma "comissão" dentro de um "grupo consultivo" a fim de investigar as infracções à lei do tabaco, a pomposa Plataforma Contra a Obesidade (?) elabora "menus da crise" que visam regulamentar a dieta dos pobres e o Sistema Nacional de Saúde planta um nutricionista em cada região do país "para responder às necessidades dos cidadãos". Já ninguém estranha que os deputados da nação também se preocupem imenso com a saúde dos que os elegem, quer estes apreciem os cuidados, quer não. &lt;br /&gt;O  parlamentar socialista Jorge Almeida, autor da proposta que conduziu à limitação compulsiva do sal no pão, revelou há dias como se manipulam as massas, farináceas e populares. &lt;br /&gt;Em artigo, modestamente intitulado "Uma grande causa, uma marca para o futuro", e publicado no Notícias de Vila Real, começa por avisar que o Estado não deve impor proibições aos comportamentos alimentares. Nos parágrafos seguintes, o dr. Almeida passa a descrever as inúmeras circunstâncias em que o Estado deve impor proibições aos comportamentos alimentares.&lt;br /&gt;O pão, por exemplo, "não pode" ter o sal que, alegada ou realmente, vem tendo. E não pode porquê? Porque se o comermos "estamos a prejudicar o nosso organismo e a provocar doença" (sic). O meu organismo não é, precisamente, meu? Não importa, visto que o seu prejuízo é uma "factura" paga pela "comunidade". Quem diz? O dr. Almeida. E se eu discordar? Não adianta e, de qualquer modo, a discórdia é pouco provável: o dr. Almeida garante que se o teor do sal for reduzido "de forma que o consumidor não note, não proteste, se mantenha como bom consumidor", os valores exigidos por uma misteriosa Sociedade Portuguesa de Hipertensão serão alcançados sem barulho.&lt;br /&gt;Eis a chave: o fundamental, portanto, é que, além de saudável, o consumidor permaneça manso. Embora deixem de utilizar a palavra "autista" nos insultos que trocam, não tencionam parar de chamar estúpido aos milhões que os elegem por inércia e acabam sujeitos aos seus desvairados caprichos. Com razão: ao contrário dos autistas, aparentemente os restantes eleitores nem reparam na ofensa. Muitos agradecem-na. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 de Maio – Com o caso Alexandra, a justiça em Portugal parece-lhe ainda mais confusa? Não faz ideia porque é que todos os processos que envolvem pessoas importantes acabam sempre em regabofe? Por favor, diga não à desorientação! Em apenas 20 passos, eis o guia ideal para entender todos os casos que em Portugal começam com a palavra "caso":&lt;br /&gt;1) Os jornais publicam uma notícia sobre qualquer pessoa muito importante que alegadamente fez qualquer coisa muito má. 2) Essa pessoa muito importante considera-se vítima de perseguição por parte de forças ocultas. 3) Outras pessoas importantes vêm alertar para o vergonhoso desrespeito do segredo de justiça em Portugal, que possibilita a actuação de forças ocultas. 4) Inicia-se o debate sobre o segredo de justiça em Portugal. 5) Toda a gente tem opiniões firmes sobre o que é preciso mudar na legislação portuguesa para que estas coisas não aconteçam. 6) Toda a gente conclui que não se pode mudar a quente a legislação portuguesa. 7) A legislação portuguesa não chega a ser mudada para que estas coisas não aconteçam. 8) As coisas voltam a acontecer: os jornais publicam notícias sobre essa pessoa muito importante dizendo que ainda fez coisas piores do que as muito más. 9) Outras pessoas importantes vêm alertar para o vergonhoso jornalismo que se faz em Portugal, que nada investiga e se deixa manipular por forças ocultas. 10) Inicia-se o debate sobre o jornalismo português. 11) Toda a gente tem opiniões firmes sobre o que é preciso mudar no jornalismo português. 12) Toda a gente conclui que estas mudanças só estão a ser debatidas porque quem alegadamente fez uma coisa muito má é uma pessoa muito importante. 13) Nada muda no jornalismo português. 14) Enquanto o mecanismo se desenrola do ponto 1) ao ponto 13) a justiça continua a investigar. 15) Após um período de investigação suficientemente longo para que já ninguém se lembre do que se estava a investigar a justiça finaliza as investigações e conclui que a pessoa muito importante: a) Não fez nada de muito mau. b) Já prescreveu o que quer que tenha feito de muito mau. c) É possível que tenha feito algo de muito mau mas não se reuniram provas suficientes. d) Afinal o que fez não era assim tão mau. 16) Pessoas importantes que são amigas dessa pessoa muito importante concluem que ela foi vítima de perseguição por parte de forças ocultas. 17) Pessoas importantes que não são amigas dessa pessoa muito importante concluem que em Portugal nada acontece às pessoas muito importantes que fazem coisas alegadamente muito más. 18) As pessoas citadas no ponto 17) iniciam mais um debate sobre a justiça em Portugal. 19) As pessoas citadas no ponto 16) iniciam mais um debate sobre o jornalismo em Portugal. 20) Os jornais publicam uma outra notícia sobre uma outra pessoa muito importante que alegadamente terá feito outra coisa muito má. Repetem-se os passos 1) a 19). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 11 / Junho / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6637948416590426210?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6637948416590426210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6637948416590426210&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6637948416590426210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6637948416590426210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/07/as-proibicoes-dos-alimentos-o-caso.html' title='As proibições dos alimentos, o caso Alexandra e o retrato da justiça'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5698865863979493331</id><published>2009-07-15T08:35:00.000+01:00</published><updated>2009-07-15T08:38:13.733+01:00</updated><title type='text'>Os decotes, as sentenças e as limitações dos deputados</title><content type='html'>9 de Maio - Uma escola do Pinhal Novo decidiu, no seu regulamento interno, proibir o uso de "tops com decotes pronunciados, mini-saias muito curtas e calças descaídas". &lt;br /&gt;O caso não é novo; periodicamente, há escolas que impõem regulamentos sobre o vestuário a não usar dentro dos seus muros – o que suscita alguma risota entre gente cosmopolita e moderna para quem não há mal em as escolas serem uma extensão da ‘vida real’ e das passerelles. ( Ainda ) Julgo que o estudo da Gramática ou de equações de segundo grau exija algum decoro. Matemática ilustrada com decotes e umbigos pode ser uma inovação, tal como boxers à mostra em aulas de Biologia e curtas mini-saias nas bibliotecas. Na escola ( ainda ) deve existir concentração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 de Maio - O espectáculo degradante que ontem foi, em Braga, a entrega de uma menina, que estava numa família de acolhimento há mais de quatro anos, à mãe biológica, é um retrato implacável e particularmente infeliz do Estado português.&lt;br /&gt;A entrega da criança à mãe que a abandonou aos dois anos, devido a problemas de alcoolismo, decorreu de uma sentença judicial. Por mais fundamentada que possa estar a sentença – e não sei se o estará , por mais qualificados que sejam os técnicos – e não sei se o serão -, depois daquele espectáculo há uma coisa que jamais deixará dúvidas: o sofrimento da criança decorre da própria sentença.&lt;br /&gt;O espectáculo de ontem conduz a um sentimento de enorme perplexidade sobre a decisão, que parece cega à felicidade da criança e faz a habitual - e formal - opção por aquilo que algumas pessoas julgam ser "o superior interesse da criança". Por aquilo que ontem o Estado lamentavelmente nos permitiu ver, há uma criança em grande sofrimento por ter sido arrancada ao único meio familiar que até agora conheceu. Mas se e mesmo que nada disto fosse importante, o que dizer da forma impensável como se consentiu a entrega da criança num átrio de um prédio, sem resguardo dos olhares e da ira popular face ao choro e à raiva da criança? Há coisas que NUNCA podem acontecer. Pelo menos desta maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 de Maio – Um texto do “Jornal de Notícias” chamou a atenção para isso. Muito recentemente, assistiu-se à tentativa de banir expressões relativas a deficiências ou limitações físicas do debate parlamentar. Analisando seriamente a questão, até fico com a ideia que esta seria uma medida revolucionária. &lt;br /&gt;É difícil imaginar o nosso hemiciclo sem a tradicional “o pior cego é aquele que não quer ver” ou o clássico “é grave o autismo do governo nesta matéria” ou ainda “há uma paralisia do seu ministério”. &lt;br /&gt;Na prática a medida beneficiaria a retórica. De uma assentada eliminavam-se um sem número de lugares comuns que, por força da repetição, lá se foram banalizando. Obrigávamos os deputados a puxarem pela imaginação. O que, em alguns casos, seria um enorme desafio. &lt;br /&gt;O campeão das deficiências parlamentares é “cego”. 105 cegos para ser preciso. E como se não bastasse, só de “cegueira” são 76. &lt;br /&gt;Deputados “surdos” são 25. Deputados com “surdez” 13. E no caminho para uma assembleia cada vez mais inclusiva, na X Legislatura, houve 91 “autistas”. &lt;br /&gt;Com tanto surdo, tanto cego, tanto autista,  percebemos facilmente como é que ninguém se entende naquela sala.. &lt;br /&gt; “Paralisias”são 43. É muito. É imenso. Especialmente num edifício daquele género cheio de escadarias, degraus e locais de difícil acesso. Ainda no campo da paralisia fica um último registo. “Impotentes” são 28. É possível que, na verdade, sejam bem mais. 28 impotências em 230 membros é um número abaixo da média nacional. Mas todos sabemos que este é um problema complicado de assumir.   &lt;br /&gt;Ao todo, 381 limitações de algum género. O que dá uma simpática média de 1.6 necessidades especiais por deputado. Nada mau. Nada mau mesmo. Eles lá vão cantando e rindo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;21 de Maio – “O conselho de administração do Banco de Portugal (BdP) não terá aumentos salariais este ano, nem aumento relativos a 2008, recuando na decisão anterior de proceder a uma actualização salarial de 5 por cento” A notícia, lida assim de chofre, faz-nos engasgar de raiva: mas porque é que esta questão se colocou sequer?&lt;br /&gt;Então, quando toda a gente coloca em causa a eficiência e a eficácia do BdP, quando toda a gente sabe que o presidente da instituição é um dos mais bem pagos do planeta – estamos a falar para que não existam dúvidas de duas dezenas de milhares de euros mensais, quando toda a gente ouve o senhor dizer que não tem conhecimento de nada, no quadro das suas atribuições e competências, porque raio é que esta questão implicou um "recuo"?&lt;br /&gt;Este senhor será capaz de enfrentar um desempregado ou um trabalhador com salários em atraso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 28 / Maio / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5698865863979493331?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5698865863979493331/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5698865863979493331&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5698865863979493331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5698865863979493331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/07/os-decotes-as-sentencas-e-as-limitacoes.html' title='Os decotes, as sentenças e as limitações dos deputados'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3353109260335303525</id><published>2009-05-22T16:12:00.001+01:00</published><updated>2009-05-22T16:14:05.538+01:00</updated><title type='text'>Vital no 1º de Maio, as crianças nos tempos de antena e as diferenças na Educação</title><content type='html'>1 de Maio – Vital Moreira acordou hoje bem disposto. Olhou para o calendário e sorriu. Há quanto tempo não participava na manifestação do 1º de Maio? 10, 15, 20 anos? Um impulso súbito empurrou-o para a rua. Sentiu um apelo do coração para estar presente. E como se apresentaria? Como representante do PS? Mas, que diabo, ele não é sequer filiado no PS. Em anteriores eleições europeias, sempre próximas do 1º de Maio, algum outro candidato do PS se foi mostrar ao vivo na manifestação da CGTP?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 de Maio - O deputado socialista Ricardo Rodrigues, com cara de poucos amigos, acha que é normal os miúdos de Fafe serem grosseiramente interrogados por inspectores do Ministério da Educação; em sua opinião, novamente sem se rir, grave é a ministra ter sido impedida de visitar uma escola. . &lt;br /&gt;Este senhor pertence à mesma geração que achava piada quando os políticos eram recebidos com assobios e ovos, ou quando os "adolescentes rebeldes", pobres coitados, mostravam o rabo a Manuela Ferreira Leite. Adoravam quando alguém pespegava uma tarte na cara de um político e orgulhavam-se de passar pela ponte 25 de Abril (durante o bloqueio) sem pagar. Sofriam da euforia dos revolucionários, que os levava a insultar ministros ou a gritar palavrões aos adversários. Agora, não. ( Passou quanto tempo? ) Agora, respeitinho. Dá pena, mas é assim…&lt;br /&gt;4 de Maio - Diálogo previsível em breve:&lt;br /&gt;- Se faz favor, para o Pingo Doce?&lt;br /&gt;- A senhora vai sempre em frente. Quando chegar à rotunda vira à esquerda e depois  é, passando o "porreiro pá", logo à direita.&lt;br /&gt;- Ora bolas, tinham-me dito que era depois do Vital Moreira e já tive que dar uma volta enorme...&lt;br /&gt;- Isso foi alguém que não é de cá  e fez confusão, de certeza. O Minipreço é que é logo a seguir ao Vital Moreira. Mas é o Minipreço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 de Maio – As diferenças entre o antes e o depois 1974. Os professores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tinham menos horas burocráticas na escola do que agora!&lt;br /&gt;-  Algumas reuniões eram pagas como trabalho extraordinário!&lt;br /&gt;- Era bem mais fácil dar aulas, os alunos respeitavam os professores!&lt;br /&gt;- O prestígio dos professores era incomparavelmente maior!&lt;br /&gt;- Os alunos sabiam muito mais!&lt;br /&gt;- Os alunos dos colégios, mesmo os da igreja, tinham de fazer exames no ensino público para passarem de ano (não havia a batota de agora: quem tem dinheiro vai para colégios e tem notas altas).&lt;br /&gt;- Qualquer pessoa com valor tinha acesso a um ensino de elevada qualidade nos liceus ou nas escolas comerciais/industriais!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 de Maio - Uma escola do 1º Ciclo de Castelo de Vide foi contactada para uma reportagem sobre o computador "magalhães".&lt;br /&gt;O contacto foi feito por alguém que se identificou como estando a falar em nome do Ministério da Educação.&lt;br /&gt;Os professores pediram então autorização para recolha de imagens aos pais das crianças.&lt;br /&gt;Na data marcada foi efectuada a reportagem em nome do Ministério da Educação.&lt;br /&gt;Sucede que no dia 22 de Abril, a comunidade escolar de Castelo de Vide ficou chocada com o resultado da reportagem.&lt;br /&gt;Os pais, alunos e professores verificaram, pela televisão,  que não se tratou de uma recolha de imagens para o Ministério da Educação, mas antes para um tempo de antena do Partido Socialista.&lt;br /&gt;Passados todos estes dias ainda não foram apuradas responsabilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 16 de Maio de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3353109260335303525?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3353109260335303525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3353109260335303525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3353109260335303525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3353109260335303525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/05/vital-no-1-de-maio-as-criancas-nos.html' title='Vital no 1º de Maio, as crianças nos tempos de antena e as diferenças na Educação'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7160701961349228539</id><published>2009-05-22T16:10:00.000+01:00</published><updated>2009-05-22T16:11:02.647+01:00</updated><title type='text'>A privacidade, o vestuário da loja do cidadão e as prioridades</title><content type='html'>12 de Abril - Leio por aí alguns autores que defendem o direito à privacidade de jornalistas e políticos. Concordo, claro, assim essa privacidade seja preservada pelos jornalistas e políticos. Apresentada a questão desta maneira, julgo que poucos deixarão de concordar. Mas quando são os jornalistas e políticos a divulgarem repetidamente, de um modo ou de outro, dados objectivos que deveriam fazer parte da sua privacidade - um exemplo, fazendo com que uma ópera comece atrasada por causa deles próprios - não vejo onde está a violação de qualquer direito que seja. Mais: qualquer jornalista tem o direito a não ser chamada de namorada de um político qualquer, mas qualquer leitor tem também o direito a desconfiar das opiniões de uma jornalista que escreve repetidamente sobre assuntos relacionados com o seu namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 de Abril – Lembram-se d’ “O Zé Faz Falta”? Pois bem, o sr. Sá Fernandes – esse triste vereador da Câmara Municipal de Lisboa, depois de ter ornamentado o Marquês de Pombal com os seus cartazes, não queria agora que os outros pusessem lá os cartazes deles. Digamos que é uma visão muito “peculiar” da democracia. Os partidos em causa ignoraram o Zé e a Comissão Nacional de Eleições até lhes deu razão. O Zé, desde que está enfiado no bolso de trás das calças do dr. António Costa, não acerta uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 de Abril – Na Loja do Cidadão de Faro, que o eng. Sócrates considerou "a mais avançada do país", as funcionárias foram proibidas de envergar: saias curtas, decotes, saltos altos, roupa interior escura, gangas e perfumes agressivos.&lt;br /&gt;É questão de gosto e explico porquê. Por mim, dispenso as gangas. Os perfumes, especialmente se "agressivos", também. Mas julgo que o resto da indumentária interdita faria maravilhas pelo relacionamento entre a administração pública e os cidadãos, sobretudo quando as respectivas lojas não cumprem a rapidez que a propaganda anuncia e obrigam os desgraçados a passar horas em pé para requisitar um papel que lhes será entregue meses depois. Embora dependendo de quem estivesse dentro deles, os decotes e as saias reduzidas sempre seriam uma compensação para a parcela masculina do povo em fila. E, quem sabe, talvez os devedores ao fisco aparecessem…&lt;br /&gt;Segundo consta, tal decisão coube à dona Maria Pulquéria ( curioso nome!! ) Lúcio, curiosamente vogal da Agência para a Modernização Administrativa (AMA), uma das dezoito mil instituições estatais que servem a população e, principalmente, a parte da população nelas empregada.&lt;br /&gt;Por curiosidade, consultei o currículo da dona Pulquéria e verifiquei que, antes da tal AMA, a senhora passou pelo PRACE, pelo CRIP, pelo SIAFE, pelo IIAE e pelo BDAP. Não serviu de muito. Sob o entulho "progressista" dos acrónimos, sobreviveu a Pulquéria proverbial, cujo nome é todo um programa e, de brinde, uma metáfora do país oficial e uma lição. Pode-se cobrir Portugal de siglas, Simplex, banda larga, Magalhães, SMS, cruzamento de dados, cartões quinze em um, chips nos cartões, nas matrículas e nas cabeças: mal se remove o verniz "funcional" do "futuro", o mofo do passado, seminarista e mandão, mostra a sua cara. Quem nos quer mudar não muda e, desculpem a rima, a dona Pulquéria não ajuda. Neste país, há sempre algo que não condiz com o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 de Abril – As prioridades da nossa comunicação social são intrigantes.Um terramoto mata perto de 300 pessoas em Itália e a primeira, e típica, preocupação dos nossos "media" é averiguar se não há portugueses entre as vítimas. A segunda preocupação é entregarem-se ao escândalo por Berlusconi ter pedido aos desalojados que se imaginassem no campismo. &lt;br /&gt;Certamente que é escusado insistir na infelicidade da frase, cujo autor é useiro e vezeiro em trapalhadas semelhantes. Fiquemos pelas calamidades "naturais". Ora, por cá, a revelação de que a gripe do início do ano matou cerca de 1500 criaturas (segundo o Instituto Ricardo Jorge) suscitou ao secretário de Estado da Saúde o seguinte comentário: "a resposta à epidemia foi razoável". Não sei se uma resposta "fraquinha" se teria traduzido em cinco mil mortos, uma resposta "má" em dez mil, e uma resposta péssima na repetição da "espanhola" de 1918. Não sendo sismógrafo ou especialista em saúde pública, também não sei até que ponto as consequências de uma gripe são mais ou menos evitáveis que as consequências dos tremores de terra. &lt;br /&gt;O problema reside no facto de que a mesma imprensa aflitíssima com Berlusconi ignorou generosamente o lapso do secretário de Estado, embora este exprima a indiferença da tutela perante um sistema de Saúde que trata os pobres como bichos e, implicitamente, sugere aos restantes que se curem no "privado" ou na civilização. Além disso, parece-me que 300 ( ainda ) é um número menor que 1500; ainda por cima 1500 portugueses, cuja morte, pelos vistos, só conta se acontecer no estrangeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 2 de Maio de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7160701961349228539?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7160701961349228539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7160701961349228539&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7160701961349228539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7160701961349228539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/05/privacidade-o-vestuario-da-loja-do.html' title='A privacidade, o vestuário da loja do cidadão e as prioridades'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-4171141467487793854</id><published>2009-04-29T13:01:00.000+01:00</published><updated>2009-04-29T13:03:00.825+01:00</updated><title type='text'>A troca de lugares, a fé dos deputados e Corin Tellado</title><content type='html'>4 de Abril - O deputado pediu a palavra, ergueu-se da cadeira e declarou: &lt;br /&gt;"Os portugueses não podem confiar num primeiro-ministro que uma vez diz umas coisas e outra vez diz outras. (…) A conclusão a que chegamos é que o senhor não tem jeito para isto. (…) Mas o sr. primeiro-ministro não se vai daqui embora sem falar num último tema. (…) É o caso de um ministro do seu governo que fez uma pressão ilegítima junto de uma estação privada e que conduziu à eliminação de uma voz incómoda para o seu governo. O sr. primeiro-ministro desculpar-me-á, mas quero dizer-lhe com  clareza: esse episódio é indigno de um governo democrático, e é um episódio inaceitável. E é uma nódoa que o vai perseguir, porque é uma nódoa que não vai ser apagada facilmente, porque é uma nódoa que fez Portugal regressar aos tempos em que havia condicionamento da liberdade de expressão. E peço-lhe, sr. primeiro-ministro, que resista à tentação do controle da comunicação social. Não vá por aí porque nós cá estaremos para evitar essas tentações."&lt;br /&gt;A data era 14 de Outubro de 2004, dois meses antes de o presidente da República dissolver o Parlamento. O deputado chamava-se José Sócrates Pinto de Sousa e o primeiro-ministro Pedro Santana Lopes. A gravação do discurso está na Internet e não me canso de a ver e de me rir ao vê-la. Julgo que o leitor entenderá que não é preciso dizer mais nada…&lt;br /&gt;8 de Abril – Os jornais anunciam que Jaime Gama ordenou mudanças no regime de presenças e faltas, mas deputados podem faltar cinco dias sem apresentar justificação. Lido desta maneira, confesso que começamos por pensar tratar-se de um engano. Rapidamente nos desenganamos.&lt;br /&gt;"A palavra do deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais". É esta a redacção do ponto sete do novo regime de presenças e faltas dos deputados em plenários, que o presidente da Assembleia da República fez aprovar. Jaime Gama acabou por deixar a possibilidade de os deputados poderem alegar ausência por motivo de doença sem que para isso seja necessária a apresentação de quaisquer justificativos nos primeiros cinco dias. Excepto quando a doença "se prolongue por mais de uma semana". Ou seja, um deputado que falte e que com isso impeça ou prejudique uma votação pode invocar doença sem que tenha que apresentar qualquer tipo de atestado médico.&lt;br /&gt;Existirá melhor exemplo de portugueses de “primeira” e de “segunda”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 de Abril - Eu gostaria de ter conhecido María del Socorro Tellado López mas não saberia por onde começar a conversa – se pelos 400 milhões de livros vendidos, se pelo argumento de ‘Aposta Atrevida’, se pelo desprezo que lhe votavam. Ela fez sonhar milhões de leitoras por esse mundo fora. Ela levou-lhes a paixão, o amor, a traição, a felicidade. Corín Tellado morreu anteontem, mas as suas leitoras já tinham morrido há muito. Ela não fazia apenas parte de um mundo de histórias, enredos românticos, casamentos destroçados e sonhos de subúrbio (com erotismo e ascensão social) – ela era esse mundo. Corín Tellado era uma marota. Trouxe para as suas novelas os sonhos de gente irrisória que, de outro modo, não reconheceria as suas próprias histórias. Se a designação ‘light’ assenta em alguém seria, sem dúvida nenhuma, nela que se adaptava como uma luva. A censura franquista proibiu-lhe livros e cortou-lhe muitos capítulos. Vai hoje a enterrar, nas Astúrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 17 / Abril / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-4171141467487793854?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/4171141467487793854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=4171141467487793854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4171141467487793854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4171141467487793854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/04/troca-de-lugares-fe-dos-deputados-e.html' title='A troca de lugares, a fé dos deputados e Corin Tellado'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-2014936810330885206</id><published>2009-04-15T11:35:00.001+01:00</published><updated>2009-04-15T11:37:28.447+01:00</updated><title type='text'>Os nomes das ruas, os trabalhos de casa e o aniversário do Público</title><content type='html'>18 de Março - Antigamente, dar nome a uma rua pressupunha um feito distinto. Políticos, militares, escritores ou artistas enfeitavam as nossas cidades porque o mérito era coisa séria. &lt;br /&gt;Tudo mudou: num país onde o mérito não existe e a vulgaridade igualitária abunda, quem sobra? Sobram, como muito bem defenderam os autarcas Carlos Encarnação e Moita Flores, duas mulheres vítimas de violência doméstica, que terão os seus nomes a enfeitar a toponímia de Coimbra e Santarém. &lt;br /&gt;No Portugal de 2009, o ‘herói’ não é aquele que comete actos ‘heróicos’. Para se ser ‘herói’, ‘basta’ levar porrada e, de preferência, morrer durante o processo. Parece que, após ouvir na rádio a história de uma mulher assassinada pelo namorado, o dr. Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, decidiu baptizar uma rua da cidade com o nome da falecida. Para não perder a deixa, o dr. Moita-Flores, famoso comentador televisivo e edil, anunciou iniciativa semelhante em Santarém. Ambos os gestos provavelmente indiciam uma moda que, até às "autárquicas", varrerá a nação de norte a sul: imortalizar os alvos de companheiros psicóticos.&lt;br /&gt;As senhoras em questão são exemplos do quê? Do azar? De péssimas escolhas sentimentais? O que rezarão as placas? "Avenida Manuela Pires, Receptora de Tareias Conjugais (1977 - 2009)"? Sim, parece-me bem…&lt;br /&gt;Sei que, se a ideia é transformar os desafortunados em modelos, não há razão para que as vítimas de violência doméstica mereçam mais atenção que as vítimas de violência pública e de incidentes em geral. Urge que outros autarcas com apetites publicitários e fome eleitoral garantam ruas aos mortos em consequência de assaltos à mão armada, acidentes rodoviários, doenças infecto-contagiosas, suicídios, negligência médica e tombos mal dados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 de Março - Quem disse que os franceses não são inovadores? Repare-se na polémica do momento em França: faismesdevoirs.com. Está a causar polémica mas é legal. Os alunos franceses já podem comprar os trabalhos escolares na Internet. O website www.faismesdevoirs.com faz os trabalhos por medida e a pedido. Como? &lt;br /&gt;O aluno inscreve-se , abre uma conta, compra um cartão pré-pago, que se vende em pontos de venda na cidade de Paris e é tudo. O website faz o trabalho e envia-o por email ou pelo correio. Três perguntas de matemática custam 5 euros, um ensaio de história, 10 euros, quatro problemas de física, 25 euros e um trabalho de geografia, 30 euros. &lt;br /&gt;O fundador e proprietário do website,  Stéphane Boukris, afirmou ao diário Le Parisien que recebeu 20 curricula vitae de professores interessados em trabalhar no website. Boukris informou que paga aos docentes entre 15 e 35 euros por hora de trabalho. Reagindo às críticas, Boukris defende-se: "por cada correcção de um problema, há anotações e comentários que ajudam o aluno a compreender melhor os assuntos". &lt;br /&gt;O ministro da Educação francês diz-se chocado com esta iniciativa, que visa desenvolver o "mercado do menor esforço". Repetez-vous: menor esforço? Só pode soar bem a ouvidos tugas. Aguarda-se a todo o momento o aparecimento por cá de um faz-meoTPC.com para facilitar a vida à estudantada. É só registar o endereço e pôr a render: nada mais simples. Ou deverei dizer simplex?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 de Março - Felicito o Público pelos seus 19 anos. São lamentáveis os ataques que o jornal tem sofrido nos últimos tempos. Eu também discordo de várias coisas que se escrevem no jornal, e nem por isso deixo de o considerar um espaço de liberdade e de opinião plural. José Manuel Fernandes transformou o Público para melhor, depois das experiências iniciais de Vicente Jorge Silva. Os infames ataques ao  director do Público vêem todos do mesmo lado. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Público tem investigado factos incómodos para o poder socialista. Tal como outros jornais, como o Sol e o Correio da Manhã. Por questões editoriais, outros não o têm feito. Por isso percebo que o PS gostasse mais do Público quando seus os critérios editoriais não colidiam com os seus interesses. Uma imprensa suave e comodista é sempre mais fácil de lidar. Mas por muito que custe ao Partido Socialista, continuará a haver uma imprensa que cumpre o seu papel de watchdog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comentário que António Costa acaba teceu na Quadratura do Círculo sobre a maravilha que foi o Público durante os anos Vicente Jorge Silva, por comparação à presente liderança de José Manuel Fernandes, é o exemplo acabado do estado de espírito com que este PS encara a comunicação social e a sua liberdade de expressão. Bons são os que nos são agradáveis; todos os outros são de suspeitar - e, por causa dos efeitos nefastos que a sua intervenção tem no espaço público, deve regular-se com rédea curta toda a actividade jornalística. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 9 / Abril / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-2014936810330885206?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/2014936810330885206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=2014936810330885206&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2014936810330885206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2014936810330885206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/04/os-nomes-das-ruas-os-trabalhos-de-casa.html' title='Os nomes das ruas, os trabalhos de casa e o aniversário do Público'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6235978859507657545</id><published>2009-04-15T11:34:00.001+01:00</published><updated>2009-04-15T11:35:34.048+01:00</updated><title type='text'>O cartão da Zon e o 'sal' da Assembleia da República</title><content type='html'>10 de Março – Como cliente da Zon TV Cabo, um familiar meu recebeu há dias um cartão que lhe concedia uma série de entradas gratuitas nas salas de cinema da Zon Lusomundo. Como não entrava num cinema há anos, pousou o cartão sem tencionar utilizá-lo. Logo a seguir, percebeu que, de qualquer forma, não o poderia, já que o sr. Paulo Branco se queixou à Autoridade da Concorrência (AdC), a qual deu provimento à queixa e suspendeu a iniciativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento da AdC evoca o "interesse dos consumidores", naturalmente demasiado obtusos para o descortinarem sozinhos. Sozinho, o consumidor médio acharia melhor ver umas fitas à borla do que pagar cinco ou seis euros por cada uma ou, simplesmente, não sair de casa. Valha-lhe Deus. Por sorte, a AdC tem uma concepção da concorrência muito semelhante à do sr. Paulo Branco, um empreendedor incapaz de manter uma "roulotte" de bifanas sem intervenção do Estado. Enquanto produtor de cinema, são lendárias as capacidades do homem em arrancar dinheiro dos contribuintes a fim de financiar maravilhas de que os contribuintes fogem a sete pés. Enquanto distribuidor, a coisa tem corrido pior ao sr. Branco. As salas que abriu em Santarém faliram. Os cinemas Alvaláxia faliram. O "multiplex" no Freeport de Alcochete faliu. E a prosperidade dos espaços que o visionário vai aguentando aqui e ali talvez se meça pelo desespero das suas reclamações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que as aptidões reivindicativas do sr. Branco tenham sumido, já que em 2007 ele açambarcou todos os subsídios do Instituto do Cinema e do Audiovisual para apoio da exibição comercial. A maçada é que, na ausência de público, que irresponsavelmente prefere os produtos da Lusomundo e de outros distribuidores, nem os subsídios chegam para que as salas do venerável empresário se sustentem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que a decisão da AdC, embora saudável, não é suficiente. Além de forçar os contribuintes a pagar a produção e a exibição dos filmes que o sr. Branco produz ou escolhe, urge forçar os contribuintes a vê-los nos lugares que o sr. Branco disponibiliza para o efeito. E não fica caro: a empresa do sr. Branco até oferece aos clientes um inovador cartão com sessões grátis, de que a AdC não discorda. Só falta convencer os consumidores. Mesmo que a mal, é para o seu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;12 de Março - Disse, em tempos, um humorista que os saltos altos tinham sido inventados por uma mulher que já estava farta de ser beijada na testa…&lt;br /&gt; Os sapatos com salto tipo aguilhão, aguçam os olhares da sugestão. Conferem o andar certo para se andar para o sítio certo que as mulheres e homens procuram sempre. Dir-se-ia que é a Natureza em evolução nos costumes. Os saltos altos, prometem altos voos, porque conferem beleza estética ao andar feminino, já de si mesmo, em certas ocasiões, um compasso de espera acelerado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem isto a propósito da preocupação dos nossos distintos deputados com a normalização do sal no pão. Eu proponho que o mesmo espírito seja aplicado aos saltos dos sapatos. Das mulheres, claro que homem algum estaria para levar a vida em cima disto (é certo que há excepções mas essas só confirmam a regra). Repararão Vossas Excelências que estes saltos desgraçam os pés e os ossinhos de quem os usar. Mais, escavacam os tapetes, o soalho e os ouvidos dos vizinhos. De igual modo é de duvidar que se consiga conduzir com eles. Por outro lado e sem entrarmos em grandes análises que nos podem levar para outros assuntos, podeis reparar que os saltinhos bem usados podem arrancar pedacinhos de pele e até olhinhos a um ser mais incauto que seja agredido pela utilizadora dos ditos saltos. São milhares quando não milhões de mulheres que prejudicam a sua saúde e põem em risco os outros por se obstinarem em usar estes saltos. Direis que há outros sapatos à escolha. Pois há, senhores deputados. Mas as mulheres pouco informadas preferem estes. É necessário que Vós acauteleis o pouco discernimentos das fracas cabeças femininas. Multas para os fabricantes e vendedores destes sapatos, sessões de terapia, multas para as contumazes utilizadoras e profundos debates na AR sobre este problema impõem-se. A bem da Nação, viva a Assembleia da República transformada na grande zeladora da nossa saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 19 / Março / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6235978859507657545?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6235978859507657545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6235978859507657545&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6235978859507657545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6235978859507657545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/04/o-cartao-da-zon-e-o-sal-da-assembleia.html' title='O cartão da Zon e o &apos;sal&apos; da Assembleia da República'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3013966798824625314</id><published>2009-04-15T11:31:00.001+01:00</published><updated>2009-04-15T11:33:54.335+01:00</updated><title type='text'>O 'Carnaval' de Torres e os números da Caixa</title><content type='html'>21 de Fevereiro – Este Carnaval ofereceu a todos uma manancial de temas formidável. Paredes de Coura, Torres Vedras, a feira do livro no Porto e a sentença do suborno foram exemplos de algo que pensávamos estar bem afastado das nossas mentes. Infelizmente, não estão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No Minho, os professores foram obrigados a marchar num desfile carnavalesco por uma DREN que, afinal, já depois de eles terem marchado de luto, veio dizer que não obrigara a nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio de Torres Vedras, na verdade, não merece grande gasto de energia, porque proibir que apareça um monitor do computador Magalhães, e logo esse, com a primeira página da pesquisa «Google=mulheres» é coisa de gente demente. O que aprendemos do episódio foi que: a) em Portugal, o Ministério Público tem poderes de censura; b) o Ministério Público pode censurar uma obra sem a ver; c)o Ministério Público pode censurar uma obra sem que o autor se possa defender; d) o Ministério Público pode censurar uma obra sem que a decisão tenha que ser aprovada por um juiz.&lt;br /&gt; Portanto, rimo-nos da história, atribuímo-la ao excesso de zelo de uma senhora de província – já lhe ouvi chamar Dona Pombinha, em memória de uma conhecida figura de telenovela - estacionada no tribunal local. Mas há a queixa, a miserável queixa, a queixa atenta, a denúncia por causa da moral, a queixa virtuosa que vai parar ao tribunal por causa das imagens e por causa do Magalhães a desfilar entre corpos cheios de frio, expostos à «cupidez dos foliões». Portanto, como gente decente, desviamos o olhar e rimo-nos como de costume, dizendo que não tem importância. Não tem. Hoje, é isso que não tem importância. Amanhã, a Justiça, a Justiça que tem tempo para estas minudências, manda encerrar o bom humor e põe a gargantilha depois de alguém fazer queixa por causa de sabe-se lá o quê. E nós, o que faremos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o suborno? – o  leitor estará a pensar que história será esta que rivaliza em graça com as anteriores – eu explico: trata-se do caso em que um tribunal veio suavizar um caso de suborno, aplicando-lhe uma multa de cinco mil euros e chamando-lhe, reparem bem: “corrupção activa para acto ilícito”. E onde o facto de o réu ter subido na vida “a pulso” valeu mais do que ter dito, explicitamente, em conversa gravada: “Nisto não sou virgem. (…) Conforme faço uma escriturazinha, rapo dois mil euros aqui, 10 mil acolá. (…) Ponho isto num cofre para a gente ir fazendo umas ratices”. Isto sim, é pornografia. Mas dá mais nas vistas da nossa incultura um sexo de mulher num quadro de Courbet apreendido na feira do Porto. Até porque, vá-se lá perceber se o original da obra exposto no Museu d'Orsay em Paris não é, afinal, um instrumento pornográfico ao serviço de uma nova função cultural que os franceses pensaram para o equipamento cultural. Ou, o que dizer então da série recentemente estreada na televisão, que retrata a vida privada de Salazar? Uma sugestão ( trocista, atenção!!!! ): apreende-se o filme, encerra-se como medida cautelar a estação e coloca-se sob termo de identidade e residência os incitadores da devassa.&lt;br /&gt;Este é ainda uma parte do País que se herdou, atrasado e sobretudo sem estrutura alguma de formação e informação. Não se poderia ministrar por aí uns cursos de cultura geral, gratuitos a quem toma essas decisões?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 de Fevereiro – Se os números anunciados estão correctos, foram registados nos últimos tempos as seguintes entradas e aumentos de capital do Estado na Caixa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dezembro de 2007 – 150 milhões; Agosto de 2008 – 400 milhões; Outubro de 2008 – 390 milhões (venda de participações ao Estado); Dezembro de 2008 – 1000 milhões&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fazendo bem as contas, de Dezembro de 2007 até Março de 2009, o contribuinte (eu) enfiou 1940 milhões de euros na Caixa Geral de Depósitos. Recebeu 340 milhões. Faria de Oliveira disse hoje que ia entregar mais 300 milhões. Simpático. É fazer as contas. Já só me está a dever 1300 milhões de euros. 1300 milhões de euros é a dívida da Caixa Geral de Depósitos ao contribuinte português só no último ano e meio.  Quase o dobro do buraco total do BPN. Mas é só o senhor Manuel Dias Loureiro quem é chamado a uma comissão parlamentar. Pergunto, não seria melhor para a economia nacionalizar a Caixa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 5 / Março / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3013966798824625314?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3013966798824625314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3013966798824625314&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3013966798824625314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3013966798824625314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/04/o-carnaval-de-torres-e-os-numeros-da.html' title='O &apos;Carnaval&apos; de Torres e os números da Caixa'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-1598954262201727810</id><published>2009-02-27T16:14:00.000Z</published><updated>2009-02-27T16:16:23.634Z</updated><title type='text'>A subida "a pulso" do Vara</title><content type='html'>8 de Fevereiro – A pedido de uns quantos, fui ler o currículo vitae de um tal Armando Martins Vara. A tarefa não me entusiasmava nem me interessava rigorosamente nada. Mas lá entrei na página respectiva: (http://www.millenniumbcp.pt/pubs/pt/grupobcp/quemsomos/orgaossociais/article.jhtml?articleID=217516). &lt;br /&gt;No meio de uma depressão colectiva provocada por uma crise económica e tendo ouvido falar da subida meteórica desse administrador do BCP, procurei informações sobre esse modelo de virtudes do momento nacional que vivemos.&lt;br /&gt;Comecei por ficar desiludido e tentado a pedir ao Millennium que apague a página ou, pelo menos que faça um aviso prévio, o currículo de Armando Vara só deveria ser acessível a maiores de 18 anos. Não, não se trata de nenhuma fotografia mais ousada. A verdade é que receio o colapso rápido do sistema de ensino. Se os estudantes deste país fossem ler o currículo de Armando Vara, dificilmente os seus encarregados de educação conseguiriam convencê-los a pegar num livro. O próprio “Magalhães” ficaria fechado na gaveta.&lt;br /&gt;Muito provavelmente a UNI acordaria amanhã com uma fila de milhares de jovens à porta da universidade entretanto encerrada, para se escreverem no curso de relações internacionais. Aliás, se os jovens seguissem o exemplo de Vara, que não acabou filosofia para tirar relações internacionais e ir para administrador de um bano, haveria uma imensa confusão não só nos mais jovens, mas também no meio dos estudantes universitários. Os estudantes do Técnico mudariam para Literaturas Estrangeiras na esperança de chegarem a astronautas e os de medicina iriam a correr para o ISLA na esperança de virem a ganhar o Nobel da medicina.&lt;br /&gt;E como explicar à malta que as pós-graduações costumam tirar-se depois das licenciaturas? Pois, mas Vara já estava a adivinhar o futuro que ia ter e antes de acabar o curso de relações internacionais em 2005, já tinha concluído uma pós-graduação em gestão empresarial no ISCTE em 2004. Como é bom antecipar problemas para os evitar no futuro. Ainda bem que foi mesmo parar à gestão bancária ou acabaria por ter uma crise de vocações. &lt;br /&gt;Todavia, antes de chegarem à formação académica os nossos jovens terão de ficar a conhecer as funções do coitado, ao saberem que o nosso gestor de sucesso tem de ser vice-presidente do Conselho de Administração da Fundação Millennium bcp, Presidente do Conselho de Administração do Banco de Investimento Imobiliário, SA, vice-Presidente do Conselho de Administração do Banco Millennium bcp Investimento, SA, Gerente da BCP Internacional II, Sociedade Unipessoal, SGPS, Lda,. Gerente da BII Internacional, SGPS, Lda., gerente da VSC - Aluguer de Viaturas sem Condutor, Lda., vice-Presidente do Conselho de Administração do Millennium bcp - Prestação de Serviços, ACE, e, como se isto fosse pouco, ainda tem de dar uns saltos a Moçambique onde é vice-Presidente do Conselho de Administração do BIM - Banco Internacional de Moçambique, SA. Se considerarmos que só no Millennium Armando Vara cuida da rede corporate, da rede empresas, do factoring e leasing, do marketing de empresas, do aprovisionamento, património e segurança, da direcção de comunicação e do desinvestimento de activos. Pois é, depois disto certamente que nem vão querer saber quanto ganha o homem. Nem quererão saber que neste país se consegue ir para administrador do seu maior banco no mesmo ano em que se conclui uma licenciatura numa universidade que foi encerrada pelo actual Governo.&lt;br /&gt;Bem, do mal, o menos, é gestor de um banco privado e a não ser que o Estado tenha que vir a nacionalizar o Millennium o problema é dos seus gestores. Mas mesmo assim acho que deveriam omitir esta página pelos efeitos nefastos que pode ter na nossa juventude. Três questões ficam lançadas: se este homem se transformar no modelo de sucesso do nosso país, fará sentido avançar para a avaliação dos professores, obrigar os nossos jovens a estudar e manter aberta a maioria das nossas universidades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 19 / Fevereiro / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-1598954262201727810?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/1598954262201727810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=1598954262201727810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1598954262201727810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1598954262201727810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/02/subida-pulso-do-vara.html' title='A subida &quot;a pulso&quot; do Vara'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-8974222867184560377</id><published>2009-02-13T10:45:00.000Z</published><updated>2009-02-13T10:46:28.875Z</updated><title type='text'>A avaliação e o pretenso relatório da OCDE</title><content type='html'>28 de Janeiro - Uns senhores que costumam trabalhar para a OCDE fizeram um estudo sobre as políticas educativas. É um relatório de avaliação encomendado e pago pelo Governo. Embora apresentado como “estudo”, ele é antes de mais um relatório. Mas, ao contrário do que fez crer o primeiro-ministro, não é um relatório da OCDE. Mentir é feio, muito feio e a mentira, vinda de alguém com responsabilidades a nível das mais altas hierarquias do estado é mais do que feio, é gravíssimo!  &lt;br /&gt;Um parênteses para uma palavra aos Pais e Encarregados de Educação. Pensemos no conceito de escola a tempo inteiro. Será que o que querem para os vossos filhos é que passem cada vez menos tempo com eles?! É isso que desejam realmente?! Sei que se preocupam por terem que trabalhar e não terem onde deixar os vossos filhos, mas é legítimo assumir essa realidade? Não desejariam que este país pudesse regular os horários de trabalho para que pudessem acompanhá-los nos estudos, brincar com eles, conversar, e terem o direito de os ver, muitos de vós sem ser apenas ao fim-de-semana?! Não seria desejável que as políticas educativas pudessem contribuir para estruturar o conceito de família em vez de servir para a destruir? Não será por isso que muitos de vossos filhos se desestruturam afectiva e emocionalmente? Mas não é verdade também que muitos de vós já foram despedidos no final de um contrato a prazo por terem vindo à escola reunir com o Director de Turma?! &lt;br /&gt;É de todo desejável que a Comunidade participe na escola, tenho-o dito vezes sem conta. Há ainda outro aspecto que diz respeito a este relatório - a possibilidade de passar as escolas para as autarquias. É um erro gravíssimo porque deixam de ser os professores, que detêm as competências pedagógicas, a decidir sobre educação e as escolas passam a ser geridas por gestores que pertencem a partidos políticos, que não têm que ter competências na área da educação! Estão a imaginar maior aberração?! Uma escola poder ser gerida por alguém exterior à educação? Conhecem alguém mais competente do que os professores para fazer a gestão de uma escola?&lt;br /&gt;Voltemos ao dito relatório. As fontes documentais são quase todas dos organismos do ME. Os 4 peritos portugueses consultados são todos próximos ou militantes do PS. O documento baseou-se num relatório prévio feito pelo Ministério da Educação. E os 7 municípios ouvidos são todos do PS menos um que é do Major Valentim Loureiro, um independente que gosta de elogiar a ministra da educação. Os peritos internacionais devem ter deixado Portugal a pensar que o país é uma república monopartidária. Ora digam lá: que credibilidade é que este Relatório pode merecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota 1: os municípios ouvidos foram: Guimarães (PS); Santo Tirso (PS); Amadora (PS); Ourique (PS); Lisboa (PS); Portimão (PS); Gondomar (Independente). Podemos afirmar, sem estarmos enganados, que Valentim Loureiro é o mais socialista de todos os independentes. Os peritos tiveram encontros com diversos parceiros, destacando-se os nomeados Directores Regionais de Educação, entre os quais a sempre disponível Margarida Moreira, da DREN. É impossível não ficar deslumbrado com as reformas do Governo, perante uma tão isenta apreciação crítica.&lt;br /&gt;Depois, os peritos, foram levados a falar com a CONFAP, mas não com a CNIPE. Para o Ministério da Educação, para ouvir os pais, basta reunir com Albino Almeida, que ou deve ter muitos filhos ou então os seus resultados escolares não são famosos, tantos são os anos que leva à frente da Confederação&lt;br /&gt;Os peritos reuniram ainda com as Associações Profissionais ligadas ao Ensino Básico. Foram ouvidos os professores de Inglês, de Educação Física e até do ensino Pré-Escolar. Mas, por algum motivo estranho, não foram ouvidas a Associação de Professores de Português, nem a Associação de Professores de Matemática, nem a Sociedade de Professores de Matemática.&lt;br /&gt;É insólito, se atendermos à importância que estas disciplinas têm no ensino básico.&lt;br /&gt;Afastando os "observadores" internacionais dos "dissidentes", as avaliações e inspecções externas serão sempre muito positivas. Afinal, o envolvimento da OCDE no relatório fica-se pelo prefácio. O Governo, que encomendou o Estudo e escolheu os peritos, convidou também a "Deborah" da OCDE para assinar o prefácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota 2: Nelson de Carvalho não se recandidata a novo mandato. Perante a dúvida do seu futuro a curto prazo, tenho uma sugestão: preocupado como está com a posição das escolas da cidade no ranking nacional e defensor do actual estado de coisas a nível de educação, que tal regressar à sua antiga escola e integrar a “bolsa” de professores que assegura as “aulas de substituição” aos alunos. Isso sim, seria de mestre…&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nova Aliança, 5 / 2 / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-8974222867184560377?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/8974222867184560377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=8974222867184560377&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8974222867184560377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8974222867184560377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/02/avaliacao-e-o-pretenso-relatorio-da.html' title='A avaliação e o pretenso relatório da OCDE'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-1049818339214628856</id><published>2009-02-13T10:43:00.000Z</published><updated>2009-02-13T10:44:56.961Z</updated><title type='text'>O menino do Ferrari, a vergonha do ministro e a questão israelita</title><content type='html'>9 de Janeiro - Partiu um Ferrari 599 GTB, num túnel perto de Manchester. Quase só por milagre não se partiu todo ele também: o impacto do embate do bólide contra as barreiras de protecção foi tão violento que toda a parte dianteira ficou destruída e uma roda desprendeu-se, aterrando a 200 metros de distância. Felizmente ileso, Cristiano Ronaldo encolheu os ombros e anunciou de imediato aos jornalistas: "Vou comprar um Bugatti." O avançado do Manchester United já tem um Rolls-Royce, um Bentley Continental, dois Porsches Cayenne e um Porsche 911: segundo os jornalistas da especialidade, o seu parque automóvel está avaliado em três milhões de euros. Pode bem dar-se ao luxo de espatifar um Ferrari. Ou dois ou três. Há uns anos, não muitos, era um menino pobre da Madeira: hoje é um perfeito símbolo da nossa era, consumista no mais alto grau. Ostenta, exibe, acelera, voa baixinho. Usa um Ferrari e deita-o fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 de Janeiro - Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares ficou escandalizado a respeito da votação de um projecto dos Verdes que suspenderia o tal modelo para a "avaliação" daquela gente que dá aulas nas escolas: “Houve deputados que não hesitaram em votar a favor de um projecto de lei que, a ser aprovado, constituiria uma vergonha para o parlamento democrático português”.&lt;br /&gt;Sim, ele disse aquilo referindo-se ao voto de cento e treze deputados dos Verdes, do PSD, do PCP, do CDS, do BE, de dois não-inscritos ( Luísa Mesquita e José Paulo de Carvalho) e até do PS. &lt;br /&gt;Independentemente do número impressionante de deputados que "não hesitaram", se atreveram à pouca-vergonha daquele voto, o que espanta é aquilo mesmo ter sido dito. Por um ministro. &lt;br /&gt;Um ministro não deve falar dos deputados (e o governo está "sujeito ao" parlamento e não o inverso) naqueles termos. Um ministro digno desse nome, que tenha respeito por si mesmo e pela sua função, tem de respeitar o parlamento.&lt;br /&gt;Num parlamento democrático, a votação livre de deputados e a (quase) aprovação de um documento nunca são uma vergonha para esse parlamento. Pode não ser conveniente para um governo, pode ser uma maçada, pode ser um erro, mas nunca é "uma vergonha" que alguns biltres, subentende-se, "não hesitam", isto é, têm o atrevimento, de votar. É, sim, "uma vergonha" haver um ministro que diga coisas destas.&lt;br /&gt;Eu tenho vergonha deste ministro. Ele também devia ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 de Janeiro - O problema está, efectivamente, na morte de civis. Contrariamente ao Hamas, e aos seus adeptos mais ou menos vocais por várias partes do mundo, o governo israelita distingue os terroristas do grosso da população palestiniana. Mais: o exército israelita é provavelmente o exército no mundo com regras mais estritas no capítulo. Que uma guerra, nestas condições, e com o Hamas usando civis como escudo humano, produza a morte de inocentes, é praticamente inevitável. A questão está, efectivamente, na quantidade dessas mortes. Aqui, a quantidade interessa, e por razões morais. O Hamas (tal como o Hezbollah, que decidiu voltar a entrar agora em cena) não se coloca o problema da morte dos civis israelitas, até porque o seu objectivo é, precisamente, acabar com eles. Para Israel – para o governo de Israel e para os israelitas – a questão é de suma importância. Não por razões de “má imagem”, vale a pena repetir, mas por razões morais. Israel, tentando defender-se, encontra um problema – e um problema que explicitamente reconhece, um problema que é um problema para os israelitas - que os seus adversários não têm. A assimetria é completa. Com quem admitir isto – por outras palavras: com quem admitir o trágico dilema de Israel na sua luta contra o terrorismo e na defesa da vida dos seus cidadãos -, é possível discutir. Com quem se recusar a fazê-lo, francamente, não vale a pena.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nova Aliança, 23 / 1 / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-1049818339214628856?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/1049818339214628856/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=1049818339214628856&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1049818339214628856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1049818339214628856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/02/o-menino-do-ferrari-vergonha-do.html' title='O menino do Ferrari, a vergonha do ministro e a questão israelita'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-3546872903012516810</id><published>2009-02-13T10:41:00.000Z</published><updated>2009-02-13T10:43:06.546Z</updated><title type='text'>O que aí vem...</title><content type='html'>30 de Dezembro – "Se isto fosse um país a sério..." É das expressões que mais tenho ouvido. Em cafés, entre colegas, entre pessoas das mais variadas profissões. Deixa no ar a ideia de que claramente não é. De que não há justiça, de que não há consequências perante as acções. Que se vive num regime de impunidade, onde o crime de facto compensa. É um Portugal no condicional, à condição de nação do futuro do pretérito. Coisa inacabada e sem remédio. O "se isto fosse um país a sério" dá para tudo, para todas as ocasiões. Para criticar a justiça (ou falta dela) no futebol, nos negócios pouco claros, nos processos judiciais por crimes económicos, etc, etc…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oiço esta expressão da boca de quem, por norma, vive do seu trabalho, e assiste à não efectivação penal dos crimes vindos a público. Há como que uma sensação de frustração social, que revela a tristeza pela ignorância de saber roubar, de só saber trabalhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31 de Dezembro - Este ano não vale a pena fazer a tradicional revista do ano. A cada dia que passa, vemos coisas de que não estávamos à espera. Num dia nacionaliza-se um banco, no outro banqueiros prósperos vão de corda ao pescoço às finanças, mais à frente a banca privada recorre a avais do Estado... Políticos de direita e de esquerda citam Keynes ao pequeno-almoço e choram por mais regulação ao deitar. É um tempo em que apenas se espera chegar vivo ao dia seguinte e pouco mais. É por isso que olhar para trás pouco conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 de Janeiro – O que vai acontecer em 2009: &lt;br /&gt;Uma revolta juvenil algures na Europa será interpretada por grandes intelectuais como o rastilho que levará a uma revolta generalizada das classes oprimidas.&lt;br /&gt;Os alunos portugueses continuarão a ter sucesso.&lt;br /&gt;José Sócrates vai anunciar um novo grande projecto industrial que tirará a economia portuguesa da crise.&lt;br /&gt;A TVI descobrirá que esse grande projecto é uma cópia do que tinha sido apresentado há três anos.&lt;br /&gt;José Sócrates anunciará um novo plano de combate à crise.&lt;br /&gt;Os Estados Unidos continurão a tratar os combatentes inimigos à margem da Constituição Americana e da Convenção de Genebra.&lt;br /&gt;A culpa continuará a ser de Bush.&lt;br /&gt;O campeonato de futebol será ganho por um dos três “grandes”.&lt;br /&gt;A União Europeia continuará a sua política unilateralista acobardando-se nas missões militares internacionais.&lt;br /&gt;O Tibete continuará tão esquecido como esteve nos últimos 4 meses de 2008.&lt;br /&gt;Serão anunciados estudos científicos que prevêem grandes catástrofes daqui a 50 ou 100 anos.&lt;br /&gt;A Ministra da Educação continuará a culpar os professores de tudo o que de mal acontece nas escolas.&lt;br /&gt;A energia das ondas será anunciada como a energia do futuro. &lt;br /&gt;O carro eléctrico será anunciado como o carro do futuro.&lt;br /&gt;Vai emergir um novo líder de esquerda que representará a esperança num futuro melhor.&lt;br /&gt;O fracasso dos planos de combate à crise provará a necessidade de mais planos.&lt;br /&gt;A Islândia sairá da crise antes de Portugal.&lt;br /&gt;Haverá uma onda de criminalidade no Verão.&lt;br /&gt;Os candidatos autárquicos começarão a frequentar os cafés e a “misturar-se” com o povo.&lt;br /&gt;O Procurador-Geral da República considerará que determinado tipo de crime é prioritário.&lt;br /&gt;Maria José Morgado será nomeada para um caso importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 9 /1 / 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-3546872903012516810?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/3546872903012516810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=3546872903012516810&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3546872903012516810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/3546872903012516810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/02/o-que-ai-vem.html' title='O que aí vem...'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5044608598536827357</id><published>2009-01-01T20:53:00.001Z</published><updated>2009-01-01T20:55:53.062Z</updated><title type='text'>Nós, os Portugueses</title><content type='html'>6 de Dezembro – Um dia destes as pessoas não aguentam mais. Tantos sacrifícios infligidos àqueles que pouco ou nada têm – a esmagadora maioria – são insuportáveis. E tanto zelo a proteger os que tudo têm – a escandalosa minoria – é intolerável. Qualquer dia vai tudo raso!&lt;br /&gt;Os cidadãos anónimos começarão a fazer – em público e em coro – perguntas assassinas a um governo de maioria absoluta, que de socialista só tem o nome, e que, na prática, só protege os senhores do dinheiro, sacrificando os que apenas vivem do seu trabalho.&lt;br /&gt;Poderão dizer que é demagogia, mas faz todo o sentido perguntar porque é que seria tão prejudicial para a imagem deste país deixar falir o BPP, um minúsculo e ridículo banco que apenas gere fortunas dos muito ricos – especulando sem freio na bolsa – e já não é prejudicial para essa imagem deixar que fechem as portas dezenas de empresas que nem sequer faliram – algumas fecham tão-só para reduzir os custos das multinacionais – e que, assim, lançam no desemprego e na pobreza vários milhares de trabalhadores?!&lt;br /&gt;Mais: porque é que o Estado saca do dinheiro dos contribuintes para proteger o BPN, banco de vigaristas de alto coturno afogado em burlas de toda a espécie, como se fosse bom para a imagem do país salvar a face de uma instituição corrupta que tem enchido os bolsos de alguns dos mais indignos representantes do chamado «bloco central»?!&lt;br /&gt;Há limites de tolerância para tão flagrantes injustiças e tanto escândalo. Será que ainda não perceberam que o «capitalismo de compinchas» é uma vergonha e está a ruir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 de Dezembro - Isto da alta finança é uma coisa complicada. Não é por isso fácil explicar os escândalos financeiros aos portugueses. Felizmente, os portugueses estão familizarizados com um esquema semelhante ao esquema Madoff que era assim como a Segurança Social portuguesa. Os clientes de Madoff eram assim como o jovem de 23 anos que começa a descontar para a segurança social. Primeiro faziam um depósito. Qualquer coisa como os 33% que cada trabalhador desconta para a segurança social por mês. Madoff prometia aos clientes uma rentabilidade de cerca de 10% ao ano. O Estado português promete ao jovem de 23 uma reforma valorizada relativamente ao salário actual a pagar daqui a 42 anos. Madoff usava os depósitos dos novos clientes para pagar juros aos antigos. O Estado português usa as contribuições dos novos contribuintes para pagar reformas aos mais antigos. É tudo. Portanto, os dois esquemas são muito semelhantes. Há apenas uma diferença. Bernard Madoff vai preso. Os políticos portugueses que criaram a Segurança Social fizeram leis que tornam o seu esquema perfeitamente legal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 de Dezembro – A Ministra da Saúde não gostou de uma pergunta à sua colega da Educação e ralhou à jornalista. Um jornalista da RTP tentou questionar a ministra da Educação sobre os protestos dos professores. Ana Jorge não gostou e reagiu à pergunta, dizendo-lhe: "O quê? O senhor não sabe o que está combinado? Que hoje só pode fazer perguntas sobre esta cerimónia e sobre o plano de combate à sida nas escolas? Ainda por cima é a RTP, a televisão pública, a fazer uma coisa destas. E, depois, logo à noite, não sai a reportagem." &lt;br /&gt;Este episódio é de tal modo esclarecedor sobre o actual estado de coisa que me abstenho de fazer qualquer comentário.&lt;br /&gt;16 de Dezembro - "O problema da violência na escola tem uma explicação raramente focada. Nos anos 1950, quando apenas 13% dos jovens permanecia na escola após a 4ª classe, a cultura que se vivia no então chamado ensino secundário - do actual 5º ao 12º anos - era semelhante à que reinava nas famílias. A mortalidade escolar encarregava-se de libertar as escolas dos filhos dos pobres. Tanto os pais como os professores pertenciam à mesma classe. (...) Era fácil ser-se pai e docente. Nas décadas de 1970 e 1980, os adolescentes passaram a contestar com crescente virulência, a autoridade. (...) A indisciplina tornou-se a nota dominante. Hoje, quem carece de estímulo à auto-estima, não são os meninos, mas os adultos. (…) Não vejo uma solução fácil para o problema [a violência na escola moderna]. A esquerda continua a defender que as crianças são como as flores; a direita que tudo se resolve com um par de bofetadas. (...) Muitas das crianças que hoje frequentam a escolaridade obrigatória não são capazes de estar sentadas durante mais de quinze minutos; não suportam um revés, sem se insubordinarem; provêm de um mundo de tal forma esquálido que o esforço que o estudo exige se lhes parece inútil. O reconhecimento de que parte da violência escolar tem causas de natureza social não me leva a ser complacente com o mau comportamento nas escolas de aula. Vítimas, ou não, os alunos devem ser julgados pelos seus actos, não pelos seus traumas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Filomena Mónica, "Nós, os Portugueses", Quasi Edições, 2008 (página 66).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 26 / Dezembro / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5044608598536827357?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5044608598536827357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5044608598536827357&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5044608598536827357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5044608598536827357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/01/ns-os-portugueses.html' title='Nós, os Portugueses'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-222218076999055073</id><published>2009-01-01T20:48:00.002Z</published><updated>2009-01-01T20:58:13.040Z</updated><title type='text'>O Zé e a educação 'kafkiana'</title><content type='html'>26 de Novembro - O ministro português Fernando Teixeira dos Santos é considerado pelo jornal britânico "Financial Times" (FT) como o pior ministro das Finanças entre os 19 países da União Europeia (UE) analisados. Logo ele de quem dizem que salvou o país da recessão. O fraco desempenho da economia nacional e o baixo perfil europeu justificam a escolha. O melhor é o finlandês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 de Dezembro – Conhecem-no certamente. José Sá Fernandes é o responsável pelo facto de os lisboetas terem ficado privados durante muito tempo do túnel do Marquês. Num país a sério, o senhor teria sido responsabilizado criminalmente pelo facto. Era a velocidade no interior, era a altura, era o nível de inclinação e, como podemos verificar diariamente, tudo está mal e os acidentes “sucedem-se”. &lt;br /&gt;Por sua responsabilidade, o túnel foi embargado levando a horas intermináveis de espera por parte dos automobilistas, não falando já no prejuízo do comércio da zona. Esse episódio foi apenas mais um onde a personagem se vangloriava de se colocar sempre ao lado do cidadão, assumindo mesmo o epíteto de “consciência crítica” da cidade. Era a época do slogan “O Zé Faz Falta!”. &lt;br /&gt;Curiosamente, o balão cívico esvaziou e uma piscadela de olho socialista fê-lo desaparecer da circulação. Enfim, nem tanto… o sujeito propôs, na semana passada, um "corredor pedonal e ciclável na terceira travessia do Tejo". No texto da proposta, Sá Fernandes lamenta que as actuais pontes não tenham uma ciclovia. É, de facto, injusto que os almadenses não possam vir de bicicleta para Lisboa. O facto da ponte sobre o Tejo estar a 70 metros de altura e só um pormenor. É verdade que, em dias de algum vento, a travessia é proibida a motas com menos de 125cc. Mas isso não é nada que não se resolvesse com um pouco de lastro nas bicicletas. &lt;br /&gt;E se os políticos de outros tempos tivessem a visão de Sá Fernandes teriam permitido que os almadenses fizessem a viagem para Lisboa de bicicleta na ponte Vasco da Gama. São só 17 quilómetros. O suficiente para o triatlo.  &lt;br /&gt;Seja como for a ideia de permitir ciclistas na nova ponte Chelas-Barreiro é mais uma inovação digna de registo. É o Zé no seu melhor. Seis ou sete quilómetros a mais de quarenta metros de altura.  Vamos a isso, Zé. Tu vais à frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 de Dezembro - A ministra da Educação vivia no melhor dos mundos. As escolas rebentavam pelas costuras com a pressão burocrática que sobre elas tem sido exercida. Os apelos à suspensão de um modelo que parece ter sido importado da lógica de funcionamento do castelo kafkiano multiplicam¬ se pelo país. A ministra vem confessar que afinal há alguns acertos a fazer, bem, não são só as tais duas folhinhas apregoadas... A leitura atenta da legislação implicada neste processo vem desmentir a falácia dos responsáveis ministeriais, quando alegam que a possibilidade de reduzir a dimensão burocrática do processo está ao alcance das escolas. Não está, pois ela deriva em exclusivo daquilo que é imposto por todo o material legislativo que foi despejado sobre as escolas. Ignorar isso parece mais um sinal de que os responsáveis ministeriais desconhecem as leis que eles mesmo assinaram.&lt;br /&gt;Perante um sistema que obriga a gastar cerca de dois dias de trabalho de uma escola para avaliar cada professor, parece justo aplicar o termo de hipertelia ao monstro avaliativo do ministério. Este conceito parte da noção de finalidade (telos) para se referir à lógica que determina o movimento de um sistema para além de todo o propósito racional. O sistema procura, assim, legitimar a sua existência através de uma reprodução infinita, destituída de qualquer finalidade externa a si; toda a sua energia é gasta para o manter em funcionamento, o que pode ser comparado à proliferação enlouquecida das células cancerosas. É, pois, para o estado de saturação inerte que a situação das escolas portuguesas está a ser empurrada. &lt;br /&gt;Isilda Jana (IJ) respondeu a um pedido do seu chefe e vem defender a ministra. Não sei de que escola se lembra IJ mas eu lembro-me que a escola de IJ era uma escola de animação, hoje é uma escola de burocracia; era como um bosque mediterrânico, hoje é uma floresta negra cheia de impressos para preencher; era uma escola sem memória, hoje é uma escola que não esquece aquilo que é feito para a tornar pior. E o homem, como diz o poeta galego Ramiro Fonte, “entre outras moitas consideracións, é um ser memorioso que necessita crear lembranzas para valerse na súa vida.[…] Porque a memoria é como a auga, foxe das nosas mans”. Há coisas que não deviam fugir-nos das mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 11 / Dezembro / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-222218076999055073?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/222218076999055073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=222218076999055073&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/222218076999055073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/222218076999055073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/01/o-z.html' title='O Zé e a educação &apos;kafkiana&apos;'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6976387210476987789</id><published>2009-01-01T20:44:00.001Z</published><updated>2009-01-01T20:48:25.762Z</updated><title type='text'>A Avaliação de Professores e o Magalhães</title><content type='html'>12 de Novembro – AZAR - &lt;br /&gt;Bateu à porta de Miguel Sousa Tavares e entrou. Pelo telhado. Foi ao escritório e pegou num computador portátil, com "toda a vida" escrita, do cronista e escritor de best-sellers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sousa Tavares acha, no 24 Horas, que o azar não veio só, mas acompanhado da tramóia que anonimamente o persegue. Por isso, faz um apelo de primeira página, ao Azar , para que lhe devolva o "seu trabalho", prometendo dar tudo o que ele quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz bem, duplamente. Desiste de lhe arranjar companhia e ao mesmo tempo, dá-nos a esperança de voltar a ler uma crítica literária de Vasco Pulido Valente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 de Outubro -  FOME – &lt;br /&gt;Mais de metade  das crianças de Timor estão a passar fome. 60% das crianças com menos de 5 anos sofrem de má nutrição crónica. 80% das famílias timorenses não têm comida suficiente. Mais de 70 % dos jovens não tem emprego nem hipóteses de vir a arranjar trabalho.&lt;br /&gt;Isto com independência, democracia, vigiados por soldados australianos e com políticos encharcados em petrodólares. Foi para isto que se montou aquela operação de propaganda mundial em que os políticos portugueses da altura desempenharam um papel decisivo e hoje bem recompensado.&lt;br /&gt;Então e agora!? Não vai uma vigiliazinha por estas crianças timorenses!? Não há quem acenda uma velinha!? E as ONG não dão uma ajudinha? Vá lá! Por Timor Lorosae! Ao menos matem a fome às crianças!&lt;br /&gt;16 de Novembro – TESTE - &lt;br /&gt;Este ajuda avaliadores a descobrir quem é líder. Ora, leiam: Assinale com um F (de falso) ou com V (de verdadeiro): "A ideia de uma relação exclusiva com uma pessoa, durante toda a vida, não me parece desejável nem realista"; "nunca me vestiria de uma maneira vistosa, boémia ou que chamasse a atenção de qualquer outra forma"; "não tenho muito tempo ou paciência para longas reuniões familiares, tais como uma tarde inteira passada a celebrar o aniversário de alguém".&lt;br /&gt;O exercício - constituído por 56 questões - foi proposto no âmbito de uma acção de formação destinada a professores avaliadores de Lisboa sobre o novo modelo de avaliação do desempenho docente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objectivo desta "actividade" é ajudar os professores a "reconhecer a importância dos processos de auto-análise no desempenho de funções de liderança", lê-se no documento com a chancela do Ministério da Educação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se pede é que quem está a receber formação (tanto professores avaliadores como avaliados têm recebido formação para se inteirarem do novo modelo) dedique 30 minutos ao teste de Jeffrey Glanz, um autor norte-americano que escreveu, entre outros, o livro “À Descoberta do Seu Estilo de Liderança - Um guia para educadores e professores”, publicado em Portugal pela Edições ASA. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o preenchimento, "o documento, dado o seu carácter pessoal, será guardado pelo formando". A ideia é que o professor cruze as suas respostas com a informação que consta de outro documento onde descobrirá qual o seu "estilo de liderança". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Desde criança que parece que quero mais da vida que as outras pessoas"; "raramente procuro o sossego"; "acredito firmemente que o divórcio se deve tentar evitar sempre que possível"; "procrastino muito"; "fico frustrado por a visão do mundo da maioria das pessoas ser tão limitada"; "a minha casa é mais limpa e organizada que a maioria das casas que conheço"; "sou mais inteligente que a maioria das pessoas e os demais geralmente reconhecem-no"... são algumas das frases nas quais o professor deve reflectir para saber se se identifica com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 de Novembro – QUEM DÁ E TORNA A TIRAR... OU UM PROBLEMA DE “SOCIALIZAÇÃO” - &lt;br /&gt;Foi só para fotografia. Em dia de visita do primeiro-ministro para a inauguração dos centros escolares de Freixo e Refoios, no concelho de Ponte de Lima, 260 alunos foram expostos nas salas de aula, sentados à frente daquele que seria o seu computador ‘Magalhães’. Só que, logo após as cerimónias da passada quarta-feira, os pequenos portáteis foram recolhidos e encaixotados.&lt;br /&gt;Afinal, nenhum aluno tem ainda o seu computador, ao contrário do que foi anunciado durante a visita liderada pelo primeiro-ministro, que chegou a perguntar aos alunos se estavam "satisfeitos com a prenda" que tinham acabado de receber. José Sócrates sublinhou até "o brilho nos olhos" das crianças.&lt;br /&gt;"Os computadores foram como uma faísca. Vieram e esfumaram--se logo", comentou ontem Artur Correia, pai de um aluno, lamentando que as escolas "tenham levado as crianças a participar numa farsa". &lt;br /&gt;Em declarações à Lusa, a responsável da Direcção Regional de Educação do Norte negou que os portáteis tenham sido retirados, garantindo que apenas estão na escola até que os alunos se socializem com a nova ferramenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 27 / Novembro / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6976387210476987789?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6976387210476987789/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6976387210476987789&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6976387210476987789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6976387210476987789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2009/01/avaliao-de-professores-e-o-magalhes.html' title='A Avaliação de Professores e o Magalhães'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6230613480110686361</id><published>2008-11-27T09:38:00.000Z</published><updated>2008-11-27T09:40:03.216Z</updated><title type='text'>A Gebalis e a Justiça Inglesa</title><content type='html'>2 de Novembro - É preciso colocar em letras garrafais o nome dos senhores ex - administradores da Gebalis, em Lisboa, não vá dar-se o caso de os "reciclarem" um dia destes. Francisco Ribeiro, Mário Peças e Clara Costa usaram dinheiro público para propósitos que nada tinham a ver com o propósito da Gebalis. «O prejuízo causado totaliza 200 mil euros, gastos em viagens, refeições (no Gambrinus, Bica do Sapato, Porto de Santa Maria, etc.) e artigos de luxo. Sublinhar que 200 mil euros corresponde a 40% do subsídio anual atribuído pela Câmara de Lisboa à Gebalis. Um dos arguidos comprou duas canetas Mont Blanc, uma no valor de 1700 euros, outra no valor de 990. A única mulher do trio fez quinze viagens ao estrangeiro, num período de 20 meses, gastando nelas 34 mil euros (2267 euros por viagem). O senhor das canetas só fez três, nas quais gastou 6600 euros (2200 cada). O outro fez quatro, tendo gasto 1900 euros nos passeios, o que não deixa de ser um extraordinário exemplo de contenção de despesas.» Há gente presa, ameaçada de prisão ou com "medidas de coacção" por um mil avos disto. Ora isto é "pretralhismo" à portuguesa. No caso doméstico, é a fusão de um português com um "metralha", "dos Irmãos Metralha, sempre de olho na caixa forte do Tio Patinhas", o cofre público. Se vasculharem com método, verão que o que não deve faltar por cá é destes. Os de olho, mão e o resto na caixa forte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 de Novembro - Um camionista português foi acusado da morte de seis pessoas e vai ser presente a tribunal em breve. Paulo Jorge Nogueira da Silva é suspeito de condução perigosa num acidente ocorrido na terça-feira, na auto-estrada M6, em Inglaterra.&lt;br /&gt;Segundo noticia a Sky News, Paulo Silva, de 46 anos, vai ser julgado pela morte de uma família de seis pessoas. Oriundos de Llandudno, no País de Gales, morreram carbonizados quando a viatura em que seguiam ficou, alegadamente, debaixo do camião conduzido pelo português.&lt;br /&gt;Entre os mortos, todos da mesma família, encontrava-se uma bebé de 10 semanas, Ellouise Statham, que perdeu a vida, juntamente com os pais, David e Michele. faleceram, ainda, os outros três filhos do casal, Mason, 20 meses, Reece, 13 anos, e Jay, 9 anos.&lt;br /&gt;Isto aconteceu na Inglaterra, cujo sistema judiciário é totalmente diferente do nosso, quanto ao modelo seguido. Nem os juízes, lá, são escolhidos como cá. Nem os procuradores são figuras comparáveis, às de cá. Nem, principalmente, as leis processuais, são idênticas às de cá. &lt;br /&gt;Na Inglaterra, com séculos de democracia e atenção aos direitos individuais, uma pessoa como este português que interveio directamente num acidente de viação, tem este destino:&lt;br /&gt;Depois do gravíssimo acidente ocorrido na terça-feira, portanto há dois dias, a polícia deteve-o e levou-o para a esquadra nessa condição. Provavelmente, teve direito a advogado, intérprete, defesa circunstanciada. Passados dois dias, é formalmente acusado de homicídio e segundo o jornal, já será julgado pela morte de seis pessoas. &lt;br /&gt;Deve descontar-se, ao jornal, a notícia sobre o "julgamento". Estes jornalistas julgam-se dispensados do rigor dos termos informativos e muito mais do rigor conceptual que leva a explicar a quem não entende, o significado de expressões e assuntos que exijam algum conhecimento técnico. &lt;br /&gt;Assim, um julgamento, não equivale a um interrogatório para aplicação de medida de coacção. E que pode ser a prisão preventiva, remível, neste caso, à famosa caução que só pode ter a natureza de carcerária, ou seja, para substituir a prisão.&lt;br /&gt;E como acontece em Portugal?&lt;br /&gt;Tomemos o caso paradigmático do acidente ocorrido há uns meses numa estrada rápida do Nordeste transmontano e que vitimou vários idosos, que seguiam num autocarro, abalroado por um veículo ligeiro.&lt;br /&gt;Na altura, apareceu no local toda o circo mediático costumeiro, para tentar dar a explicação do sucedido. A única pessoa interveniente e sobre quem surgiram suspeitas de comportamento inadequado na condução ( confirmado indiciariamente meses depois), ficou em liberdade e nem sequer foi ouvida em declarações na altura. Muito menos detida ou com prognóstico nesse sentido. &lt;br /&gt;O que a polícia de estrada ( GNR-BT) nesse caso, faz, é o trivial: tomar conta do caso, participar ao Ministério Público, e depois, investigar. A audição das testemunhas e suspeitos, com recolha de provas fica por conta da polícia, também. Ao fim de alguns meses, por vezes longos, elaboram um relatório onde dão conta do resultado da investigação. Nesta altura, esses relatórios são tecnicamente bem elaborados, com indicações concretas das causas possíveis do acidente e dos responsáveis. &lt;br /&gt;Só depois disso, o MP, elabora o despacho final no processo com vista ao destino que pode ser a acusação penal. &lt;br /&gt;E depois dessa acusação, decorre um prazo de algumas semanas, para uma eventual instrução a cargo de um juiz e para reapreciar os fundamentos da acusação, se for esse o caso. &lt;br /&gt;Só então, passados mais uns meses ou semanas, o processo chega à barra do tribunal propriamente dito. Com o julgamento a demorar o que tiver que demorar ( alguns, pelos vistos, demora anos!). &lt;br /&gt;Tudo isto em resultado das leis que temos e nada mais. E em boa parte dos casos, para inglês ver.&lt;br /&gt;Mesmo dando o devido desconto, pelo julgamento aqui anunciado, a verdade é que a formulação de um "indictment", de uma acusação formalizada no sentido de a polícia ter recolhido provas do facto criminoso, suficientes para apresentar o suspeito ao juiz, em dois dias, é motivo de reflexão sobre os nossos métodos. Que não sobre o modelo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nova Aliança, 13 / Novembro / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6230613480110686361?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6230613480110686361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6230613480110686361&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6230613480110686361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6230613480110686361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/11/gebalis-e-justia-inglesa.html' title='A Gebalis e a Justiça Inglesa'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-8233681894758884512</id><published>2008-11-07T11:12:00.001Z</published><updated>2008-11-07T11:14:36.593Z</updated><title type='text'>A ERC, o equilíbrio na televisão e a "literatura" de José Rodrigues dos Santos</title><content type='html'>4 de Outubro - Leio no Expresso online: “No relatório intercalar de avaliação do pluralismo político-partidário divulgado esta semana, a ERC diz que a RTP deve "promover uma representação mais plural de forças e sensibilidades político-partidárias". (...) A direcção da RTP já decidira diminuir, depois de sucessivas insistências da ERC, o tempo de antena de Marcelo para o equilibrar com o do socialista António Vitorino. Segundo o Expresso apurou, em preparação estará uma nova grelha de comentário político que deverá dar espaço aos outros partidos durante o ano eleitoral que aí vem. O professor, cujo comentário dominical na televisão pública foi reduzido no regresso de férias em 15 minutos - passou dos 35 habituais para 20 minutos, para ficar mais equilibrado com os 15/20 que Vitorino ocupa à segunda-feira -, acha bizarro associarem-no a uma mera voz do PSD”.&lt;br /&gt;Ora bem: depois de mais este momento ASAE da ERC (Entidade Reguladora da Comunicação), sugiro que a RTP tome medidas profundas no sentido da poupança dos custos com pessoal. É que começam a não fazer falta na casa directores de informação, editores, chefes de redacção. Basta um elemento designado pela ERC, munido de um cronómetro, e o jornalismo da estação pública tornar-se-á impoluto, isento e livre. Com tempos marcados para cada partido, cada instituição, talvez mesmo uma distribuição equitativa e justa do tempo dedicado ao crime em função da sua representatividade no espectro nacional...&lt;br /&gt;Bizarra não é a peregrina ideia de ver Marcelo como um “representante” do PSD – para mim, o seu valor acrescentado é a capacidade de expressão, a inteligência, a cultura e o raciocínio que exibe semanalmente -, bizarra mesmo é a existência da ERC...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;PS - A subversão de todos os valores que identificam e marcam o jornalismo – trabalho editorial, escolha, hierarquia da informação -, é levado ao extremo por esta Entidade, que quer transformar os espaços jornalísticos da RTP numa versão pós-moderna dos Tempos de Antena. Triste sina, a do jornalismo televisivo nos dias que correm: voltar àquelas longas e penosas horas de emissão a preto e branco, nos idos de 70, com espaço e tempo marcado para partidos, movimentos, associações, grupos jantaristas, escuteiros, produtores de leite, eu sei lá...&lt;br /&gt;8 de Outubro - Manuel Sebastião (aquele que comprou uma casa ao ministro Manuel Pinho, ao que dizem, sem contrato promessa nem escritura), elucidou hoje, no Parlamento que demora cerca de um mês para que os preços dos combustíveis reflictam as oscilações do preço do barril do petróleo.&lt;br /&gt;O amigo de Pinho deve ter feito a média: é que quando se trata de subir o preço demora muito menos - mas quando já é para descer o período de tempo parece-me ser bem maior… &lt;br /&gt;10 de Outubro - «Os meus romances são muito meus. Não conheço nenhum autor que escreva os romances como eu os escrevo. (...) Sinto-me à vontade com qualquer género, o que importa é que eu e o leitor tenhamos prazer.(...) Construo o livro na minha cabeça e o problema é os meus dedos serem suficientemente rápidos para acompanhar as ideias que fluem da minha mente.» Não, não é Hugo, Flaubert, Dostoievsky, Roth, Clezio, Coetzee ou mesmo Rosa Lobato Faria. É apenas Rodrigues dos Santos em delirante auto-retrato. A avaliar por esta fantástica "percepção" de si mesmo - do seu "prazer", da sua "cabeça" e dos seus "dedos" - JRS ainda um dia fará literatura a partir do leite derramado nos calhamaços que deposita periodicamente nos supermercados. Por enquanto não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 30 / 12 / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-8233681894758884512?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/8233681894758884512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=8233681894758884512&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8233681894758884512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8233681894758884512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/11/erc-o-equilbrio-na-televiso-e.html' title='A ERC, o equilíbrio na televisão e a &quot;literatura&quot; de José Rodrigues dos Santos'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-2925333084322695418</id><published>2008-11-07T11:04:00.001Z</published><updated>2008-11-07T11:12:15.384Z</updated><title type='text'>O património de Lisboa e o ensino do português</title><content type='html'>29 de Setembro - "Estou de plena consciência. Aluguei um andar, legal, com valores legais", disse a sra. D. Ana Sara Brito, ao lado de Costa, o presidente da CML de quem é vereadora. Acrescentou que se tratava de "uma casa atribuída legalmente e de acordo com critérios à época e a situação à época." Talvez a criatura quisesse dizer que "estava de consciência tranquila" e saiu-lhe a "plena consciência" que, afinal, com a explicação posterior dos "critérios", acaba por ser freudianamente mais adequada. Pelo meio mencionou a inevitável "ética" e a "confiança" de Costa. Está certo. Trinta anos de maus hábitos não se mudam de um dia para o outro. Mesmo que lhe chamem "património disponível". Só o nome da coisa é todo um programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 de Setembro - Em poucos dias - não é "notícia" porque estraga o falso "glamour" em que o regime vive - suicidou-se uma meia dúzia de agentes policiais, ora da GNR, ora da PSP. Desde quase adolescentes (vinte e pouco anos) até homens mais maduros, esta gente que supostamente vela pela nossa existência, decidiu colocar um termo à deles porquê? A presença constante de uma arma é tentadora? A vida "privada" e a de agente da autoridade cruzaram-se em algum nó górdio irreversível? Sem provavelmente terem lido muita filosofia, estes homens, no acto limite do suicídio, descobriram aquele que alguns consideram o único "tema" verdadeiramente filosófico. E levaram, para a eternidade, esse segredo. Falo disto porque eram pessoas com uma função especial que, diz-se, o regime tem o dever de acarinhar para que eles cumpram o dever de nos proteger. Afinal, nem eles conseguiram proteger-se de si próprios. Dá para pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 de Outubro - O SEF/Porto deteve cinco estrangeiros suspeitos dos crimes de usurpação de identidade e de uso de documento alheio, por se encontrarem a fazer exames de língua portuguesa em lugar de outros, revelou fonte escolar.&lt;br /&gt;Cinco homens, dois paquistaneses, um marroquino, um são-tomense e um guineense, foram detidos nas escolas Almeida Garrett de Gaia e Carolina Michaelis do Porto quando tentavam fazer o exame de língua portuguesa, em vez de outros imigrantes (do Gana, do Paquistão, da Índia e de Marrocos) - e com identidade falsa. (...) As autoridades suspeitam de que o actual sistema de exames tem proporcionado um grande número de fraudes a nível nacional, com imigrantes com alguns anos de permanência em Portugal, a substituírem outros que pouco ou nada falam e escrevem português." Lusa&lt;br /&gt;A nova Lei da Nacionalidade exige que um imigrante que solicite a nacionalidade portuguesa, tenha, entre outros requisitos, um conhecimento mínimo da língua falada e escrita, o que implica a realização dos respectivos exames.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Espero que  a diligente Directora Regional de Educação do Norte não passe mais esta informação à Ministra da Educação. Com a vontade que a Ministra tem de alcançar a marca de 100% de sucesso escolar, este método pode mesmo vir a fazer "escola".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 de Outubro - Na inimitável "Quadratura do Círculo" o dr. Costa, presidente da CML e ilustre dirigente do PS absolutista, acusou a blogosfera de ser um "submundo" que manifestamente o repugna. Bastou olhar para a cara dele quando começou a falar da coisa para perceber que, se pudesse, vontade não lhe faltava para suprimir o referido "submundo". Pacheco Pereira "salvou" um por cento da blogosfera desse "submundo" e adiantou que esse um por cento valia por muitas das coisas que se publicam e exibem na tranquila "superfície" desejada por Costa. Concordo com isto e também abomino o anonimato. Tal como acho que noventa e nove por cento do que se escreve nos jornais, se ouve na rádio e se vê na televisão é "submundo". Todos os dias , aliás, me deparo com a dificuldade em descobrir na percentagem que resta algo que me ilumine, esclareça e não me meta nojo. Aliás, mais valia ao dr. Costa ter estado calado. Será que ele ainda não reparou que até uma respeitável instituição como a CML possui um anónimo "submundo" que o presidente não domina, não conhece e manifestamente receia?&lt;br /&gt;3 de Outubro - Uma mulher de 90 anos que vive há duas décadas num contentor em Viana do Castelo vai finalmente ter direito a «casa a sério», graças à construção de uma passagem inferior à linha de caminho-de-ferro.  Esta senhora não teve a "sorte" de viver em Lisboa. Provavelmente a Câmara de Viana do Castelo não tem "património disponível", como a CML, e a senhora não tem amigos que lhe "metessem cunhas" para, em vinte anos, arranjar uma casa. Quem, dos bafejados pelo "património disponível" da CML, estaria pronto a aguentar a vida num contentor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 16 /10 / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-2925333084322695418?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/2925333084322695418/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=2925333084322695418&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2925333084322695418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2925333084322695418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/11/o-patrimnio-de-lisboa-e-o-ensino-do.html' title='O património de Lisboa e o ensino do português'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-9059330482052602060</id><published>2008-10-09T17:50:00.000+01:00</published><updated>2008-10-09T17:52:52.796+01:00</updated><title type='text'>Os assaltos, Cristiano Ronaldo e as massagens</title><content type='html'>7 de Setembro - Se um ingénuo forasteiro aterrasse em Portugal há um mês e assistisse a alguns dos noticiários nacionais, por certo assustar-se-ia com o país, aparentemente sem lei e a saque, um hollywoodesco faroeste europeu. Até um jornal diário como o Correio da Manhã teve necessidade de criar um infograma diário com o seguinte título: “Assaltos das últimas 24 horas”.&lt;br /&gt;Doutro modo se  o ingénuo turista desembarcasse na última semana e atendesse a alguns dos recentes  telejornais, verificaria confortado as inúmeras reportagens de rusgas e intervenções policiais, perseguições e musculadas detenções ao vivo, qual reality show, um triunfante espectáculo do país a ser posto por ordem ali mesmo em directo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensará, agora sim, este é um país seguro. E tem razão, senão vejamos: as placas identificativas dos estabelecimentos comerciais devem ser presas na parede por “parafusos de aço inox em cada canto, com 8mm de diâmetro e 90mm de comprimento”, determina uma portaria rectificativa do Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros. Os anteriores parafusos mediam apenas 60mm e havia que manter a segurança das placas, prevenir a sua queda e as suas nefastas consequências sobre comerciantes e clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 de Setembro – Felizmente, ainda há notícias assim ( aspas do Correio da Manhã ): Giovanna tem uma hepatite incurável. Em Julho foi-lhe induzido o estado de coma para evitar as dores. Mas, antes, Giovanna pediu que a despertassem do coma para poder casar com o companheiro e pai do seu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu no passado domingo, em Pádua. O noivo, as testemunhas e o celebrante tiveram de usar máscaras e vestes esterilizadas e a cerimónia realizou-se em plena unidade de Cuidados Intensivos. A noiva estava em sofrimento físico mas feliz. Caiu em coma logo após o ‘sim’. Apesar de não dever recuperar mais a consciência, o seu marido garantiu que a sua vida terminará “num raio de alegria, uma felicidade que nada lhe roubará”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 de Setembro – No jornal “Sol” deparamo-nos com um Homem: «Ramalho Eanes prescindiu dos retroactivos a que tinha direito relativos à reforma como general, que nunca recebeu. O Governo diz ter sondado o ex-Presidente, que não aceitou auferir essa quantia (a qual ascenderia a mais de um milhão de euros). A reforma só começou a ser paga em Julho, mas sem qualquer indemnização relativa ao passado.» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 de Setembro - Cristiano Ronaldo quis ir à Madeira, sua terra natal, para receber uma "bota de ouro". Parece que tencionava homenagear, a título póstumo, o pai. No aeroporto, ignorou os compatriotas que o foram saudar à chegada. Em Viseu, durante o estágio da selecção, já tinha feito o mesmo. Ontem, à porta do hotel onde foi coroado como tal, o "bota de ouro" fez esperar em vão umas dezenas de madeirenses orgulhosos por o pé que calça a "bota" ser um dos seus. Ilusão deles. Mais uma vez, Ronaldo só estava disponível para o que o esperava lá dentro: o sr. Horácio Roque – financiador da operação - e as televisões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Babaram-se uns para os outros porque, naturalmente, estão muito bem uns para os outros. Ex-pobre, imaturo e ignorante, o "bota de ouro" não passa de um deslumbrado com talento nas pernas. Nas três pernas, a avaliar pelo galinheiro que cacareja permanentemente atrás dele nas revistas ditas “sociais”. De resto, o dinheiro encarregou-se de destruir o menino que jogava na rua inclinada com os vizinhos cuja alegria se quis manifestar junto dele e que ele, moldado pelo espectáculo em que se tornou, se recusou a partilhar. O "bota de ouro" é o expoente de uma certa alarvidade "social". Uma alarvidade que brilha tanto ou mais do que o ouro da bota. E que costuma acabar tão surpreendentemente como começa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 de Setembro – Esta foi uma das tiradas de Verão: "Toda a gente sabe como começa uma massagem, nunca se sabe é sabe como acaba".&lt;br /&gt;Caramba!, isto não dava uma proibição, dava era um magnífico slogan publicitário:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"AllGarve. Because every one knows where a massage starts, no one knows how it ends...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 18 / Setembro / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-9059330482052602060?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/9059330482052602060/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=9059330482052602060&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/9059330482052602060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/9059330482052602060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/10/os-assaltos-cristiano-ronaldo-e-as.html' title='Os assaltos, Cristiano Ronaldo e as massagens'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7887652716570736112</id><published>2008-10-09T17:45:00.001+01:00</published><updated>2008-10-09T17:46:26.784+01:00</updated><title type='text'>Palin, a ERC e o Magalhães</title><content type='html'>6 de Setembro - Esta coisa da Sarah Palin ter contratado uns amigos para uns cargos lá no Alasca é um problema para o qual nós portugueses somos muito sensíveis e exigentes. Não o admitimos lá, num país e num Estado que não é o nosso, e muito menos o admitiríamos – estou certo - aqui ( onde, graças ao nosso espírito crítico, estes problemas não existem ). Político que o fizesse cá teria a sua carreira terminada no dia seguinte. O que é notável nos portugueses não é apenas o seu sentido ético. O que é notável é o seu sentido ético universal, independente dos interesses próprios, do local ou da cultura. A preocupação desinteressada por questões éticas no governo do Alasca é comovente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 de Setembro -  Normalmente as coisas passam-se assim: ou é a vida que imita a arte ou é a arte que imita a vida e não há que tomar partido. Ambas as situações são boas. A diferença está no preço. Não vale a pena discuti-lo porque o mercado da vida e o da arte encarregam-se de o regulamentar. Por exemplo, vacas. &lt;br /&gt;O artista Damien Hirst enfiou uma vaca inteira numa barrica transparente cheia de formol e vendeu-a por 11,5 milhões de euros a um coleccionador de Londres. É o preço da vaca artística. &lt;br /&gt;Em Idanha-a-Nova desconhecidos roubaram uma vaca de uma quintarola e o proprietário do animal afirmou-se lesado em 13 mil euros. É o preço da vaca não-artística. Há aqui uma disparidade. É o preço do formol, certamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 de Setembro - Apesar de intimada pela Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), em Janeiro, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) só agora permitiu que o Expresso consultasse o "processo Sócrates", de quase 300 páginas.&lt;br /&gt;Inicialmente, a ERC recusou a sua consulta, tendo o semanário protestado junto da CADA. Uma edição recente do jornal revelava pormenores sobre as audições, que tiveram como objectivo avaliar a existência de pressões sobre os jornalistas no caso do diploma de Sócrates. &lt;br /&gt;A ERC concluiu ser normal que existam pressões nas relações entre jornalistas e políticos. Esta conclusão é aventada no acórdão que se reporta às diligências efectuadas pelo Governo e pelo próprio primeiro-ministro, José Sócrates, para que fossem travadas as notícias sobre a sua licenciatura na Universidade Independente.&lt;br /&gt;Assumindo "um certo grau de tensão", a ERC refere que ela é compreensível, "dada a cultura profissional dos primeiros e pelo choque que resulta do facto de ambas as partes agirem com interesses divergentes". Por outro lado, a ERC entende que Sócrates, ao tentar travar na imprensa as notícias sobre a sua licenciatura, não efectuou qualquer pressão, antes fez démarches. ( Repararam na subtileza???? ) &lt;br /&gt;A ERC concluiu que os telefonemas efectuados para o jornalista do PÚBLICO que investigava o caso, Ricardo Dias Felner, e para o director do jornal, José Manuel Fernandes, apesar de terem sido feitos pelo próprio Sócrates, não reuniam "elementos factuais que comprovem ter existido o objectivo de impedir, em concreto, a investigação".&lt;br /&gt;Tanto Ricardo Dias Felner como José Manuel Fernandes, nos depoimentos que fizeram na ERC, disseram que o modo como foram abordados pelo primeiro-ministro resultou numa "tentativa de pressão ilegítima". O director do PÚBLICO foi ainda mais longe, reportando-se à conversa com Sócrates, no decurso da qual o primeiro-ministro teria dito: "Fiquei com uma boa relação com o seu accionista [Paulo Azevedo] e vamos ver se isto não se altera." Qualquer semelhança entre esta declaração e uma forma de pressão é certamente mera coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 de Setembro - O "Magalhães" vai dar pano para mangas. Já vamos na segunda leva. Primeiro, houve aquele anúncio de um "produto nacional" que, afinal, de "nacional" tem apenas um terço. Depois - aconteceu hoje - o governo deslocou-se em bando a escolas, cheio do "Magalhães" e de "controlo parental". Este neologismo quer dizer que é suposto os paizinhos atentarem naquilo a que os meninos têm acesso através do bicho. A SIC experimentou três e foi parar a sítios de "gatas maravilhosas". O "Magalhães", por consequência, promete não apenas "info-ligados" (um belo termo da lavra do 1º ministro) mas igualmente "adiantados sexuais". Finalmente, o "Magalhães" terá o seu apogeu quando, dentro de dias, Chávez vier cá comprá-lo, com ou sem as "gatas maravilhosas". Grande "Magalhães".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7887652716570736112?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7887652716570736112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7887652716570736112&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7887652716570736112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7887652716570736112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/10/palin-erc-e-o-magalhes.html' title='Palin, a ERC e o Magalhães'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5519314640141117883</id><published>2008-09-15T17:36:00.000+01:00</published><updated>2008-09-15T17:39:12.788+01:00</updated><title type='text'>Obikwelu e o medalheiro olímpico</title><content type='html'>20 de Agosto – Obrigado&lt;br /&gt;"Agradeço a todos, porque estiveram a ver-me na televisão, e peço desculpa." Eu estive a vê-lo na televisão e tomo a frase para mim: Francis Obikwelu pede-me desculpa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda há-de engolir essas palavras. Quem pensa ele que é? Vou--me a ele e espeto-lhe o dedo no peito: "Oiça lá, meta as desculpas onde quiser. Eu não as admito, ouviu?! Eu de si só quero que aceite o que tenho a agradecer-lhe." E, depois, disparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde logo aquele dia de Atenas em que fiquei sentado no estádio muito mais tempo do que ele levou a fazer - a uma vintena de metros dos meus olhos - os seus 100 metros de prata. Não conheci o vencedor. Nem me preocupei. Só ele contava não porque fosse belo a correr, mas porque dele sabia-lhe a história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho emigrantes na família e o africano Francis Obikwelu veio para Portugal aos 16 anos. Obikwelu trabalhou nas obras e, diz-se, acarretando os sacos de cimento arranjou a estrutura muscular que haveria de o prejudicar nos arranques das corridas (pois é, ser pobre paga-se). Para fazer aquilo que queria, atletismo, chegou a dormir sob as bancadas do estádio do Belenenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu que Francis Obikwelu encontrou uma família portuguesa que lhe deu a mão e aconteceu que a essa família ele deu aquele sorriso com que brindou o Ninho de Pássaro, ontem, antes de sabermos que era a sua derradeira corrida. Com Portugal, Obikwelu fez o mesmo, um contrato. Coisa simples e entre iguais: eu dou e tu dás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, porque digo que lhe estou agradecido? Porque são raros os que, como Obikwelu, não pedem, trocam. Ou, melhor, não são raros, fala-se de mais é dos outros. Ontem, lamentando não ter dado o que os portugueses esperavam, Obikwelu disse: "Este é o meu trabalho e queria pelo menos dar uma final aos portugueses."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repararam na palavra? Trabalho. É a palavra dos homens. Obrigado, Obikwelu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 de Agosto – Medalheiro&lt;br /&gt;No fim dos jogos olímpicos de Atenas, um responsável da União Europeia exultou: a União Europeia tinha ganho 286 medalhas, contra as 103 ganhas pelos Estados Unidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei a saber que a União Europeia tem competências em tudo, incluindo no desporto. O mesmo responsável disse ainda que em 2008 em Pequim vai ser ainda melhor. Porquê? Porque o desporto europeu se vai desenvolver ainda mais? Népias. Porque a Roménia e a Bulgária vão aderir à União em 2007 e a União vai passar a ter mais medalhas em ginástica, boxe e halterofilismo. Ao que parece, está a ser estudada a adesão da Etiópia e do Quénia, fortes nas corridas de fundo, e de algumas ilhas das Caraíbas com tradições nas corridas de velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As medalhas europeias tornaram-se motivo de orgulho para alguns blogs internacionalistas, para os quais o nacionalismo é mau, excepto à escala continental e contra os Estados Unidos. &lt;br /&gt;Há apenas um pequeno detalhe a estragar a festa: a União Europeia não é um país e não está sujeita aos limites de 3 atletas por modalidade individual e de uma equipa por modalidade colectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde os Jogos Olímpicos de Paris de 1924, mais de três dezenas de atletas portugueses alcançaram o pódio, em diferentes modalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses atletas deram a Portugal dez  medalhas no atletismo (quatro de ouro), uma medalha de prata no ciclismo, três medalhas de bronze no hipismo (colectivas), uma medalha de bronze na esgrima (colectiva), uma medalha de bronze no judo, uma medalha de prata no tiro, uma medalha de prata no triatlo e quatro medalhas colectivas na vela (duas de prata).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estado do tempo, a poluição, a hora da competição e as histerias de éguas ou cavalos nunca constam do quadro de resultados ou dos almanaques olímpicos. Também não é uma prática a inscrição de alegadas interferências da arbitragem em notas de rodapé à frente do nome dos medalhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixem-me perguntar: se a nossa sociedade é “balda” e pouco rigorosa, não serão os nossos atletas um espelho muito real?|&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também gosto de não pagar impostos, receber bolsas para fazer o que gosto, aprecio a caminha de manhã, bloqueio quando vejo multidões, não gosto de me cansar... Será que posso ir a Londres 2012?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 4 de Setembro de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5519314640141117883?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5519314640141117883/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5519314640141117883&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5519314640141117883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5519314640141117883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/09/obikwelu-e-o-medalheiro-olmpico.html' title='Obikwelu e o medalheiro olímpico'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-2357007245436917277</id><published>2008-09-15T17:34:00.000+01:00</published><updated>2008-09-15T17:36:46.423+01:00</updated><title type='text'>O Racismo e as previsões do Banco de Portugal</title><content type='html'>12 de Julho -Rui Tavares poderia ter escrito uma crónica igualzinha a menorizar o assassinato de Alcino Monteiro. Racismo? Crime motivado pelo ódio racial? Nada disso. Se fosse no Porto, lá entre eles, ninguém diria que é racismo. Porque é que em Lisboa haveria de ser diferente? O que aconteceu com Alcino Monteiro ou o que aconteceu na Quinta da Fonte é criminalidade comum, excepções a que não se deve dar grande importância. Coisas que dão jeito ao Paulo Portas e nada mais. Ah, claro que podemos discutir coisas profundíssimas como as armas ilegais, o bairro social, o racismo e preconceito inter-étnico (nomes diferentes para a mesma coisa, mas a segunda designação torna o racismo mais compreensível) etc. Mas agora não me apetece. Rui Tavares acha que, se desconversar, o caso da Quinta da Fonte deixa de ser um caso evidente de conflito inter-étnico. Rui Tavares, no Público de hoje, dá hoje uma resposta incisiva a todos os que achava que a esquerda tinha ignorado e assobiado para o ar, no caso da Quinta da Fonte. A Fernanda já tinha aflorado o assunto, desmentindo aqueles que, como eu, imaginavam que o único tema que levaria o 5 Dias dissertar sobre  “acontecimentos” na Quinta da Fonte seria a veemente denúncia de preconceitos sociais conservadores atávicos que impediam a concretização de um casamento gay inter-étnico no bairro. O caso da quinta da fonte demonstra o que acontece quando as minorias passam a maiorias. Fico mais descansado por saber que todos diferentes mas todos iguais. A Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural considerou hoje os confrontos com armas de fogo no bairro da Quinta da Fonte, em Loures, um caso "isolado"."Na sexta-feira à tarde, meia centena de indivíduos de dois grupos envolveram-se em confrontos com utilização de armas de fogo, segundo a PSP, que indicou ter detido dois indivíduos e apreendido algumas armas de fogo e munições de calibre variado. No dia anterior, uma rixa entre dois grupos de do mesmo bairro tinha provocado nove feridos ligeiros e danos em várias viaturas." (Lusa)Dois casos isolados, portanto. Está tudo bem.Pois bem, já ninguém pode argumentar que a esquerda ignorou o caso. O Rui dedica a sua crónica de última página, inteirinha, ao caso. Faz longas considerações sobre as noites do Porto, as noites de Lisboa, a vida como ela é e a nossa mania de interpretar erradamente os acontecimentos, bem ilustrada com comparações arrasadoras sobre crimes idênticos mas que nós interpretamos como diferentes. Consegue provar empiricamente que não é por dizermos ‘pretos e ciganos’ que os problemas se resolvem. O artigo é excelente. Conclui-se que, no passado dia 11 de Julho, na Quinta da Fonte, freguesia da Apelação, concelho de Loures, distrito de Lisboa, não aconteceu nada. Rui Tavares, no Público de hoje, dá hoje uma resposta incisiva a todos os que achavam&lt;br /&gt;14 de Julho - "As previsões do Banco de Portugal só foram conhecidas depois do debate do Estado da Nação. (...) Isto chama-se Cooperação Estratégica….entre o Banco de Portugal e o Governo"Vítor Constâncio foi à assembleia da república. Como é um homem culto e muitíssimo inteligente não quis maçar os deputados com aquilo que é o seu trabalho e falou sobre quase tudo o resto. Políticas energéticas, nichos de mercado para exportações e outras coisas que mais. Sobre Aimar, curiosamente, nem uma palavra. «A confiança na nossa economia atingiu, já este ano, níveis mínimos verdadeiramente históricos. Crescimento, investimento, confiança, tudo parece afundar-se nos gráficos…&lt;br /&gt;(...) É preciso dizer a verdade: isto não está a correr mesmo nada bem!!&lt;br /&gt;Em qualquer país, esta situação há muito que teria feito soar as campainhas de alarme».&lt;br /&gt;José Sócrates, AR, 2 de Outubro de 2003.&lt;br /&gt;«Agora, o desemprego sobe mais entre as pessoas com curso superior e sobe mais entre os jovens!! (...) É por isso que, se há uma "imagem de marca" deste Governo, se há uma imagem que marca a governação desta maioria, ela é, sem dúvida, a marca do desemprego. Triste marca!&lt;br /&gt;(...) O Governo só tem tido uma preocupação: por um lado, inventar desculpas, por outro, procurar culpados. E vai logo aos suspeitos do costume: a culpa já foi da "pesada herança", já foi dos sindicatos, já foi das leis laborais e até da Constituição, tendo passado, depois, para a conjuntura internacional»&lt;br /&gt;José Sócrates, AR, 2 de Outubro de 2003&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Pinho diz que "o Banco de Portugal prevê uma desaceleração do crescimento em Portugal bastante menor que em vários países europeus que estão à beira de uma recessão".&lt;br /&gt;Manuel Pinho exemplificou com os casos de Espanha e do Reino Unido.&lt;br /&gt;Outra das grandes preocupações do Governo no início do seu mandato, passava pela "generalização do acesso à Internet e às tecnologias de informação e comunicação (TIC)". Ora, se em 2005/2006, altura em que o Governo tomou posse, Portugal ocupava a 27.º posição no ranking que mede o acesso às TIC, tendo o Governo assumido o compromisso de melhorar tal posição, a verdade é que Portugal ocupa em 2007/2008 a 28.ª posição. Onde é que anda a oposição?&lt;br /&gt;Uma das preocupações do Governo no seu Programa, passava pela fraca competitividade de Portugal "a fraca competitividade e a baixa produtividade estão na raiz do baixo crescimento da economia portuguesa. Em vez de melhorarmos, temos descido nos rankings internacionais". O Programa remete para um quadro, no qual constatamos que Portugal, em 2003/2004, se encontrava em 25.º lugar no quadro da competitividade. Ora, de acordo com a mesma fonte utilizada pelo Governo, Portugal, em 2007/2008, encontra-se em 40.º lugar no mesmo quadro da competitividade, o que significa que desceu 15 lugares desde 2003/2004. Onde é que anda a oposição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 24 de Julho de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-2357007245436917277?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/2357007245436917277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=2357007245436917277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2357007245436917277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/2357007245436917277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/09/o-racismo-e-as-previses-do-banco-de.html' title='O Racismo e as previsões do Banco de Portugal'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-7504874496716027894</id><published>2008-09-15T17:32:00.000+01:00</published><updated>2008-09-15T17:33:44.133+01:00</updated><title type='text'>Os "spin-doctors"</title><content type='html'>Os tempos andam difíceis para os “spin doctors”. Por esta expressão são conhecidos os conselheiros dos governantes, aqueles que pretendem estar um passo à frente do comum dos mortais. E andam difíceis porque a conjuntura teima em não dar tréguas, em desdizer aquilo que defendem. Querem alguns exemplos em quase quatro mil caracteres?&lt;br /&gt; Depois de se considerar “o melhor primeiro-ministro” da história, Sócrates teve um baque ao conhecer os resultados do referendo irlandês. O seu empenho, a sua dedicação, o seu esforço, tudo por água abaixo. Tantos planos, tantos arranjos, e afinal a estratégia esboroou-se, qual castelo de cartas. Quanta injustiça, como diria o Calimero!! Quem, como ele, prometeu um referendo sobre o tema aos portugueses, assiste até ao momento à vitória do “Não” ao Tratado Europeu em todos os países que realmente deram voz às pessoas.&lt;br /&gt; A prestação da selecção não deixou também muitas saudades em São Bento. Aquele que seria um período de esquecimento dos problemas reais foi, afinal, mais curto que o desejado. Aí estão de novo as listas de espera nos hospitais, a subida da inflação, o aumento dos impostos, as dificuldades de todos os dias. Scolari não terá em Sócrates um admirador porque “ajudou” o país a reencontrar o país em crise. Ora, foi Sócrates quem o segurou depois da agressão a um jogador sérvio, o que não é de estranhar porque, dizem-me agora, a empresa de comunicação que gere a imagem da selecção é dirigida pela mulher de Armando Vara, um amigo e, mais do que uma esperança, uma autêntica certeza do panorama bancário português.&lt;br /&gt; Depois os exames. Eles servem para complicar? Estão enganados, isso era antes. Agora é muito simples: aumenta-se o tempo de duração e diminui-se o grau de dificuldade. Daí a “sugestão” para serem afastados os professores correctores que se afastem da média. As estatísticas são o mais importante e, por comparação, temos de fazer boa figura lá fora. Se sobre esta questão subsistir alguma dúvida, faça-se esta experiência: peça-se a um aluno universitário que faça os exames deste ano e ouçam-se as suas respostas sobre o grau de dificuldade. Elas serão evidentes. Ainda na Educação, há contudo uma medida a realçar: o Dia do Diploma será comemorado a 12 de Setembro. Se o leitor não alcança a importância desta medida, está a ser também “injusto”: nessa data os nossos jovens ficarão com a vida mais facilitada e com um diploma dos estudos concluídos no bolso. A 13 de Setembro a sua vida será, certamente, diferente e o mundo mudará.&lt;br /&gt; Finalmente, a pose. A cor da gravata é estudada ao pormenor. Ela é da mesma cor da mesa do estúdio. Na última entrevista que passou na RTP ( é incrível verificar que em momentos de crise, há sempre uma entrevista estratégica… ), tudo está feito para prestar um serviço de propaganda ao primeiro-ministro. O ar nervosinho dos dois jornalistas ( parecem ir prestar provas a um patrão possível ), aquela solenidade tossida e composta do ambiente no estúdio, aquele belo cenário em fundo condizente com a gravidade da coisa. Antes, as imagens da chegada e depois da caminhada de Sócrates para o estúdio - vedeta ansiada que chega com aquela leve mostra de nervosismo que convém sempre às grandes personagens cientes da sua tremenda, pesada responsabilidade. Ele vela por nós. Não se preocupem, pequeninos desamparados e aflitos. Ei-lo que chega. E ele logo à primeira pergunta, a da "crise", põe aquele ar &lt;br /&gt;( quem não vê que é postiço? ) de gravidade ( o peso, o tremendo peso... ), de franzida preocupação. A situação é muito difícil, é, não brinquemos à política que eu estou aqui para me preocupar com coisas sérias e para vos tratar da saúde. E trata mesmo, essa é que é a verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 10 de Julho de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-7504874496716027894?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/7504874496716027894/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=7504874496716027894&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7504874496716027894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/7504874496716027894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/09/os-spin-doctors.html' title='Os &quot;spin-doctors&quot;'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-4659442789961560328</id><published>2008-07-02T21:59:00.001+01:00</published><updated>2008-07-02T22:02:53.838+01:00</updated><title type='text'>Amy Winehouse, Mário Lino, o Latim e os Exames</title><content type='html'>31 de Maio – A desequilibrada.&lt;br /&gt;Mas será que sabem quem é Amy Winehouse? A rapariga tem problemas com a droga e o excesso de alcool. Foi presa por diversas vezes, a última há cerca de 2 semanas por causa de drogas. Já se tentou matar. O marido, que está actualmente preso, chega-lhe com frequência e, ao que parece, também já a tentou despachar. O calibre é tal que os pais já por diversas ocasiões pediram (rádios, tvs) que ninguém comprasse os discos da filha. Uma das músicas mais conhecidas de Amy fala da tal "rehab" de que precisa com urgência, mas que se recusa fazer. Aparece nos concertos invariavelmente pedrada e/ou bêbeda (ontem, postei o vídeo de um concerto em que ela snifa coca em pleno palco), chega atrasada ou, simplesmente, cancela concerto atrás de concerto. Mesmo em cerimóminas de entregas de prémios aparece imprópria para (do) consumo (ver últimos Grammys, acho). Amy é, ainda assim, um fenómeno que vende discos como poucos e que no ano passado ganhou tudo o que havia para ganhar. A rapariga é, obviamente, desequilibrada, como foi Kurt Cobain e Jim Morrison na música ou Maradona no desporto. A genialidade desta gente tem o seu preço. É por isso que não compreendo quem tenha ficado admirado com a forma como Amy se apresentou hoje em Lisboa. Porventura pensaram que ela viria sóbria e na posse de todas as suas faculdades? Amy foi igual a si própria e se assim continuar está visto como é que a história vai acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 de Junho – O “eterno” Lino.&lt;br /&gt;O eng. Lino é um caso. Não é possível antipatizar completamente com o homem, muito menos tomá-lo absolutamente a sério. Já se percebeu que tem poder embora não se perceba exactamente porquê. Por muito menos, outros foram afastados na maior discrição. Pelo contrário, Mário Lino, o homem que veio das águas para o betão, não só fica como "doutrina". Lurdes Rodrigues, por exemplo, nunca mais foi avistada. Desapareceu em combate. Lino, não. É braço direito e esquerdo do seu primeiro-ministro, um anacoreta em forma de pontes e de acordos com camionistas. E "doutrina", dizia eu. «O País tem plena consciência das dificuldades resultantes da situação herdada do Governo anterior, assim como do aumento do preço do petróleo», eis como Lino sintetiza o seu "pensamento" numa entrevista. Três anos depois de ser membro do governo, Lino fala como se não fosse nada com ele. Tudo subsiste à conta dos parcos meses de Santana e das circunstâncias "externas". Afinal, Lino tem estado apenas a fazer figura de corpo presente. Nem sequer temos a certeza se ele tem tido "consciência" do que é que o tem ocupado nos últimos três anos. O país, assegura, tem. Oxalá tenha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 de Junho – Gastar o Latim.&lt;br /&gt;Em apenas dois anos a frequência das aulas de Latim diminuiu 80%. Este ano há apenas 300 alunos a fazer exame da disciplina, o que é bem pouco. A tendência portuguesa é contrária à dos outros países europeus e americanos, onde os estudos clássicos não baixaram a frequência. Não nos podemos queixar. O secretário de Estado Valter Lemos, uma luminária, diz que os alunos não têm interesse no Latim e que “as políticas educativas” não são culpadas. Está errado, como é seu costume. Basta ver a forma como “as políticas educativas” tratam as Humanidades e como o linguajar dos seus queridos técnicos têm assassinado o Português. A “sociedade” não preza o Latim como não preza o património nem o passado, e está no seu direito. Mas fica mais pobre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 de Junho – Os Exames.&lt;br /&gt;Os exames nacionais finais do ensino básico e secundário começam na próxima terça-feira, com as provas de Português, e são protegidos por 7.000 militares da GNR.&lt;br /&gt;Com a época, logo aparecem os comentadores e os tratadistas, os pedagogos, psicólogos e metodólogos, e todos os muito bem pensantes a alertar para os traumatismos e o horrendo stress que os exames provocam nas tenras mentes de quem se sujeita a tais absurdas provas.&lt;br /&gt;A situação é relatada em artigo de Mário Cordeiro, professor de Pediatria, no DN do passado domingo, na Notícias Magazine.&lt;br /&gt;“Exames, exames…é o stress total. Filhos angustiados, pais em pânico, horários em desordem, quartos a parecerem cenários de pós-guerra, discussões a estalarem por tudo e por nada. É assim a vida de muitas casas onde há jovens a aproximar-se da receada hora dos exames…”&lt;br /&gt;Enfim, é gentinha desta que a nossa educação está a criar: florzinhas de estufa, que se enervam e estiolam a qualquer aragem…Sugiro que os ponham sempre numa redoma: na escola, no trabalho, na vida. E tenham-lhes um psicólogo sempre à mão, preferentemente com os mesmos problemas. Consolar-se-ão uns aos outros!...&lt;br /&gt;Cá por mim, começo agora a ficar traumatizado por não ter ficado traumatizado com os exames que fiz!... &lt;br /&gt;Até porque arranjar um qualquer traumatismo psicológico é mesmo a única forma que me resta de não ficar fora do sistema… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 27 / Junho / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-4659442789961560328?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/4659442789961560328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=4659442789961560328&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4659442789961560328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/4659442789961560328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/07/amy-winehouse-mrio-lino-o-latim-e-os.html' title='Amy Winehouse, Mário Lino, o Latim e os Exames'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-5232978699422691483</id><published>2008-07-02T21:55:00.000+01:00</published><updated>2008-07-02T21:59:04.923+01:00</updated><title type='text'>A noiva devolvida e o Europeu de futebol</title><content type='html'>26 de Maio – “Longa cobardia”&lt;br /&gt;Ferreira Fernandes no Diário de Notícias: “Antigamente - um pouco depois dos tempos em que ele, de moca e de osso atravessado no nariz, a arrastava pelo cabelo até à caverna - o lençol nupcial era exposto no bairro. Se havia sangue, a noiva era virgem e o casamento podia seguir em frente. Antigamente..., iludo- -me eu, como se as coisas não pudessem voltar para trás. Em Lille (Norte de França), um tribunal anulou um casamento porque a noiva - muçulmana como o noivo - mentiu sobre a sua virgindade. Na madrugada do casamento, o noivo, engenheiro, levou a noiva a casa dos pais dela porque lhe faltava uma peça (assunto privado). E um tribunal, no ano de 2008!, deu-lhe razão (assunto público). Deixo para os advogados e juízes o valor jurídico do ela ter mentido, como se a lealdade pudesse existir entre desiguais (o engenheiro não teve de jurar a sua virgindade, nem tinha como a provar). A nossa cobardia está a atirar estas novas europeias para o passado. Assim, o passado virá ter com todos nós, não tarda."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 de Maio – Talvez resquícios.&lt;br /&gt;Uma destas noites ouvi parte de uma interessante conversa entre Constança Cunha e Sá e Silva Lopes, na TVI. Silva Lopes é uma daquelas figuras que apetece ouvir, mesmo quando se discorda: exibe liberdade, sinceridade e autoridade. Estas coisas, quando são verdadeiras, percebem-se até pela linguagem corporal. Silva Lopes estava descontraído e gesticulava livremente conferindo ao seu discurso uma autenticidade que os «certinhos» do costume não conseguem imitar – porque são falsos.&lt;br /&gt; A conversa ia longa. Eis senão quando o professor deixou cair um comentário lateral que me deixou a pensar: para salientar o espírito algo volúvel dos portugueses utilizou o velho exemplo dos sinais de luzes que os condutores utilizam para avisar os outros da presença de forças policiais na estrada. Esse hábito português tem sido muitas vezes referido como sintoma de atraso civilizacional. Permitam-me discordar. Nesta crítica detecto um resquício invisível da herança cultural salazarista. A ideia de que o Estado através dos seus inúmeros agentes deve estar em cada esquina a vigiar-nos, pronto para mais uma multa, é tão absurda como culturalmente obsoleta. Em Espanha, por exemplo, a localização de todos os radares de controlo de velocidade está disponível em diferentes sites. Não é função do Estado garantir a nossa segurança na estrada pela via da repressão. É mais eficaz para garantir o cumprimento das velocidades autorizadas, numa auto-estrada, um carro caracterizado da BT do que um anónimo. Esse carro anónimo é uma expressão de visão repressiva do Estado e própria de sociedades que prezam mais a força do que a liberdade e a responsabilidade. E o tal sinal de luzes é mais eficaz no aconselhamento à moderação do que uma brigada escondida num arbusto. Evita a multa e obriga a travar. É isso que se espera do nosso Estado: mais do que existir para punir, deve estar presente antes do arbusto e enviar todos os sinais de luzes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 de Maio – Vem aí o cansaço.&lt;br /&gt;A vida cansa. O Verão está quase aí e a selecção Scolari prepara-se para mais um mês de paciência moída, esperas a jogadores, desvario de jornalistas em reportagem, peregrinações de autocarro e outras deambulações pelo lado mais negro da alma humana.&lt;br /&gt;Avanço pelo cinismo dentro, claro, admitindo que talvez, reafirmo, talvez, passe este mês colado ao ecrã, de jogo em jogo, adequando horário laboral às melhores partidas e aos jogos da selecção. Eu sei que assim será, mas bem que me poderiam poupar os preliminares. Vamos falar claro: não quero telejornais infindáveis sobre a dieta dos jogadores, os treinos dos jogadores, as mulheres dos jogadores, a ausência de vida sexual dos jogadores, as fãs dos jogadores, os velhos da aldeia que vêem a banda passar sem que a banda se digne a parar por eles (mas um microfone, esse, pára por qualquer coisa); aceito um pouco de comentário do Luís Freitas Lobo ou do António Tadeia, mas por favor não convidem o Oliveira do alho no balneário ou o Artur "olho negro" Jorge para dissertar sobre o trabalho do seleccionador ou as vicissitudes do apoio de um país à selecção; transmitam na televisão as grandes partidas de campeonatos de outros tempos, mas evitem os vislumbres dos toques do Ronaldo (apesar de andarem pelo You Tube umas imagens fantásticas de Ronaldinho e outros jogadores da selecção brasileira a curtirem com a bola num treino); podem mostrar entrevistas do Eusébio a falar do Mundial de 66, mas recusem o facilitismo da conversa com o emplastro sobre as decisões tácticas do seleccionador nacional.&lt;br /&gt;Eu sei que posso escolher: mudar de canal, desligar o televisor, sentar-me a ler um livro - ou até voltar a ligar o aparelho e aproveitar para ver na Eurosport as retransmissões de partidas clássicas de antigos campeonatos. Mas, por defeito cultural ( a minha portugalidade ), queixo-me. Um mês de paz e sossego (relativos), de comemorações na rua, alegria para esquecer o cansaço da vida, uma dieta contida de transmissões sem gordura, sem refegos e enchidos para dar cabo do colesterol e da paciência.&lt;br /&gt;A maior conquista de Scolari? Pôr um país inteiro um mês de quarentena. Portugal prepara-se para se exilar de si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 13 / Junho / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-5232978699422691483?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/5232978699422691483/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=5232978699422691483&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5232978699422691483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/5232978699422691483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/07/noiva-devolvida-e-o-europeu-de-futebol.html' title='A noiva devolvida e o Europeu de futebol'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-8973405376783274822</id><published>2008-07-02T21:49:00.001+01:00</published><updated>2008-07-02T21:55:27.140+01:00</updated><title type='text'>O Estado da Nação, o Dicionário de Calão e Francisco Lucas Pires</title><content type='html'>2 de Maio – O estado da nação&lt;br /&gt;Uma amiga regressa a Portugal e procura casa em Lisboa. Pede-me que a acompanhe a uma agência. Uma vez lá, diz ao que vai. Entre a Estrela e Entrecampos, está aberta a sugestões. Prefere construção dos anos 1950, não menos de 90 metros quadrados, não mais de 120, dispensa garagem, se possível duas casas de banho, ou espaço para construir a segunda. A brincar, vai dizendo que «Se puder ser num prédio do Cassiano Branco, tanto melhor», e o rapaz que nos atende, fato antracite Armani, gravata fúcsia de seda e a cabeça armada em gel, olhos no monitor, «Desse empreitreiro não temos nada». OK. Vejo desfilar somas vertiginosas. Barato significa 400 mil euros por um T3 de 1942 a precisar de obras. Um T2 de 1954, com 75 metros quadrados, a 360 mil euros, é dado como pechincha. Às tantas abstraio-me do diálogo para acompanhar num slide show algumas ofertas disponíveis. Estarei a ver bem? No centro de Lisboa, várias casas a rondar o milhão de euros. Não, não são palacetes na Lapa, nem moradias de 600 metros quadrados de área coberta no Restelo ou na Gago Coutinho, nem penthouses de 300 metros quadrados (e vista de rio) no Parque das Nações, nem apartamentos hi tech (e vista de lixo) nos novos condomínios de Alcântara. São casas vulgares, de 8 e 9 divisões, em bairros prosaicos e construção ainda mais prosaica. E, claro, meia dúzia de exemplos acima do milhão. Nisto tudo, uma coisa me intriga. Quem cobre estes lances? A banca não empresta tais somas. E os milionários não andam por aí aos pontapés. Se calhar sou eu que estou fora da realidade.&lt;br /&gt;3 de Maio – Ir ao Bolso&lt;br /&gt;Vejamos a situação: o sujeito A, preenchendo todas as condições, pede a aposentação. Como os serviços centrais da Segurança Social estão com um atraso de oito meses, é dada ordem ao sujeito A para continuar a trabalhar. Oito meses depois, ele é finalmente aposentado. Fim de história? Longe disso, ao sujeito A é pedido que devolva a diferença de vencimento entre o que ganhou realmente e o que teria direito oito meses antes, altura em que reunia todas as condições para se aposentar. Isto é Portugal em 2008.&lt;br /&gt;12 de Maio – Porreiro, pá&lt;br /&gt;Lê-se no Público: "O site do Instituto da Droga e da Toxicodependência IDT destinado a crianças e jovens a partir dos 11 anos contém um "Dicionário de Calão" que as associações de pais temem poder incentivar o consumo (...) No dicionário do site infanto-juvenil www.tu-alinhas.pt pode aprender-se que "betinho", “cocó” ou “careta” é “aquele que não consome droga e, por isso, é considerado conservador, desprezível e desinteressante”." &lt;br /&gt;14 de Maio – Nojo&lt;br /&gt;De novo no Público: “O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezuela e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas (hora de Lisboa, 23h30 na capital venezuelana). O assunto foi muito comentado durante o voo por membros da comitiva empresarial que acompanha Sócrates e causou incómodo a algum pessoal de bordo.” De acordo com António Monteiro, porta-voz da companhia, “o cliente que freta um avião pode ter regras diferentes das da companhia”, pelo que pedir autorização para fumar é um serviço especial “tão normal como pedir para se servir outra refeição, distribuir determinados jornais ou ver certos filmes”. O que nos leva à seguinte questão: Ler jornais mata?&lt;br /&gt;16 de Maio – Francisco Lucas Pires, sempre actual.&lt;br /&gt;«A verdadeira tolerância, no entanto, é a que assenta na fortaleza das próprias convicções e os católicos não têm que ter uma atitude política passiva, clandestina, dividida, pessimista e subalterna. Não têm que deixar “laicizar” a mais importante parte do seu campo de consciência e acção – aquele que tem a ver com a “substância” e as “expressões” mais elevadas do seu ser social. A geral fraqueza da sociedade civil portuguesa não ajuda. Contribui mesmo para a perda das últimas certezas dessa sociedade. A concepção dominante da História é ainda demasiado imediatista e é nesse contexto que se explica o activismo, dirigismo e crescimento do Estado como único arrimo para a erosão da consciência política colectiva. Mas há que reagir e os católicos, com a Igreja, podem bem ser a parte mais sólida dessa recuperação da sociedade civil. Até como via para reabilitar a política e evitar que esta continue a ser um puro jogo de superfície, onde a própria renovação “ética” acabe por se transformar numa nova demagogia. Talvez a renovação “moral”, a partir da sociedade real e dos seus valores profundos, entranhadamente cristãos, seja afinal mais simples e mais eficaz do que a renovação “ética”, a partir, outra vez, dos modelos da Revolução, do Estado e dos seus partidos.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 30 / Maio / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-8973405376783274822?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/8973405376783274822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=8973405376783274822&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8973405376783274822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8973405376783274822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/07/o-estado-da-nao-o-dicionrio-de-calo-e.html' title='O Estado da Nação, o Dicionário de Calão e Francisco Lucas Pires'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-1806573480243647629</id><published>2008-05-14T09:36:00.001+01:00</published><updated>2008-05-14T09:38:09.096+01:00</updated><title type='text'>Os lucros dos lares de idosos e a insegurança nas esquadras</title><content type='html'>22 de Abril – Solidariedade ou lucro?&lt;br /&gt;Foi hoje notícia que “há lares de idosos sem fins lucrativos que arranjam vagas em troca de donativos”.&lt;br /&gt;Estes lares de idosos fazem parte da rede de instituições de solidariedade social, incluindo as misericórdias, através da qual o Estado concretiza as suas políticas de acção social. Estamos perante instituições sem fins lucrativos com quem o Estado faz contratos, mediante um preço, com vista a assegurar o acolhimento e a prestação de serviços aos beneficiários que a elas recorrem.&lt;br /&gt;É importante recordar que estas instituições sendo financiadas pelo Estado, ou melhor com os impostos cobrados aos contribuintes, devem cumprir com a legislação e as regras contratuais estabelecidas. A razão da sua existência é a satisfação de necessidades das pessoas carenciadas que a elas recorrem porque não auferem rendimentos que lhes permitam pagar serviços de assistência privados.&lt;br /&gt;Não sei se são muitas as situações de instituições que exigem entregas adicionais – “direitos de entrada” – aos idosos carenciados e às suas famílias e não sei se a grande maioria ou uma minoria destas instituições utiliza ou não utiliza essas práticas. Agora o que sabemos é que é assumido pelas entidades da segurança social e por altos representantes das instituições de solidariedade social que a realidade existe. A segurança social queixa-se que tem dificuldade em actuar, sabendo que tal prática pode constituir crime de burla. As instituições de solidariedade social salientam que “muitas instituições estão a lutar pela sua sobrevivência” porque a comparticipação do Estado por idoso – fixada, segundo a notícia, em 330 € mensais – não chega para financiar metade do custo que em média um lar tem por cada pessoa internada.&lt;br /&gt;Estamos assim perante situações ilegais, irregulares, imorais, em suma inadmissíveis, em que as instituições de solidariedade social fazem condicionar a atribuição de uma vaga em troca da entrega de uma entrada em dinheiro (segundo a mesma notícia o direito de entrada do caso apresentado ascendia a 15.000 €) ou até de uma herança futura como também consta. &lt;br /&gt;O mais grave de tudo isto é que, no meio desta “selva”, são os idosos carenciados as vítimas destas práticas. São justamente estas pessoas que não tendo rendimentos necessitam do apoio do Estado e que não podendo fazer “donativos” porque os seus rendimentos não permitem ficam fora do sistema. Isto é, não têm acesso ao apoio do Estado.&lt;br /&gt;É a total perversão do sistema, com o consentimento, pelos vistos, de uns e de outros. Uns por umas razões, outros por outras. No meio estão idosos indefesos e vulneráveis. Uma grande injustiça! Será que alguém está interessado em apurar responsabilidades? Em pôr cobro a este estado de coisas? Se as regras de financiamento e de funcionamento estão erradas, pois então que se alterem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 de Abril – O Estado? Sim!&lt;br /&gt;“… o presidente da junta de freguesia da Ericeira contou que, após vários anos a aproveitar os óleos usados, a Direcção-Geral de Finanças do Ministério da Economia e a Direcção-Geral de Alfândegas informaram-no de que necessitava de legalizar a produção de biodiesel. «Fiz todos os esforços para me legalizar e, depois de preencher uma série de requisitos, fiquei espantado ao deparar que a quota está esgotada no país», disse Joaquim Casado.&lt;br /&gt;Depois disso, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) multou a junta de freguesia em sete mil euros por lesar o Estado, ao «deixar de comprar combustíveis fósseis», porque ao não os comprar, o Estado «não arrecada a percentagem de 50 por cento»”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 de Abril – (In)Segurança.&lt;br /&gt;Um rapaz de 20 anos foi ontem à esquadra de polícia de Moscavide queixar-se de uma agressão de que fora vítima. No momento em que formalizava a queixa, os agressores (um grupo de brasileiros) entraram na esquadra e deram-lhe um enxerto de porrada. O queixoso foi dali para o hospital. Na esquadra havia um único polícia. Isto é um domingo à tarde em Moscavide. Depois das tentativas iniciais de desvalorizar a invasão da esquadra da PSP de Moscavide não terem caído muito bem, o Ministro da Administração Interna vem agora considerar “desaconselhável” haver apenas um agente nas esquadras.&lt;br /&gt;Caso não seja suficiente para acalmar a opinião pública, sugiro, em alternativa, duas medidas adicionais:&lt;br /&gt;1- Um documentário de Diana Andringa que demonstre conclusivamente que a invasão da esquadra da PSP de Moscavide nunca aconteceu.&lt;br /&gt;2- Para as esquadras localizadas em lugares mais pacíficos, penso que bastará um “Securitas” sentado a uma secretária a limar a unha. Este será um tremendo elemento dissuasor, para mais se for apoiado por um daqueles tradicionais sistemas electrónicos: uma câmara de vigilância e um alarme ligado à central, que quando activado soará em simultâneo... na esquadra da polícia, para um eficaz e pronto socorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 16 / Maio / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-1806573480243647629?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/1806573480243647629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=1806573480243647629&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1806573480243647629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1806573480243647629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/05/os-lucros-dos-lares-de-idosos-e.html' title='Os lucros dos lares de idosos e a insegurança nas esquadras'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-1563407609122831876</id><published>2008-05-14T09:34:00.001+01:00</published><updated>2008-05-14T09:35:40.844+01:00</updated><title type='text'>Um bom exemplo, a escola de labregos e Musil</title><content type='html'>14 de Abril – Generosidade&lt;br /&gt;Uma turma de uma secundária de Reguengos de Monsaraz, deixou de lado a possibilidade de recolher fundos destinados à viagem de finalistas, para ajudar a pagar o custo elevado da reparação do carro de um professor, acidentado durante uma actividade organizada pela escola.&lt;br /&gt;Na falta de veículos que transportassem os alunos, um dos docentes emprestou a sua viatura que acabou acidentada, sendo vultosos os prejuízos.&lt;br /&gt;Os alunos organizaram um jantar de recolha de fundos para reparação da viatura. E admitem abdicar da sua viagem de finalistas, canalizando o que juntarem para aquela necessidade.&lt;br /&gt;Importa sublinhar estes exemplos. Dos professores generosos que empenham na educação tempo e meios para além do que é a sua obrigação. E de alunos que cultivam a solidariedade como valor. E a sobrepõem a apelos a que é natural não resistir naquela idade, como é o caso da almejada viagem de finalistas.&lt;br /&gt;Aí está uma escola - Escola Secundária Conde de Monsaraz – que parece ser, acima de tudo, um centro de formação de bons cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 de Abril – Repetência ou Passagem?&lt;br /&gt;A Ministra da Educação diz que "chumbar os alunos é a maneira mais fácil de resolver o problema...". E eu pergunto: para quê, então, complicar?&lt;br /&gt;Mas a Ministra continua a falar: "...O que significa é que a repetência devia constituir um espaço de trabalho efectivo para que eles recuperassem. O problema é que esses alunos nunca recuperam".&lt;br /&gt;E eu pergunto, mais uma vez: então, para evitar a repetência, dá-se aos alunos a passagem, como forma de recuperação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 de Abril – Labrego, sê-lo ou não. &lt;br /&gt;Os conflitos entre alunos e professores na escola estão longe de terminar. Muito longe mesmo. Uma menina teria apelidado a professora de ‘labrega’ e a visada ameaçou ir para tribunal. A mãe julga exagerada essa reacção e esclarece: “Para mim, ‘labrega’ é uma pessoa do Norte”.&lt;br /&gt;Quem sou eu para negar o monopólio dessa condição a ‘Norte’ (conceito vago que, a crer no futebol, consistirá numa espécie de mapa entre a Póvoa de Varzim e Aveiro) mas uma rápida consulta do dicionário desmentiria tal definição. Ora, embora a senhora nunca o venha a perceber, foi ela a autora da ofensa mais rude – quero dizer com isto que a afronta da mãe explica a da sua filha e explica muitas coisas na sociedade portuguesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 de Abril – Um muito bom livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esta é, desde já, uma das edições mais importantes entre todas as que ocorrerão em Portugal no decurso deste ano. Chama-se O Homem sem qualidades e é da autoria de Robert Musil. Os dois volumes que a Dom Quixote acaba de fazer chegar às livrarias constituem, no nosso país, a primeira versão completa, traduzida directamente do alemão, do incompleto romance musiliano. João Barrento, o responsável pela presente versão de Der Mann ohne Eigenschaften, referiu ter andado três anos à volta do texto, o que até nem é muito, sobretudo se tivermos em conta que, para o autor, o romance ocupou bem mais de dez; começou a ser publicado em 1930 e representou um projecto em trabalho permanente até à morte de Musil, em 1942.&lt;br /&gt;A importância de O Homem sem Qualidades para uma modernidade literária marcada pelo questionamento e mesmo pela sabotagem da organização que poderíamos chamar clássica da linguagem não parece tão visível como no caso de outros romances (como Ulysses, por exemplo), mas a verdade é que o início se constitui desde logo como o oposto do que tradicionalmente seria o começo de uma narrativa, precisamente por anunciar que nada acontece. Ao mesmo tempo, a descrição parcelar das condições atmosféricas, no aparente intuito de localizar a acção no tempo, indicia a impossibilidade de apreender a totalidade, o que é uma das características mais assinaláveis da modernidade.&lt;br /&gt;Não surpreende, portanto, que o romance questione o modelo oitocentista da narrativa, não só porque se baseia, em grande medida, em diálogos reflexivos e em digressões que servem fundamentalmente para prolongar o que é ensaiado nas falas das personagens, mas também porque a ironia se constitui como o próprio modelo estrutural do livro. Esta questão pode ser mais facilmente compreendida se recorrermos a uma cena em que Ulrich, o protagonista, é obrigado a interromper uma série de importantes reflexões por ter chegado ao seu local de destino. O que Musil sugere aí é que o lugar do pensamento no nosso tempo não é mais do que o percurso entre dois espaços, ou seja, o que sobra da acção. Assim, a ironia vira se contra a obra que a funda e impede que esta se tome demasiado a sério, abrindo espaço para a contingência, para a possibilidade, em suma, para o acaso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 2 / Maio / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-1563407609122831876?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/1563407609122831876/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=1563407609122831876&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1563407609122831876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/1563407609122831876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/05/um-bom-exemplo-escola-de-labregos-e.html' title='Um bom exemplo, a escola de labregos e Musil'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-8504939039027373961</id><published>2008-04-21T15:58:00.000+01:00</published><updated>2008-04-21T15:59:58.850+01:00</updated><title type='text'>Masculino ou Feminino? , a Madeira e a Islândia</title><content type='html'>3 de Abril – Género masculino ou feminino? – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thomas Beatie tem uma história que, até certo ponto, não é original: Thomas nasceu com sexo feminino e não gostou.&lt;br /&gt;Vai daí, fez o que vários outros, em circunstâncias igualmente complicadas, também fizeram: "mudou" de sexo. Um necessário implante, algumas aconselháveis remoções e, a toques de testosterona, lá trilhou os caminhos da sua transformação: voz mais grave, formas físicas masculinas e espuma de barbear no seu wc.&lt;br /&gt;Até aqui, tudo bem.&lt;br /&gt;Acontece, porém, que ( segundo a imprensa ) Thomas Beatie está grávido.&lt;br /&gt;Através de um processo de inseminação, o referido senhor conseguiu realizar um presumível sonho seu: ter um filho.&lt;br /&gt;Mas há-de ter conseguido mais. &lt;br /&gt;É previsível que a parte mais recente da sua história seja narrada com recurso exaustivo a termos como "preconceito" e "discriminação fundada em motivos religiosos". É conhecida a fórmula, não entrarei por aqui.&lt;br /&gt;Entro, sim, por uma certeza de que não se livrará: com a realização do seu presumível sonho, Thomas Beatie deita por terra os efeitos de anos e anos de transformação. Doravante, Beatie dificilmente conseguirá destacar a condição de transexual em detrimento do estatuto de mulher mascarada. &lt;br /&gt;Se tudo lhe correr regularmente, em Julho de 2008 Thomas Beatie será mãe. E se dúvidas restarem acerca do seu género, elas acabarão aqui. &lt;br /&gt;4 de Abril – Dezasseis anos são uma eternidade - &lt;br /&gt;Os socialistas madeirenses estão zangados com Jaime Gama e têm razão para isso, porque um partido não é, propriamente, um fórum de debate para filósofos ( muito menos o PS, apesar de o seu líder se chamar Sócrates ), mas um corredor que dá ou devia dar acesso ao poder. Os socialistas madeirenses lembram que Jaime Gama chamou Bokassa (o ditador africano) a Alberto João Jardim há dezasseis anos, e que agora lhe elogia a obra e o trajecto; ora, dezasseis anos são uma eternidade que pode ter mudado quer Jardim quer Jaime Gama. Pelo que conheço de Jardim, não parece que se tivesse alterado muito do perfil e da substância da sua figura política; já de Jaime Gama não sei, mas tenho as minhas impressões sobre o PS – e uma delas é a de que o presidente do Parlamento ( e segunda figura do Estado ) não costuma dar ponto sem nó, ou seja, nunca é inocente num deslize, se se trata de um deslize. Jaime Gama a elogiar Jardim significa que ignora o partido – e que Jardim deve ser reanalisado. E que quis dizer aquilo que disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 de Abril – Afinal não é a Finlândia –&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Parece que a Islândia, esse país cinzento e frio, ganhou o primeiro lugar no ranking dos países onde as pessoas são mais felizes e é o lugar do mundo onde se pode dizer que se vive melhor. De acordo com um artigo publicado na revista do El Pais de 6 de Abril, os habitantes desse paraíso sabem educar crianças saudáveis e felizes, vivem descontraídos porque os seus problemas têm respostas adequadas, são práticos e sem preconceitos e têm uma noção de sociedade solidária, multicultural, que só tem paralelo nas aldeias dos países africanos. Alguns dados estatísticos são bem expressivos: índice de natalidade mais elevado da Europa e idade jovem das mães, apesar da elevada taxa de trabalho feminino, 6º rendimento per capita do mundo; maior número de pessoas que compram livros, elevada expectativa de vida, incrível crescimento das exportações, cultura sistemática de protecção do ambiente.&lt;br /&gt;Não sei se a explicação para este fenómeno está na importância das mulheres nessa sociedade – a Islândia foi o primeiro país há vinte e oito anos a eleger uma mulher para Presidente, mas para já podemos acreditar nos motivos que o antigo presidente da Câmara de Reikiavik adianta para terem educação gratuita de alta qualidade, serviços públicos de saúde tão competitivos que a clínica privada só se ocupa dos serviço estéticos de luxo, captarem cérebros e fixarem empresas, entre outros sucessos retumbantes. Diz o ex presidente da Câmara, médico e político ( a participação política e cívica é geral ) que essa prosperidade é explicada “porque os Governos adoptam políticas progressistas e sensatas e a matéria prima humana da ilha é forte, pragmática e imaginativa. Há uma relação íntima entre a saúde do país e a qualidade das decisões políticas que se tomam (…) para a saúde de um pais, mais importante que não fumar são os fenómenos sociais em que fazemos ‘finca pé’ – igualdade, paz, democracia, água limpa, educação, energia renovável e direitos da mulher.”&lt;br /&gt;Parece simples, não é? Se não fosse tão frio, apetecia dar lá um saltinho só para ver de perto…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 17 / Abril / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-8504939039027373961?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/8504939039027373961/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=8504939039027373961&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8504939039027373961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8504939039027373961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/04/masculino-ou-feminino-madeira-e-islndia.html' title='Masculino ou Feminino? , a Madeira e a Islândia'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-8840390300732916651</id><published>2008-04-14T16:18:00.001+01:00</published><updated>2008-04-14T16:19:19.074+01:00</updated><title type='text'>António Barreto e o caso do telemóvel</title><content type='html'>O que será preciso acrescentar quando alguém já disse o que deve ser dito? Com a devida vénia, eis o modo como António Barreto “vê” a questão resultante do caso do telemóvel na escola do Porto, publicado no Público de 30 de Março. O título é, sugestivamente, A Balbúrdia na Escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“AS CENAS DE PANCADARIA NA ESCOLA têm comovido a opinião. A última em data, com especial relevo, ocorreu numa escola do Porto e foi devidamente filmada por um colega. Em poucas horas, o “clip” correu mundo através do YouTube. A partir daí, choveram as análises e os comentários. Toda a gente procura responsáveis, culpados e causas. Os arguidos são tantos quanto se possa imaginar: os jovens, os professores, os pais, o ministério e os políticos. E a sociedade em geral, evidentemente. As causas são também as mais diversas: a democracia, os costumes contemporâneos, a cultura jovem, o dinheiro, a televisão, a publicidade, a Internet, a permissividade, a falta de valores, os “bairros”, o “rap”, os imigrantes, a droga e o sexo. Para a oposição, a culpa é do governo. Para o governo, a culpa é do governo anterior. O trivial.&lt;br /&gt;Deve haver um pouco disso tudo. O que torna as coisas mais complicadas. Sobretudo quando se pretende tomar medidas ou conter a vaga crescente de violência e balbúrdia. Se as causas são múltiplas, por onde começar? Mais repressão? Mais diálogo? Mais disciplina? Mais co-gestão? Há aqui matéria para a criação de várias comissões, a elaboração de um livro branco, a aprovação de novas leis e a realização de inúmeros estudos. Até às eleições, haverá alguns debates parlamentares sobre o tema. Não tenho a certeza, nem sequer a esperança, que o problema se resolva a breve prazo.&lt;br /&gt;DE QUALQUER MANEIRA, a ocasião era calhada para voltar a ver a obra-prima do esforço legislativo nacional, o famoso “Estatuto do aluno”. A sua última versão entrou em vigor em finais de Janeiro, sendo uma correcção de outro diploma, da mesma natureza, de 2002. Trata-se de uma espécie de carta constitucional de direitos e deveres, a que não falta um regulamento disciplinar. Não se pode dizer que fecha a abóbada do edifício legal educativo, porque simplesmente tal edifício não existe. É mais um produto da enxurrada permanente de leis, normas e regras que se abate sobre as escolas e a sociedade. É um dos mais monstruosos documentos jamais produzidos pela Administração Pública portuguesa. Mal escrito, por vezes incompreensível, repete-se na afirmação de virtudes. Faz afirmações absolutamente disparatadas, como, por exemplo, quando considera que “a assiduidade (...) implica uma atitude de empenho intelectual e comportamental adequada...”! Cria deveres inéditos aos alunos, tais como o de se “empenhar na sua formação integral”; o de “guardar lealdade para com todos os membros da comunidade educativa”; ou o de “contribuir para a harmonia da convivência escolar”. E também os obriga a conhecer e cumprir este “estatuto do aluno”, naquele que deve ser o pior castigo de todos! Quanto aos direitos dos alunos, são os mais abrangentes e absurdos que se possa imaginar, incluindo os de participar na elaboração de regulamentos e na gestão e administração da escola, assim como de serem informados sobre os critérios da avaliação, os objectivos dos programas, dos cursos e das disciplinas, o modo de organização do plano de estudos, a matrícula, o abono de família e tudo o que seja possível inventar, incluindo as normas de segurança dos equipamentos e os planos de emergência!&lt;br /&gt;TRATA-SE DE UM ESTATUTO burocrático, processual e confuso. O regime de faltas, que decreta, é infernal. Ninguém, normalmente constituído, o pode perceber ou aplicar. Os alunos que ultrapassem o número de faltas permitido podem recuperar tudo com uma prova. As faltas justificadas podem passar a injustificadas e vice-versa. As decisões sobre as faltas dos alunos e o seu comportamento sobem e descem do professor ao director de turma, deste ao conselho de turma, destes à direcção da escola e eventualmente ao conselho pedagógico. As decisões disciplinares são longas, morosas e processualmente complicadas, podendo sempre ser alteradas pelos sistemas de recurso ou de vaivém entre instâncias escolares. Concebem-se duas espécies de medidas disciplinares, as “correctivas” e as “sancionatórias”. Por vezes, as diferenças são imperceptíveis. Mas a sua aplicação, em respeito pelas normas processuais, torna inútil qualquer esforço. As medidas disciplinares são quase todas precedidas ou acompanhadas de processos complicados, verdadeiros dissuasores de todo o esforço disciplinar. As medidas disciplinares dependem de várias instâncias, do professor aos órgãos da turma, destes aos vários órgãos da escola e desta às direcções regionais. Os procedimentos disciplinares são relativos ao que tradicionalmente se designa por mau comportamento, perturbação de aula, agressão, roubo ou destruição de material, isto é, o dia-a-dia na escola. Mas a sua sanção é de tal modo complexa que deixará simplesmente de haver disciplina ou sanção.&lt;br /&gt;O ESTATUTO cria um regime disciplinar em tudo semelhante ao que vigora, por exemplo, para a Administração Pública ou para as relações entre Administração e cidadãos. Pior ainda, é criado um regime disciplinar e sancionatório decalcado sobre os sistemas e os processos judiciais. Os autores deste estatuto revelam uma total e absoluta ignorância do que se passa nas escolas, do que são as escolas. Oscilando entre a burocracia, a teoria integradora das ciências de educação, a ideia de que existe uma democracia na sala de aula e a convicção de que a disciplina é um mal, os legisladores do ministério da educação (deste ministério e dos anteriores) produziram uma monstruosidade: senil na concepção burocrática, administrativa e judicial; adolescente na ideologia; infantil na ambição. O estatuto não é a causa dos males educativos, até porque nem sequer está em vigor na maior parte das escolas. Também não é por causa do estatuto que há, ou não há, pancadaria nas escolas. O estatuto é a consequência de uma longa caminhada e será, de futuro, o responsável imediato pela impossibilidade de administrar a disciplina nas escolas. O estatuto não retira a autoridade na escola (aos professores, aos directores, aos conselhos escolares). Não! Apenas confirma o facto de já não a terem e de assim perderem as veleidades de voltar a ter. O processo educativo, essencialmente humano e pessoal, é transformado num processo “científico”, “técnico”, desumanizado, burocrático e administrativo que dissolve a autoridade e esbate as responsabilidades. Se for lido com atenção, este estatuto revela que a sua principal inspiração é a desconfiança dos professores. Quem fez este estatuto tinha uma única ideia na cabeça: é preciso defender os alunos dos professores que os podem agredir e oprimir. Mesmo que nada resolva, a sua revogação é um gesto de saúde mental pública.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 3 / Abril / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-8840390300732916651?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/8840390300732916651/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=8840390300732916651&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8840390300732916651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8840390300732916651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/04/antnio-barreto-e-o-caso-do-telemvel.html' title='António Barreto e o caso do telemóvel'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-8331498542812943276</id><published>2008-04-02T10:39:00.000+01:00</published><updated>2008-04-02T10:40:09.024+01:00</updated><title type='text'>Bento XVI e a Educação</title><content type='html'>Detenhamo-nos um pouco nas palavras do Santo Padre, pronunciadas recentemente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Chegamos assim, queridos amigos de Roma, talvez ao ponto mais delicado da obra educativa: encontrar um justo equilíbrio entre a liberdade e a disciplina. Sem regras de comportamento e de vida, feitas valer dia após dia também nas pequenas coisas, não se forma o carácter e não se está preparado para enfrentar as provas que não faltarão no futuro. Mas a relação educativa é antes de tudo o encontro de duas liberdades e a educação com sucesso é formação para o recto uso da liberdade. Mas à medida que a criança cresce, torna-se um adolescente e depois um jovem; portanto devemos aceitar o risco da liberdade, permanecendo sempre atentos a ajudá-lo a corrigir ideias e opções erradas. O que nunca devemos fazer é favorecê-lo nos erros, fingir que não os vemos, ou pior partilhá-los, como se fossem as novas fronteiras do progresso humano. Portanto, a educação nunca pode prescindir daquela respeitabilidade que torna credível a prática da autoridade. De facto, ela é fruto de experiência e competência, mas adquire-se sobretudo com a coerência da própria vida e com o comprometimento pessoal, expressão do amor verdadeiro. Portanto, o educador é uma testemunha da verdade e do bem: sem dúvida, também ele é frágil e pode falhar, mas procurará sempre de novo pôr-se em sintonia com a sua missão. Caríssimos irmãos de Roma, destas simples considerações sobressai como é decisivo na educação o sentido de responsabilidade: responsabilidade do educador, certamente, mas também, e na medida em que cresce com a idade, responsabilidade do filho, do aluno, do jovem que entra no mundo do trabalho. É responsável quem sabe responder a si mesmo e aos outros. Além disso, quem crê procura responder a Deus que o amou primeiro. A responsabilidade é em primeiro lugar pessoal, mas existe também uma responsabilidade que partilhamos juntos, como cidadãos de uma mesma cidade e de uma nação, como membros da família humana e, se somos crentes, como filhos de um único Deus e membros da Igreja. De facto as ideias, os estilos de vida, as leis, as orientações gerais da sociedade em que vivemos, e a imagem que ela dá de si mesma através dos meios de comunicação, exercem uma grande influência sobre a formação das novas gerações, para o bem mas muitas vezes também para o mal. Contudo a sociedade não é uma abstracção; no final somos nós próprios, todos juntos, com as orientações, as regras e os representantes que elegemos, mesmo sendo diversos os papéis e as responsabilidades de cada um. Portanto, há necessidade da contribuição de cada um de nós, de cada pessoa, família ou grupo social, para que a sociedade, começando pela nossa cidade de Roma, se torne um ambiente mais favorável à educação. Por fim, gostaria de vos propor um pensamento que desenvolvi na recente Carta Encíclica Spe salvi sobre a esperança cristã: a alma da educação, como de toda a vida, só pode ser uma esperança certa. Hoje a nossa esperança está insidiada de muitas partes e corremos o risco de nos tornarmos, também nós, como os antigos pagãos, homens "sem esperança e sem Deus neste mundo" como escrevia o apóstolo Paulo aos cristãos de Éfeso (Ef 2, 12). Precisamente daqui nasce a dificuldade talvez mais profunda para uma verdadeira obra educativa: na raiz da crise da educação está de facto uma crise de confiança na vida.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Carta do Papa Bento XVI à diocese e cidade de Roma sobre a tarefa urgente da educação, Vaticano, 21 de Janeiro de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 20 / Março / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-8331498542812943276?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/8331498542812943276/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=8331498542812943276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8331498542812943276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/8331498542812943276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/04/bento-xvi-e-educao.html' title='Bento XVI e a Educação'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-6723665435422445901</id><published>2008-04-02T10:35:00.000+01:00</published><updated>2008-04-02T10:37:54.294+01:00</updated><title type='text'>O túnel do Rossio e a violência</title><content type='html'>15 de Fevereiro - É absolutamente normal que os cirurgiões de hospitais públicos portugueses tenham dois ordenados. Um para lá estarem fisicamente. Outro para trabalharem enquanto lá estão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 de Fevereiro -  A Ginjinha esteve fechada por não ter casa de banho. A Ginjinha reabriu sem casa de banho. Hoje, estamos mais seguros exactamente em quê? Poderão ter a gentileza de listar os, certamente inúmeros, casos de  intoxicação alimentar na Ginjinha que foram notícia antes do estado ter decidido zelar pela nossa saúde?&lt;br /&gt;17  de Fevereiro - Foi criada uma conta  para ajudar a família do sargento Luís Gomes, no balcão do Montepio de Torres Novas com o NIB: 003600699910007345677.&lt;br /&gt;São necessários 30 mil euros para a indemnização do pai biológico da criança e as custas com a justiça e advogados ascendem a 40 mil.&lt;br /&gt;18 de Fevereiro - «Vitalino Canas já veio exigir provas das afirmações do bastonário presidente da câmara de Lisboa. «São declarações que têm de ser bem sustentadas e demonstradas porque são acusações sérias», salientou o porta-voz do PS, afirmando que espera ver Marinho Pinto António Costa «a comprovar essas declarações. Entretanto, o Procurador-Geral, presidente da ERC Pinto Monteiro, Azeredo Lopes anunciou que determinou a abertura de um inquérito às declarações do bastonário presidente da Ordem dos Advogados Câmara Municipal de Lisboa, disse à Lusa fonte da Procuradoria ERC.»&lt;br /&gt;19 de Fevereiro - Foi reaberta a estação central de Lisboa três anos e dez milhões de euros depois dos problemas no túnel do Rossio.&lt;br /&gt;O Governo andou bem: mudou de empreiteiro e conseguiu poupar tempo e dinheiro.&lt;br /&gt;Curioso foi o discurso do primeiro-ministro: disse Sócrates, com o arrebatamento que as inaugurações provocam aos governantes, que o “túnel do Rossio faz já parte da identidade não apenas de Lisboa mas de todos os portugueses“.&lt;br /&gt;Quem se atreveria a negá-lo? O túnel do Rossio é um paradigma das questões nacionais tal como a Expo’98, os engarrafamentos no garrafão da ponte e as complicações nos acessos a Campolide - se o assunto é importante para Lisboa tem de ser fundamental para o País.&lt;br /&gt;E todos nós, no Porto, em Braga, em Vila Real, em Aveiro, em Bragança e em Faro, esquecemos a crise e suspiramos de felicidade ao pensarmos que os comboios já circulam no túnel do Rossio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 de Fevereiro -Agora que o Tribunal de Contas chumbou, e muito bem, o empréstimo que permitiria a António Costa continuar a gerir a autarquia à larga, adiando as soluções para depois das próximas eleições, talvez valha a pena lembrar ao Sr. Presidente que tem muito por onde pegar, para começar a resolver os problemas da cidade. Tem por lá “a pesada estrutura da autarquia mais a E-nova, a Ambelis, a OML, a ATL, as SRU, a EGEAC, a Emarlis, a Gebalis, a Lispolis, a Casa da América Latina e sei lá que mais organismos que dão emprego a milhares de eleitores e respectivas famílias e a muitos quadros do(s) partidos(s).” E por isso pode começar a trabalhar e a “fazer o que é preciso - fechar grande parte destas estruturas devastadoras de recursos, diminuir o quadro de pessoal da câmara, cortar subsídios,dizer muitas vezes não”.  Por aqui se vê a fibra de um político. Temos homem na autarquia ou vamos apenas assistir à choraminguice do costume e à habitual distribuição de culpas?&lt;br /&gt;24 de Fevereiro – Onda de violência. Um dias destes, um homem saiu de casa para ir beber a "bica" no café habitual. Saiu de lá cadáver, com um tiro disparado à queima-roupa. Uma mulher preparava-se para estacionar o carro, ir para casa, começar o fim de semana e acabou morta à tiro enquanto falava ao telemóvel com uma amiga. Um rapaz de vinte anos fechou a loja num centro comercial e, quando se dirigiu ao carro, foi surpreendido por um tiro na cabeça que o deixou em coma. Um filho matou os pais esmagando-lhes a cabeça, suicidando-se de seguida. A esta gente silenciada pela violência gratuita resta-lhe a infeliz consolação de não ter de ouvir a retórica política produzida nestes momentos, a velha retórica da "confiança". Eu sou desconfiado por natureza e prevejo um agravar da situação nos próximos tempos. Por isso, pelo sim, pelo não, há por aí alguém que me venda uma arma, de preferência com silenciador? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 6 / Março / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-6723665435422445901?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daescrita.blogspot.com/feeds/6723665435422445901/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17723041&amp;postID=6723665435422445901&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6723665435422445901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17723041/posts/default/6723665435422445901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daescrita.blogspot.com/2008/04/o-tnel-do-rossio-e-violncia.html' title='O túnel do Rossio e a violência'/><author><name>antónio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17723041.post-150932099253316877</id><published>2008-03-03T16:01:00.001Z</published><updated>2008-03-03T16:04:10.863Z</updated><title type='text'>A nova ponte, o Bastonário e os projectos ga Guarda e Covilhã</title><content type='html'>8 de Fevereiro  - O LNEC recebe uma nova encomenda logo após o estudo do novo aeroporto. Esta possibilidade devia ter sido logo posta de parte antes do  estudo sobre o novo aeroporto. Só assim a decisão  do LNEC sobre o novo aeroporto teria sido totalmente livre. O LNEC andou a estudar o novo aeroporto sabendo que se a resposta fosse do agrado do ministro então poderia ter direito a novas encomendas. A questão é ainda mais grave se tivermos em conta que a necessidade de um estudo  sobre a nova ponte foi criada pela conclusão a que chegou o estudo sobre o novo aeroporto. A decisão sobre a nova ponte também não será livre. Já se percebeu que poderão existir novas encomendas na calha. Se o LNEC der a resposta “errada”, perde as encomendas. Tem todos os incentivos para dar a resposta “certa”. &lt;br /&gt;10 de Fevereiro - Marinho Pinto disse a verdade. O País que manda reagiu mal. Primeiro, acusaram-no de falta de fundamentação e clamaram por “provas”. Depois falaram de “populismo”, de querer aproveitar descontentamentos de toda a espécie. Logo insinuaram sinistras “ambições políticas”. Agora, nas ‘conversas de pé da orelha’, sugerem que o bastonário não está bom da cabeça.&lt;br /&gt;No resto do Mundo atribui-se às crianças pequenas a faculdade de tudo dizerem sem estarem atadas a ajustes cirúrgicos entre a sinceridade e a moral social - por cá, nem isso concedemos e temos um ditado que ensina assim: “Dizer a verdade como os malucos.” Porque, durante séculos, fomos amestrados a mentir para podermos existir.&lt;br /&gt;Perante a campanha de desacreditação que estamos e vamos continuar a assistir, o cidadão deve estar armado com uma simples evidência: Marinho Pinto disse a verdade. &lt;br /&gt;12 de Fevereiro – No jornal Público: “Inspecção-Geral das Actividades em Saúde vai investigar incentivos à realização de transplantes”. Parece que os médicos precisam de incentivos para salvar vidas. A vida humana afinal tem um preço. E não é baixo. Esses incentivos estão a ser distribuidos de forma muito pouco igualitária. Ainda não se descobriu uma fórmula para nacionalizar as capacidades dos médicos. &lt;br /&gt;13 de Fevereiro - Mário Crespo, no JN, desculpa Sócrates recorrendo aos padrões da época. Nos anos 80 toda a gente fazia aquilo. De facto, nos anos 80, tal como agora, a corrupção infiltrava todos os níveis do aparelho de Estado. Pelo menos Mário Crespo não procura negar os factos. Eu, pessoalmente, até aceito a desculpa. O que não estou a ver é porque razão é que desculpas semelhantes haveriam de deixar de ser válidas para o momento presente. O SNS desperdiça dinheiro? Não faz mal, esse é o padrão da nossa época. Há fuga ao fisco? Não faz mal, esse é o padrão da nossa época. Como é que um político que seguiu os piores padrões dos anos 80 pode convencer os seus concidadãos a mudar os padrões actuais? &lt;br /&gt;14 de Fevereiro - As notícias sobre Sócrates produziram alguns resultados interessantes:&lt;br /&gt;A RTP usou a expressão “A nova ofensiva do jornal Publico contra o PM (…)” para noticiar o caso. Proponho que o Público passe a referir-se às notícias da RTP como “Mais um frete da RTP ao governo …”. O primeiro-ministro classificou, com ar muito ofendido, as notícias do Público como “ataque pessoal e político”. Como se isso constituísse algum ilícito. Admito que lhe faça confusão ainda existirem órgãos de comunicação que publicam notícias desfavoráveis. É a vida. Ontem, Sócrates desmentiu a notícia do Público que dizia que ele tinha assinado projectos manuscritos por outras pessoas. De seguida, confirmou a notícia ao assumir não apenas a responsabilidade como também a autoria de todos os projectos. Repare-se: ele dia que todos os que assinou são da sua responsabilidade, não diz que foi ele que os fez. A diferença é importante... A notícia está confirmada a partir do momento em que Sócrates assume a autoria de projectos manuscritos por outros. Hoje negou ter auferido qualquer remuneração para além da que auferiu como deputado. Pretendeu dessa forma desmentir a notícia do Público. O Público, por seu lado, não afirmou que Sócrates recebeu qualquer remuneração para além da que auferiu como deputado. Limitou-se a afirmar que Sócrates desempenhou funções para além das de deputado. &lt;br /&gt;Depois de ontem ter assumido a autoria de todos os projectos, hoje Sócrates alegou que a sua actividade a partir de 1989 foi residual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova Aliança, 21 / Fevereiro / 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17723041-150932099253316877?l=daescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href
